Sanctuary
5 Word of Trust

Rhoda acorda lentamente, abrindo os olhos ainda ajustarem-se à claridade do quarto. Reconhecendo o tecto do posto médico, onde ao lado dela vê Selina sentada com largo sorriso o que a deixa um pouco confusa.
Rhoda: – Selina!!! – Levantando-se para cima.
Selina: – Calma Rhoda. – Levantando-se do banco agarrando os ombros dela.
Rhoda: – Mas como?
Selina: – Muito simples, tiveste praticamente a dormir duas semanas.
Rhoda: – Duas semanas?!
Selina: – Sim. No dia seguinte quando acordei, tinhas dado entrada no posto. O que aconteceu?
Rhoda: – Foi Lierin, uma elfa com manias.
Selina: – Devias ter mais cuidado. – Um pouco preocupada.
Rhoda: – Sim eu sei, mas já sabes como eu sou. – Suspirando. – Como estás?
Selina: – Tenho andado bem e ajudado quem precisa no acampamento.
Rhoda: – Típico. – Sorrindo-se. – Assim que tivesses boa em dar os primeiros passos, lá foste tu.
Selina: – Já sabes como é. – Sorrindo-se também.
Em seguida aproximou-se delas um médico, lendo alguns papéis mas sem muita atenção.
Médico: – Oh! Vejo que já arranjaste companhia, Selina.
Selina: – Sim é verdade.
Médico: – Vamos ver como está a tua coxa? – Olhando para Rhoda, com um pequeno sorriso.
Rhoda: – Sim claro. – Sem por alguma objecção. O toque do médico era calculista e cuidadoso.
Médico: – Tiveste muita sorte em Iorveth ter reagido rapidamente. Porque senão terias perdido a perna.
Rhoda: – Sim, lembro-me vagamente do que aconteceu.
Médico: – Pelo que estou a ver não há necessidade de continuares aqui no posto. Terás alta ainda hoje, mas sem grandes aventuras, ok?
Rhoda: – Ok.
Selina: – Não te preocupes, eu tomo conta dela. – Sorrindo para o médico.
Médico: – Eu sei que sim. Tenho que ir, as melhoras. – Saindo do local.
Rhoda: – Obrigada. Hum… o que ele quis dizer com aquilo?
Selina: – Foi eu quem tratei de ti em tudo que era necessário enquanto estavas a dormir.
Rhoda olhou Selina surpreendida antes de olhar para as suas mãos pensativa.
Selina: – Por quê essa cara de surpreendida? – Pegando nas mãos de Rhoda. – Achas que não iria cuidar de ti?
Rhoda dá um sorriso mostrando a alegria nas palavras de Selina, que a abraçou fortemente, antes de ajudá-la a sair da cama. Cá fora o céu apresentava algumas nuvens, mas deixava o sol iluminar o caminho em que as duas percorreram até à tenda delas, que não era muito grande, mas era suficiente. Antes de entrar, Rhoda sentiu que os esquilos tinham deixado de observá-las por algum motivo.
Rhoda: – Selina! Gostaria de te levar a um lugar que irás adorar.
Selina: – Ok, mas antes, tenho que dizer-te uma coisa.
Rhoda: – O quê?
Selina: – Iorveth falou comigo sobre a missão que irás fazer, e quis saber no que eras melhor.
Rhoda: – Contaste-lhe acerca do que sou? – Preocupada.
Selina: – Não, achas. Apenas pedi-lhe para ajudar-te a melhorar no combate corpo a corpo. – Viu Rhoda pensativa. – Daqui algumas semanas vais começar os treinos e farás parte desse grupo.
Rhoda: – Ok. – Surpreendida. – Eu irei. – Sorridente.
Selina: – Agora. Onde fica esse lugar? – Avançando para a saída da tenda.
As duas saíram, em passo calmo aproveitando a pequena briza que fazia. Ao chegarem, Selina ficou de tal maneira hipnotizada a observar o horizonte que demorou alguns minutos a desviar olhar para Rhoda.
Rhoda: – Estranho… – Olhando em volta. – Hoje parece que não está ninguém aqui.
Selina: – Não faz mal, mais fica para nós. – Aproximando-se da beira da água. – A água aqui é tão limpa que até consigo ver o meu reflexo. Anda cá Rhoda.
Rhoda aproxima-se da beira da água olhando o seu reflexo e vê que nada tinha mudado muito com os anos. Ficando com uma expressão séria e pensativa, o que fez Selina reparar.
Selina: – O que tens na tua testa? – Aproximando-se lentamente de Rhoda e com rápido movimento molha a cara dela rindo-se.
Rhoda: – Oh!!!! Já estou a perceber. – Limpando a cara molhada. – Se queres guerra irás ter. – Aproximando-se de um tronco pondo o casaco e a camisa, ficando de tronco nu mostrando o porte atlético, juntamente com as suas cicatrizes e os seios envoltos em ligaduras.
