Sanatorium

3 Como saiu do hiatus...


Notas iniciais
Voltei!!! kk

Três anos se passaram. Literalmente. Durante todo esse tempo os personagens ficaram ali, largados na porta daquele velho sanatório, sem comida, sem banho... Enfim, encontravam-se famintos e fedidos, e claro, com mais vontade de caçar o autor e dar uns tiros nele do que o próprio demo.

Luck me deu um soco no ombro.

— Ai! — Urrei, me voltando àquele projeto de Zeca Urubu. — Por que fez isso?

— Bom, como representa o autor, podemos descontar nossa raiva em você! — Ele asseverou e logo todas as meninas me olharam, zangadas e prontas para me atacarem com seus justus secretos.

— Façam isso e meu “eu” fora do computador manda todos vocês de encontro com a Samara, no fundo do poço! — Ameacei. — E dizem que ela cobra aluguel! — Todos repensaram suas ações.

— Acho melhor não. — Janine assentiu. — Eu já estou no fundo do poço, ela também. Não ia ter espaço pra nós duas juntas! Além do mais, não sei nadar – e esse vai ser provavelmente o jeito que eu vou morrer nessa história...

Logo, nos voltamos para a larga entrada do sanatório bem a nossa frente. Ela era decorada por teias de aranha cheias de traços elegantes que podiam ser facilmente vendidas mais caras que os bordados das minhas tias. E suas bordadeiras? Aquelas coisas de oito pernas eram horrendas! Tinham olhos por todos os orifícios, me fitavam como se desejassem arduamente serem carnívoras para provarem da minha carne de primeira, e o pior de tudo: eram maiores que o Pitbull que eu nunca tive. Feels aqui.

Fora os aracnídeos macabros feras no tricô e os ratos de duas cabeças que passavam com esquilos inteiros em suas bocas pelos cantos das paredes, tudo parecia normal. O largo cômodo empoeirado que vimos a partir daquele ponto deixou o pessoal um tanto quanto curioso para adentrar mais no lugar. Já eu, nem da recepção pretendia passar. Uma daquelas aranhas ainda me encarava, me olhando do jeito que a Rochelle fita o Chris quando ele faz merda. Ela me queria!

— Você não vem? — A pergunta de Isa me tira da minha troca de olhares letais com o inseto. Olho-a e percebo que todos já estavam a explorar os arredores daquela possível sala de recepção do sanatório.

— Hm... A aranha... — aponto. — Ela não foi muito com a minha cara...

— Deve ser por essa espinha gigante na sua testa. — Diz a garota, pondo a mão no bolso e retirando de lá um sabonete Asepxia. — Tome. Esfregue bastante até que essa espinha exploda ou entre de volta no seu crânio.

Pego o medicamento e aceno em agradecimento. Tento dar um passo rumo a porta de entrada do local, mas a infeliz da aranha tece mais um pouco de teia e desce até ficar na altura de minha cabeça, cercando-me.

— Vadia! — Jogo nela o sabonete e ela engole.

— Ora, sua puta! — Isa começa um escândalo, avoando na garganta da aranha e começando a estrangulá-la. — Esse sabonete custou a minha mesada toda! Ande, coloque-o para fora!

Aproveitei a briga e passei correndo pela aresta da porta, dando-me com as outras garotas ao redor de Luck, que estava perante um velho e empoeirado balcão de madeira que provavelmente funcionara como ponto de atendimento aos clientes quando o hospício ainda funcionava. Lá, vi-o repousar suavemente a mochila que carregava em suas costas e abri-la, começando a retirar diversos equipamentos de seu interior. Vi sair terços, sal pra alimentar uma manada de vacas, uma pomba branca, garrafas de água benta, dois pacotes de trigo e um jogo do Sonic.

— Pra que esse trigo? — Marys tinha a mesma dúvida que eu. — Por acaso, vamos usá-lo contra os fantasmas quando estes estiverem invisíveis, assim conseguindo vê-los através da poeira branca da farinha, que nos amostrará perfeitamente suas formas?

— Não. — Ele negou. — É que eu vou no Mais Você na segunda e, como ainda ninguém testou a receita que eu vou apresentar lá, resolvi trazer pra cá os ingredientes da minha broa de milho leviano e fazer pra vocês provarem...

— Ótimo! — Festejou Janine. — Preferia com milho ajuizado, mas como tô, tipo, há uns três anos sem comer... Tô aceitando até aranhas venenosas!

— E elas são boas! — Isa assentiu risonha, chegando até nós mastigando alguma coisa. — A vadia não comeu meu Asepxia? Decidi retrucar na mesma moeda e comi ela! E nem é tão mau... Tem gosto de frango misturado com creme pro rosto. — Esclareceu. — Enchendo a barriga e cuidado da pele ao mesmo tempo.

Quase vomitei. Engoli o vômito de volta pra não pagar de fresco e, repentinamente, estranhei o fato de Carlota estar calada. Será que os bichos já tinham-na matado e arrastado para as trevas? Ah não, ela veio de lá...

Logo, pus-me a caçá-la com os olhos e achei a adm fura-olho um pouco distante de nós, iluminando uma antiga estante repleta de livros acabados com a lanterna que tinha em mãos, na busca por algo. Ela devia estar se achando a Velma...

— Procurando o quê? — Perguntei, curioso, me aproximando de sua posição.

— Alguma informação de porque o autor mudou de forma tão drástica a personalidade dos personagens do último capítulo pra esse! — Respondeu, sequer desviando o olhar de suas pesquisas. — E também tentando achar coisas relacionadas aos pacientes daqui e às formas de como eles eram torturados...

— Não quis dizer “cuidados”?

