Sangue, Amor e Poder
13 É hora de esquecer o passado
Notas iniciais
Beijos!
Os braços, que ainda sangravam, desabaram sobre a mesa partido-a em dois pedaços, com muita facilidade.
–Mestre! – uma mulher alta, de pele clara e cabelo escuro, ajoelhou-se aos pés de Madara e começou a limpar suas feridas. –Quem deixou o senhor nesse estado?
Madara olhou-a como se ela tivesse lhe jogado uma praga. Ainda furioso com Itachi, mas contente em descontar a ira em qualquer um por perto, ele segurou a mulher pelo pescoço, trazendo-a para perto.
–Que estado? – ela nada respondeu, aparentemente estava confusa com a pergunta. –Perguntei: que estado?
–O senhor está ferido. – quase balbuciou.
–Somente os fracos se ferem.
–Não foi isso que eu quis dizer...
Ela mal terminou de se explicar, pois sua cabeça afundou junto com o piso de mármore da vasta sala.
Alguns vassalos correram para fora do castelo, outros voaram sentindo-se ameaçados.
Satisfeito com o assassinato, Madara sorriu provando sua força e logo depois seu sorriso se transformou em decepção. Derrotado, observou os braços por um longo tempo, e jurou para si que suas feridas seriam curadas com o sofrimento daquele que mais odiava.
–O que significa isso? – Sasuke estava encostado à parede, com a expressão um pouco confusa, mas ao mesmo tempo divertida. –Você é um ótimo mentor tio, mas é um péssimo guerreiro.
–Sasuke! – como se não fosse patético está daquele jeito, derrotado, tinha que se curvar diante do sobrinho mais novo. –É isso que ganho por tentar compreendê-lo!
–O que você foi fazer lá? – perguntou Sasuke, indo até o tio.
–Fazer reclamações, claro!
–Escravos de novo. Suponho. – ficou de frente para o tio, esperando-o se levantar. –Ultimamente tio, você têm tido atitudes amadoras.
–Diferente de você, eu luto por aquilo que me pertence!
–Você está enfrentando Itachi de peito aberto, e isso não é a primeira vez. – Sasuke encarou o corpo da mulher abaixo de si, e com a ponta do pé cutucou o ombro direito dela. –É a segunda visita em um mês.
–Perco mais escravos que dignidade se eu não for até lá. – Sasuke deu de ombros. –Você tinha que vê como ele defendeu aquela vadiazinha da Haruno! – Madara riu, Sasuke manteve-se atento. –Ela está lá, vergonhando-o com seu sangue humano, e fazendo que seus últimos familiares sintam a vergonha também. – apertou os punhos. –Tive vontade de procurá-la e matá-la!Malditos sejam os humanos!
Sasuke tornou sua expressão séria, mas não se pronunciou a respeito. Talvez ele não entendesse o porquê de está se sentindo atingido com as palavras de ódio do tio aos humanos, mas no fundo sabia que, somente pelo fato de sua amada ser um deles, isso o inflamava.
–Não adianta questionar, pois, melhor que isso, é agir. – levantou-se. –Meu sobrinho querido, faz um bom tempo que não falamos sobre a sua humana.
–Não é o momento.
–Ora, Sasuke – disse calmamente, enquanto tocava o ombro de Sasuke como se fosse cumprimentá-lo. –, entendo perfeitamente que a beleza daquela garota é provocativa, sedutora, mas tê-la por perto é um capricho que você pode controlar.
–Você tem razão. É um capricho consideravelmente egoísta mantê-la ao meu lado, mas isso faz parte do passado. – ele andou até uma das janelas, e afastou a cortina preta a fim de vê o resto do dia. – Você não sabe, e provavelmente nunca saberia se fosse descobrir por vontade própria. – aproximou-se do tio, certo do que diria, mas sentindo-se desconfortável. –Parece que o impossível aconteceu entre um Haruno e um Uchiha.
–Aconteceu? – indagou confuso. –O que aconteceu?
–O que eu não sabia que realmente existia.
–Seja mais específico. – exigiu.
–No fundo você sabe do que eu estou falando.
–Perdão, mas não conheço a loucura para saber em que grau você está nela. – ironizou. –Oh, meu sobrinho querido!Prefiro do fundo do meu coração, vê-lo renegar o clã Uchiha do que ouvi-lo confessar que se apaixonou.
