Sangue Divino

7 Cap.7 - Sangue Brilhante


Notas iniciais
E é ai que a polêmica começa :33

Sorrio feliz comigo mesma, meus pai se dão por satisfeitos e me mandam para a aula de mitologia que é antes do almoço. Como na mesa de Atena dessa vez, porque achei que isso deixaria Annabeth mais feliz e eu não gosto de vê-la chateada toda vez que prefiro ficar próxima aos outros do que dela.

O frio custava a ceder, e o vento gelado só parava na hora do almoço. Depois de almoçar minha mãe sugere que continuemos treinando, agora em cima da minha recém-descoberta habilidade.

Eu e Annie voltamos ao arsenal para escolhermos mais armas para mim... facas, punhais e adagas, ainda não aprendi muito sobre como diferenciar mas com certeza deve ter algo de marcante já que Annabeth consegue definir o que é o que muito rápido. Acho que não tinha mencionado que o arsenal é fechado e por isso tem um cheiro forte de mofo que nem os morangos cobrem, parece uma gruta fria de armazenamento para uma guerra.

–Sabe que, por enquanto, aperfeiçoaremos as coisas em que você é boa, mas logo teremos que treinar para que consiga usar como arma o que lhe for dado, certo? –Minha mãe questiona calmamente enquanto examina alguns punhais.

–Certo. Claro. Imaginei. –Digo- Você também é boa com adagas pelo o que vi.

–Sim. Não costumo usar ataques a longa distancia com elas já que minha força já foi bem treinada nessa área, exige habilidade manejar uma dessas de perto, e digamos que habilidade não falta aos que tem sangue de Atena.

–Não sei...

–Você ainda vai ver que é tão hábil quanto eu, querida. –Ela afirma. Eu sorrio, mas sem saber se acredito. –Vamos. Seu pai vai nos encontrar lá na arena.

–Talvez... eu demore para me acostumar com isso então vou continuar chamando vocês pelos nomes, está bem?

–Sim, claro! –O sorriso que ela mostrava enquanto dizia isso não me convenceu do fato de que ela não se incomodava.

Chegamos a arena, que estava bem mais vazia do que na primeira vez, provavelmente porque os campistas estavam em outras atividades. Os bonecos já não estavam mais lá, tivemos que ir pegá-los no canto do lugar e pendurados mais para o meio.

Já haviam se passado uns trinta minutos no mesmo esquema, que estava me entediando muito, Annie dizia qual era o alvo da vez, eu mirava e acertava, repedidas vezes.

–No nariz, Court! –Ela grita.

–Vocês são muito bons em... bem... ser heróis. Se conheceram como? –Disse enquanto acertava um punhal bem na ponta do nariz do boneco. O frio que eu sentia já havia diminuído de tantas as vezes que atirei armas até agora, na verdade, meus braços já estavam em chamas.

–Nos conhecemos aqui, no acampamento. Calcanhar esquerdo!

–Como? –Pergunto enquanto miro no calcanhar esquerdo do boneco.

–Quando seu pai chegou aqui, depois de uma luta contra um minotauro na fronteira da barreira, ele estava bem machucado e... como ele era minha única chance de sair daqui para uma missão, eu cuidei dele. Não foi porque eu me importava com ele, mas você tem que entender que eu não aguentava mais esse lugar, filha, fugi de casa e ingressei nesse lugar muito nova.

–E tudo que eu me lembro daquele dia são seus cabelos de princesa! –Uma voz masculina diz do outro lado da arena.

–Oi, cabeça de alga. –Ela diz sorrindo radiante, e um sorriso muito sincero, cada vez que eu a vejo pronunciando esse apelido ela parece muito mais engraçada e radiante que na maior parte do dia, ela realmente adora lembrar que ele está aqui com ela, tenho sorte de ter pais que se amam tanto.

Percy se aproxima de nós e eu me viro para Annie de novo e indago:

–Que fofo! E foi assim que começaram a namorar?

–Ah, não! A gente só tinha uns doze anos. –Meu pai responde.

–Começamos a namorar exatamente no aniversário de dezesseis anos do seu pai. –Annabeth esclarece. –Já tínhamos vivido muitas coisas juntos. Pé direito agora!

