Sangue, Amor e Poder
12 Desafiando o destino
Notas iniciais
Obrigada pela recomendação, flor!
Beijos!
Mais um relâmpago cortou o céu, deixando o quarto iluminado por algum tempo, até que a escuridão se acomodou nos minúsculos lugares.
Ele sentia o coração dela palpitar contra o seu peito, sendo arrebatado pelo calor daquela confissão. Havia um brilho desinibido em seus olhos, um brilho tão inocente e ao mesmo tempo sedutor, que lhe tirava as forças.
–Sakura...
–Parece loucura o que acabei dizer. Sei que você está tão atordoado quanto eu.
–Não vou negar – ele acariciou o rosto de Sakura, e seu toque a fez tremer de expectativa. –Vê meus companheiros morrerem em batalha foi menos surpreendente que isso.
–Não deveria me dá tanta importância – ela devolveu o carinho, acariciando o rosto dele, depois mergulhou os dedos entre os fios de cabelo. –Não paro de pensar um minuto sequer em nós. É tudo tão incerto, frágil e sensível que...
–Está mais insegura que antes. Por quê?
Sakura o abraçou, de repente, e a chuva voltou a cair com força.
–Agora que você me conquistou, essa fascinação pode acabar facilmente. Karin me disse uma vez que você não costuma se apegar as pessoas – afastando-o para olhá-lo nos olhos, ela disse: -, apesar de eu ser forte emocionalmente, não sei se seria fácil viver uma decepção.
Sasuke compreendia o peso de suas palavras, a incerteza que havia em cada uma delas. Mas, assim como ela, talvez existisse um pouco daquela insegurança em si. Ele também estava se arriscando, pela primeira vez estava se apegando a um ser humano, de verdade, e isso era tão real, verdadeiro e único que o assustava.
–Eu a quero para sempre, nunca duvide disso.
O coração dela bateu freneticamente, tão impulsivo quanto seus atos. Com as mãos um pouco trêmulas, Sakura segurou as alças da camisola e deixou que elas escorregassem até os ombros, depois a soltou de vez, deixando-a cair ao chão. Ela chegou ainda mais perto de Sasuke, encostando os mamilos enrijecidos no peitoral forte, frio e pálido dele. Seu coração bateu com mais força e, sem que ela percebesse ou sentisse, uma lágrima escorreu por seu rosto. Sasuke viu a certeza nos olhos dela, e uma vez que a tocasse, seria incapaz de deixá-la.
–Me morda.
Mais uma lágrima escorreu pelo rosto dela e Sasuke a secou com todo o cuidado.
–Ainda não.
Sakura o abraçou fortemente, unindo seu corpo quente ao frio dele. As asas que a abraçava desapareceram e seu corpo arrepiou-se quando o frio, entrando pela janela, tocou suas costas. Ele a levou até a cama e a deitou delicadamente.
Enquanto se preparava, não desviou seus olhos dela, deitada em sua cama, esperando-o como veio ao mundo. Instintivamente ela arqueou o corpo quando ele deitou-se sobre si, e ambos sentiram o contato físico um do outro.
Era evidente a confusão no olhar de Sakura, uma mistura de medo e coragem, ao mesmo tempo. Ela sentia toda aquela virilidade dele sobre seu corpo, ameaçando-a prazerosamente.
–Está nervosa?
Ela sorriu em resposta, um pouco envergonhada, mas confiante.
–Não muito.
Ela tomou a iniciativa de beijá-lo, e enquanto fazia isso, abria as pernas devagar, tendo como barreira o tecido de sua calcinha.. Sasuke a mordeu de leve no canto da boca, depois desceu beijando o pescoço dela, até chegar aos seios, pesados de desejos. Suas mãos apalparam os seios, depois sua língua os circuncidou, até cobrir os mamilos com a boca. Sakura fechou os olhos, completamente entregue aos seus cuidados, e gemeu quando os lábios dele invadiu sua intimidade. Sentiu a calcinha descer pelas pernas, sendo arrastada pelas mãos ágeis, enquanto a boca dele lhe proporcionava prazer, que ela jamais sentira na vida.
