Sangue Maldito
1 Noite de horror- 1ª parte
Notas iniciais
Essa é a minha mais nova invenção de moda, uma fic cross-over de Naruto com vampiros. Há muito eu sonhava escrever sobre isso, mas foi justamente quando li o maravilhoso livro de André Vianco intitulado Os Sete que eu tive a inspiração para fazer essa brincadeira.
Inverno, Acordador, Espelho, Tempestade, Lobo, Gentil e Sétimo, são os sete malditos vampiros do Rio D`ouro.
A obra é maravilhosa e o texto impecável. Eu nunca fui uma amante do gênero, mas depois de ler esse livro, me tornei fã do autor.
Não se preocupem. Mesmo sem ter tido o privilégio de apreciar o livro, você pode ir fundo porque as partes que necessitavam de explicação foram elucidadas, ou seja, não é preciso um profundo conhecimento da trama para entrar na história.
—Sakura, eu já disse não. Quantas vezes vou ter que repetir isso!- Sasuke esbravejou enquanto caminhava. A moça vinha atrás e mantinha o mesmo semblante decidido.
—Mas, porque não? Toda vez me responde a mesma coisa.
Continuaram a discutir durante o percurso. Ele ia a frente, evitando assim o olhar resoluto que o atormentava com a mesma indagação. Porque ela simplesmente não esquecia aquele maldito assunto de uma vez por todas?
—Acho que não preciso entrar em detalhes quanto a minha recusa.- confrontou-a pela última vez disposto a encerrar o assunto.
—Que droga! Estou cansada disso tudo. – exclamou indignada, pisando mais forte e, mesmo sem olhar para trás, para o rosto que tanto admirava e amava, ele sabia qual era a expressão de zanga que devia manter. Conhecia melhor que ninguém. — Você chega quando bem entende, me espiona, vigia e persegue. Anda pelos mesmos lugares, pelos mesmos jardins, cumprimenta as mesmas pessoas e não tem a coragem de sequer andar ao meu lado, ou mesmo, se aproximar mais do que esses malditos trinta centímetros que insiste em manter! Isso já virou palhaçada, Sasuke! Acha que vou suportar essa distância, essa maldita linha imaginária de contenção que você criou entre nós até quando?!
Ele finalmente interrompeu os passos fazendo Sakura se assustar, permanecendo imóvel no mesmo lugar como uma estátua. Sakura parou de andar. Fitava as costas dele incerta do que deveria fazer em sguida. Afinal, tinha conseguido a proeza de fazê-lo parar, algo que não acontecia há muitos dias. Finalmente tinha alcançado o primeiro passo do desejo de tê-lo ao lado uma vez mais, porém não sabia o que fazer a seguir. Deveria continuar andando e alcançá-lo, ou permanecer quieta?
Há algum tempo atrás não teria dúvidas; apertaria o passo, enlaçaria o braço solitário dele e o abraçaria, mas agora era diferente. Tudo era diferente para ela, estranho, novo, desconhecido, bizarro. Sasuke não era mais o mesmo, não pertencia mais ao mesmo mundo desde aquela noite. Aquela maldita noite em que foram abordados por um homem estranho, um sujeito que parecia ter surgido do além para salvar a vida dele e que ao mesmo tempo o lançou na mesma maldição.
Eles tinham acabado de sair de uma festa, um baile de formatura. Estavam alegres e não paravam de rir as bobagens que o outro dizia. Um pouco do álcool ingerido na festa ajudava a enaltecer os ânimos. A madrugada ia alta e a lua cheia banhava a terra com a luz mais pálida que podia oferecer.
Já tinham vencido metade do caminho quando tudo aconteceu.
O ar quente da noite foi substituído, aos poucos, como que por mágica, por um vento frio e sobrenatural que fez o casal se apertar ainda mais em busca do calor do corpo do outro. Eles brincaram, riram, sem dar importância ao estranho aviso que circulava o ar, e esse foi o grande erro; um erro fatal que custaria a vida de um dos dois, ou pelo menos a existência que conhecia até então. O vento frio aumentou fazendo os dois finalmente se atentarem para o fato quando viram que começavam a expelir pequenas nuvens de fumaça branca pela boca.