Selina: – Espera, espera. – Aproximando-se também do tronco onde estava a roupa de Rhoda pondo a dela ficando apenas com uma roupa leve vestida, sem ficar com o tronco nu. – Não sei não, como não és muito boa em corpo a corpo. – Num tom desafiador.
As duas entraram na água pondo umas das mãos na água e ao mesmo tempo fizeram contagem decrescente. Selina num movimento rápido esquivou-se do ataque de Rhoda molhando o braço dela, sem aperceber-se que Selina aproximou-se e molhou de novo Rhoda. E mais uma vez e outra e outra.
Rhoda começou a sentir-se frustrada por não conseguir molhar Selina e num acto de desespero começou a mandar água por todos os lados acertando finalmente em Selina.
Selina: – EI!!! Isso não vale!!!! Mas ok. – Imitando Rhoda, o que faz com que ela fica-se mais agressiva acabando por molhar Rhoda toda.
Rhoda: – Ok, ok. Desisto, ganhaste. – Rindo-se.
Selina: – SIM!!!!! – Festejando sorridentemente.
As duas saem da água voltando para a margem, onde Rhoda deita-se no chão apoiando a nuca com as mãos enquanto Selina estava sentada no chão ao lado dela.
Selina: – Já tinha saudades disto.
Rhoda: – De facto tens razão. Mas sabes que tenho andado a pensar e acho que um dia darias uma óptima mãe.
Selina: – Sim talvez. Falta agora arranjar um marido. E tu serias a tia. – Olhando para Rhoda sorridente.
Nisto Rhoda levanta-se do chão ficando sentada a olhar com ar sério para o horizonte que indicava que a tarde ia a meio do dia.
Selina: – O que se passa?
Rhoda: – Sabes qual é o meu maior medo? – Fazendo uma curta pausa. – É ficar de novo sozinha. – Olhando para Selina séria. – Saber que não posso fazer nada para impedir a tua morte e isso deixa-me um pouco triste.
Selina: – Acho que estás a dar muita importância a algo que ainda está longe de acontecer. – Agarrando as mãos dela. – Devias desfrutar o agora como este momento que estamos a ter.
Rhoda: – Sim, acho que tens razão. – Levatando-se do chão puxando Selina consigo.
Nesse momento, Rhoda sentiu um desconforto atrás da nuca que a fez voltar-se para um conjunto de árvores, à procura de alguma coisa escondida entre elas, mas não conseguiu ver nada.
Selina: – O que se passa? – Olhando confusa.
Rhoda: – Não é nada. Pareceu-me ter visto alguma coisa, mas deve ter sido a minha imaginação. – Soltando as mãos de Selina.
As duas deram por encerrada a diversão onde vestiram-se e caminharam com calma de volta para à tenda, até que ao longe viram uma pequena multidão que chamou a atenção delas.
Aproximaram-se, abrindo passagem entre as várias pessoas. Rhoda não quis acreditar no que os seus olhos mostravam. Erin estava amarrada a uma árvore apresentando sinais de agressividade onde gemia num tom baixo.
Ao tentar aproximar-se dela, um esquilo advertiu-a para não o fazer que ela era capaz de tentar morder. Mas mesmo assim aproximou-se dela abaixando-se com uma margem de segurança observando atentamente. Os vergões negros que apresentava no corpo Rhoda reconhecia-os, estalou os dedos para chamar a atenção de Erin e a reação que teve confirmou o que ela suspeitava, Erin tinha sido zumbificada.
Atrás de Rhoda, Selina aproximava-se ficando aterrorizada com o que via.
Rhoda: – O que se passou? – Olhando para o esquilo séria.
Esquilo: – Quando o meu grupo foi até à casa de Erin para verificar se ela precisava de alguma coisa, reparamos que a porta da entrada estava semi aberta. O que não é hábito, por isso esperamos alguns minutos e lá de dentro saíram alguns homens vestidos de guardas e um homem de negro.
Rhoda: – Homem de negro? – Levando-se rapidamente com olhar sério. – Há quanto tempo foi isso?
Esquilo: – Coisa de 30 minutos atrás.
Rhoda: – Selina, – Voltando-se para ela. – vou ter que me ausentar por uns minutos.
Selina: – Ok. Eu fico aqui à tua espera.
Rhoda desapareceu por entre a multidão, saindo do acampamento percorrendo o caminho até à casa de Erin, esperou alguns segundos antes de aproximar-se da entrada da porta. Ao abrir a porta principal o cenário era de horror. Erin tinha sido abusada e violentada na sua própria casa.
Em cima da mesa viu um boneco de trapos de cor negra, ao aproximar a mão sentiu uma forte presença, e pensou que foi aqui que o homem de negro aprisionou a alma de Erin, não era a primeira vez que via estes bonecos. Fechou o punho com raiva por não ter conseguido evitar que Erin caísse nas mãos dele.
