Sangue Maldito
4 Amaldiçoada
Notas iniciais

Tora
Eu não sabia o que fazer, não sabia se contava sobre minha maldição ou se ficava calada e deixava Reiji morrer. É claro que eu não queria me tornar uma assassina, entretanto ele era um vampiro e provavelmente se eu estivesse morrendo ele não me salvaria, cá entre nós, altruísmo não é muito bom em uma hora como essa.
Por isso, passei alguns preciosos minutos pensando no que fazer e decidi pelo meu lado altruísta que me dizia que mesmo que Reiji fosse um vampiro – que me machucou muito – também deveria considerar que provavelmente ele sofreu muito e merecia viver da forma que escolhesse. Eu não tinha direito de matá-lo, mesmo que o pensamento dele fosse o contrário em relação a mim.
Levantei da cama, peguei a carta e corri de volta à sala de Reiji, porém acabei por esbarrar no Shuu durante minha correria.
— Oe, olha por onde anda, garota! – ralhou segurando meu braço com força.
— Eu não tenho tempo pra isso, Reiji precisa de mim! – falei afobadamente, tentando soltar o meu braço de seu aperto. Shuu me olhou parecendo interessado no que eu acabara de pronunciar.
— Precisa, é? – repetiu em um tom carregado de cinismo. – Isso só me deixou com vontade de te levar comigo.
— Você não está entendendo! – gritei desesperada. – Se eu não for agora seu irmão irá morrer.
— E você acha que eu me importo? – retrucou com um sorriso cínico. Eu olhei para ele assustada, como ele podia querer que o próprio irmão morresse? Certamente havia algo muito errado com essa família.
— É melhor que você não queira beber meu sangue, porque minha mãe fez o grande favor de amaldiçoá-lo. – ditei asperamente, encarando-o em desafio. Talvez isso o fizesse entender a gravidade da situação. Todavia, no momento em que terminei de falar Yui apareceu em pânico.
— Shuu-san, Reiji-san está inconsciente no chão do laboratório!
— Eu disse, não disse? – revoltei-me puxando meu braço com força e fui correndo com Yui até a sala de Reiji. Ao chegarmos à sala todos os irmãos, inclusive Shuu, que eu nem sei como foi parar lá tão rápido, estavam reunidos ao redor de Reiji, que estava inconsciente no chão.
Eu corri até ele e me ajoelhei ao seu lado, meu olhar devia estar um pouco desesperado e eu simplesmente não conseguia tocar no vampiro.
— O que você fez com ele, Tora-chan? – perguntou Kanato abraçando fortemente seu ursinho.
— Eu... eu... A culpa não é minha! Eu fui amaldiçoada. – argumentei nervosa.
— Quer dizer que ele vai morrer? – indagou Shuu com um sorriso satisfeito. – É a melhor notícia que eu ouço em anos!
— Que tipo de maldição? – Subaru interrogou friamente. As pessoas daquela casa tinham complexo de frieza, ninguém parecia se importar que o irmão deles estivesse prestes a morrer.
— Na carta que minha mãe deixou para mim dizia que meu sangue seria um dos melhores, mas que, por consequência, ele teria um veneno que faria com que qualquer vampiro ao bebê-lo morresse em poucas horas e sem chance de cura. – expliquei sem conseguir camuflar o descontentamento por essa notícia, eu entendo que ela queria me proteger, mas será que ela não pensou em como eu me sentiria matando alguém?
— Que ótimo! – Ayato disse irônico. – Nosso querido pai nos mandou uma sangue maldito. – debochou amargamente.
— Ayato, isso não é hora para fazer piadas! – repreendeu Reiji com a voz entrecortada, porém acordado. Arregalei os olhos surpresa e apoiei minhas mãos no peito dele de forma delicada como se ele estivesse tão frágil que qualquer toque meu o mataria. – E, Shuu, eu sei que você está se divertindo com isso.
— Eu não perderia essa oportunidade. – o loiro zombou com sarcasmo.
— CALEM A MALDITA BOCA! – gritei completamente furiosa. Todos na sala me olharam espantados com meu surto. – Vocês não veem que eu estou tentando pensar em como salvar esse idiota! Parem de me atrapalhar e ajudem em alguma coisa! – exigi impaciente, esperando que talvez conseguisse um pouco de cooperação.
— Oe, maldita, o fato de eu estar dessa forma não te dá o direito de se referir a mim dessa maneira. Eu deveria te punir. – Reiji esbravejou com a voz fraca, claramente insatisfeito com o modo como eu falei. Suspirei, estava mesmo difícil lidar com essa situação.
— E como você pretende salvar o Reiji se você acabou de dizer que o veneno não tem cura, Muchi-chan? – Laito indagou dando uma risadinha perversa, sem dúvidas a intenção dele era me provocar.
— Eu não sei, é por isso que eu preciso de seis cabeças me ajudando! – redargui exasperada.
— Não me inclua nessa contagem. – revidou Shuu logo se retirando da sala.
— E nem a mim! – Subaru também se excluiu enquanto evaporava da sala.
— Que ótimos irmãos você tem, hein, Reiji-san! – pronunciei em tom carregado de reprovação e ironia.
Shuu
Eu não pensava que a morte de Reiji chegaria tão rápido e muito menos imaginaria que ele teria uma das piores mortes possíveis para um vampiro. Estava realmente satisfeito por me livrar da pessoa que eu tanto odiava e, ainda por cima, sem ter feito nenhum esforço para isso. Essa garota amaldiçoada me fez um grande favor.
Subaru
Eu não sei o que ela pretendia fazer para salvar o Reiji, tampouco me importava, nunca me dei bem com nenhum dos meus irmãos, eles jamais fizeram algo considerável por mim e eu também não, então não seria agora que eu me esforçaria para salvar um deles. Nunca fomos e nunca seremos uma família, jamais existiria algo próximo dessa denominação entre nós.
Tora
Que droga! O tempo estava acabando e eu não tive nenhuma ideia para salvá-lo. O que eu faria se ele morresse? Mesmo que os outros irmãos o odiassem, eu tinha certeza que se Reiji morresse todos ficariam tristes, mesmo que escondessem tais sentimentos e eu também não queria ser a causa da morte dele. Até porque, para um vampiro, morrer envenenado por um sangue que tanto apreciou deve ser a pior forma de morrer. Eu precisava de um antídoto... e bem rápido!
Foi quando eu me lembrei do colar que minha mãe havia me dado com o segredo da anulação da maldição.
— Esperem! Minha mãe me deixou um colar com as instruções de como anular a maldição! – anunciei esperançosa, tirei o colar e abri o relicário.
— Tora-chan, nós podemos ter uma chance! – Yui exclamou indo até o meu lado.
— Não vai adiantar nada, suas inúteis! – Reiji contestou como se aquilo fosse óbvio. – Mesmo que vocês consigam anular a maldição o veneno que está me matando não será anulado. – explicou.
Ele tinha razão, o problema não era a maldição, era o veneno que o enfraquecia cada vez mais. Nosso tempo estava acabando e eu não conseguia encontrar um meio de salvá-lo. Ele não era importante para mim, porém ainda não conseguia ser indiferente a sua morte, principalmente sabendo que eu era a causa.
Uma única lágrima desceu pelo meu rosto.
Fale com o autor