—Que frio mais estranho. Podia jurar que até agora estava suando de calor. Será que estou tão bêbado assim?
—Não, não bebemos tanto. Deve ser um inverno fora de hora.
—Inverno fora de hora? Isso lá existe, Sakura? Nós estamos no verão, não tem como algo assim acontecer.
—Então como explica esse frio, Einstein?
—Sei lá. Estou mais preocupado em chegar em casa logo para poder curtir o restinho da noite com você. O frio que se dane.
—Mas, eu estou incomodada. Se soubesse que faria tanto frio na volta teria colocado uma calça em vez de saia.
—Que mané calça, garota. Você sabe que eu adoro quando usa saia, fica gostosa. E tem mais, se está com tanto frio deixa que eu resolvo esse problema para você.
Ele a segurou pela cintura e a trouxe para perto unindo seus lábios. Beijaram-se com fervor, deixando a mente ser tomada pelo desejo, dando pouca atenção aos avisos do frio sobrenatural que aumentava a cada minuto.
—Ora, ora. — uma voz soou brincalhona fazendo os dois se separarem de um salto a procura do dono – Não sabe que é uma deselegância da sua parte, rapaz, agarrar uma dama no meio da rua, sem se preocupar com os possíveis expectadores?!Esse não é um comportamento de um cavalheiro.
Eles olharam assustados. A rua estava deserta, não havia sinal de viva alma há quilômetros.
—Quem está aí?- Sasuke perguntou tomando a dianteira.
—Alguém que você não pode ver com esses pobres olhos, mortal. – a voz parecia vir de todos os lados, como se brincasse de pique-se-esconde.- Mas que observa você de um lugar que não pode, sequer, imaginar.
—Apareça de uma vez, cara. Não gosto de brincar de esconde-esconde.
—Esconde-esconde, você diz.— a voz pareceu se divertir ainda mais. – Sim, rapaz, pode chamar assim se preferir, mas eu prefiro outro nome; caçada.
— Do que está falando, seu maluco? Está curtindo com a minha cara? Apareça logo.
—Quanta agressividade.— um vulto surgiu magicamente a poucos metros a frente deles. Dois na verdade. Um alto acompanhado por um baixinho atarracado. Não era possível ver seus rostos encobertos pela escuridão que os apanhava por estarem contra a luz da lua. Sakura agarrou o braço de Sasuke visivelmente assustada, ele mesmo tinha o coração acelerado apesar de tentar manter a calma. – Sabe rapaz, adoro a agressividade da sua juventude, ela me fascina. Mas, odeio a presunção que carregam no olhar e a burrice que os impele a bater de frente conosco. Fossem outros tempos, haveria correria, gritos e pânico; aqueles jovens sim, eram precavidos, não saiam sem seus tesouros. Os malditos tesouros que nos afastavam ou faziam nossos estômagos mortos vomitar por horas, ou simplesmente congelavam nossos movimentos para que pudessem fugir, isso claro, se tivessem a sorte de nos atingir. Hoje em dia, os jovens desse reino são estúpidos, parvos inúteis que fazem a nossa caça se tornar um evento tedioso. Não temem o nosso cartão de visitas.
—Você por acaso é louco? — Sasuke perguntou pondo a mão na arma que trazia a cintura por segurança. Uma magnum 44 capaz de estraçalhar os ossos da perna de um adulto saudável, ou estourar seus miolos com um simples contato. Ele tinha licença para usá-la, mas era a primeira vez que via a necessidade iminente para isso. Tinha uma boa mira e um braço forte o bastante para aguentar o recuo da potente arma- que tinha o peso equivalente a dez quilos- e usaria naquele louco se ele representasse uma ameaça a Sakura. Odiava a ideia de acertar um humano com aquele trabuco e usaria só se fosse realmente muito necessário. — Não está falando coisa com coisa. Que merda é essa de cartão de visitas?
—Realmente um tolo, meu jovem.— Eles já estavam próximos. Sasuke resolveu que era hora de tentar assustá-los com a arma e a puxou da cintura apontando para o homem. — O frio, ele é o meu cartão de visitas.
