Sangue Monstro
53 Aquele zumbi que diz...
Notas iniciais
Narração Raphael:
Uma tempestade fria e pesada caía nessa noite de sábado, como durante toda a semana. Não era agradável pensar que tanto tempo havia se passado sem sabermos o que havia acontecido com Roan, estava ficando cada vez mais preocupado. Então ouvi outra exclamação de Theresa sobre o vídeo game que jogava, ela tinha convencido a mãe a permitir que ela ficasse fazendo companhia para Jennifer nesse final de semana, e parecia que ela se distraia muito mais facilmente do que ocupava o meus pensamentos e os de Jennifer. Juntei-me a elas novamente, sendo puxado por Tess enquanto ela dizia para me preparar para perder.
No meio do meu jogo, o tempo pareceu se irritar do lado de fora das janelas com um súbito clarão e um rugido que superou qualquer som do vídeo game ou da histeria de Tess pelo personagem fazer um movimento errado. Então três outros fortes trovões caíram seguidos, como se cercassem a casa. Senti-me estranho e acuado, era como se algo realmente mortal rondasse pelo meu quintal, e acho que as duas garotas também sentiram isso, pois pararam qualquer coisa que estavam fazendo e encararam as janelas.
A luz piscou e tudo se apagou. Como se esquecesse da sensação estranha Tess reclamou para mim sobre o jogo que não tinha terminado e estava me vencendo, mas eu não conseguia vê-la naquela escuridão. Notei algo, não no meu pensamento ou no de Tess, mas no de Jennifer. Ela simplesmente se levantou do sofá e correu para a porta que dava acesso á varanda. Chamei-a, mas ela continuou e depois só pude segui-la, ouvindo Tess tropeçar em algo, antes de dizer para si mesmo que foi idiota e que era só usar o poder que não ia trombar em nada na escuridão.
Jenn estava parada na varanda, encarando as nuvens escuras e a paisagem cinzenta, molhada e pouco definida, enquanto a friagem da chuva gelava as coisas facilmente naquela área externa.
–Jennifer...-disse pouco antes de ser atravessado pela Theresa, que parou na minha frente.
–Porque ela está ali?- murmurou ela pra mim, enquanto tentava ver algo no que a morena estava encarando.
Então Jennifer se virou para nós dois com uma expressão estranha, e quando ia falar algo um grosso raio sem som cortou o espaço do jardim, atingido pouco abaixo dos degraus da varanda, e nos cegou momentaneamente pela luminosidade súbita.
–Eu não sabia que você gostava tanto assim do Raphael, Tess!
Após ouvir isso, percebi que a menina de cabelo colorido tinha virado o rosto contra meu peito para se proteger da luminosidade, e depois que fui ver quem tinha falado. Para meu espanto, Roan sorria parado onde o raio tinha caído e depois subiu os degraus para sair da chuva, sumindo parcialmente na sombra da varanda.
–Nossa, que escuridão é essa?- e um feixe luz tremeluziu indo até a luz da varanda e a acendendo, depois seguiu pela fiação acendendo todos os cômodos da casa.
Roan sorria vendo a lâmpada, depois olhou para Jennifer ao lado e próxima dele.
–Assim eu também posso te ver. –depois se aproximou dela e a beijou com um abraço por um tempo.
–Roan, co-como você...? Eles vão descartar o acordo?-perguntei, já que não conseguir sentir a mente dele ou qualquer coisa para obter a resposta.
–Nossa Raphael, não vai nem perguntar se ele quer entrar antes?- disse Tess, e Roan sorriu e concordou levemente com ela, mas respondeu.
–Não, o acordo ainda é valido. Afinal eles conseguiram me matar.
–Eles te mataram?!-se espantou Jennifer ainda sobre um dos braços dele.
–Sim, era a única forma que eles conheciam de fazer a justiça por aqueles inocentes que matei. Mas calma Jenn, -disse ele olhando a expressão da garota – eu estou aqui, né? E vivo.
–Mas como?-perguntei de novo.
–Sabe o procedimento comum?- ele me olhou mais sério. -Te colocam em uma cadeira e injetam um coquetel mortal?- Assenti. -Isso aconteceu há uns sete dias comigo. Foi uma das piores coisas que senti. Mesmo não tendo o controle do corpo para expressar, foi doloroso... -ele encarou o chão por um tempo até que um trovão fraco caiu mais ao fundo do terreno e ele virou levemente a cabeça naquela direção, então continuou: — Meus irmãos me ajudaram depois que... que me tiraram do meio da terra...
