Sangue Maldito
30 Incapaz
Notas iniciais

Entrei na mansão já esperando me deparar com todos os moradores da casa a minha espera para fazer o interrogatório, no entanto não havia ninguém, nem sequer um único vampiro. Estranhei a situação afinal eles deviam sentir o cheiro do meu sangue e saber que eu estava aqui, decidi esquecer isso e fui para o meu quarto lentamente, eu estava muito cansada, mesmo tendo dormido mais cedo parece que não foi suficiente e também ultimamente eu tenho perdido muito sangue.
Entrei no quarto e finalmente entendi o porquê de não haver ninguém me esperando logo que eu entrei na mansão. Todos, menos Yui e Subaru, estavam no meu quarto como se lá fosse a sala de reuniões oficial da casa.
– Olá, vocês estão bem? – pergunto normalmente, como se eles fossem pessoas normais e nós tivéssemos nos encontrado na rua e começado a conversar.
– Eu que te pergunto. – Ruki falou erguendo uma sobrancelha.
– O que aconteceu com você, Tora? – Shu perguntou me olhando de cima a baixo, eu olhei para baixo e percebi o meu estado deplorável, estava toda suja de terra e sangue, não era uma visão muito bonita.
– Eu tive uma pequena queda. – respondi com um sorrisinho. Se cair de três metros de altura é uma pequena queda, então não quero nem imaginar uma grande.
– Pequena? – Yuma falou incrédulo. – Parece que você rolou de um barranco!
– Não foi bem de um barranco. – resmunguei para mim mesma, só que acho que todos ouviram.
– Explique-se, agora! – Reiji ordenou e não parecia nada amigável. Eu esfreguei os olhos e bocejei, caramba, será que eu estou ficando que nem o Shu?
– Tudo bem, Reiji-san. – falei e joguei as roupas que eu estava segurando no chão, foi quando percebi que a minha camisa estava toda suja de sangue na parte da barriga. – Eu fui dar uma volta pela parte abandonada do jardim quando encontrei uma árvore bem alta, eu subi nela, mas quando estava quase chegando onde eu queria um dos galhos cedeu e eu caí no chão. – menti, eu havia levado todo o caminho do jardim até a mansão para formular essa mentira, por isso eu esperava que eles acreditassem.
– Por que você quis subir em uma árvore, Tora-chan? – Kanato perguntou me encarando como se eu fosse retardada.
– Porque eu queria ver as coisas de um ângulo diferente. – respondi indiferente.
– Você não vai melhorar se continuar fazendo essas coisas perigosas, Muchi-chan! – Laito advertiu com reprovação.
– Gomen, Laito-kun. – pedi tímida. O que há de errado comigo? Toda vez que eu for falar com o Laito vai ser assim? Por favor, não!
– Uma queda dessas não faria todo esse sangue, Ningyo-chan! – Kou destacou esse pequeno detalhe. Bem, parece que agora não teria como escapar de contar sobre o incidente. Olhei para o Ayato, porém ele virou o rosto, percebi que ele tem estado muito calado esses últimos dias. Já estava passando da hora de conversar com ele.
– Etto, eu apenas tenho alguns machucados que não cicatrizaram ainda. – falei, na verdade eu não estava mentindo, somente não contei a história toda.
– Que tipo de machucados, Tora-san? – Azusa perguntou com aquele jeitinho indefeso que ele tem.
– Por acaso isso tem algo a ver com o Ayato? – Ruki disse acertando em cheio.
– Não. – respondi rápido demais, estava óbvio que era mentira.
– Por que você está acobertando o Ayato? – Shu perguntou irritado. Eu suspirei, agora o Shu resolveu dar uma de Yuma e ferrar com a minha vida.
– Olha, o que aconteceu não tem como ser mudado. Foi terrível, mas eu não preciso sair por aí gritando para todo mundo. – dei uma pausa e respirei fundo. – Eu estou tentando superar tudo aquilo e ficar falando não vai fazer eu me sentir melhor.
