Sangria

1 Sombra no bosque


Notas iniciais
Terror... Um gênero que aprecio bastante! Espero que os fãs desse gênero tão inquietante apreciem a história também, e deixem se envolver pela história dessa misteriosa figura que é a Sangria. Não deixe de postar sua opinião e críticas sobre a história! Boa leitura e bons pesadelos...

Em todos os jornais da cidade a notícia que estampa a primeira página em letras garrafais é a mesma: "Criança de sete anos é encontrada morta em sua própria casa na noite de terça feira".

O alvoroço rapidamente se espalha pela pequena cidade de Cantarina, famosa por ser uma das mais tranquilas e belas das pequenas cidades da Inglaterra do século XIX. Logo as pessoas começam a trocar as mais diversas perguntas e hipóteses a respeito do acontecido, mas, sem dúvida, a pergunta mais feita em todos os círculos de conversas espalhados pela cidade era quem seria a criança da notícia...

Molly estava aos prantos sentada em uma das pontas da pequena mesa da sala. Ao seu lado, sua filha mais velha, Anna, com o rosto ainda pálido, confusa e desesperada diante do acontecido. Em pé, o pai, Hector, ainda com lágrimas escorrendo pela face angustiada, falava com o policial, que anotava tudo em um pequeno bloco de páginas amareladas:

-O senhor poderia descrever novamente o que viu?

-Por que insistem em me fazer lembrar toda hora? — Hector diz, cobrindo o rosto com as mãos envelhecidas.

-Senhor, precisamos levantar o máximo de dados possível pra proceder com a investigação!

-Eu... Eu... Está bem...

-Conte exatamente tudo que se lembrar, por favor, senhor.

-Eu... Estava em casa, com minha esposa e minhas filhas... Estávamos ouvindo Anna tocar piano na sala, como de costume, todas as noites.

"Foi então que ouvimos batidas na porta... Estranhei devido ao adiantado da hora, mas me levantei e fui ver de quem se tratava..."

-E quem seria, senhor?

-Não... Não havia ninguém na porta...

-E então, o que houve depois?

-Voltei para a sala... Mas apenas Anna estava lá, ainda tocando piano. Perguntei a ela onde estavam Molly, minha esposa, e Amélia, minha filha mais nova...

"Anna disse que alguém havia chamado na porta dos fundos, e Molly havia ido atender, Amélia fora junto com a mãe..."

-Senhora... — O policial se vira para a mulher inclinada sobre a mesa, agora, emudecida — A senhora confirma o que seu marido disse?

-S-sim... — Ela se levanta vagarosamente e vira-se para o oficial — Uma voz... Uma voz de mulher... Eu não consegui reconhcer... O barulho do piano... O vento...

-Acalme-se senhora — o policial tenta acalmar a mulher — Está em condições de responder?

-Estou... — Ela diz, secando as lágrimas em seu rosto — Eu fui atender, a porta dos fundos fica na cozinha, ali atrás — Ela aponta para um longo corredor de madeira, e então caminha lentamente, apoiada nas paredes da casa, seguida pelo policial e seu marido, enquando Anna permanece imóvel sentada na mesa da sala.

-E então? — O policial continua o interrogatório.

-Eu vim até aqui... E Abri a porta, não havia ninguém... Então disse a Amélia para ficar dentro de casa, e saí para procurar nos arredores do quintal...

-A senhora deixou a porta aberta? — Pergunta o oficial.

-É claro que não! — Molly responde, as lágrimas voltam a escorrer em seu rosto — Tranquei a porta dos fundos, a chave não saiu de minhas mãos em momento algum!

-Me desculpe... Pode continuar, por favor?

-Está bem... Eu fui até o quintal, procurei, procurei... Mas não encontrei ninguém. Decidi voltar para casa, foi então que vi, eu sei que vi! Tenho certeza! Uma figura de capuz correndo entre as árvores do bosque ali atrás! — Molly aponta pela janela para o arvoredo nos arredores do quintal da casa — Me assustei e corri para a porta dos fundos... Mas quando cheguei... A porta... Ela... Estava aberta... E Amélia...

A mulher corre para os braços do marido, e chora copiosamente enquanto esconde o rosto nos braços de Hector.

-Por favor! Não faça mais perguntas a ela! — Hector suplica.

-Claro. — O policial fecha o bloco de notas — Só mais uma coisa senhor, poderia me levar ao bosque em que sua esposa diz ter visto tal figura?
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O centro da cidade está fervilhando...

