Sangue Eterno - As Crônicas das Relíquias Eternas
3 Capítulo III: Coisas Estranhas
Sam
Sofia desligou o celular e disse que precisava ir para casa. Não insisti no assunto para não parecer invasivo.
Pagamos a conta e fomos pro carro. Ela parecia preocupada.
Ela me deixou há algumas ruas da minha casa pois o caminho para a casa de sua mãe era oposto. Ela insistiu em me deixar em casa, mas eu recusei veemente, garantindo a ela que ficaria bem.
Ao nos despedir, ela me beijou carinhosamente na bochecha, pedindo para que eu mandasse mensagem pra ela assim que chegasse em casa. Ela queria saber se eu havia chegado bem.
Ela acelerou o carro ao sair, e eu olhei pra cima. Estava estrelado, a lua destacando-se no céu.
Caminhei distraído pela rua vazia pensando em Sofia, assimilando tudo o que havia acontecido naquela noite. Apesar dos pesares, eu estava explodindo de felicidade por dentro. Lembrei da nossa conversa sobre estar apaixonado por alguém e cheguei a conclusão de que eu finalmente sabia o que era isso.
Foi quando percebi que alguém vinha em minha direção na rua. Era um homem magro vestindo roupas pretas que pareciam de alguém que havia acabado de sair de um show de rock. Os coturnos brilhavam sob a lua de tão encerados. Ele olhava diretamente em minha direção.
Cerrei os punhos, totalmente tomado por uma sensação de alerta. Sentia meu coração batendo nas têmporas. Estranhamente, isso pareceu incitá-lo.
Olhei para o lado e vi a passagem na cerca de uma casa. Era a mesma que me arriscava quando era criança, fugindo dos acessos de raiva do meu pai. Eu sabia que ela dava direto para a rua detrás da minha casa. Só precisava ser rápido.
Ele andava mais rápido, diretamente até mim, os olhos cheios de perigo. Como uma fera vislumbrando sua presa antes do ataque fatal.
Então eu parei, abruptamente. Ele abriu um sorriso cheio de dentes que pareciam reluzir na escuridão. E avançou, desta vez correndo numa velocidade impossível. Seu rosto demonstrou surpresa quando eu saltei para o lado e entrei pela brecha na cerca. Corri sem olhar para trás, sabendo que minha única vantagem era a surpresa. Se eu não chegasse em casa rápido, ele me alcançaria assim que percebesse pra onde eu ia. Passei por dentro do quintal da vizinha e me deparei com um imprevisto: no corredor que ladeava a casa, a única maneira de chegar do outro lado, um cachorro enorme dormia acorrentado. Se ele acordasse antes que conseguisse passar por ele, eu seria destroçado. Exigí o máximo de minhas pernas e passei bem no momento em que o cão acordou em sobressalto.
Não reduzí a velocidade até chegar na outra rua, saindo pela parte da frente da casa. Dei uma olhada para trás bem no instante em que via o homem quebrando o pescoço do cachorro num movimento rápido e sobre humano. Ele o fez enquanto ainda olhava pra mim.
Meus pulmões queimavam pelo esforço excessivo e repentino, mas eu não podia parar.
Mantive o ritmo durante toda a rua até avistar o muro dos fundos da minha casa. Peguei impulso e saltei de uma vez por cima dele, caindo em cima das roseiras que minha mãe cultivava nos jardins do fundo. A dor não me parou.
Rolei para o lado e me ergui, dando uma última guinada até a porta dos fundos que dava acesso a minha casa. Ao abrir a porta, minha última visão fora o homem que me perseguia empoleirado numa posição animalesca sobre o muro que eu havia acabado de pular.
Seus olhos me fitando cruelmente antes de dar um mortal de costas de volta para a rua. Seus passos correndo para longe.
Fora um aviso. Eu estava marcado.

Simaria
O cheiro do dendê dançava pelo ar ao som das palmas e dos tambores enquanto as baianas rodavam pela ladeira ladrilhada de paralelepípedos.