Estava trêmula, suada, molhada, sentia-se invadida, sua alma inundada pela força daquela concupiscência. Quando Sasuke encontrou seu olhar, Sakura respirou fundo, tentando controlar o corpo que sofrera com o orgasmo. Ela não imaginava que pudesse se entregar tanto apenas sendo tocada por lábios.
Observou-a por instantes, certificando-se que ela queria que ele continuasse a explorá-la. Aninhando-se entre as pernas sedosas dela, ele fez o contato íntimo e Sakura o abraçou fortemente. Quando a dor acabou e ela conseguiu se tranquilizar, percebeu que Sasuke também respirava fundo. Começou a se movimentar dentro dela, com todo o cuidado para não esquecer-se da força que havia em si. Ele beijou-a demoradamente e olhou-a nos olhos, aumentando os movimentos. Sakura o abraçou com muita força, afundando o rosto no pescoço dele, tentando retrair os gemidos, nascidos de mais um orgasmo. Incapaz de reprimir seus desejos, ele deixou-se despejar dentro dela.
O tempo passou e eles permaneceram calados, ambos perdidos em seus devaneios. Sakura começou a acariciar o rosto dele, atenta a chuva caindo lá fora, trazendo rajadas de vento que não dava trégua. Estava cansada, dolorida, e o sono começava a fisgá-la. Sasuke deitou-se ao seu lado e puxou-a para si. Esticou o lençol e cobriu seus corpos. Sakura o abraçou e aninhou-se no peito dele.
–Você pode até dizer que não sou seu dono, mas depois dessa noite, seu corpo renegará suas palavras – esboçou um pequeno sorriso. –O que você me diz sobre isso, Sakura?
Ele esperou a resposta dela, mas ao afastá-la um pouco para ver seu rosto, pegou-a dormindo profundamente. Abraçou-a contra si e passou a lhe distribuir carinhos pelo corpo, enquanto ela suspirava em seus braços.
X*X*X*X*X*X*X
–Deseja mais alguma coisa, senhora?
–Ah, sim, por favor – Tsunade olhou a porta de entrada novamente, e sacudiu a cabeça negativamente. –Traga uns petiscos, e uma garrafa de sakê.
–Com licença.
Sem muito pensar ela levou o copo à boca, consumindo a última gota de sakê que havia nele. O garçom chegou com os petiscos e a garrafa de sakê; Tsunade mal deu tempo ao homem de servi-la. Cheia de pressa, ela encheu o primeiro copo, virando-o de uma só vez. Quando conseguiu se controlar, notou que quase todos os clientes perto dela, olhavam-na, incrédulos.
–O que foi?Não estou aqui a passeio – quase gritou e todos recolheram seus olhares.
Pelo rabo do olho ela viu o pessoal dos domínios Haruno chegarem. Antes de tomar mais sakê ela olhou bem o rosto de Naruto e suspirou emburrada.
Faltou-lhe coragem de voltar aos domínios, pois todos a aguardavam com Sakura, principalmente seus amigos próximos. Não sabia como eles reagiriam e tinha medo que ninguém entendesse a decisão de Sakura. Ela também não entendia, mas estava sendo sensata ao se conformar.
–Viemos assim que você mandou o recado – disse Naruto.
–Sentem-se, tem bebida pra todo mundo – falou Tsunade enchendo o copo outra vez.
–É uma comemoração? – Tsunade encarou Ino como se fosse matá-la, e ninguém entendeu todo aquele desânimo.
–Onde está Sakura? – perguntou Neji.
–Mas que droga!Será que vão sentar e me deixar falar? – todos olharam para ela novamente, até mesmo o garçom que acabara de servi-la. –Desculpem.
–Se Sakura não está aqui, onde ela está? – perguntou-se Hinata, olhando para os lados.
–Entendi – falou Shikamaru servindo-se. –Ela está escondida em algum lugar e...
–Será que posso falar? – perguntou Tsunade. Todos a observaram, atentos no que ela diria. –Para começo de conversa, Sakura está muito bem, muito bem eu diria.
–E onde ela está? – perguntou Naruto.
–Eu sinto muito, mas... Sakura... Ela não nos escolheu.
–Como não escolheu?Como assim?