Um dos locais mais bem frequentados do centro é o café Saveurs, onde a nata da sociedade cantarinense se reúne para os mais variados debates, de questões das mais sérias as mais prosaicas. Obviamente, o assunto do dia não poderia ser outro senão a trágica manchete dos jornais da cidade.

-Por mais que pense, não consigo encontrar outra explicação para o fato — questiona Carl Owsen, rico empresário da cidade.

-O que está sugerindo, Carl? — Pergunta Giovanni Fontanaro, um dos maiores fazendeiros da região.

-Meu caro... Uma criança, morta em sua própria casa, com os pais presentes? Não é possível que não tenham percebido a presença de um assassino em sua própria residência!

-Não diga isso, Carl! — Helenita Lopez, dona do único teatro da cidade, se assusta ao ouvir as palavras do colega — Está querendo dizer...

-Que os próprios pais assassinaram a criança! — Carl completa — Eu já ouvi casos semelhantes! Pais maníacos, perturbados!

-Não se pode acusar ninguém sem provas! — Linda Fontanaro, esposa de Giovanni, indignada, responde — Tenho meus filhos, e duvido muito que um pai ou uma mãe seja capaz de tirar a vida de um filho!

-Bobagem! — Carl continua — Existe todo tipo de gente ruim nesse mundo!

-E se não foi alguém desse mundo? — Todos se viram para a porta, onde Victor Garcia, dono do café, se mantinha escorado no batente.

-Do que está falando, homem? — Giovanni pergunta, inquieto.

-Parece que ainda não estão sabendo de toda a história...

-O que você sabe, Victor? — Helenita pergunta, curiosa.

-Ser dono de um café pode trazer muitas vantagens, sabiam? Ter uma clientela diversificada me permite ter acesso a todo o tipo de informação que imaginarem! Hoje cedo, dois oficiais de polícia estiveram aqui para um rápido café, e é claro que Odessa cumpriu muito bem com seu papel de informante, não é mesmo, querida?

Uma mulher extremamente bela sai de trás do balcão e se dirige para perto de Victor, ela possuía uma aura de mistério e sedução emanando de seus belos olhos que mais pareciam diamantes negros reluzentes.

-Oui! — Ela responde, com um leve sotaque francês.

-Mas quem é essa jóia? — Pergunta Carl, interessado.

-Minha mais nova assistente! Será garçonete aqui no café, mas sua tarefa mais importante será coletar informações a respeito dos clientes para mim.

-O que? — Pergunta Linda, incomodada com os olhares do marido para a bela assistente de Victor — Por que isso agora?

-Ora minha cara, nos tempos atuais, informação é ouro! Uma mina de ouro só esperando para ser explorada! Já faz algumas semanas que Odessa está aqui, estudando de longe o comportamento de cada cliente, mas foi hoje, quando os policiais entraram aqui, que vi a oportunidade perfeita para colocá-la em ação!

-Quer dizer que essa rapariga agora vai nos espionar? — Helenita pergunta.

-Não seja indelicada, Helenita! — Victor caminha na direção da mulher, agora de pé, analisando a jovem assistente. — Meus amigos jamais serão alvo das investigações de Odessa... ela só tomará conta de desconhecidos que visitarem o café... Até porque não há nada sobre sua vida que a cidade inteira já não saiba, não é mesmo, querida? — Victor lança um olhar malicioso para Helenita, que se vira envergonhada e senta novamente em seu lugar.

-Mas voltando ao assunto principal, meus caros, o que Odessa descobriu esta manhã, durante a visita dos policiais, foi que, pasmem, meus amigos, pasmem! Ao que parece a crinça estava dura! Dura como pedra! Sem uma gota de sangue sequer em seu corpo! E o mais espantoso! Não havia um corte sequer em sua pele! Nenhum arranhão!

-Como!? — Carl se espanta — Como isso é possível? Tem certeza?

-Ao que tudo indica, Carl! A polícia inteira está aterrorizada com o ocorrido! Pelo que soube, a criança mais parecia uma boneca, sem vida, quando foi encontrada!

-Mas então... — Linda questiona, angustiada — quem pode ter feito isso à menina?

-Eu não sei, Linda... Mas uma coisa é certa, seja lá o que tiver assassinado essa criança, ainda está por aí, a solta, e tenho certeza, ainda ouviremos falar dela...

-Dela? — Giovanni pergunta.

-Sim... Dizem que a dona da casa ouviu uma voz feminina no local, uma figura sombria de uma mulher atormentada capaz de sugar o sangue e a alma, é o que estão dizendo! Eles a chamam de Sangria!

Notas finais
Tente imaginar a melodia da canção da Sangria... Será que você é capaz? Ela pode ser bastante perturbadora...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.