—Chega de gracinhas. Não sei quem é você ou onde pretende chegar com essa sua conversa para loucos, mas não vou hesitar em atirar se der mais um passo.
O homem olhou para a arma apontada e continuou a caminhar. O baixinho continuava calado ao seu lado. A luz finalmente alcançou o rosto dos dois. Não eram anormais, não pareciam bêbados tampouco loucos. O mais alto tinha um sorriso de muxoxo como se estivesse se divertindo com todo aquele teatro imbecil, diferente do companheiro que tinha um semblante sério com as sobrancelhas arqueadas como se estivesse naturalmente irritado com tudo.
—Eu não estou brincando. – Disse Sasuke destravando a arma e engatilhando o cartucho. — Se continuar andando vai acabar igual à uma peneira.
—Interessante.— ele disse rindo estranhamente. – Um pouco diferente no modelo, com certeza, mas acredito que tem a mesma função das outras.
Ele continuou a caminhar. O mais baixo parecia ter entendido a mensagem de Sasuke e andava com menos vigor que o colega, como se contasse os passos ao encarar o objeto.
—Guilherme. – Falou pela primeira vez fazendo o mais alto parar. Tinha uma voz baixa, quase como um sussurro. Um sussurro malvado. – Sabes bem o que o humano segura; já não experimentaste o suficiente disso para uma existência, não? Porque insiste em perturbar o pobre diabo?!Largue-os de mão, já nós alimentamos o suficiente para saciar a sede, não precisamos de mais em nossa jornada. Temos um longo caminho a percorrer ainda. Vamos, não percamos mais tempo.
—Que tens, Acordador? Estás se tornando igual ao Miguel? Desde quando tem piedade de humanos?— questionou com visível desprezo.
—Está sendo injusto em suas palavras, Guilherme. Sabes que não temo a caçada e me divirto com o pavor deles tanto quanto tu. Não me compares ao tolo do gentil. Nada faço para merecer esse rótulo.
—Não precisa me lembrar da minha obrigação; do nosso destino. Não burle o meu direito maldito de caçar esses ridículos. Há tempos não tenho uma diversão igual.
—Terás todo o tempo do mundo para se divertir quando voltarmos a nossa terra. — a voz era baixa, mas audível. – Não há motivo para pressa.
—Não venhas ditar o que tenho que fazer, Manuel, ou te estraçalho aqui mesmo.
—Não me interesso pelo seu terror, odiento irmão. Não fosse o risco de sermos apanhados pelo maldito sol, talvez me juntasse a ti nessa investida ridícula, mas devemos ter pressa. Contendas podem ficar para depois.
—Tem razão quanto ao sol, Acordador. Prometo-lhe ser breve.
A conversa estranha daqueles dois não fazia sentido algum. Porque diabos temiam o sol? Será que era por isso que eram tão pálidos?
O baixinho fez uma pausa antes de voltar a falar.
—Ande logo com isso então. Mas não espere por ajuda.
—Não esperarei.
Ele voltou a caminhar. O olhar divertido. O desgraçado estava achando graça daquilo! Estava rindo por estar na mira de uma magnum 44?! Será que achava a situação algo hilário, ou duvidava que ele fosse capaz de atirar? Era realmente um louco, ou somente um retardado mesmo?!
—Eu já avisei, vou atirar! - Sasuke prometeu novamente, dessa vez deixando o indicador pousar sobre o gatilho e abraçá-lo.
—Já conheço esse brinquedinho, rapaz. Pode atirar o quanto quiser, mas não aconselho a você fazê-lo no meu amigo. Ele pode gritar e se houver um cemitério por perto, vai acabar acordando quem não precisa.
Sasuke se sentia pressionado. Teria que atirar naquele louco, e o pior, na frente da namorada. Já não se sentia confortável com a ideia e ainda teria plateia. Ele tinha dito para não atirar no baixinho, mas porque devia dar-lhe ouvidos. Ele parecia ser, de longe, o mais perigoso da dupla. Além do mais, os dois não estavam falando coisa com coisa. Mirou a perna do homem que se aproximava. Daria um tiro nela para que ele parasse. Não mataria, mas o transformaria em um aleijado.