A feirinha estava abarrotada de transeuntes locais e turistas ansiosos e curiosos, num caminhar lento, que parecia coreografado, costurando uns aos outros sob o sol forte daquele dia. Uma roda de capoeira ganhava a atenção de vários estrangeiros que registravam tudo em seus celulares de última geração, entre uma selfie e outra. Nada de novo sob as bênçãos do sol da Bahia.
"Mainha", baiana de sangue e profissão, preparava os acarajés e vatapás com agilidade e destreza, enquanto eu pegava os pedidos e recebia o dinheiro dos clientes com meu sorriso mais bonito no rosto. Um dia eu seria como ela, se Oxalá assim permitisse.
Mais um longo dia se passou. Guardamos as coisas, fomos pra casa carregando todo o material nos braços. "Mainha" levava um cesto pesado na cabeça com habilidade incomparável e um saco com panelas pesadas em cada um de seus braços fortes da labuta nossa de cada dia.
Nossa casa não era tão longe dali.
Tínhamos uma boa relação de mãe e filha. Sempre fomos eu e ela desde que meu pai sumiu no mundo, deixando-a grávida e tendo ela que me criar sozinha. Gostava de pensar que talvez tenha sido melhor assim.
Chegamos em casa, areamos panelas, guardamos tudo. Minha mãe foi banhar e eu nem tive tempo de sentar antes que Amanda gritasse meu nome.
Éramos amigas desde os dez anos, quando costurávamos bonecas de pano à mão para brincar. Fazíamos expedições pela mata, sempre acompanhadas por nosso amigo, Léo, enquanto Amanda nos contava histórias antigas de seus antepassados indígenas e nos ensinava o nome de cada planta e suas propriedades medicinais.
Crescemos, nos formamos. A indiazinha fofinha de outrora, agora se tornou uma mulher alta e cheia de curvas.
Ela era linda como aquelas pinturas de índias famosas da literatura. Os cabelos negros caindo esplendorosamente até o final das costas:
— Imagina quem acaba de me dizer que está namorando de novo? — disse ela revirando os olhos, levando as mãos a cintura.
— Não acredito que o Léo vai começar com essa fuleragem de novo! — respondi em protesto.
— Estou puta das minhas calças já com isso! — disse Amanda entrando pelo portão em minha direção. Ela usava uma camiseta verde e calças jeans simples, que de puta, não tinham nada. — Já é a terceira do mês! — completou.
— Eu não tenho mais condições psicológicas de ser apresentada à mais ninguém. — confessei enquanto sentava no sofá da sala e fazia sinal pra Amanda sentar-se ao meu lado. — Onde ele encontra essas garotas novas, afinal? Moro aqui a vida toda, e quando acho que já conheço todo mundo, ele me aparece com uma nova garota burra e peituda!
— Deve ser de alguma casa de tolerância. — finalizou Amanda. Eu ri.
— A língua de vocês duas juntas acabariam com a fome do Nordeste todo. — disse minha mãe saindo do banheiro, enrolada na toalha.
Rimos ainda mais enquanto ela se trancava no quarto para se trocar. Ela ia sair com umas amigas aproveitando que estávamos de folga no outro dia.
Eu e Amanda, provavelmente ficaríamos em casa assistindo algum filme e comendo besteiras até de manhã.
Apagamos as luzes logo após que minha mãe saiu, toda "empiriquitada", de modo que apenas nossas risadas ecoassem pela casa enquanto assistiámos a um filme tosco de comédia.
Eu gostava dessa tranquilidade pra variar um pouco a agitação do trabalho. Só eu e uma amiga. Noite das garotas.
Foi quando alguém gritou meu nome. Uma voz inconfundível vinda de frente da minha casa — era Léo, sem sombra de dúvidas.

Sofia
Estacionei meu carro na garagem, ao lado da velha perua verde abacate da minha mãe. Nela estavam colados alguns adesivos hippies, o que dava a ela exatamente o estereótipo que se espera de uma típica van hippie dos anos 80. E mais: minha mãe havia apelidado o veículo de Brisa da Manhã. — Sim meus amigos, a perua tinha um nome.