–Você foi enterrado?!- Tess deu um passo o encarando com uma mistura de surpresa e espanto.
–E depois voltei à vida...
–Como um zumbi. — e Tess sorriu admirada, o fazendo rir.
–Foi uma combinação dos poderes de outros puros para me trazer de volta. Um trabalho de equipe e tanto... -outro raio caiu o assustando brevemente e ele gritou irritado para a escuridão: — Eu sei, caramba! Me deixe! — depois voltou a me olhar como se não tivesse acontecido nada. –Tiraram toda a solução mortal do meu sangue, reverteram seus efeitos e, literalmente, me deram uma carga. Então tiveram que esperar que eu voltasse, acreditando que eu não podia morrer sem passar o poder para outro. E depois que acordei me mantiveram preso por um tempo até que estivesse completamente bem. -um sorriso surgiu no rosto dele. -Me mandaram ficar com eles a partir daquele momento, mas eu tinha as minhas coisas pendentes.
–Então o comando...?
Roan concordou comigo dizendo:
–Eles tem a certeza que estou morto e enterrado. A justiça esta feita e o acordo cumprido. Vocês ficarão bem sem mim.
–Roan, você não pode ficar?- Jennifer que não parava de observa-lo.
Ele desviou o olhar do dela, segurando suas mãos na dele, e encarou o jardim da casa triste. Depois de deixar alguns segundos passar, engoliu em seco e suspirou para responder.
–Não. E também não tenho muito tempo aqui, agora. Jennifer cuide deles por mim, e, por favor, se cuide muito bem. Prometa-me isso que eu prometo que tento te ver sempre que conseguir fugir dos outros.
Outro raio estreito caiu no jardim, fazendo Roan parar de olhar nos olhos de Jennifer e ver o que estava no jardim.
–Mestre, eles estão vindo. -um pequeno ser, com o formato de uma estrela de elétrica, estava de pé sobre o gramado e sua voz era irritante e chiada como estática de um rádio.
–Eu sei. -respondeu Roan secamente e irritado para ele. – Pessoal, isto é o meu assistente. – a criatura guinchou irritada. -Está me ajudando com o que tenho que fazer, e bancando minha babá.
–Não porque eu queira. - resmungou o ser.
–Mas acho que ainda vamos nos dar bem. Ele é engraçado às vezes.
Um tempo passou com Roan encarando cada um de nós com um sorriso estreito, até que parou em mim.
–Diga que vou me lembrar de todos e que estarei os vigiando. – depois se virou para o lado e segurou o rosto de Jennifer a olhando fixamente. -Te vejo em qualquer noite, Jenn. — e lhe deu mais um beijo demorado antes de descer os degraus para se juntar ao seu assistente.
A chuva começou o encharca-lo rapidamente. Ele olhou com uma expressão travessa para alguma arvores distantes que se curvaram com uma rajada de vento furioso, depois encarou as nuvens azuis e escuras de tempestade acima dele.
–Ah, é. Avise o Damian para tomar cuidado quando andar sob as nuvens carregadas. — ele riu. – Adeus Tess. Raphael. -ele assentiu cordialmente para nós e sorriu para Jennifer.
Subitamente Roan olhou para o céu espantado, onde nenhum de nós podia ver, sorriu e o raio grosso caiu sobre ele e despareceu de volta para as nuvens. Logo depois, uma massa de água quadrada colidiu sobre onde ele estava. E como uma piscina de lona arrebentada, a água se jogou para cima dos degraus da varanda e a onda alta conseguiu nos molhar.
O silencio de depois, me fez sentir que fiquei surdo, mesmo escutando o som das gotas de chuvas atingindo o telhado e de Tess tossindo por ter se afogado com um pouco de água. A luz que o Roan tinha arrumado sumiu novamente nos deixando no escuro, mas logo ela voltou, acendendo as luzes da rua, as luminárias espalhadas no jardim e apenas os cômodos em que estávamos andando da casa.
Essa img acima seria o unico desenho que consegui fazer de Roan transformado, tanto que até esta no verso de uma folha de caderno. Rs. Não consegui desenhar coisa melhor. ^-^ Espero que essa ilustração tenha agradado.
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