Sangue Maldito

28 Tradicionalista


Notas iniciais
Eu saciei a curiosidade de vocês, depois alimentei a curiosidade de vocês e cá estou mais uma vez matando quem mata vocês... Certo, isso foi completamente ridículo, ignorem minha parte idiota, por favor!

Em um lugar muito macio e confortável, porém pequeno. Abri meus olhos lentamente e não consegui entender direito onde eu estava, me sentei e comecei a olhar ao redor. Vi uma lareira branca com um espelho pendurado em cima dela, havia uma mesa de centro redonda de madeira, uma poltrona verde-clara próxima a mesa e então uma cômoda com um abajur. Que estranho, eu nunca havia estado ali antes.

Espreguicei-me e levantei, quando olhei melhor para ver onde estava deitada, percebi que era em um caixão. Dei um grito e pulei caindo de bunda no chão.

– O que você está fazendo, baka? – Subaru me perguntou aparecendo do nada.

– Ufa, eu não estou morta! – exclamei aliviada, depois que eu vi o caixão realmente pensei que poderia estar morta.

– Essa é minha cama. – explicou me olhando com irritação. Eu olhei para o Subaru, depois para o caixão, depois para o Subaru e depois voltei ao caixão.

– Entendi! Você é tradicionalista! – foi a única coisa que eu consegui concluir, pois nas histórias de vampiros dos humanos eles realmente dormiam no caixão.

– O quê? – perguntou confuso. Eu o encarei intrigada, ele não sabia que nas lendas humanas sobre vampiros eles dormiam em um caixão?

– Etto, você não sabia que vampiros dormem em caixões nas histórias humanas? – questionei, tentando segurar o riso. Como é que ele não sabia disso? Provavelmente era um dos mitos mais populares sobre vampiros!

– Que perda de tempo!

– Então por que diabos você tem um caixão no seu quarto?

– Não é da sua conta! – gritou chutando uma parede que criou uma rachadura. Não sei como essa casa ainda não desmoronou de tanto que o Subaru bate nas paredes. Eu me encolhi, estava com medo de levar um soco dele. Ele me encarou e percebeu que eu estava com medo, suspirou e começou a se aproximar de mim, eu só fiquei lá parada que nem um dos pilares que sustentavam aquela mansão, então Subaru me abraçou.

– S-Subaru-kun? – chamei meio chocada, ele apenas me apertou. Resolvi retribuir o abraço e coloquei uma das minhas mãos em seu cabelo enquanto a outra apertava a cintura dele, ficamos abraçados em silêncio. Preferi não perguntar nada, mesmo que estivesse totalmente boiando.

Olhei para o espelho que havia no quarto e quase tomei um susto, havia dentro dele uma bela mulher de cabelos brancos e olhos vermelho-sangue, ela era muito parecida com o Subaru e me perguntei se aquela era a mãe dele, assim como Beatrix era a mãe do Shu e do Reiji. Seu olhar era o mais triste que eu já havia visto, mas mesmo assim ela continuava muito bonita era a mulher mais bela que eu já havia visto.

– Você é linda! – deixei escapar um sussurro admirado, a mulher deu um sorriso triste e depois sumiu.

– Quem é linda? – Subaru perguntou me encarando, depois de separar o abraço. Eu paralisei por um segundo.

– Ehhh, s-sou e-eu... Isso sou eu! – menti, aquela era a pior mentira que eu já havia contado na minha vida, não pelo fato de eu não ser bonita, mas pelo fato de que eu não sou o Ayato ou o Kou para sair por aí me achando a boazona. Subaru estreitou os olhos.

– O que você está escondendo?

– Não estou escondendo nada! – falei rápido demais, estava óbvio para todo o universo que eu estava escondendo alguma coisa. Subaru me empurrou com uma força desnecessária me fazendo cair deitada dentro do caixão, depois ele subiu em cima de mim, eu estava impressionada com o tamanho daquele caixão, se bem que eu era pequena.