–Hum... –Murmuro.

Ignoro a ordem de ataque e continuo questionando.

–Que tipo de coisas?

–Aventuras, missões... agora continue, querida. –Ela diz com delicadeza.

–Eu cansei Annie, já está chato e cansativo, sem querer me achar, mas acho que você viu que eu acertei todas as vezes, é inútil continuar a treinar se não tem o que aperfeiçoar. –Reclamo.

–Tem razão. Devíamos tentar aprimorar o treinamento! Só que isso não é possível agora. O que quer fazer agora então?

–Não quero que pense que eu estou dispensando vocês, é que tudo que eu quero fazer agora é ficar sentada, sozinha, lendo.

–O chalé de Atena tem um grande acervo de livros. O que você procura, filha?

–Que tal... Hércules?

–Esse cara de novo não! Por quê sempre ele? –Percy indaga.

–Porque ele é bem conhecido e tem muitos livros sobre o assunto, mas se um dia escreverem um livro sobre o senhor eu prometo que vou adorar ler. –Digo.

Ele sorri um pouco menos irritado.

–Na verdade, Hércules tem uma quantidade pequena de livros aqui, a maior parte do que se sabe dele são os trabalhos mas o resto parece que não querem que saibamos, deve ter algo mais de muito estranho ai, pode ser um daqueles heróis babacas que magoou muita gente no caminho porém ficou como santo no final. –Minha mãe diz para mim, me deixando intrigada, e depois olha com raiva para Percy como se fosse proibido ficar com raiva de mim.

A caminho do Chalé 6, Annabeth fala:

–Querida, existem relatos de todas as missões, pelo menos sobre o que contamos sobre elas, já que alguns fatos não gostamos de divulgar, mas é um começo se você quer saber sobre minhas aventuras com o Percy.

–E onde eles ficam? –Questiono com os olhos arregalados de entusiasmo.

–Entre os arquivos da Casa Grande. –Ela responde.

–Então vamos lá! Agora.

–Quer tanto assim saber das nossas missões?

–Claro! Vocês são heróis! Eu quero saber se Percy é tão interessante quanto Hércules. –Digo com um sorriso malicioso, enquanto a frase “Meus pais são heróis” ecoa na minha cabeça.

Meu pai olha para mim e sorri debochadamente dando de ombros.

–Aposto que esse cabeça de alga é muito mais interessante que Hércules. –Afirma Annie.

–Então... vamos?

–Está bem. –Ela diz depois de um suspiro. –Por enquanto só nossa primeira missão, a do raio mestre, O.k.?

–Raio Mestre? Hum... O.k.

Desviamos do caminho até os chalés, passamos perto dum local que parece um templo, o lugar que na verdade é usado para as aulas de artes e artesanato, passamos também, com cuidado, pela quadra de vôlei. Em seguida, entramos na Casa Grande, onde se encontrava um homem de estatura média que aparentava uns quarenta anos e, pelo cheiro, uma forte ressaca.

–Senhor D. queremos ir até os arquivos das missões. –Percy diz ao homem.

–E o que te faz pensar que tem permissão para isso, Peter? -O homem responde.

–Minha filha quer vê-los. –Ele responde apontando pra mim. –E as missões são as minhas, a menos a do Mar de Monstros, mas nas que são minhas deveria ser eu a decidir ou sigilo ou não delas. E antes que pergunte, sim, eu realmente posso contar essas coisas a ela, mas prefiro que ela leia.

–Nem acredito que ainda estou aqui para ver treinarem sua filha. –Fala o “Sr. D.”

–É o seu castigo. Não temos nada a ver com isso. –Annabeth diz como se apenas comentasse, indiferente.

–Sempre tão sensível Annie Bell... –Ele rebate com ironia.

–Mais que você, eu garanto. E dá para você parar de fingir que não sabe nossos nomes, é ridículo! Estou aqui a mais de vinte anos. –Fala “Annie”, agora acho que entendi o porque desse diminutivo.

–Quem é o senhor? Algum tipo de vigia? –Questiono ao homem.

