Sanatory: Revelations
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Acordei um pouco zonzo com tudo aquilo. Não parecia que eu estava mais no hotel, parecia um hospital. Ele era bem movimentado, mas ninguém me olhava. Um médico passou correndo por mim e me atravessou.
– Que estranho.
– Doutor! – Gritou uma enfermeira. – A paciente sumiu!
– Não se preocupe, vamos encontrá-la. – Disse um médico. – Quem sumiu?
– Alessa Gillespie. – Me surpreendi quando ele falou esse nome. É fato que já ouvi falar no nome Alessa antes, mas isso foi há tanto tempo e só foi o primeiro nome. Será que é a mesma Alessa?
– Outra vez?! Ela não deve estar longe! Procure-a em todos os cantos!
De alguma forma o hospital foi virando névoa e não passava de uma lembrança translúcida. Acordei de repente e comecei a tossir sangue, mas não era nada muito grave. Elevei a mão até o corte e senti a textura de um pano cobrindo-o. Tinha mais perguntas em minha mente.
O local estava deserto agora, não tinha nenhum resquício do que tinha acontecido ali. Decidi ir para a sala de arquivo procurar pela ficha de Alessa Gillespie. Esse nome martelava em minha cabeça e eu sentia que estava no caminho certo.
A sala de arquivo ficava abaixo do saguão, na parte do sanatório que não foi modificada. Revirei o local de cima a baixo, mas não achei nada falando de Alessa Gillespie, nem mesmo uma ficha, o que achei estranho. Tudo o que consegui achar foi munição.
– Vejam quem voltou. – Essa voz sarcástica eu reconheceria em qualquer lugar.
– Hidan. – Me virei para encará-lo. Agora ele tinha uma foice.
– Até agora eu não entendi porque um merda como você mereceu viver e eu mereci morrer, mas eu vou resolver isso agora!
Ele pegou a foice e tentou me acertar com ela, mas eu pulei para cima de uma das mesas e consegui me esquivar a tempo. A sala era pequena e cheia de mesas e armários, se eu vacilar, com certeza irei morrer. Dessa vez a foice veio em sentido horizontal, eu tive que escorregar para o chão bem a tempo de ver a lâmina fria passar diante dos meus olhos, por um instante me senti em Matrix.
– Olhe só para você, fugindo da morte como o merda que você é.
– Eu não escolhi viver, simplesmente decidiram que não era para eu morrer.
– Quem decidiu? A puta da tua amiga fantasma? Se ela não tivesse interferido, porra nenhuma aconteceria!
Eu não falei nada. Se Kin não tivesse interferido... Espere um pouco. Não foi Kin que interferiu, ela mesma tinha me dito que convenceu Alessa a interferir, mas ela não interferiu diretamente, foi Alessa que impediu que eu morresse e não Kin. Quem diabos é Alessa afinal?! E qual a relação dela com Kin?
Hidan voltou a agitar a foice no ar e por pouco escapei, conseguindo apenas um pequeno corte no rosto. Peguei a pistola e sem pensar em mais nada, atirei. O corpo de Hidan caiu para trás, liberando a minha passagem.
Saí da sala de arquivo e me deparei com uma porta aberta. Entrei na sala e vi um negócio no chão. Era uma pena vermelha em um recipiente de vidro. Estava perto de uma caixa caída escrito Phoenix Down. Por um instante me senti como se estivesse num videogame que misturava terror com fantasia. Não há explicação para ter um artigo de Final Fantasy aqui, ainda mais uma caixa disso. Ainda no chão, encontrei um recipiente com um estranho líquido vermelho. Guardei-o juntamente com o vidrinho.
Olhei o interior da caixa, mas estava vazia. Fui explorar a sala. Ao que parecia, era a sala em que os médicos guardavam suas coisas. Não encontrei nada além de mais munição e a porta da sala do diretor. Na sala do diretor tinha o arquivo dos funcionários. Talvez algum dos médicos cuidasse de Alessa. Procurei nas fichas e nada. Não é possível!
– Ora, ora, ora. Vejam só quem voltou.
– Kiba?! Mas você está... – Me virei para ele e conclui meu pensamento. Ele agora era meio humano e meio cachorro sem pele.