—Vai atirar em mim, gajo? Corajoso, apesar de estúpido.
—Quem é mais estúpido aqui? Eu, que estou mirando em um louco desarmado que não fala coisa com coisa, ou esse louco que não liga de ter uma perna na mira de uma arma desse calibre?
—Não tenho medo desse brinquedo, mortal. Não poderá me deter com isso, apenas retardar os meus movimentos por alguns minutos. Vou te dar um conselho, atire e corra para bem longe.
—Vai para o inferno!
Sasuke pressionou o gatilho deixando a bala fugir, impiedosa pelo cano. Era uma bala de estilhaço o que significa que seu dano é superior ao de uma munição comum por deixar um rombo desgraçado no alvo. Sakura fechou os olhos.
Em segundos, a pele, carne e ossos da canela do homem estouraram em uma sequência rápida e sangrenta. O osso se partiu com o impacto fazendo o homem cair e urrar de dor. O baixinho que o acompanhava, o tal do Acordador, fez uma careta de dor e divertimento do banco onde tinha se sentado, mas não mostrou preocupação em se levantar para ajudá-lo. Na verdade, olhava para o ferimento do colega como se o tivesse visto apenas ralar os joelhos ao cair de bicicleta.
Só um momento, quando foi que ele sentou naquele banco?
—Eu avisei, irmão parvo.— disse sem emoção, com a voz quase inaudível naquele assustador tom grave e baixo.
Ao ver o homem no chão abraçando o que lhe sobrou de perna, Sasuke resolveu que era hora de sair dali. O que estava sentado não parecia estar interessado neles, apenas arrumava a gola alta da camisa despreocupadamente sem sequer mirá-los.
Sasuke abraçou Sakura que tremia e deu as costas aos dois a fim de seguir outro trajeto.
—Esse é sem dúvida o brinquedo mais forte que já tive o desprazer de experimentar. Sugiro que siga o meu conselho. — Guilherme disse com a voz ainda cortada de dor.
Sasuke olhou mais uma vez para trás e viu algo que fez seu sangue congelar. O mais baixo levantou e, em um piscar de olhos, estava ao lado do mais alto que se levantava com alguma dificuldade. Aquilo era impossível, ele estava sem uma das pernas, um osso estraçalhado, como diabos...o ferimento! O maldito ferimento estava fechando! Como aquilo era possível? Fitou Acordador que o olhou nos olhos e balbuciou uma palavra que ele pode compreender mesmo sem conseguir ouvir por causa da distância. “Corra”.
Foi o que ele fez. Correu. Correu segurando Sakura pela mão, mas não conseguiu ir muito longe. Olhou para trás mais uma vez e viu apenas o mais baixo, que revirou os olhos como se estivesse entediado. Quando voltou a olhar para frente o desgraçado que tinha sido alvejado na perna estava a sua frente, sorrindo. Era mais alto que ele, muito mais alto. Aquela coisa não era humana. Empunhou mais uma vez sua magnum. Estava apavorado, tinha que salvar Sakura.
—Corre, Sakura!— ordenou empurrando-a para o lado.
—Mas, e você?
—Faça o que eu mandei, porra! Corre!
Ela não esperou mais nenhum pedido e correu. Sabia que se ficasse só iria atrapalhar.
Sasuke engatilhou a arma novamente, dessa vez mirando a cabeça dele. Iria atirar naquela coisa, fosse o que fosse. Pressionou o gatilho, todavia, antes que pudesse de fato atirar, sentiu a mão ser pressionada pela de Guilherme que se fechou sobre a sua, esmigalhando os ossos de seus dedos e fazendo-o soltar a arma no chão. Ele era muito rápido. Mais rápido do que a visão de Sasuke podia acompanhar. Calmamente ele apanhou a arma com uma das mãos e com a outra segurou o moreno pelo pescoço, erguendo-o do chão sem esforço, como se ele não pesasse mais que gramas.