–Estou tentando dizer que Sakura se apaixonou por um vampiro, e renegou nossa gente!
Todos estavam chocados demais para raciocinar, principalmente Naruto, que dentre eles, era o mais esperançoso. Hinata encostou a mão no ombro do loiro, a fim de consolá-lo, mas ele levou abruptadamente, derrubando a cadeira que estava e assustando as pessoas ao lado.
–Aqui não é o lugar apropriado para conversarmos.
–Lamento Neji, mas não vou perder meu tempo explicando o que todo mundo entendeu – Tsunade apoiou a testa com uma das mãos e fechou os olhos, sentindo o efeito do álcool, agir. –Ela disse que todos nós devemos seguir em frente e não se preocupar com ela.
–Você fez alguma coisa para impedi-la?
Tsunade abriu os olhos e encarou Naruto.
–Impedi-la?
–Sim – ele aproximou-se dela, curvou o corpo na altura que ela estava e falou, bem perto de sua orelha: — Você não fez nada para impedi-la, apenas se conformou.
–Com quem você pensa que está falando?
–Infelizmente, com a pessoa que depositei toda a minha confiança.
–Ora, essa! – ela ficou de pé num pulo e todos pararam para vê-los. –Eu sou uma mulher de princípios e...
–Tanto que veio reparar seu fracasso na bebida. Realmente, Tsunade, você tem princípios.
–Naruto! – Naji o segurou pelo braço e levou-o para fora. –Eu entendo que você a ame, mas Tsunade não tem culpa! – Naruto puxou o braço com agressividade, mas Neji o enfrentou, segurando-o novamente. –Não deve ser fácil perder alguém assim, mas se você insistir acabará perdendo seus amigos também. –ao ouvi-lo, Naruto se controlou. –Enquanto você chora por Sakura, alguém próximo a nós chora por você.
Lá dentro estava Hinata, também o observando, tão triste quanto ele. Lágrimas solitárias caiam para todos verem, e ela não se importava. Ele pensou nela profundamente, e seu coração bateu forte quando a razão o incriminou. Estava tão focado em Sakura que não percebia as qualidades de Hinata, nem seu amor por ele. Ela sofria por vê-lo transtornado, desiludido, e nem mesmo o fato de saber que Sakura não estava mais entre ele a animava. Era ele seu único foco, o único homem que fazia seus sentimentos aflorarem.
Deu um passo em direção onde Hinata estava, mas Neji já estava lá, pedindo à prima que não fosse fraca. O moreno olhou Naruto do lado de fora, e balançou a cabeça, fazendo que ele entendesse que seria melhor que fosse embora. Mesmo a contra gosto Naruto se foi.
–Não fique assim Hinata, Naruto vai perceber que você é a pessoa certa para ele.
–Perceber, Tenten? – indagou, secando o rosto molhado. –Mas quem disse que estou chorando porque Naruto não gosta de mim como eu quero?
–Não?
–Não, estou chorando por ele, pela dor que ele deve está sentindo agora.
Ino abraçou a amiga e ergueu o copo, dizendo em voz alta:
–A você Hinata!
E todos ergueram seus copos e brindaram juntos.
X*X*X*X*X*X*X
–Senhora, acorde, vamos!
Sakura cobriu o rosto com as mãos, depois puxou o lençol até cobrir-se completamente. Aihara esperou pelo despertar dela, estava acostumada com os alarmes falsos que ela lhe dava pela manhã.
–Onde está Sasuke?
Sakura sentou-se e olhou o lugar onde Sasuke havia deitado com ela.
–É a primeira vez que a senhora acorda e pergunta por ele.
Sakura concordou, e disse para si que perguntaria sempre por ele ao acordar.
–Por sorte consegui vê-lo antes de saí. Ele só me disse que era para eu cuidar muito bem da senhora. –Sakura sorriu um pouco constrangida. –Era bem cedinho quando ele saiu daqui. Eu juro que dessa vez não fui maliciosa...
–É uma pena, porque dessa vez aconteceu algo entre nós.
Aihara corou, consideravelmente, e apalpou as bochechas com as mãos.
–Eu nunca tinha experimentado algo assim, e com uma pessoa tão diferente como Sasuke.