Entrei pela porta da garagem que dava acesso direto à sala. De longe, o lugar mais apavorante da casa: as paredes eram pintadas em tons de salmão e mostarda, repletas de borboletas de plástico de todos os tamanhos. Havia uma estante enorme de livros empoeirados, e outra onde minha mãe exibia sua terrível coleção de pedras de todas as cores, tipos e tamanhos.
No meio, duas poltronas: uma verde floresta e a outra azul turquesa. Elas ficavam viradas de frente uma pra outra, separadas por um tapete redondo que tinha o formato hipnótico de uma espiral preta e branca.
Vasos de flores e plantas brotavam de todos os lados, alguns em pilastras de gesso branco, outros, suspensos por correntes do teto.
Falando em teto: por toda sua superfície, uma fiel reprodução do Universo ameaçava engolir a todos nós a qualquer momento. Ela mandou fazer este papel de parede assustador na intenção de se sentir mais próxima, do que ela chamava de "a energia pura que fluía da Fonte". Tentei protestar mas, ou era isso, ou ela mandaria tirar o teto. Desisti da discussão.
Ela havia me ligado apavorada, dizendo que precisava conversar sério. Eu já estava acostumada com suas paranóias sem sentido, inclusive, já ignorado-a diversas vezes. Mas algo na voz dela e no modo como falava havia me deixado preocupada hoje. Só esperava que Sam tivesse chegado bem. Tentei insistir para deixá-lo em casa, mas aquele ali sabia ser teimoso quando queria. Devia ser o tal do "orgulho masculino"

Simaria
A noite estava calma, apesar de ainda ser possível ouvir as agitações de Salvador por todos os lados.
Assim que escutamos o grito de Léo, eu e Amanda calçamos nossas sandálias e corremos pra fora.
Olhei para ele e me lembrei daquele menino alegre e brincalhão, que sempre estava ao nosso lado em todas as coisas doidas que inventávamos de fazer. Lembrei dos desenhos que ele fazia, das conversas malucas sobre os seres fantásticos que ele fantasiava que viviam nas florestas, e das expedições que fazíamos à procura de fadas, duendes, elfos...
Agora, ele havia crescido. Seus olhos castanhos tinham o mesmo tom amendoado, mas eram menos sonhadores. Os cabelos castanhos de cachos cheios que ainda assim não escondiam suas orelhas enormes. Ele era alto e magro, mas os músculos eram firmes, o peito definido. Era um homem feito.
Ao nos encarar, seus olhos estavam cheios de alerta. Ele parecia ter visto um monstro, atordoado:
— Eu preciso da ajuda de vocês. — disse ele, parecendo aliviado em nos ver.
— O que houve? — perguntei. Eu já estava alarmada.
Ele ficou apreensivo. Olhou ao redor, como se estivesse certificando-se de que estávamos sozinhos:
— Eu estava passeando com a Tulah e...
— Pera aí! Quem é Tulah?! — perguntei levantando uma sobrancelha.
— Minha namorada... Quer dizer... era minha namorada, eu acho... — disse ele, mais para si mesmo do que pra nós.
— Eu não acredito que você veio nos chamar a essa hora pra bancarmos as conselheiras de casal pra você e uma garota que você mal conhece direito! — disse entredentes, fazendo um esforço enorme para não gritar.
— Não é isso! Não é nada disso! Venham comigo e vocês entenderão. — disse Léo, já saindo.

Sofia
Ouvi um murmúrio na cozinha. Era a voz da minha mãe. Ela falava baixo ao telefone, então cheguei mais perto para tentar ouvir alguma coisa:
— "...estão quebrando as regras, Magnólia...!" — consegui ouvir, a frase na metade. Parecia estar conversando com uma velha amiga que às vezes aparecia na loja. Ela era tão zureta quanto minha mãe. Tentei me aproximar mais, sem fazer barulho.
