Sangue, Amor e Poder
28 Meu coração sempre será seu
Notas iniciais
–Venha comigo!
Imediatamente Sakura obedeceu à ordem. Deixou-se ser levada até a área restrita daquela casa, trafegada e pouco conhecida por pessoas contadas a dedos.
Ela imaginara que, em todo aquele tempo que permanecera naquela mansão, havia descoberto boa parte dos segredos contidos nela, mas a porta de metal de grande espessura pôs em dúvida seus conhecimentos.
–Será uma tarefa árdua para Madara te encontrar aqui. – disse Sasuke posicionando as mãos na porta pesada de metal. –Mas eu duvido muito que ele consiga fazer isso. – olhou-a de relance antes de empenhar boa parte de sua força na porta de aço. –Qualquer vampiro pode facilmente atravessar essa porta sem que precise fazer esforço para isso, mas eles acabam perdendo quarenta por cento de sua força.
Sakura observou admirada a porta que facilmente foi escancarada. Um vento forte surgiu de dentro do corredor escuro, que automaticamente foi iluminado.
A rosada encarou o cenário de vidro e metal com assombro. O corredor era extenso, cheio de portas minuciosamente parecidas. A impressão era de está dentro de um labirinto tecnológico e, consideravelmente, engenhoso em armadilhas.
–Por que tantas portas? – perguntou ela, seguindo Sasuke.
–Somente uma porta dessas dará acesso à área subterrânea. Enquanto o inimigo a procura, suas forças são sugadas a cada travessia.
Sakura observou tudo àquilo com admiração. Ela já tinha ouvido vários boatos sobre a mansão de Sasuke, dentre eles a forma excessiva de proteção. Como defensora, ela havia investido pesado em segurança subterrânea, mas nada comparado àquela engenhosidade.
–O que há atrás da porta verdadeira?
Sasuke desviou o caminho para outro corredor que, prontamente se iluminou.
–As coisas mais importantes da mansão estão atrás dessa porta. – revelou parando em frente à última porta.
–Você não tem medo que eu veja aonde essa porta vai nos levar?
Perguntou com muita seriedade, embora estivesse testando o vampiro.
–Eu não tenho medo de nada. – deu-lhe às costas e empurrou a porta escolhida. –Trazendo-a aqui é um risco que eu tenho que correr, no entanto, não acredito que você volte aqui um dia.
–Por quê... ?
Fora pega de surpresa. Sasuke segurou-a pela cintura e ergueu-a na penumbra constante da escuridão. Sakura esforçou-se para enxergar um único ponto de luz naquele lugar de trevas, mas em nenhum momento ela se deparou com uma fagulha de luminosidade.
–Por que você disse que Madara não vai me achar aqui? – indagou afastando a insegurança que instantaneamente a confundiu.
–Eu vou deixa-la em segurança.
–Em nenhum momento eu pedi para ser protegida. – enfureceu-se por não conseguir enxergar o rosto dele. –Se seus planos é me deixar escondida como uma princesa indefesa me ponha no chão imediatamente! – ordenou sendo ignorada. –Milhares de coisas ruins estão acontecendo lá em cima e meu dever é proteger meu povo! – vociferou sendo novamente ignorada. –E Lain... Oh, meu Deus! – lembrar-se dos escombros sobre a irmã desesperou-a. –Sasuke, eu quero voltar agora!
–Você vai ficar em segurança.
–Você não decide isso! – soluçou batendo os punhos contra o tórax forte. –Eu jurei proteger a todos com minha vida! Você está me ridicularizando diante dos meus ancestrais!
–Estou tentando mantê-la viva.
–Se for para eu sobreviver sem lutar, prefiro mil vezes morrer aqui mesmo!
–Se você não quer sobreviver por si mesma, faça isso por aqueles que se importa com sua vida.