–Então a senhora foi mordida?
–Não. – lembrou-se das palavras dele e ficou pensativa. –Eu pensei que seria, mas Sasuke achou que ainda não é a hora.
–É melhor assim – Aihara começou a organizar o quarto, e Sakura notou que sua expressão mudara com o assunto.
–Você foi mordida, Aihara?
Virou-se para Sakura, com o olhar distante e lamentou-se. Não gostava de falar sobre si, do seu passado, porque as lembranças eram dolorosas e ainda sangrava. Mas, às vezes desejava ter o que falar para alguém, e ser escutada.
–Eu escolhi envelhecer e morrer.
–Como você veio parar aqui?
–Eu morava em Osaka, com meus pais e um irmão, tinha vinte e dois anos na época. Um cara muito interessante tinha acabado de se mudar para a minha rua e fiquei sabendo que seríamos vizinhos. Envolvi-me perdidamente com ele, e vim para Tókio na esperança de encontrá-lo. Quando eu o encontrei ele me apresentou aos outros como uma de suas amantes. Fiquei arrasada, e decidi voltar para casa, mas meu pai não quis me ouvir. Só me restou seguir em frente e comecei de maneira errada...
–Tudo bem Aihara, você não precisa dividir isso comigo.
–Mas eu quero. – Sakura deixou-a prosseguir, mesmo sabendo que cada palavra a magoava profundamente. –Comecei a me prostituir e não sei dizer por quanto tempo fiquei nessa vida. Nada para mim valia a pena ser levado a sério, não naquelas condições, então me aprofundei mais ainda. – por instantes ela se calou, Sakura imaginou que ela estava recordando de fatos que logo seriam contados. –Tornei-me ambiciosa, por isso resolvi sair daquele lugar de quinta, e fui contratada para servir homens de alto padrão. Era tudo mentira. No mesmo dia, que fui contratada, um estranho me levou como se eu fosse sua propriedade. Lá conheci o império Uchiha, e seus homens asquerosos. E eu que estava tão acostumada a vender meu corpo para qualquer um, senti desespero a ser tocada por um vampiro.
–Sabe, existem muitas histórias semelhantes a sua naquele lugar.
–Certamente.
–Eu vou mudar isso. – Aihara sorriu para ela e não pôde segurar as lágrimas. –Um dia, unirei vampiros e humanos no mesmo lugar, nem que eu morra tentando.
–A senhora não vai morrer, nunca! – ela foi até as janelas e começou a escancarar as cortinas, como de costume. –A senhora já enfrentou muita coisa para está viva, então não pense na morte.
–Você tem razão.
–Oh, céus!Estamos aqui tagarelando e nada da senhora se arrumar!
–Por que tanta agitação? – perguntou sorridente, ajeitando o lençol no corpo para sair da cama.
–O Lorde decidiu voltar para seus domínios.
Ela perdera o sorriso, nem mesmo conseguiu sair da cama.
–Voltar à mansão Uchiha? – indagou.
–A senhora não sabia disso? – para o desespero de Aihara, Sakura balançou a cabeça. –Eu e minha língua de trapos!
–Não gosto daquele lugar, Aihara. Sinto-me depressiva, amedrontada, mal consigo dormir.
–Eu sei muito bem o que significa estar dentro daquela fortaleza. Mas a senhora tem o Lorde e quando ele estiver por perto ninguém será capaz de perturbá-la.
Passavam das três da tarde e Sasuke não havia retornado. Sakura não sabia mais o que fazer, nem tinha mais paciência para ficar esperando. Determinada a sair e andar pelo jardim, ela calçou as botas e saiu do quarto. Ainda na escada pôde observar a sala de visitas. Desceu cautelosa, chegando à porta tranquilamente.
Um dos seguranças vasculhava o jardim, fazendo a mesma revisão a cada hora. Ela chegou até ele cruzando os braços. Decidira que seria ele quem iria lhe dizer onde estava Sasuke.
–Onde está Sasuke?
–O lorde nunca nos diz aonde vai e a que horas chega.
–Mas ele diria a mim, mas como eu não o vi partir acredito que ele deixou um recado para mim, não?
–Não, senhora. — ele era fiel à Sasuke como um cachorro seria ao seu dono.
