Notas iniciais
Aí está o outro capitulo... Espero que gostem!

Yui

Somente o lado esquerdo do corpo da Tora estava perfurado com os cravos de ferro da Dama, a parte direita, embora suja de sangue, estava intacta, nem sequer um furo a não ser a mordida na clavícula dela.

Isso queria dizer que Ayato havia fechado somente um lado da Dama, mas por quê? É claro que eu estava feliz com isso já que se ele tivesse fechado tudo Tora não teria nem uma chance de salvação, no entanto uma vez Laito deixou escapar para mim que Ayato já havia matado uma noiva de sacrifício com a Dama de Ferro antes e ele não havia tido nenhuma piedade dela.

Isso me fez pensar que talvez ele estivesse gostando da Tora, eu sorri, parece que finalmente o coração deles estava se abrindo para mais alguém além de mim.

— Por que você está sorrindo, Yui-san? – Kanato ressaltou intrigado.

— N-não é nada! – retorqui corando, foi quando Subaru chegou avisando que a banheira estava cheia. – Etoo, Kanato-kun você pode me ajudar a dar banho na Tora-chan? – pedi calmamente, de todos os que estavam disponíveis Kanato era o menos pior que poderia me ajudar, na verdade eu queria a ajuda do Reiji, só que ele estava trabalhando em uma coisa mais importante no momento.

— Será um prazer, Yui-san. – aceitou com um sorriso meio estranho que eu resolvi ignorar, não podia me importar com isso agora, tinha que salvar a Tora.

— Por que ele, Bitch-chan? – Laito implicou afetado. Os braços dele estavam cheios de gazes, esparadrapos, ataduras e mais um monte de produtos para primeiros socorros.

— Porque o Kanato-kun não é pervertido como você! – retruquei irritada. Só falei verdades, ele não podia brigar por causa disso e nem tínhamos tempo pra isso também. Laito virou o rosto com raiva e Kanato veio em minha direção, deixando o Teddy no lugar onde ele estava sentado antes.

Ele pegou Tora no colo e nós saímos em direção ao banheiro que ficava no mesmo corredor, entramos e o vampiro colocou Tora na água com cuidado. Subaru fez o favor de não colocar uma água muito quente ou muito fria para ela e eu fiquei satisfeita por ele ser cuidadoso.

A água ficou tingida de vermelho, incrivelmente parecia que o sangue já havia parado de escorrer e isso era ótimo, pois me dava esperanças dela sobreviver.

— Kanato-kun, será que você pode segurá-la enquanto eu limpo? – pedi e o trigêmeo rapidamente obedeceu. Eu tirei o sutiã e a calcinha dela e joguei-os no chão, como eu não queria machucá-la ainda mais, decidi usar minhas mãos para limpar o sangue do corpo dela, toda vez que meus dedos tocavam em algum dos furos eu estremecia de pavor. Fico imaginando o que vai acontecer quando e se ela acordar. – Kanato-kun, eu quero colocá-la em baixo do chuveiro, você pode me ajudar? – perguntei suavemente. Depois de um tempo perto do Kanato a gente aprende a escolher as palavras certas para não irritá-lo, embora não dê para evitar certas vezes.

— Eu estou aqui para isso, Yui-san. – falou tirando Tora da banheira levando-a até o box. Eu liguei o chuveiro e Kanato soltou as pernas de Tora passando os braços em volta dos ombros dela e a segurando debaixo da água, ele ficou todo molhado e eu pensei que ele fosse se irritar, porém continuou calmo.

Esperei que todo o resíduo de sangue saísse dela e desliguei o chuveiro, agora os buracos na pele dela estavam mais visíveis, eles deviam ter pouco mais de um centímetro e meio de profundade, com a água escorrendo e lavando o sangue era possível ver o interior. Aquela era uma visão tão agustiante que eu fiquei tonta e até senti um pouco de enjoo. Peguei uma toalha e enrolei nela, coloquei outra toalha nos ombros de Kanato para que ele se secasse depois, e ele pegou Tora no colo para voltarmos ao meu quarto.

Quando entramos Ayato estava lá, eu nem tive vontade de olhar para a cara dele, estava completamente revoltada meu desejo maior era que ele desaparesse do meu campo de visão antes que eu fizesse alguma besteira.

Arranquei o forro sujo da cama e joguei junto com as roupas arruinadas de Tora, Kanato colocou-a ali em cima da cama e foi se secar com a toalha.

— Alguém pode pegar algumas roupas para ela? – solicitei, ninguém precisou responder, Ayato já estava com as roupas e me entregou sem dizer nada. – Obrigada. – agradeci à contragosto. Eu ralmente não estava com paciência.

