Sangue Maldito
26 Modo AE
Notas iniciais

Acordei calmamente e já não havia ninguém em cima de mim e nem perto de mim, fiquei aliviada, mas então eu vi as horas e faltavam somente dez minutos para o jantar.
– AH, MEU KAMI-SAMA! ESTOU ATRASADA! – gritei desesperada e corri para o banheiro, tirei as ataduras o mais rápido que consegui e tomei o banho mais rápido da minha vida, depois coloquei as ataduras de qualquer jeito e saí correndo para a sala de jantar, nem penteei o cabelo, só me importava em não chegar muito atrasada para o jantar, porque atrasada eu já estava. Entrei na sala com estardalhaço e logo todos olharam para mim, eu estava ofegante e praticamente me arrastando até o único lugar da mesa que sobrou entre Azusa e Kou.
– Posso saber o motivo do seu atraso? – Reiji perguntou rígido. Eu engoli em seco.
– Eu dormi demais. – respondi cabisbaixa. Culpa do Yuma! Por que aquele escroto não me acordou?
– Esteja ciente que será punida. – avisou de forma seca. Eu revirei os olhos e fiz cara de tédio.
– Hai, hai. – desdenhei. Reiji estreitou os olhos para mim com raiva, eu dei uma risadinha e comecei a comer de modo voraz. Peguei a taça com suco de amora e comecei a beber, foi nessa hora que eu senti uma mão subindo pela minha coxa até minha intimidade, eu engasguei e comecei a tossir como se fosse botar meus pulmões para fora, na mesma hora retiraram a mão.
– O que houve, Tora-chan? – Kanato me perguntou, eu olhei para o Kou de relance, sabia que tinha sido ele, e ele estava com um sorriso vitorioso no rosto.
– É que eu senti algo nas minhas pernas, mas já passou. – respondi com um sorriso fingido.
– Eu acho que você está mentindo, Jujuba. – Ayato falou e eu fiquei com uma fúria imensa, entretanto eu não iria ser malvada com ele.
– Você é muito perceptivo, Ayato-kun. – elogiei, me segurando para não jogar a taça na cara dele. Todos os Sakamaki ficaram com uma cara de “a Tora ficou louca?”, enquanto os Mukami ficaram confusos já que eles não sabiam o que havia acontecido entre o Ayato e eu.
– Você acabou de admitir que estava mentindo. – Yuma anunciou trazendo o assunto que eu não estava a fim de falar, olhei para ele com fúria. Poxa, Yuma, você gosta de me ver ferrada, né?
– Tora-chan, você mentiu para mim? – Kanato questionou com uma cara psicopata. Eu comecei a olhar para todos os lados da sala, menos para o Kanato. – RESPONDA! – gritou, eu engoli em seco.
– Gomenasai, Kanato-kun, é que a verdade é muito dura para ser falada em voz alta. – respondi com um sorriso amarelo.
– Que tipo de verdade é essa, Muchi-chan? – foi a vez do Laito me interrogar, eu fiz uma careta e depois o encarei.
– É o tipo de verdade pervertida. – provoquei-o, ele me mandou um sorriso travesso. Eu tinha que parar de ficar provocando o Laito antes que eu acabasse sendo estuprada. – Gente, olha a hora, nós estamos atrasadíssimos! – falei com urgência, olhando para um relógio imaginário no meu pulso. Levantei-me da cadeira e saí correndo para o meu quarto deixando todos com uma cara de tacho, quando cheguei olhei no relógio de verdade e percebi que realmente nós estávamos atrasados. Penteei meu cabelo, peguei minha bolsa e desci indo em direção a limusine, fui a primeira a entrar.
Logo depois todos entraram, Ruki sentou ao meu lado, Shu sentou a minha frente e Yui sentou ao lado de Shu. Eu não sei por que, porém eu estava com um pressentimento muito ruim sobre essa viagem até a escola. A limusine começou a andar e por uns dois minutos tudo ficou calmo, até que...
