Sanatory: Revelations
7 Capítulo 7
Hinata ergueu a mão no ar para criar uma bola de fogo e atirá-la contra mim. Essa era a minha chance. Peguei o recipiente de aglaophotis e joguei o conteúdo nela. Ela começou a se contorcer e uma fumaça estranha saía de seu corpo. Por fim, ela vomitou algo semelhante a lava e a fumaça sumiu de seu corpo.
– O que aconteceu? – Perguntou ela desnorteada.
– Hinata, saia daí!
Mesmo confusa, ela obedeceu ao meu comando. A lava que ela tinha vomitado tomou forma e uma aura de fogo começou a emanar dela. Atiramos com todas as armas que tínhamos, mas não fazia efeito. Quando uma bala se chocava contra o corpo do piromaníaco causava algumas explosões, dependendo da bala elas podiam ser grandes.
– É inútil! Vocês vão morrer aqui e agora!
Ele começou a controlar o fogo e incendiar a recepção. Konan pegou um balde de água e tacou nele. Por um instante ele ficou sem fogo, mas depois ficou nervoso e começou a atacar, mas já tínhamos percebido sua fraqueza.
O grupo pegou baldes de água e extintor de incêndio tirado sabe lá de onde e começou a usar contra ele. Se tem uma coisa que aprendi neste lugar é que quando coisas estranhas acontecem ou coisas aparecem do nada, foda-se a lógica. Peguei uma mangueira de incêndio que pouco me importa como ela apareceu ali e usei contra o piromaníaco.
Quando algo muito quente é resfriado rapidamente, seu estado é debilitado. Com o resfriamento, a lava endureceu, nos dando uma grande oportunidade. O resto do grupo encheu o piromaníaco de tiros e cada tiro quebrava uma parte do corpo dele. Dei um tiro certeiro na cabeça e ele virou pó.
– Acabou. Sussurrei após a morte dele
– Você está bem? – Temari perguntou para Hinata.
– Sim. – Respondeu ela. – Eu vim para cá porque ele disse que faria os pesadelos pararem, mas ele mentiu e tomou meu corpo.
– Mas o que...? – Pain começou, mas não teve tempo para terminar.
Vimos uma torrente de espíritos vindo em nossa direção. Corremos até a porta, mas não fomos rápidos o suficiente para escapar. Eles passaram por nós e a última coisa de que me lembro era da conhecida escuridão.
Acordei com uma agradável sensação de liberdade, mas ela se esvaiu assim que levantei e olhei ao meu redor. Haviam corpos espalhados por toda a recepção, uns desfigurados, outros carbonizados, outros decapitados e outros mutilados. A porta do hotel estava aberta, as janelas também e a aura assustadora que outrora pairava no hotel de repente sumiu.
– O-O-O que aconteceu aqui? – Hinata perguntou e todos se viraram para mim.
– O que foi? Dessa vez eu não sei mesmo.
– AAAAAAAAAAHHHHHH! – Gritou Konan e todos olharam na direção em que ela apontou.
Havia uma figura parada ali. Ela tinha queimaduras de 3º grau, os cabelos como se tivesse ficado muito tempo debaixo da água, mas o pior de tudo era que ela não andava, ela flutuava. Eu não saberia dizer se a garota estava viva ou morta. Seu estado era deplorável. O que me paralisou foi a roupa da garota. Eu reconheceria aquele vestido azul em qualquer lugar deste hotel.
Ouvi gritos e quando me virei, vi todos correndo e gritando para fora do hotel. Quando virei de volta, a garota estava na minha frente. Soltei um grito, caí para trás em cima de um corpo. Me livrei do corpo, mas não saí do chão.
– Alessa? Alessa Gillespie?
Ela assentiu com a cabeça e me estendeu uma bolsa de gelo e gaze. Coloquei a bolsa na queimadura que tinha no braço e amarrei com a gaze. Lembrei que ainda tinha algo para fazer.