— Disponha, Chichinashi. – ele respondeu. Eu paralisei, Ayato realmente acabou de dizer "disponha"? Eu nunca ia imaginar algo assim saindo da boca dele.

O ruivo percebeu que eu o estava encarando e voltou a se sentar, estava meio corado. Eu já sabia há muito tempo que por dentro ele era tímido e toda essa vaidade era só fachada, mas aquilo não iria me afetar, mesmo que ele fosse um pouquinho tímido ou que parecesse tentar se redimir ainda era um sádico extremo.

— Será que vocês podem sair, por favor. – requeri, mesmo o Kanato tendo visto a Tora nua não era motivo para todos os outros verem também. Esperei um momento e eles continuaram no mesmo lugar, eu só queria que eles fosse mais compreensivos. – Pelo menos virem de costas. – persuadi, eles reviraram os olhos em desdém, contudo se viraram.

Eu tirei a toalha de Tora e tentei colocar a calcinha e o sutiã o mais rápido que eu podia, pois eu sabia que eles iriam espiar. Quando olhei para eles de novo todos já estavam virados e olhando para Tora, mas o que eu esperava, não é mesmo?

— Eu tenho dúvidas se o remédio de Reiji vai mesmo conseguir fazer com que todos esses machucados desapareçam sem deixar cicatrizes. – Shuu comentou encarando os buracos espalhados pelo corpo de Tora que haviam voltado a sangrar, não era um sangramento como antes, ontudo qualquer gota a mais perdida poderia definir entre a vida e a morte.

— Droga! – exclamei e peguei o antisséptico, borrifei-o o mais rápido que consegui nos machucados, quando eu fazia isso eles sangravam mais, mas eu precisava evitar qualquer infecção, então corri para fazer os curativos. – Alguém me ajuda! – roguei desesperadamente, eu não conseguiria sozinha, ela perderia muito sangue.

— Eu ajudo! – Ayato se ofereceu. Nessa hora eu fervilhei de raiva, como ele ousa oferecer ajuda depois do que fez?

— Não ouse tocá-la! – avisei entredentes. Eu nunca havia gritado ou sequer falado num tom mais alto com nenhum deles, eu nem sei de onde tirei essa coragem, entretanto quando eu vi a Tora toda ensanguentada e prestes a morrer eu senti uma vontade de salvá-la e de protegê-la, era como um instinto maternal.

Laito começou a me ajudar sem falar nada e Subaru fez o mesmo, logo o lado esquerdo do corpo de Tora estava todo cheio de curativos, alguns já estavam um pouco vermelhos pelo sangue. Eu peguei a camisola de seda preta que o Ayato trouxera e vesti nela.

— O remédio está pronto. – Reiji avisou entrando no quarto e vendo que Tora já estava limpa e de roupa trocada.

— Muito obrigada, Reiji-san, muito obrigada mesmo! – agradeci com um enorme alívio, nem precisei perguntar se iria funcionar, porque os remédios do Reiji nunca falhavam.

— Eu dou o remédio para ela. – Ayato prontificou-se e eu estava prestes a gritar com ele, entretanto Reiji foi mais rápido.

— Você não acha que já fez mais que o suficiente, Ayato? – perguntou irônico. O ruivo ficou calado e desviou o olhar para o chão. – Subaru, dê o remédio. – ordenou oferecendo o frasco para Subaru.

— Por que eu sou obrigado a fazer isso? – Subaru retrucou com um olhar de irritação. Reiji revirou os olhos e ofereceu o frasco para o Laito.

— Com prazer! – Laito aceitou com um sorriso travesso, na hora que ele estendeu a mão para pegar o frasco Subaru se apressou e pegou antes de Laito, que o fuzilou com o olhar.

O albino chegou perto da Tora e virou o líquido do frasco em sua boca sem engolir, então ele entreabriu um pouco os lábios dela e a beijou passando o remédio para a sua boca. Uma pontada de ciúmes me atingiu, mas eu a expulsei rapidamente, não era hora para isso. Subaru se afastou e massageou a garganta dela para ajudá-la a engolir, nesse momento ela entreabriu os olhos e parecia estar olhando para o Subaru.

— Me lembre de te agradecer, vampiro gentil! – disse num sussurro rouco e voltou a adormecer, a questão agora era se ela iria acordar.

Notas finais
Tora: Poxa, eu só falei uma vez no capítulo todo! :( Autora: Você devia me agradecer por eu ter deixado você falar nesse capítulo! Tora: Um dia eu ainda te pego, maldita! Autora: Pega nada!!