— "...os "galeões" precisam ser avisados..." — estava difícil ouví-la com clareza. Apesar de sussurrar, ela parecia preocupada.
— "...atrás do sangue eterno... corpos pelas ruas..." — bem neste momento, eu pisei em um palito de incenso que estava no chão e ele estalou absurdamente alto ao partir-se ao meio, fazendo minha mãe interromper num sobressalto o que estava dizendo. Ela olhou para mim e mudou a expressão no rosto instantaneamente, abrindo um largo sorriso. Depois voltou-se ao telefone:
— Preciso desligar, Magnólia, minha filha já chegou. Chegaram algumas peças de quartzo roxo hoje a tarde, passe na loja amanhã para dar uma olhada. Tchau. — disse ela antes de pôr o telefone no gancho, tentando claramente disfarçar a situação. Depois voltou-se para mim, esboçando novamente um sorriso. — Você chegou rápido, filha! Nem tive tempo de preparar o chá!
— Não se preocupe com o chá, Dona Aurora. Apenas me diga o que houve para me fazer voltar para casa assim, às pressas. — disse num tom mais sério do que pretendia.
— Nada comigo, filha. Apenas vi no noticiário que pessoas estão sendo mortas pela cidade e não me aguentei de preocupação. — disse ela ainda um tanto desconcertante. Ela estava coçando as costas das mãos, isso sempre significava que ela estava nervosa. — Desculpe atrapalhar seu encontro com o garoto, meu amor.
— Não era um encontro! — respondi apressadamente, ela havia me pegado de surpresa. Lutei para não corar. — Mas sim. A senhora atrapalhou sim, mãe.
Ela apenas fez sinal com as mãos, pedindo desculpas. Eu odiava me sentir assim... toscamente manipulada. Apenas dei as costas e subi pro meu quarto.
Era meu local seguro, o único na casa em que as coisas podiam ser como eu queria. Um quarto de paredes brancas e decoração simples. Apenas com o essencial para se sobreviver.
Deitei na cama ao mesmo tempo em que meu celular avisava que havia recebido uma mensagem: era de Sam. Ele avisava que havia chegado em casa a estava bem. Uma mensagem curta e objetiva.
Fiquei um pouco frustada pelo fato de ele sequer ter dito se gostou ou não de termos saído hoje. Será que ele estava chateado por eu ter que voltar mais cedo para casa? Torcia para que isso não fosse verdade.
Larguei o celular de lado e fechei os olhos, deixando o sono me dominar por completo. O coração apertado.
Simaria
Eu e Amanda protestamos um pouco mas acabamos seguindo-o. As ruas da cidade estavam praticamente desertas, exceto pelo choramingo dos cachorros em algum lugar daquela noite escura.
Andamos em silêncio enquanto seguimos Léo pelo caminho familiar que levava à mata de nossa infância. Ele coçava as mãos, e isso sempre indicava que estava muito nervoso.
Amanda eventualmente parava para olhar ao redor com expressão assustada. Muitos assaltos estavam ocorrendo em nosso bairro. Isso também me preocupava.
Léo evitava olhar diretamente para nós. Ele sabia que mesmo não convivendo muito nos últimos meses, nossa amizade era aquela que permitia com que descobrissemos qualquer coisa nos olhos um do outro. Só não conseguia entender o que poderia ser tão grave assim para que ele temesse nosso julgamento. Ele sabia o quanto o amávamos e o quanto podia contar conosco.
Após andar por alguns minutos, passamos pela cerca de arame que delimitava o território privado daquelas terras. Desde que me conheço por gente, sei que aquele lugar lindo e verde, pertencia à alguém com muito dinheiro, e que jamais fora visto por essas bandas. Talvez à alguma companhia multi milionária que ainda não tinha interesse em construir nada que pudesse render rios de dinheiro para seus acionistas engravatados.
O caminho de terra inclinou-se, formando uma ladeira que mesmo estando seca, era uma armadilha perigosa pela quantidade de pedregulhos e cascalho. Precisei agarrar-me em Léo umas duas ou três vezes, para não cair com o traseiro no chão e ter que explicar à minha mãe por que, de um filme de comédia na sala, eu acabara com a bunda toda ralada.