Alguns pingos de chuva começaram a cair, obrigando-a a voltar para casa. Enquanto andava percebia que estava sendo observada pelo segurança, e apressou os passos. Parecia loucura ser vigiada por um vampiro; sendo humana e portadora de algo valioso. Era estranho como sua nova vida soava familiar para ela. Não tinha mais como negar que viver com um vampiro, ter súditos monstruosos não a assustava mais.
Voltara para casa e bateu a porta com força. A chuva começava a cair novamente, e Sakura ficou observando-a da janela. Às vezes olhava o portão, e outras vezes observava o céu, acreditando que a qualquer momento Sasuke apareceria.
X*X*X*X*X*X*X
Estava acompanhado de três homens e uma mulher, indo ao laboratório subterrâneo, onde pesquisavam e desenvolviam vacinas a fim de saciar o desejo sanguíneo.
Quando os pais estavam vivos, Itachi era considerado o melhor guerreiro. Astuto, feroz e implacável, seu pai fizera dele seu braço direito, futuramente seu sucessor. Mas sua força, e coragem não foram suficientes para proteger seus pais, e o rapaz guerreiro, que todos temiam e reverenciavam, morrera junto com eles. Com sua razão, ele pôde se dar conta que aquela guerra silenciosa jamais acabaria, pois, se havia mesmo um tratado de paz; por que cada domínio se preparava para a guerra todos os dias?
Eles camuflavam o que todos viam; a luta entre vampiros e humanos pelo sangue, e a cobiça de ser o mais forte sobre a influência de um poder.
Diante do caos, ele resolveu se afastar de tudo aquilo, levando consigo o que restara daquele dia pérfido: esperança.
–-Como ficou a mistura dois? – perguntou enquanto misturava várias substâncias, cuidadosamente em um recipiente de vidro.
–Incompatível com a mistura três. Devemos fazer o mesmo processo com mais cuidado?
Itachi foi até a mulher, levantou o recipiente com a mistura e o balançou. A substância mudava de cor toda vez que era sacudida, sem conseguir definição.
–Não é preciso. – livrou-se do recipiente e voltou ao seu lugar. –Tentem a três com a quatro, mas com menos quantidade, pode dar certo.
–Sim, senhor.
Voltou a se concentrar nas diversas misturas em cima da mesa, mas um homem entrou no laboratório e cochichou algo. Itachi suspirou emburrado e levantou-se com toda pressa. Apertou os passos e sumiu pelos corredores mal iluminados, chegando à sala onde ele recepcionava as visitas, na maioria das vezes, fugitivos de outros domínios.
–Já lhe pedi para não vir aqui!
Disse furioso, olhando as costas do homem que se virou exibindo o sorriso.
–Não é assim que se trata um tio querido, Itachi.
–Não perca seu tempo tentando me paparicar. Diga de uma vez porque você veio.
Madara uniu as mãos pálidas, deixando Itachi perceber que o anel de tamanha importância do clã Uchiha não estava com ele.
–Três súditos meu escaparam ontem pela manhã, e eu soube que eles se refugiaram aqui.
–Os humanos costumam chamar a polícia numa ocasião dessas. Por que você não faz o mesmo?
–Não me venha com humor Itachi, estou falando sério.
–Pois bem. Eles estão aqui e eu os abriguei.
–Não tem esse direito!
–E que direito você tem de escravizá-los a suas loucuras?
–Ora!São vampiros, guerreiros e nada mais! – exaltou-se. –Vampiros foram feitos para se alimentarem de sangue, usar sua força bruta contra o inimigo e espalhar sua semente – ele dizia tudo aquilo a Itachi no intuito de provocá-lo, sendo que ele decidira ser o oposto. –Parece até uma piada infame ouvir um vampiro poderoso como você dizer que está se aventurando em laboratório a fim de descobrir a cura para a refeição sanguínea. O que fará depois?Vai namorar por dois ou três anos e se casar. Ter filhos e levá-los ao parque de diversão nos fins de semana?
–Acho que é hora de você sair.
–É por isso que Sasuke mantém a cabeça no lugar, e saiba que farei dele meu melhor guerreiro.