As luzes se acenderam em abrupto. A forte luminosidade obrigou Sakura a esconder o rosto banhado de lágrimas. Lentamente ela abriu os olhos com incômodo e fixou-os no rosto sério de Sasuke. As últimas palavras dele atordoaram sua mente. Fora inegável não enxergar sentimentos amontoados na mágoa.
–Eu lhe dei minha palavra, não foi? – respirou como se o ar fosse mata-la a qualquer momento. –Não morrerei antes de lhe dar o seu filho.
–Quando foi que eu lhe propus essa troca ridícula? – perguntou inconscientemente apertando-a com firmeza. –Que sentido há em sua morte se eu não mais poderei vê-la ou senti-la dessa forma? – fechou os olhos encostando a testa à dela. –Se meu destino for viver na punição, então nossa existência acabará aqui.
Sakura olhou-o surpresa. Jamais imaginara que seu vampiro era tão gentil.
–Sasuke... – acariciou calmamente o rosto pálido dele, enquanto lutava contra o desejo de ódio e vingança. –Por que temos que dar fim em tudo isso como dois estranhos?
–Eu não entendo o verdadeiro motivo disso, Sakura.
Ela sutilmente se afastou dele. Andou em círculos no ambiente completamente desconhecido. Encarava Sasuke como se estivesse sufocada, entretanto, sentia-se inútil quando tentava mencionar algo. O que ela tinha para conversar com ele era extremamente indignante. Talvez não conseguisse dizer uma única palavra, mas a necessidade a obrigava a ser forte.
–Você finge não conhecer meu sofrimento e isso me martiriza. – trêmula ela encarou repelindo as lágrimas incontidas. –Por que você não me diz o que realmente aconteceu naquele dia? – aproximou-se dele com cautela, mas o rancor transgredia em seu olhar perdido. –Que tipo de ser é você, Sasuke Uchiha?
Bateu os punhos fortemente contra o peitoral másculo, iniciando seu desabafo. Imóvel, Sasuke a observava como se quisesse de todo o seu ser desvendar o enigma de todo aquele ódio. Como, quando e por que ela passara a odiá-lo?
–Sakura... – chamou-a prendendo os pulsos delicados com uma das mãos. –Eu exijo uma explicação.
Lentamente Sakura baixou a cabeça e teve como foco a mão pálida do vampiro. O anel que o denunciava estava enlaçando seguramente o dedo dele.
Sakura livrou os pulsos da mão forte que a segurava e decidida tirou o anel Uchiha do Lorde, que permitiu o atrevimento.
–Quando eu olho fixamente esse anel, me pergunto quantas vezes minha mãe o olhou com essa mesma angústia. – comentou voltando os olhos para Sasuke. –Você achou que ela nunca o reconheceria naquele maldito dia, mas usar isso naquele fim de tarde foi seu maior erro!
Sasuke encarou o anel como se ele fosse um código secreto. Ele se considerava um ser extremamente inteligente, mas faltava-lhe percepção ou até mesmo sabedoria para desvendar cada palavra dita por Sakura.
–Do que você está falando?
–Não se faça de desentendido. Eu sei muito bem que foi você o desgraçado que invadiu o território da minha família e possuiu minha mãe a força! – atiçada pela raiva, ela jogou o anel contra ele. –Você não tem escrúpulos! Não bastou usar a minha mãe, mas também fez o mesmo com minha irmã, e comigo!
As cartas estavam abertas sobre a mesa. Sakura acreditava que um riso doentio a atormentaria em seguida, mas a expressão conturbada de Sasuke assombrou sua imaginação.
–Você realmente acredita que eu fui capaz de fazer tamanha covardia? – indagou acariciando o queixo, como se avaliasse as próprias palavras. –Responda-me uma coisa, Sakura: por acaso você realmente acreditou nessa história?
–Não me faça de estúpida! Tsunade estava lá quando... Ela sabe que foi alguém do clã Uchiha e esse alguém carregava no dedo esse anel, e esse alguém é você.