Não demorou muito até que chegássemos num local muito bem conhecido por nós três: era onde brincávamos na infância.
O lugar abria-se em uma clareira rodeada por árvores de várias espécies diferentes que formavam um círculo perfeito no meio. As árvores eram altas e alternávam-se em tons diferentes de verde.
Léo parou abruptamente. Ele estava muito nervoso agora. Seus músculos tremiam numa agonia semelhante à de um colapso nervoso. Olhou para nós com uma expressão transtornada enquanto lágrimas escorriam de seus olhos.
Eu me adiantei em direção à ele, querendo desesperadamente consolá-lo de alguma forma. Mas ele fez sinal para que eu parasse, então eu hesitei.
Amanda parou ao meu lado. Ambas encarávamos-o de frente enquanto ele enxugava seu rosto com o dorso da manga da blusa que usava:
— Sei que tudo que eu vou contar agora vai parecer uma loucura desvairada, mas preciso da confiança, e da paciência de vocês. — começou ele. — Por isso, vou pedir que vocês me prometam que vão me ouvir até o fim antes de tirar qualquer conclusão. Vocês podem prometer isso?
— Leonardo Tavares, você está nos assustando. — disse Amanda de modo autoritário. — Desembuche logo "homi"!
— Eu acho que matei minha namorada. — disse Léo de uma vez.
— Como assim? — perguntei depois de uma longa pausa enquanto nos encarávamos.
— Vou explicar do começo. Eu e Tulah nos conhecemos há duas semanas, e não sei explicar como, mas ficamos muito próximos. Conversamos sobre tudo, e tivemos vários momentos maravilhosos juntos. A gente sempre marcava encontro aqui, neste local. As vezes ficávamos aqui mesmo, e algumas vezes íamos andar por aí.
— O.k. Léo. A parte do romance de "Crepúsculo" nós já entendemos. — interrompi, irritada. — Agora pare de enrolar e vá direto ao ponto: por que você acha que matou ela?
— Desculpem-me... — disse Léo, levando as mãos ao rosto. Ele parecia alguém prestes a entrar em colapso. — Eu estou desesperado!
— Mas amigo... — começou Amanda. — Para que a gente possa te ajudar, você precisa se controlar. Se nós três ficarmos desesperados, aí sim é que teremos um problema maior.
— O.k. Vou me acalmar. — disse Léo, tomando fôlego. — Tínhamos marcado encontro aqui hoje, e eu acabei chegando mais cedo que ela. Então tive a ideia de fazer uma surpresa para ela. Eu achei um prego velho no chão e resolvi escrever nossas iniciais na árvore. Foi quando avistei Tulah vindo em minha direção, com uma expressão agressiva. Mas ela caiu e guinchou antes que pudesse chegar até mim. Era o som horrível de alguém em completa agonia. Quando fui checar, ela estava completamente ensanguentada.
— Oi?? Você não disse que você achava que tinha matado ela?! Não estou entendendo nada! — disse eu. Amanda olhava para ele como se ele estivesse completamente doido.
— Exatamente! — disse Léo olhando para nós como se tivesse esclarecido tudo.
— Léo, ou você explica esta história direito, ou juro que vou socar sua cara até seu cérebro voltar ao lugar! — ameacei. — Você só pode estar ficando louco da cabeça de tanto jogar aqueles teus jogos malucos! Você nos tira de casa à noite, nos arrasta até aqui, fala coisas completamente sem sentido... Estou, inclusive, tendo fortes razões para acreditar que essa garota nem existe. Porque até agora não vimos ela e...
Foi quando fui interrompida por um gemido agonizante de dor vindo da direção das árvores que estavam atrás de Léo. Uma garota saiu detrás de uma das árvores, arrastando-se em direção à nós.
Amanda assustou-se e gritou, fazendo a garota parar enquanto desfalecia no chão repleto de folhas secas.
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