–E se for isso? – indagou. –Qual é o problema?
A resposta foi um soco monstruoso dado na parede, por Madara, e parte da janela cair feito escombros.
–Você tem ideia do que eu deixei de viver para educá-lo? – exaltou-se. –Enquanto seu maldito irmão se mostrava cada vez mais para seu pai, você estava jogado em um canto escuro, esperando migalhas de atenção! – Sasuke olhou-o, visivelmente incomodado. –Eu te transformei em um guerreiro e sustentei por anos sua maior ambição: ser invencível! – gritou. –E foi somente para isso que você seduziu aquela garota!Então esqueça de uma vez por toda essa tolice de sentimentos!
–Desculpe, mas dessa vez não vou ouvi-lo.
Madara se contorceu de ódio ao constatar que seus planos, finalmente, estavam perdidos. Sasuke estava tão seguro do que dizia que facilmente o convenceu, mas, ainda assim, apesar de testemunhar toda aquela certeza saindo dele, havia chance de ele conseguir persuadi-lo novamente.
–Sasuke – cheio de autocontrole e confiança, Madara aproximou-se. –, eu consigo entender o que se passa na sua cabeça agora. Eu já fui jovem como você. Vivi aventuras e fiquei perdidamente encantado por uma humana. – Sasuke surpreendeu-se, afinal a vida pessoal do tio era extremamente reservada. –Mas esse encanto acabou um dia, de repente, e não será diferente com você.
–Lamento por você, mas não tente me convencer dessa forma. – ele ajeitou a capa preta, depois esticou as luvas. –Eu só vim lhe dizer isso tio, por que de hoje em diante, minha vida não será mais a mesma.
–E nossos planos?
–Esqueça-os. – disse secamente. –Não vou prejudicar Sakura só para atender suas vontades.
–Isso não tem cabimentos!É inaceitável!
–Pois então aceite! – gritou já enfurecido com a falta de compreensão do tio. –Ela me escolheu. Ela me aceitou!E se alguém, principalmente você, aborrecê-la, pode se considerar meu inimigo.
Madara respirou fundo, tentando manter a sanidade. Seus olhos brilhavam furiosamente, e ele quase não foi capaz de recuar a cor vermelha que havia neles.
–É sua última palavra? – perguntou a Sasuke.
–Sem dúvidas. – respondeu Sasuke, lhe dando as costas.
Ficara sozinho na ampla sala, tendo, apenas como companhia, o corpo da jovem que matara minutos atrás.
Madara aproximou-se do corpo da mulher, deixando suas presas visíveis, e mordeu o braço dela várias, principalmente no pulso, certificando-se que seu sangue já estava frio.
–Humanos inúteis! – ele dobrou o braço da mulher completamente, até escutar o barulho de ossos se quebrando. –Eu vou destruir a vida de todos os meus inimigos, um por um, e a primeira vítima – levantou-se indo até a janela. –, será sua humana, querido sobrinho. Vamos vê se ela continuará ao seu lado se descobrir que, sua querida mãezinha, foi violentada covardemente pelo portador do anel Uchiha.
X*X*X*X*X*X*X
Aihara limpava um vaso quando a porta foi aberta, e por ela Sasuke passou já se livrando da capa pesada pela chuva que não parava de cair fazia algum tempo.
–Senhor! – Aihara prontamente correu para ajudá-lo. –Veja como está ensopado! – segurou a capa enquanto a outra mão segurava o vaso. Indignado com a falta de atenção da mulher, Sasuke pegou o vaso e deixou-o no lugar. –Perdão, senhor.
–Eu já lhe disse para tomar muito cuidado com os objetos decorativos dessa casa. Minha mãe tinha muito apreço por eles.
–Eu...
–Esqueça, mas lembre-se de ser cuidadosa. – disse ele subindo a escada.
–Minha senhora não está no quarto. – ao ouvi-la, Sasuke parou. –Nem em outro cômodo dessa casa.
–Como disse? –perguntou, voltando ao ponto de partida.
–Ela estava impaciente com sua demora, então a senhorita Karin convenceu-a a sair com ela.
–Já era de se estranhar a compreensão de Karin. – estava visivelmente preocupado. –Onde elas foram?
–Não me disseram aonde iriam, mas a senhorita Karin disse que logo voltariam.
–Como elas passaram pelos seguranças?