–Tentará usá-lo para conseguir realizar parte de suas loucuras, e depois o descartará. Mas saiba que antes de você fizer isso, eu vou abrir os olhos de Sasuke.
–Faça como quiser, mas duvido que você consiga impedi-lo.
Deu as costas para Itachi, mas ele conseguiu detê-lo.
–Espere.
–O que quer?
–O anel Uchiha não está com você. O que fez com ele?
Madara observou as mãos e sorriu.
–Está nas mãos do verdadeiro dono agora. Está com ciúmes? – Itachi o ignorou. –Em pensar que nem mesmo a vontade de seu pai você respeitou. – disse confiante, gargalhando em seguida.
–Vá embora ou serei obrigado a tirá-lo daqui à força.
–A verdade incomoda, eu sei. – Itachi estreitou os olhos, Madara começou a olhar os lados como se procurasse alguém. –Onde está a herdeira Haruno? – Itachi nada disse. –É Lain o nome dela, não é?
–Por que quer saber?
–Acho interessante a forma que você achou de ser esperto, mas permita-me corrigi-lo: você está com a garota errada.
–Ah, é mesmo?
–A herdeira mais velha é a portadora do poder lendário, e Sasuke imediatamente deu um jeito de fisgá-la. Só para você saber: essa menina que está aqui é mais inútil do que você pensa. Mas, com um pouco de esforço, você consegue transformá-la em uma boa vadia.
Em um piscar de olhos Madara foi pressionado contra a parede. O impacto destruiu parte da parede, e o lustre no teto caiu se quebrando em mil pedaços. As asas de Itachi cresceram, na mesma velocidade que suas presas, e seus olhos brilharam como duas brasas vivas. Unhas afiadas circuncidou o pescoço de Madara, quase perfurando sua pele.
–Você não a conhece, então não a julgue como se a conhecesse.
Madara riu. Suas asas cresceram e suas presas ameaçaram o rosto de Itachi, a centímetros do seu. Com um movimento forçoso ele conseguiu cravar as unhas no braço do sobrinho, que sangrou imediatamente. Itachi pressionou as unhas no pescoço do tio, perfurando a pele, ferindo a carne. O sangue escorregou por seu braço, fazendo-o lembrar de cenas marcantes. Com um empurrão Madara foi arremessado na porta, que desabou com seu peso. Antes de desaparecer ele observou o rosto do sobrinho e sorriu.
Itachi esticou o braço e a carne começou a se regenerar, mas percebeu que sua recuperação estava demorando mais que o normal. Não duvidava que os remédios estivessem interferindo sua cura, e isso só o motivou a melhorar suas pesquisas.
–Eu cuido disso. — Lain andou entre os escombros e a poeira, chegou até ele e segurou seu braço. –É um corte profundo, talvez inflame.
–Esqueceu que sou um vampiro?
–Mas seu corpo está fraco devido os remédios que você toma para não se alimentar de sangue. – ela rasgou a manga de sua blusa, e começou a enrolar o braço.
–Por que está fazendo isso? – perguntou ele, observando-a atentamente.
–Você me defendeu.
–Aquilo não foi nada.
–Eu sei, mas foi a primeira vez que uma pessoa me defendeu de verdade. – ao levantar a cabeça encontrou os olhos de Itachi e se incomodou. Afastou-se dele, voltando e passou pelos escombros novamente. –Vamos ao laboratório, você precisa cuidar desse braço.
Itachi a seguiu e encontrou diversos homens pelo caminho. Ele dizia que estava tudo bem e que eles voltassem a seus postos.
–Por que você odeia tanto sua irmã?
–Porque ela é nojenta.
–Não seria inveja, ciúmes ou qualquer outra coisa?
Lain parou, fazendo-o parar e olhou para trás.
–Ela sempre me disse que não era para ninguém atravessar as fronteiras, eu principalmente, e de repente descubro que ela estava com Sasuke.
–Pelo que entendi e todos comentam, você a empurrou até lá.
–Eu...
–Irmãos menores sempre dá dor de cabeça.
–E os mais velhos estressam.
Ela voltou a andar e Itachi a obsevou até ela fazer curva em um corredor escuro.
Continua...
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