– Morto? Pois é, dessa vez eu estou mesmo, já que acabou o estoque de Phoenix Down.
– Então era assim que você revivia! E não nos contou para que não revivêssemos os outros.
– Na verdade, era alguém que me revivia. Eu só descobri o Phoenix Down depois de morto, quando o estoque acabou. Sabe o que isso significa? Que eu não vou poder voltar e apreciar o mundo fora desse lugar como você.
Ele avançou em mim, me jogou contra a parede, escorreguei da parede para o chão e ele ficou em cima de mim me prensando contra a parede e o chão. Para completar, minha arma tinha caído no chão e estava longe. Gritei de dor quando ele enfiou suas garras afiadas em meu braço bom (já que o outro estava um pouco debilitado devido à luta com Shino).
– Agora será diferente. Você ficará aqui comigo e com os outros que morreram aqui. – Seu rosto estava mais feroz e seu olhar sedento pela minha morte. Ele enterrou ainda mais suas garras em minha carne.
– AAAAH!
– Antes eu quero que você sinta o sofrimento que passamos quando fomos deixados aqui. – Ele enterrou ainda mais.
Minha mão livre tateava em busca de alguma coisa, mas minhas esperanças de sair dali eram nulas. Tudo o que eu queria era acabar com a dor em meu braço. Alcancei um pequeno objeto cortante e o cravei no pescoço de Kiba. Ele urrou de dor e me soltou. Cambaleei até a minha pistola e a peguei com o braço bom, mas Kiba se jogou para cima de mim de novo, mas dessa vez não deixei a arma escapar dos meus dedos. Coloquei o cano dela perto da cabeça de Kiba e puxei o gatilho.
A cabeça dele estourou e eu estava livre dele, mas não me aguentava em pé. Meu braço estava todo ensanguentado e minha visão estava ficando turva de novo. Tudo tinha se tornado trevas novamente.
Acordei e olhei ao meu redor para ver onde estava. Eu estava na sala dos médicos, mas ela estava intacta, como no dia de seu funcionamento. Eu não sentia mais dor. Eu vi dois médicos com a caixa de Phoenix Down.
– O que é isto? – Perguntou um deles.
– Isto é Phoenix Down. Veio direto de Silent Hill para o tratamento de uma paciente.
– Alessa Gillespie?
– Não fale esse nome em voz alta! Quanto menos gente souber dessa garota, melhor para nós.
– Desculpe, mas como essas penas vão ajudar no sofrimento de Alessa e no nascimento de Samael?
– Seu idiota! A gente a faz sofrer até a morte e depois usamos essas coisas para trazê-la à vida e começar tudo de novo! Assim nosso deus se alimentará cada vez mais de seu sofrimento e nascerá mais forte do que o normal.
Se antes eu já estava confuso, agora eu não tinha palavras para descrever minha confusão. Precisava de respostas, mas alguma coisa em meu íntimo me dizia que eu ia me arrepender caso as conseguisse. Mesmo assim, eu preciso de respostas! Há muita coisa por trás disso que eu não compreendo.
A imagem se dissolveu e tudo ficou negro de novo. Acordei de volta à realidade. Meu braço estava devidamente enfaixado e tinha munição perto de mim, mas nenhum sinal do corpo de Kiba. É estranho. Toda vez que acho que morri, tenho sonhos estranhos e acordo com os ferimentos devidamente cuidados. Esses sonhos me revelam coisas que não sei se são reais ou simplesmente alucinações causadas por este lugar.
Me levantei, peguei a munição, conferi se a Phoenix Down estava comigo e me encaminhei para a porta. Mal saí e uma enfermeira quase meteu a faca no meu pescoço, mas tudo o que conseguiu foi um corte. Matei aquela praga e segui caminho. Vi uma garotinha de aproximadamente 14 anos de cabelos castanhos escuros, olhos azuis e usando um vestido azul escuro, que mais parecia um uniforme escolar.
O que uma garota como essa estava fazendo aqui? Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela saiu correndo. Eu fui atrás, mesmo com os dois braços doendo, quase sem energia para correr e morrendo de cansaço.
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