Sasuke sentia o ar faltar nos pulmões, e eles ardiam em protesto enquanto arfava. Lutava contra o agressor em vão, tentando acertar algum soco que lançava a esmo sem conseguir sequer encostar-lhe um só dedo. O homem riu, deliciando-se com a expressão de terror dele enquanto gradativamente aumentava a pressão comprimindo o pescoço dele com seus dedos languidos e frios. Era um sádico, um monstro lunático.
—Primeiro ignora meu cartão de visitas, depois meu conselho. Não tem como ser mais estúpido. A tua raça parece estar ficando mais burra com os séculos. Não acreditam mais em nós, acha que somos parte do folclore.
—O que vocês são, desgraçados? —Perguntou com dificuldade pela falta de ar.
—Vampiros. Nada mais que isso.
Os olhos negros do homem se acenderam como duas brasas, brilhando vermelhos aterrorizando o jovem que já sentia a fraqueza nublar sua visão, mesmo assim não pode esconder o terror que se apossou do seu coração ao encarar a figura demoníaca que sorria extasiada com seu medo. Ouvia Sakura que continuava a gritar de longe desesperada. O outro homem nem se movia, apenas observava a cena entediado como se ansiasse que terminasse logo. Sasuke viu com terror as presas assassinas brotarem da boca do agressor. Seria assim que ia morrer?
—Não te preocupes, não vou me servir do seu sangue. Seria indigesto. Prefiro carne mais macia e um pescoço mais atraente e sedutor como o da tua rapariga.
Sasuke sentiu o cano da arma encostar em seu peito e mal teve tempo para pensar quando sentiu o corpo ser sacudido pela potente explosão que fez seu corpo sacolejar com violência. Tinha sido rápido. Sem dor. O vampiro o soltou deixando seu corpo cair com um baque surdo no chão. O sangue vazava generosamente, se espalhando pelo manto negro do asfalto. Os pulmões ardiam e os olhos mal conseguiam distinguir o que era realidade e o que era fantasia. Os sons ficavam cada vez mais distantes.
O homem caminhou para Sakura que chorava desesperada seu namorado deitado em uma poça do próprio sangue, envolto ao que sobrou das vísceras que foram estraçalhadas com o tiro. Ela queria estar com Sasuke, não acreditava que ele ia morrer ali. Os olhos dele estavam nublados.
O assassino mantinha um olhar divertido e andava lentamente e Sakura soube ao olhar para seu sorriso psicopata que também ia morrer, tal qual seu namorado. Apavorada ela rezou, implorando ajuda aos céus enquanto se afastava a passos lentos devido ao torpor que paralisava suas pernas. Queria que aquilo fosse um pesadelo e que acordasse em sua cama, gritando, mas que não fosse realidade. Sasuke não podia estar morto. Não! Ela se recusava a acreditar. Desesperada, começou a gritar por socorro. Seus gritos ecoavam pela rua deserta, mas estavam longe de qualquer tipo de ajuda.
—Deixe de tolice, mulher. Ninguém vai conseguir escutar esses seus gritos apavorados. Se entregue calmamente e prometo que vai ser rápido.
Finalmente o medo que sentia venceu o torpor e Sakura fez menção de correr. Ia para perto de Sasuke quando sentiu o corpo ser puxado contra outro. Amedrontada, tentou fugir, mas não tinha força o suficiente para quebrar o abraço que era forte como se estivesse sendo contida por grilhões, e não braços. No primeiro momento pensou ser o baixinho, porém olhou para o lado e o viu no mesmo lugar, ainda na mesma posição.
O homem que se aproximava interrompeu os próprios passos, parando enquanto fitava a figura atrás de Sakura.
Havia algo de estranho nos olhos dele. Parecia aturdido e ligeiramente irritado. O olhar divertido foi substituído por um indignado e furioso e Sakura quase desfaleceu ao perceber as presas dele tornarem-se mais salientes quanto ele mostrou os dentes cerrados, como uma espécie de rosnado.
Guilherme sabia que ninguém escutaria, a menos que fosse um vampiro e tivesse a audição sobrenatural, mas aquele desgraçado tinha ouvido e ousava se intrometer.
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