Sasuke respirou profundamente, um tanto cansado.
–Com certeza alguém se esqueceu de mencionar que me tornei dono desse anel há pouco tempo e imagino que esse alguém tenha se esquecido de explicar que o anel Uchiha ficou no poder do meu tio Madara centenas de anos. – revelou olhando-a com reprovação. –Itachi pode confirmar cada palavra que eu disse.
–Não pode ser... Eu... Naruto não pode ter mentido pra mim.
–Obviamente ele ou qualquer outro que me odeie não perderia a oportunidade de nos jogar um contra o outro. E eles conseguiram. – confirmou constrangendo Sakura que sutilmente encolheu os ombros. –Se Madara realmente desonrou sua família... Por que não houve conflito naquela época?
–Por que provavelmente minha mãe fez de tudo para isso não vir à tona. – deduziu ressentida. –Mas o silêncio dela não durou muito. Alguns anos depois o boato sobre o estru... Todos ficaram sabendo. Eu era muito nova para entender o que estava acontecendo. – respirou profundamente, encostando-se à parede gélida. O olhar estava fixado em algum ponto daquele cômodo silencioso. –Tenho medo de existir mais segredos por trás dessa história. – nervosa, ela entrelaçou os dedos. –Não sei mais em quem ouvir e acreditar. Nada parece fazer sentido. Absolutamente nada.
O silêncio que se instalou entre eles era perturbador. Todas as dúvidas pareciam ter sido sanadas, mas faltava-lhes ainda algo. Estavam tão pertos um do outro, poderiam, a qualquer momento, abraçar um ao outro e preencher o vazio que a mágoa e o ressentimento haviam causado em ambos. Eles sabiam que seus desejos eram fácies de serem realizados, exatamente naquele instante.
–Sasuke...
–Eu vou atrás de Madara. – interrompeu-a cessando a intenção de Sakura em querer se aproximar. –Em dois minutos dois homens de minha confiança virão escolta-la até a extremidade desse esconderijo.
–Eu não posso ficar aqui de braços cruzados.
–Você não está em condições de...
–Você não entende! É meu dever proteger meu povo. Eu fiz um juramento diante do meu clã e...
–Regras... É nessa pequena palavra que estamos nos apegando ultimamente. – disse aparecendo diante da rosada num abrir e piscar de olhos. –Mas se você quer realmente resistir a esse confronto pessoal comigo através de regras, deixe-me lembra-la que você entrou em minha vida por meio delas. – provocativo, ele deixou que seu nariz roçasse vagarosamente o dela. –E, conforme as minhas regras, eu ainda decido o que faço com sua vida.
Ele sussurrou sedutoramente nos lábios rosados entreabertos. Olhou-a admirado, com fervor de uma paixão que jamais se calaria. Lentamente deixou as pontas gélidas dos dedos tocarem o rosto bonito dela e sussurrou algo possessivo antes de beijá-la intensamente.
Sakura deixou-se ser envolvida. Seu coração clamava duramente por aquele contato que ela não mais pensava acontecer. Abraçava-o com ternura enquanto ela secretamente se condenava. Ela não fora capaz de enxergar o homem bom que havia nele. Seu vampiro odioso era um ser realmente gentil e a amava de todo o seu ser.
–Sasuke... – murmurou abraçando-o como se nunca mais fosse soltá-lo. –Eu te desprezei quando deveria abraça-lo dessa forma. – soluçou baixo enquanto afundava o rosto na dor. –Eu não tenho tempo de dizer a você o quanto eu o amo, mas... – olhou-o serenamente. –, se nunca mais voltarmos a nos ver... carregue consigo a certeza que meu coração sempre será seu.
Olharam-se demoradamente antes de ouvirem passos apressados.
–Senhora?
Ela ligeiramente deu atenção aos homens que a reverenciaram, no mesmo instante, Sasuke havia sumido.
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