–Quase isso, só que mais inútil, pequena. –Percy responde rindo.

–Bem pior que vigia, garotinha! Sou o diretor disso aqui. –Senhor D. fala irritado.

–Seu nome provavelmente não é “D.”, pressuponho.

–Claro que não. Sou o Deus das festas e do vinho. –Ele rebate com uma expressão avoada, como se isso fosse muito distante.

–Ah! O senhor é Dio...

–Por favor não diga o nome sem motivo. –Ele diz me cortando. –Di immortales! Nomes tem poder, menina.

–Está bem... agora podemos voltar ao assunto dos arquivos?

–Podem ter acesso as primeiras missões de vocês, mas só! –Fala Dionísio.

–Obrigada. –Meu pai agradece e se vira para mim. –Vamos?

–Claro. –Respondo.

–Aliás, mais parecidas impossível, ehn... –Senhor D. comenta para Percy apontando para mim e Annabeth, o que me deixa sem graça fazendo com que eu levante e comece a andar.

Caminhamos até uma salinha que parece uma biblioteca de infinitas gavetas. Cada uma com um rótulo etiquetado com o nome de... pessoas, alguns eram bem antiquados como “Analyce” e outros eram muito estranhos como “Feldspato”, mas também haviam nomes comuns em meio a toda aquela poeira. Demorou um pouco para encontrarmos o ‘P’ já que é organizado por ordem alfabética, mas a gaveta com o título “Perceu Jackson” estava bem ao alcance, até de mim, com se fosse consultada habitualmente.

Quando abrimos a gaveta vi relatórios grossos com títulos como “Caso: Labirinto – A Batalha do Labirinto”, Percy pegou o mais antigo, o mais da frente cujo nome é “Caso: Perda do Raio Mestre de Zeus – O Ladrão de Raios”.

Minha mãe indicou que já podíamos “sair”, e segui ela até a sala de entrada da Casa. Calados e concentrados, meus pais voltavam aos seus chalés, e eu quis quebrar o gelo.

–Ladrão de Raios... não é? –Digo.

–É. Dá para acreditar que minha primeira missão aconteceu porque acharam que eu, sem nem saber que era semideus quando aconteceu, roubei o Raio Mestre de Zeus?!

Annie e eu rimos discretamente, porém meu pai ainda parecia com raiva, uma raiva que foi se dissipando na medida em que seu olhar hipnotizava no sorriso da Annabeth, claramente ele não podia controlar o fato de que a amava tanto que mal conseguia ficar com raiva perto dela.

–Para que chalé estamos indo? –Pergunto.

–Hum. –Annabeth diz se virando para o Percy. – O de Atena é um ambiente melhor para ler. Tudo bem, querido?

–Claro. –Ele responde dando de ombros e ela sorri.

–Aliás, casados não deviam ficar no mesmo chalé ou sei lá... morar juntos?!

–Nos escolhemos permanecer no acampamento, filha, o que as regras não permitem não é só por causa dos campistas, mas também para não zangar os deuses. –Annabeth esclarece.

Não disse mais nada, apenas fiquei pensando. Quando chegamos ao Chalé 6, que mais parecia uma adornada biblioteca gigante (e cheirava como uma) com camas pelo meio, mas tudo muito organizado, muitas mesas de escritório para estudo e armas. Uma estadia típica de intelectuais, amei esse lugar! Tudo que eu queria fazer era sentar em uma cadeira daquelas mesinhas e ler a tal missão sobre o “Raio Mestre”, quero saber como funciona esse negócio de missão, porém agora não havia tempo para isso, era hora da aula de esgrima, e eu sou ruim, não posso me dar ao luxo de faltar.

–Onde eu deixo isso para que eu possa ir para aula? –Pergunto.

–Ali. Terceira mesa a esquerda, a minha. –Responde Annie. Avisto a mesa, tem alguns livros empilhados e um notebook com um delta em cima.

–Já decorou os horários, pequena? –Percy questiona.

–Não me surpreende. –Um homem fala.

–Querida, esse é Malcom, meu meio irmão. –Annabeth apresenta o moço, que sorri.