– É melhor você me contar, ou então... – ameaçou mostrando as presas. Cogitei a hipótese de contar, no entanto algo me dizia que era melhor eu não falar nada da mãe dele.

– Gomen, eu não posso, Subaru-kun. – eu disse tristemente, ele fez uma expressão de raiva.

– Vou fazer você sentir minhas presas! – avisou e começou a abrir meu uniforme, só quando ele fez isso foi que eu finalmente me dei conta de que não fazia a mínima ideia de como havia voltado para casa e muito menos de como eu acabei indo parar no quarto do Subaru. Ele já estava se abaixando para morder meu pescoço quando eu pensei em algo.

– Subaru-kun, para quê serve aquela adaga que você tem? – perguntei com uma curiosidade súbita. Na hora ele paralisou e começou a me fitar.

– Serve para matar pessoas como eu. – respondeu de modo sombrio.

– Você... já matou alguém... com ela? – questionei um pouco apreensiva. Será que eu queria mesmo saber a resposta para aquela pergunta?

– Já. – falou inexpressivo. Pensei em perguntar quem era, porém temia a resposta e a reação dele, por isso deixei para lá. Agora que o fantasma da mãe dele apareceu eu poderia descobrir um pouco mais.

– Entendi. – eu disse pensativa. De repente eu senti os lábios frios do Subaru colados aos meus, parece que ele resolveu virar o mestre dos movimentos inesperados. Fiquei pasma, contudo fui me recuperando e devagarinho fechei os olhos e aproveitei o beijo, sua língua pediu passagem e eu deixei.

O beijo do Subaru era totalmente contrário a sua personalidade, ao invés de ser violento e agressivo era carinhoso e até um pouco contido, como se ele estivesse se segurando, então resolvi ser um pouco ousada e desfiz o beijo apenas o suficiente para dar uma leve mordida no seu lábio inferior, que era tão macio e frio que parecia que eu estava mordendo um pedaço de torta. Na mesma hora Subaru voltou com tudo, o beijo continuava carinhoso só que agora estava mais feroz, quando o ar se fez presente – pelo menos para mim – nós nos separamos, ele encostou sua testa na minha e me fitou.

– Nunca mais faça isso, baka! – ordenou parecendo irritado.

– M-mas foi v-você quem c-começou! – retruquei ofegante, afinal ele é mesmo um tsundere.

– Tsc! – falou e me mordeu subitamente, dei um gemido devido a dor inesperada, porém logo minha pele se arrepiou e eu me acostumei a sensação. Alguns minutos depois Subaru parou de chupar o meu sangue e simplesmente sumiu, ninguém pode contar com esses vampiros... Eles se aproveitam de nós e depois evaporam!

Passei um tempo deitada para recuperar minhas forças, meu estômago roncou e eu fiquei varada de fome, já estava na hora de assaltar o estoque de suprimentos dessa casa! Levantei e fui em direção a porta, mas acabei sentindo um calafrio e me virei vendo a mesma mulher de antes no espelho, fui até ela e coloquei minha mão no rosto dela tentando tocá-la, lógico que eu não consegui já que havia um espelho nos separando.

– Mostre-me onde você está. – pedi num murmuro. Ela fechou os olhos e algumas cenas de como chegar à torre em que ela se encontrava me passaram pela cabeça. – Eu já estou indo, Christa! – sussurrei lhe oferecendo um sorriso.

– Obrigada. – murmurou tristemente e então sumiu. Pelo jeito meus planos de assaltar a dispensa foram para o saco!

Notas finais
Como você pode querer alguém como eu? Alguém tão sujo e perturbado? Mas se você realmente estiver disposta a me aceitar é melhor que esteja preparada, pois eu não vou me conter. Te arrastarei mais fundo dentro desse mar poluído e te tornarei minha... Para sempre! Subaru Sakamaki