Eles me encararam por um tempo, até que Kanato se levantou e saiu do quarto o que fez com que os outros saíssem também, menos o Ayato que continuou lá sentado me encarando.
– Antes de você falar alguma coisa será que eu posso tomar banho? – perguntei cansada, ele apenas assentiu. Esse definitivamente não é o Ayato que eu conheço.
Peguei minha camisola, já que depois de conversar com o Ayato eu pretendia dormir, e fui para o banheiro. Tomei um banho não muito demorado, mas ainda assim me lavei bem lavada ficando com o cheirinho de tutti-frutti, quando minha mãe estava viva ela só comprava meus produtos de higiene pessoal com esse cheiro, antes eu achava isso um saco, porém agora esse cheiro era como uma forma que eu tinha de nunca esquecê-la.
Voltei para o quarto e olhei ao redor, não havia ninguém, andei pelo quarto e vi Ayato sentado na sacada. Fui até lá e apoiei meus cotovelos na proteção ao lado de onde ele estava sentado.
– E então, Ayato-sama, o que você deseja? – perguntei brincalhona.
– Era assim que você deveria ter falado comigo desde o inicio! – falou ríspido. E aí está o Ayato de sempre.
– Então você prefere que eu te chame de Ayato-sama ou de Ore-sama*? – questionei dando uma risada.
– Por que você mudou de ideia? – perguntou ele me encarando. Eu sabia do que ele estava falando, era sobre como eu resolvi ser boazinha com ele.
– Yui-san me pediu. – respondi, agora séria.
– Eu não preciso que você tenha pena de mim só porque a Chichinashi pediu, Jujuba! – retrucou irritado.
– Na verdade não é só porque a Yui-san me pediu. – sussurrei com a cabeça baixa.
– Então por quê? – interrogou pegando o meu queixo e levantando para que eu olhasse para ele.
– Porque eu não quero te odiar, eu quero ver algo bom em você e se eu não te perdoar nunca vou conseguir fazer isso. – expliquei, meus olhos encheram-se de lágrimas e pela primeira vez depois do incidente eu estava chorando de tristeza.
– Baka, eu não preciso do seu perdão. – falou cruelmente. Uma fúria que eu jamais havia sentido antes percorreu meu corpo, eu me soltei dele e falei bem alto com toda minha raiva. Raiva que eu havia guardado desde que acordei na cama da Yui.
– Eu te odeio, Ayato! Eu odeio sua vaidade e seu orgulho! E eu odeio ser incapaz de te odiar o suficiente para não te perdoar! Mas... mas eu me odeio ainda mais por saber que tudo que eu disse agora é mentira. – revelei, eu finalmente havia percebido que na verdade era impossível para mim odiar alguém que eu sabia que tinha motivos para ficar assim. Mesmo que eu ainda não tivesse visto o passado do Ayato, sabia que, assim como o Shu, o Reiji e o Subaru, ele havia sofrido muito.
– Você está admitindo que me ama, Jujuba?- perguntou com um sorriso debochado.
– Eu nunca disse isso, seu imbecil convencido! – retruquei irritada. Eu acabei de ter a maior revelação da minha vida e vem ele zombar de mim.
– E se eu fizer isso... – ele falou e depois me deu um beijo, foi somente um selinho. – O que você diz?
Ele que brincar? Então vamos brincar!
– Digo que o Shu beija bem melhor. – provoquei com um sorriso maligno. Ele debochou de mim e agora era minha vez, Ayato estreitou os olhos e um segundo depois me pegou no colo e me jogou na cama subindo em cima de mim.
– Agora que eu descobri que você é incapaz de me odiar vou me divertir um pouco. O que você acha, Jujuba? – disse de modo convencido.
– Acho que é melhor você não tentar me estuprar! – falei secamente, Ayato riu e encostou os lábios frios na minha orelha.
– Não se preocupe, Jujuba, não vou fazer nada que você não queira. – sussurrou sedutoramente. Na hora eu me derreti... Talvez eu deixasse ele brincar um pouquinho comigo.
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