–Prazer garota. –Diz Malcom. –Sabia que você é o assunto preferencial da Annabeth desde que nasceu?

Eu sorrio sem graça, meio envergonhada e de cabeça abaixada aperto a mão dele, ele parecia mais novo que minha mãe, apesar dela já parecer bem nova.

–Você vai para aula de esgrima, Malcom? –Questiona Annie.

–Não, estou estudando novos projetos e... é melhor vocês irem se não vão se atrasar. –Ele responde.

–Tem razão, até mais. –Ela diz já se virando e começando a ir em direção a porta.

Depois que chegamos na arena, onde haviam várias espadas pelas paredes agora e dois círculos pintados no chão do centro a uma certa distância um do outro. Como eles fazem isso tão rápido?

–Tenho que ir. –Afirma Percy dando um beijo em Annabeth.

–Ir para onde? –Indago.

–Para o círculo azul, é o meu, o círculo vermelho é da Clarisse que já deve estar indo para lá.

–Você é... o professor?

–Dessa aula, pode se dizer que sim. Tivemos outros instrutores depois do Luke, mas no final eu e a Clarisse fomos escalados para ajudar no treinamento dos campistas.

–Você luta contra a Annabeth? E quem é Luke?

–As vezes luto sim, não que ela precise. E ele... era um campista de Hermes, muito habilidoso com uma espada.

Annie que antes estava sorrindo estava com uma expressão agora apagada desde que ouvira o nome do tal “Luke”. Eu queria dizer: “Me conte logo o que tem a mais nessa história” mas me contive.

–Boa sorte. –Percy completa, piscando para mim.

–Obrigada. Vou tentar não me ferir muito gravemente.

Ele me dá um beijo na testa, que faz meu rosto formigar, e vai em direção ao círculo azul. Logo em seguida, Clarisse se posiciona no círculo vermelho. Todos os campistas, na maioria com menos de dezoito anos, se posicionam em fila única, e esperam para lutar com quem ficar disponível primeiro.

Eu realmente não sabia com quem seria pior ir, Clarisse que parecia um brutamonte com raiva ou meu pai que era praticamente invencível.

Quase uma hora depois chegou a minha vez, me dirijo até o círculo vermelho com uma espada fina de bronze celestial, senti que caminhava para a morte certa. Sussurrei “Que Atena me ajude” e desviei do primeiro golpe. Até que eu estava indo bem, se passaram uns três minutos e eu ainda estava de pé sem nenhum ferimento jorrando sangue, mas eu percebi que Clarisse não estava nem um pouco preocupada com não me machucar, eu estava lutando com uma máquina.

Em alguma hora entre as defesas e os poucos ataques senti uma grande pressão no lado esquerdo da minha barriga. Sinceramente, eu não quero olhar e nem posso, porque se eu parar, Clarisse vai me fazer um corte mais grave, e a dor desse estava diminuindo já. A garota que eu via a minha frente lutando com Percy, está com uma cara muito chocada e parou de lutar, me vi obrigada a olhar.

Olhei primeiro para minha perna antes de subir a visão, por cima da minha leg marrom escorria um líquido amarelo brilhante, subi o olhar para lateral esquerda da minha barriga, tinha um ferimento fundo de onde escorria... sangue brilhante, mais precisamente, dourado. Parecia que tudo havia congelado a minha volta, eu não sentia mais nada, não ouvia mais nada e nem o cheiro dos morangos ou do suor que exala esse lugar eu sentia. O sangue cor de ouro se misturou com uma parte vermelha de sangue criando uma cor perolada que escorreu pela minha perna, mas que antes de tocar o chão já tinha se tornado totalmente dourada novamente... o sangue normal secou! E o mais aterrorizante, o ferimento estava se curando. Todos agora estavam estáticos, estupefatos me encarando, não deve ser toda hora que se vê alguém sangrando ouro líquido ou seja lá o que for isso, não quero tocar. Fixei o olhar no da minha mãe, que parecia o menos chocado da sala, ela parecia triste e conformada.

Clarisse antes congelada, se agacha e toca a substância e diz com uma expressão de puro terror:

–Isso... isso é... icor?!