Rhoda: – Por quanto tempo irás ficar à porta? – Pegando no boneco de trapos sorrateiramente.
Iorveth: – Pelo que estou a ver, sabes bem o que se passou aqui. – Entrando dentro de casa.
Rhoda: – Nada de mais – Voltando-se para Iorveth. – típico assalto. – Avançando para a porta de entrada.
Iorveth: – Então porque levas esse boneco de trapos contigo? – Agarrando-lhe o braço dela parando-a.
Rhoda: – Eu preciso dele.
Iorveth: – Eu não gosto de mentiras muito menos daquelas que são evidentes. – Num tom sério. – Vocês dh’oine têm sempre a mania de que tudo tem de ser como vocês querem.
Rhoda: – E porque será que vocês elfos têm a mania de pôr tudo no mesmo saco? – Olhando nos olhos dele. – Que eu saiba o nosso acordo foi que eu fizesse missões para ti e não de dar-te satisfações do que faço ou deixo de fazer.
Iorveth: – Quando alguma coisa acontece e a Scoia’tael está envolvida é suposto dares satisfações. A jovem que morava aqui é quem nos fornece plantas medicinais. – Soltando o braço de Rhoda. – Começo a pensar que talvez foi um erro ter salvo a ti e à tua amiga. – Cruzando os braços.
Um breve silêncio fez-se entre Rhoda e Iorveth, onde ela pensou na Selina e viu os esquilos aproximarem-se dela formando um pequeno círculo à volta .
Rhoda: – Eu contarei tudo o que quiseres saber, mas agora preciso de ir o mais rápido para o acampamento.
Viu alguma hesitação no rosto dele durante alguns segundos, mas acabou por concordar.
Iorveth: – Se tentares alguma….
Rhoda: – Sim, já sei, matas-me em três tempos. És sempre assim tão glamoroso com toda a gente?
Iorveth: – Hum… – Mostrando um ligeiro sorriso.
Iorveth, Rhoda e os restantes esquilos quando chegaram ao acampamento, ela pede a todos para se afastarem mantendo uma boa distância advertindo o que acontecer para não aproximarem-se.
Rhoda aproxima-se de Erin pegando no boneco de trapos, mostrando-lhe o que parecia reconhecer.
Rhoda: – Não te preocupes, eu irei ajudar-te.
A mão que estava vazia começa a ganhar tonalidade verde, formando uma chama verde, onde com a outra aproxima o boneco à chama, o que fez a jovem gema alto ao ponto de gritar de dor, um dos médicos ainda quis ajudar Erin mas Selina impediu de avançar.
Num rápido movimento com a mão em chamas retira com algum custo a alma de Erin. Assim que saio do boneco, o boneco desfez-se em pedaços.
Erin parou de gritar e os vergões negros começavam a desaparecer gradualmente, olhando confusa para Rhoda.
Rhoda: – Está tudo bem agora. – Aproximando-se dela com a alma na mão. – Já estás a salvo. – Introduzindo a alma no corpo.
Erin: – Obri…. – Perdendo a consciência, antes de conseguir acabar a frase.
Rhoda solta Erin pondo-a deitada no chão, olhou para multidão que olhava surpreendida, sem muito bem saberem o que acabaram de ver. Viu que Iorveth era o único que mantinha uma postura neutra. Selina aproximou-se de Erin e examinou-a com cuidado.
Selina: – Depressa, temos de levá-la ao posto. – Falando para os outros médicos que ainda estavam sobre o efeito surpresa. – Do que estão há espera?
Rhoda viu Selina e os restantes médicos a partir do local, onde a multidão começou a dissipar gradualmente.
Rhoda: – Obrigado por teres confiado em mim – Aproximando-se de Iorveth. – Agora penso que é a minha vez. – Olhando nos olhos.
Iorveth: – Amanhã falaremos. – Num tom calmo. – Assim que acordares vem ter à minha tenda. Hoje foi um dia longo.
Rhoda: – Posso trazer Selina comigo?
Iorveth: – Tu é que sabes.
Rhoda: – Ok.
Rhoda viu Iorveth afastar-se dela com passo calmo até a tenda dele, ficando pensativa de como iria começar amanhã a conversa. No caminho até ao posto viu Selina a falar com uns dos médicos e aproximou-se.
Selina: – Erin, vai ficar boa, apesar do que aconteceu-lhe. – Olhando para Rhoda um pouco triste.
Rhoda: – É bom ouvir isso. – Com um pequeno sorriso. – Selina… eu amanhã vou falar com Iorveth e queria que viesses comigo. Há algumas coisas que quero contar-te sobre o meu passado.
Selina: – Claro que irei. Regressamos juntas à tenda?
Rhoda: – Sim, vamos.
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