SanWar - Priére (Interativa)

6 Capitulo 5 - "Espalhe-se Fogo Amaldiçoado!"


Notas iniciais
Olá galera, espero que estejam gostando e boa leitura o.

*Eric

Já era muito tarde quando sai da escola portando uma espada, o céu parecia nublado e ameaçava uma chuva. Não havia sequer uma pessoa nas ruas, nem à vista, apenas as ofuscantes luzes dos postes de iluminação e pequenas luzes vindas das janelas fechadas das casas.

Tudo estava deserto, tão quieto que se podia ouvir os passos de um gato andando em um muro a cerca de 15 metros à frente.

Fui tentado por mais de uma vez desembainhar a espada, mas a cada tentativa meu estômago repuxava e uma voz na minha cabeça me pedia para não fazer tal burrice, ao menos não agora.

Como não havia ninguém próximo e muito menos passaria ônibus, resolvi correr em direção à rua principal e de lá tomar um atalho para casa, mas em uma passagem pequena que acabaria na rua principal, um vulto saiu da parede e tentou agarrar minha espada. Mas devido a um reflexo centésimos de segundo mais rápido consegui me esquivar e parei encarando a parede no ponto onde a mão retornava.

– Quem está... — Antes que pudesse terminar a frase duas outras mãos me atingiram, uma no estômago e outra no rosto fazendo-me cuspir sangue e me arremessando ao chão. Mas diferente da peimeira que saiu da parede, as duas novas mãos tinha seus devidos corpos presentes.

– Veja o que temos aqui irmão, um garoto carregando uma arma, que tal, será que ela me serviria bem? — perguntou um dos homens para o outro saindo das sombras e indo para a claridade. Este era mediano, com um rosto psicotico e uma voz estridente, cabelos ruivos e uma cicatriz no queixo.

– acalme-se James, primeiro vamos ver o que nosso novo amigo tem a nos oferecer além de sua espada. — Respondeu o segundo também se mostrando, ele era ruivo, mas este possuia uma estrela negra desenhada na palma da mão direita e parecia ter um pouco mais de cérebro.

– Que tal a sua vida garoto? — Disse uma terceira voz vinda da parede com um rosto saindo de lá e logo depois um corpo estranhamente alto e robusto, sendo este o mais asustador dos três. Um moreno com um corte militar e uma faca de sobrevivência pendurada na cintura. – O que acha da ideia, Jorge? – Disse com uma voz com uma leve pontada de sarcasmo.

– Quem são vocês? – Perguntei me levantando e limpando o sangue da boca com a mão e recuando alguns passos. – O que querem comigo?

Todos eles usavam roupas de cadetes do esquadrão, que lembrava ter visto em alguns folhetos uma vez. Uma calça camuflada com uma camisa branca ou roxa, dependendo do tempo que passou lá, um ou três anos, e apenas o que havia saído da parede tinha a camisa roxa, indicando ser o veterano e mais experiente deles.

– Ora, Ora. O garotinho o garotinho quer saber o motivo de ser perseguido, que menino ingênuo. – Disse James com uma voz tentando imitar uma criança, mas que foi puxado e jogado na parede por seu aparente irmão.

– Não faça brincadeiras idiotas, ele perguntou o motivo não é mesmo? Então por que não dizer? Se ele conseguir desvia disso é claro. – Ao terminar de dizer ele deu três passos rápidos em minha direção ele segurou meu braço esquerdo e desferiu um gancho que me atingiria em cheio se eu não tivesse antecipado sua ação.

Antes de me atingir consegui parar deu golpe com a bainha de minha espada e girei meu corpo dando uma rasteira que foi direto em seu joelho derrubando-o no chão e surpreendendo a todos do recinto, inclusive eu.

– Olha o que temos aqui, o pequeno cãozinho está mostrando os dentes. – Disse o homem com a faca de sobrevivência já empunhada e pronta para ser utilizada. – Mas escolheu o momento errado para fazer isso moleque.

Ao terminar essa frase ele pulou pra cima de mim utilizando todo o peso do corpo para desferir um golpe vertical descendente tornando-o mais rápido e visivelmente mais pesado do que seria um ataque comum.

Apenas tive tempo para retirar a espada da bainha para aparar seu golpe. Com isso foi possível ouvir o tinir de laminas se batendo e um brilho avermelhado iluminando todo o local e deixando o ar mais quente e seco e logo em seguida faíscas saíram de minha espada.

Surpresos, todos os três recuaram assustados e com caras de terror, como se não acreditassem no que viam.

Eu também estava surpreso, sempre soube que não era uma espada comum, mas criar fogo era algo inacreditável e raro, ate mesmo entre os próprios mestiços uma arma daquela era algo surpreendente, mas não podia mostrar surpresa e por isso reergui a espada e falei.

– Deixem-me passar, não quero usar isso contra vocês. – Mas antes mesmo que terminasse a frase os três já estavam sorrindo e com expressões de satisfação no rosto.

– Então você também é um de nós? Finalmente! – Disse James com um sorriso diabólico no rosto mostrando uma sinistra satisfação no olhar.

– Vejam! Uma digna presa para nós finalmente! Que coisa maravilhosa. – Comento Jorge.