– Summer, vem aqui! – Shu chamou. Que beleza! Na limusine, na frente de todo mundo, que cruel! Mas promessa é dívida e agora eu precisava arcar com as consequências.
– Hai, Goshujin-sama*!– falei e na mesma hora meu rosto ficou vermelho, me virei para Yui e pedi. – Yui-san, será que você poderia trocar de lugar comigo? – ela me olhou confusa e assustada, eu comecei a implorar com os olhos, ela percebeu e se levantou, então nós trocamos de lugar.
– O que significa isso? – Subaru perguntou completamente furioso.
– Que história é essa de “Goshujin-sama”? – foi a vez do Ayato se revoltar.
– Explique-se, Tora. – Reiji mandou, parecia que ele estava tentando conter a raiva.
– Gomen, Reiji-san, mas quando eu estou no modo AE só posso responder ao meu mestre. – falei calmamente, eu estava com medo da reação do Reiji, no entanto era obrigação do dono proteger seu animal de estimação.
– O que é modo AE? – Azusa perguntou curioso.
– Goshujin-sama, eu posso responder as perguntas? – perguntei para Shu, ele apoiou a cabeça no meu ombro como se estivesse cansado.
– Tudo bem, Summer, mas faça carinho na minha cabeça. – respondeu dando pouca importância a situação. Espera aí! Eu fazer carinho na cabeça dele? Não era o contrário? Resolvi deixar para lá.
– Hai, Goshujin-sama. – concordei e comecei a fazer carinho na cabeça dele, respondendo a pergunta de Azusa logo depois. – Modo AE é o Modo Animal de Estimação, Azusa-kun.
– Você é interessante. – Ruki falou enquanto me encarava com um sorriso assustador. Putz, o Ruki é meio macabro!
– Você é animal de estimação do Shu, Ningyo-chan? – Kou perguntou.
– Sim.
– Por que ele fica te chamando de Summer? – até a Yui resolveu entrar no interrogatório.
– Porque foi o nome que ele me deu, é tipo um código para eu entrar no modo AE. – respondi.
– O Shu pode fazer coisas pervertidas com você, Muchi-chan? – Laito e suas perguntas indiscretas.
– Eu sou animal de estimação e não escrava sexual! – falei irritada, Laito, Kou, Shu e Ruki riram da minha resposta.
– Como isso aconteceu, Tora-chan? – Kanato e suas perguntas indesejáveis. Eu passei um minuto pensando no que iria responder e então resolvi omitir algumas partes.
– É o pagamento por algo que ele me deu.
– O que foi que ele te deu? – Yuma e suas perguntas que me ferram. Fiquei calada.
– Não vai falar, Jujuba? – Ayato e suas perguntas debochadas. Continuei calada.
– Se você não falar como eu vou saber o que fazer para te transformar no meu animalzinho de estimação também? – Kou perguntou.
– Eu nunca vou ser seu animal de estimação! – retruquei irritada, se eles continuassem me fazendo perguntas eu ia acabar ficando louca.
– O que o Shu te deu, Tora? – Reiji questionou entredentes. Caramba! Ele me chamou pelo nome pela primeira vez, acho que eu estou muito encrencada com o Reiji.
– Ele... – comecei a responder, mas o Shu me interrompeu.
– Summer, você está muito barulhenta, fique quieta! – mandou. OBRIGADA, SHU! Eu faltei só dar pulinhos de alegria no banco.
– Hai, Goshujin-sama! – falei tentando conter minha alegria por ser salva das garras do Reiji. Todos já sabiam que depois disso eu não responderia a nenhuma pergunta, então todos ficaram em silencio até chegarmos à escola, o clima no carro estava tão tenso que se eu pegasse uma faca conseguiria cortar a tensão do ar como se fosse bolo. Quando finalmente chegamos à escola, todos desceram e eu fiquei aliviada por aquele clima acabar.
Shu já sabia que não podia usar o modo AE na escola então ele foi para a sala dele, ou não. Comecei a ir em direção a minha sala quando alguém me puxa.
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