— Não. Estamos em um clichê de terror, Rich, o clássico hospital assombrado! As pessoas que vêm pra um lugar desse nunca recebem tratamento de suas deficiências, nem perfumes da Boticário. Muito pelo contrário, só ganham mais e mais tortura, assim até suas mortes em algum típico incêndio que ocorre quando se revoltam contra os funcionários e são possuídos pelo ritmo do “Huck Esmaga!”.

— Achei!

O grito de Luck quase me matou do coração, a ponto de fazer-me pular aos braços de Carlota, que me pegou como o princeso que eu mereço. Voltei-me, antes de tudo, ao moreno e fiquei estupefato quando ele deixou visível o que estava procurando: uma câmera. Achei que fosse um cheque, daí eu mataria eles e escaparia cheio da grana. Aff!

Pois bem, me coloquei na real situação onde me encontrava, nos braços da pálida que me encarava com um olhar tão seco quanto o de uma vítima da Medusa. Sorri sem graça, saltando como um profissional em acrobacias, digno de medalha de prata – porque, convenhamos, os americanos sempre ficam com a de ouro – e repousando no chão como uma verdadeira libélula macho.

— Só tava testando se você ia conseguir segurar um demônio enquanto eu fugia, numa situação hipotética... — Menti. Acho que ela acreditou quando revirou os olhos.

— É agora. — Luck falou de repente, novamente chamando a nossa atenção. Ele havia pego e ligado sua filmadora, encaixando-a em uma das mãos em seguida e dando-se como apto para ir em busca das criaturas sanguinárias que ali residiam.

— Então é melhor nos separarmos em duplas. — Incitou Janine, com o ânimo da Vampira de X-men: Evolution. — Se ficássemos todos juntos, provavelmente demoraria mais para as mortes começarem e o autor com certeza passaria a encher linguiça. Divisão é a melhor opção, já que a gente só precisa andar um corredor e morrer de forma digna e horrível! E pronto, fic concluída.

O minuto que se seguiu foi o mais intenso que eu vivi. Somente troca de olhares, quem pega quem... Assemelhava-se às muitas vezes que a minha antiga turma escolar iniciava o queimado, todo mundo era pego nos times e eu ficava de resto pro lado mais azarado. Aqui eu não podia ficar de resto, de maneira alguma! Precisava me impor, afinal, sou o protagonista, tenho de ter opinião, as pessoas devem gostar de mim e querer ficar ao meu lado!

— Vou com o Luck, ele é quem está filmando e eu quero aparecer mais antes de ser mutilada. — Comentou Isa.

— Vou ficar aqui. — Janine escolheu, dirigindo-se até a mesa e se assentando numa das cadeiras. — Não tomei meu Biotônico hoje e esses corredores são tããão longos! Prefiro evitar a fadiga.

— Vou... — Carlota, antes de se resolver, me olhou brevemente. Eu sorri, sentindo-me importante. Alguém havia me escolhido. — Sozinha!

E eu me despedacei.

Janine aconchegou os braços na superfície da mesa e deitou sua cabeça acima de ambos, pondo-se a procrastinar. Os demais seguiram caminhos variados. Luck e Isa foram para uma estreita escadaria escura que levava a ala superior. Carlota foi inspecionar o andar atual, rumando em passos largos pelo corredor das salas de internação. Eu olhei em volta com uma risada maliciosa, era a deixa que eu precisava para cair fora dali.

— Onde vai? — Marys interrompeu a simulação da caminhada da vitória que eu fazia indo para a saída. Cessei os movimentos e fitei a gótica. OMG! Ainda tinha essa bruaca no meu caminho!

— Fechar a porta. — Menti. — Vai que um desabrigado invade esse hospício assombrado e coloca uma placa de “Lar, Doce Lar” na entrada... Aí, praticamente estaríamos invadindo a casa de um suposto morador, não um lugar abandonado, e poderíamos acabar sendo presos por invasão de domicilio e latrocínio de almas penadas frias e calculistas...

Ao atingir a marca da porta, só encontrei um problema à minha desculpa: não havia porta. Logo me voltei a Marys, coçando a nuca ao passo que exibia um sorriso sem graça.

— Nem tem porta... Acho que construíram o sanatório pensando nisso.

— Que seja. — Ela deu de ombros, agarrando a minha mão e saindo a me puxar junto de si. No instante em que nos tocamos, meu pai!, senti um calafrio tão grande percorrer toda a minha espinha que tive a certeza de que ela acabava de me passar uma família inteira de demônios, incluindo as crianças e as tias fantasmas que perguntavam das namoradinhas.

— E pra onde vamos? — Questionei desentendido, enquanto tentava me desvincular da garota. — Os outros já pegaram este andar e o acima deste. Não há mais o que vasculhar!

— Tem sim. — Ela me fitou por um curto período com um sorriso sádico. Não sei se eram os fantasmas me possuindo, sua maquiagem toda borrada ou seus dentes levemente tortos e podres, mas eu estava louco por essa garota. Ela, a nerd e diferentona da escola. Eu, o garanhão popular. ERR, FIC ERRADA. SORRY!

— Onde? — Continuei, curioso.

— O porão.

— Mas hein? — Arqueei uma das sobrancelhas, confuso. — Desde quando sanatório tem porão?

— Não pergunta pra mim. — Marys levantou os braços, tão descrente quanto eu. — Espero que ele não leve pro lado pessoal e me mate no próximo capítulo, mas acho que o autor está realmente precisando conhecer um sanatório!

Eis que as coisas pro meu lado acabavam de ficar bem piores. Logo o porão! Peguei logo meu caderno de folhas feitas a partir de árvores de plástico, 100% ecológico, e minha caneta bic para horas emergenciais, e comecei a escrever o meu testamento no caminho para lá.

Notas finais
Futuro incerto. Um novo Hiatus? talvez. Obrigado por ler! õ/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.