– Obrigado. – Ela esboçou um sorriso. Peguei a Phoenix Down para que pudesse usar em Alessa e cumprir minha promessa.
– Não.
– Tudo bem, foi a Kin que me pediu.
– Eu sei, mas não quero que use em mim. Use na minha irmã. – Fiquei surpreso.
– Mas ela pediu para usar em você.
– E eu estou te pedindo para usar nela.
– Por que está me pedindo isso?
– Kin já fez muito por mim. Eu só quero fazer alguma coisa pela minha irmã pelo menos uma vez.
– Não será possível. O corpo dela não está no hotel ou no sanatório.
– Está sim.
Alessa se virou para trás e um corpo flutuante vinha pela passagem. Eu não notei de imediato até ela colocá-lo na minha frente. Era o corpo de Kin.
– Depois que o incêndio acabou e nos descobrimos amaldiçoadas, eu trouxe o corpo dela de volta para cá e escondi no meu quarto, mas não posso tocá-lo.
– E por que não?
– Mas o que está acontecendo aqui?! – Kin apareceu do meu lado e eu levei um susto.
– Agradeceria muito se você parasse de aparecer assim. – É tudo o que você consegue dizer, sua besta?!
– Kin, que bom que chegou! Você viu? A maldição foi quebrada e os espíritos libertados.
– Deu pra ver do outro lado da cidade. Entendo que tenha escondido meu corpo, mas por que você não quer ir?
– Porque não sou eu que devo ir, é você. Você já fez muito por mim, chegou a hora de fazer alguma coisa por você.
– Mas você já fez, Alessa. Antes de te conhecer eu não saía do quarto a não ser para os “tratamentos” e você fez o selo de Metatron para me proteger.
– Mas você me salvava dos médicos, me escondia em seu quarto e pulou do penhasco por minha causa.
Sério, não dá para decidirem logo em quem eu devo usar o Phoenix Down? Esse diálogo me desperta lembranças dolorosas de quando me despedi de Shin antes dele me jogar pela janela durante o incêndio no orfanato.
– (...) Kin, eu quero que você seja feliz e eu sei ele te fará feliz.
– Hã? – Murmurei saindo de meus pensamentos.
– Eu ouvi a conversa de vocês no pátio. Você gosta dele e ele se preocupa com você. – Senti meu rosto esquentar e o desviei para que nenhuma delas percebesse.
– Alessa!
– Em quem eu uso o Phoenix Down?
– Nela.
– Mas Alessa, e você?
– Eu vou ficar bem. Lembre-se, eu sempre vou estar perto de você. – Alguma coisa me diz que isso não é papo sentimental e sim que elas estão escondendo alguma coisa de mim.
– Tudo bem.
Usei o Phoenix Down no corpo de Kin, fazendo-o sugar sua alma para dentro dele. Ela acordou e tentou se levantar, mas acabou caindo e eu fui ajudá-la.
– Tanto tempo morta e eu não sei mais como me comportar como viva.
Alessa riu, depois elas se abraçaram e nós saímos do hotel. Eu com uma bolsa de gelo amarrada de qualquer jeito no braço e mais um curativo em cada braço e ela estranhando estar de volta e segurando a região do tórax.
– Você está bem? – Perguntei preocupado.
– Só redescobrindo a dor. Acho que quebrei alguma coisa na queda.
– É melhor irmos a um hospital ver isso.
– Ótimo, o primeiro lugar que eu vou depois de voltar à vida será para outro lugar cheio de médicos e enfermeiras. – Eu ri com o comentário. – Como é que vamos para lá?
– Fácil. É só... – Quando olhei para o lugar em que estacionamos o carro, ele não estava mais lá. O grupo tinha se mandado com ele. – Puta merda!
Tivemos que andar até achar um telefone e ligar para uma ambulância vir nos buscar. Já no hospital, os médicos ficaram doidos ao examinarem meus braços. Kin teve algumas costelas fraturadas, mas nada que não dessem um jeito.
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