–Voando. – disse Sakura descendo a escada na companhia de Karin.
–Consegui chegar a tempo e socorrê-la de tanto tédio. – ironizou Karin sacudindo o cabelo ruivo molhado. –Não se preocupe, não fomos muito longe. – olhou Sakura que observava Sasuke. –Sorte a sua por ela ter medo de voar, senão iríamos longe.
–A questão não é essa, mas sua segurança, Sakura. – observou-a, ignorando o humor de Karin.
–Tomamos cuidado. – ressaltou Sakura, quase perguntando onde ele esteve.
–Bem, eu vim mesmo vê se estava tudo pronto para a viagem, mas como nos encontramos agora, estou de volta pela manhã. – disse Karin a Sasuke, depois saiu.
–Com licença. – Aihara também saiu.
–Onde vocês foram exatamente? – perguntou Sasuke, fazendo o possível para manter a postura e não agarrá-la ali mesmo.
–A um lugar especial. – ela passou as mãos nos braços molhados, depois prendeu o cabelo. –Você sabia que tem um parque ambiental a alguns metros daqui?
–Nunca me interessei por essas coisas.
–Mas deveria. A natureza é realmente importante para mim. – sorriu deixando de observá-lo. –Não é a toa que os domínios Haruno sejam contemplados por árvores, lagos, pedras e flores.
Ignorando a descrição feita por ela, Sasuke sumiu, surgindo atrás dela e deixou seus braços circuncidarem a fina cintura e seus lábios explorarem a nuca até ela se mexer sentindo arrepios.
–Onde esteve?Senti saudades.
Sasuke apoiou o queixo no ombro dela, às vezes distribuindo beijos estalados na curva do pescoço.
–Eu também senti saudades, principalmente do seu calor.
Embora a sensação de tê-lo por perto fosse incrivelmente boa, ela queria interromper o momento e questionar seu sumiço. Estranhamente ela queria fazer aquilo, mas aprendera a confiar nele e isso a tranquilizou.
–Sasuke, quando voltaremos?
–Talvez amanhã.
–Precisamos mesmo voltar?
–Tenho assuntos pendentes para resolver e, além do mais, quero que você fique segura.
–Você fala como se eu precisasse de ajuda. – sorriu.
–Sua vida atrás daquelas muralhas não existe mais Sakura, nada será como antes. – Sakura deixou o sorriso se apagar ao ouvi-lo. –Eu só quero ter certeza que nada vai acontecer a você.
–Quer saber uma coisa? – virou-se para ele, circundando seu pescoço com os braços. –Quando você está comigo, eu não sinto medo de nada.
Sasuke aprovou cada palavra que saíra dos lábios dela, pois protegê-la e fazê-la feliz seria a missão mais prazerosa de sua vida. Foi envolvido naquelas palavras e declarações que ele a levou ao quarto, e pela segunda vez provou cada centímetro dos seus sentimentos; sabendo distinguir com clareza o que ele significa em sua vida.
Dias depois...
Atenta aos movimentos das pessoas fora da residência, Lain esperou por Sasori no mesmo lugar onde se conheceram. Não sabia qual era a urgência daquele encontro e se deveriam mesmo se encontrar, mas o recado fora tão decidido e influente, que ela não pensou muito para tomar a decisão.
–Senhorita? – Sasori apareceu atrás dela, e sem muito expressar segurou-a pelo braço, levando-a para um lugar mais reservado. –Obrigado por vir.
–Não me agradeça ainda, tenho interesse em saber o que se trata. – respirou fundo, sentindo-se um pouco insegura. –Por que você?Qual seu interesse em formar uma aliança comigo?
–Não tenho interesse pessoal, estou cumprindo ordens, nada mais.
–Ordens de Itachi?
–Não, mas de Madara Uchiha. – Lain surpreendeu-se ao ouvir o nome. –Ele quer vê-la.
–Para quê?
–Negócios. – sorriu dando ênfase a palavra.
–Você jurou lealdade a Itachi, provavelmente, e está servindo outra pessoa ao mesmo tempo.
–Todos nós sabemos que existem falsos vassalos. Por que o espanto? – Lain calou-se concordando com a observação dele. –Amanhã, ao pôr do sol, me encontre nesse mesmo lugar.
–Não sei se quero ir.
–Se vier comigo, será muito bem recompensada. Lembre-se disso e tome uma decisão.
Continua...
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