– Aparentemente o cãozinho tem truques na manga para nos mostrar. E a proposito, já que é uma digna caça, meu nome é Alec, também conhecido como A Muralha, nos meus tempos de cadete, pois como você viu, eu posso controlar a terra. – Gabou-se.

Nesse mesmo momento varias coisas aconteceram simultaneamente, o chão sob meus pés tremeu e subiu, uma rajada de vento e fogo veio em minha direção me atingido, mas consegui colocar minha espada na frente que surpreendentemente absorveu grande parte do fogo, mas ainda assim fui varrido pelo vento e acabei indo de encontro com a parede e ao chão, e então um raio caiu entre eu e os outros três clareando todo o local e fazendo meus ouvidos zumbirem e me fez sentir um cheiro de ozônio que irritava meu nariz.

– “A Muralha”? Não é nem ao menos um tijolo. – Disse uma voz vinda do exato local que o raio caiu. – E cãozinho, sério isso? Pensei que você tinha mais dignidade cara.

Levantei-me com esforço e com um zunido no ouvido inquietante e com a visão meio turva, mas ainda assim reconheci Mike e sua grande espada ainda amarrada as suas costas e seu olhar confuso alternando entre mim e minha espada. Mas ele apenas balançou a cabeça e se virou novamente aos agressores.

– Um guarda aqui tão rápido? Impossível. – No momento em que começou a dizer algo, Jorge foi eletrocutado e caiu de joelhos no chão.

– Não diga bobagens, eu sempre estive aqui, mas me cansei de apenas assistir. – Retrucou Mike.

– Ou, espera ai, quer dizer que você estava aqui o tempo todo e ficou apenas observando?! – Gritei frustrado. – Inacreditável, um cara idiota desses deixando um civil enfrentar três mestiços, que tipo de guarda é essa?

– Primeiro que queria saber se você era humano ou mestiço, pois você não me respondeu naquele dia, então esse foi um pequeno teste. E vejo que apostei certo, pois não é um civil aparentemente. – Ele respondeu e deu de ombros como se não se importasse muito com o ocorrido.

– Tsc. Que babaca, mas mesmo um guarda ainda não é páreo para mim. – Disse James começando a correr em direção a Mike e junto dele uma ventania, como se um tubo de ar ficasse em sua volta fazendo sua velocidade aumentar drasticamente. – Prepare-se para morrer!

Mas ele não foi o único a ir em direção ao Mike, meu sangue fervia e minha cabeça latejava, eu só queria acerta-lo. Então empunhei minha espada com as duas mãos fazendo a bainha cair no chão e corri em disparada.

– Saia do meu caminho!! – Urrei para James que havia chegado primeiro perto de Mike que levava a mão em direção ao punho de sua espada, mas quando James tentou colocar as mãos na cabeça de Mike, minha espada ficou envolta em chamas e eu pulei desferindo um golpe descendente e o atingi na altura das costelas cortando uma parte de seu tórax e o afundando no chão, fazendo-o gritar enquanto seu sangue escorria pelo chão e pela espada. E logo em seguida quando meu pé esquerdo alcançou o chão, girei e dei um chute em Mike que foi parado pela parte lateral de sua espada fazendo faíscas e chamas espalhar por todo o local.

– Er, não sabia que era bom em alguma coisa Eric, certo? – Mike falou rindo enquanto girava sua espada para cima jogando meu pé e por consequência meu corpo para o alto e me fazendo dar uma cambalhota. – Você é interessante, garoto.

– Cale-se, não quero ouvir nada de você. – Disse secamente enquanto me movia para trás após o impacto de minhas pernas contra o chão. – “eletro-trouxa”.

Nesse momento diversos punhos saíram das paredes vindas em nossa direção de todos os lados e ângulos.

– Não nos ignorem seus Pivetes!! – Gritou Alec totalmente frustrado e irritado. – Seus moleques desprezíveis, morram!

Consegui por milagre desviar da maioria dos punhos porem dois acertaram minhas pernas causando tanta dor que não pude evitar gritar e cair rolando no chão até uma parede próxima.

– Droga, eu torci o tornozelo. –Praguejei. E nesse momento uma coluna de fogo começou a sair do chão abaixo de mim, entretanto um pé acertou meu ombro me tirando do local.

– Ei cãozinho, pode correr? – Disse Mike aparecendo do meu lado saindo sabe-se lá da onde.

– Acho que sim... – Comecei a dizer e antes que terminasse ele já havia virado as costas e cravou a espada no chão criando uma onda de choque que se misturando à coluna de fogo criou uma grande explosão.

– Siga-me, provavelmente tem reforços próximos. – Ele disse e passou a correr e eu só pude segui-lo.

Começamos a correr e sermos seguidos de perto por Alec e Jorge que parecia querer se vingar por seu irmão, fazendo bolas de fogo voar em todas as direções. E volta e meia um braço saia de uma parede tentando acertar ora Mike, ora eu.

– Os pivetes convencidos estão correndo agora é? Cadê aquela sua coragem guarda? – Ironizava Alec.

– Covardes, voltem e lutem! – Gritava Jorge a cada vez que lançava uma bola de fogo.

– Claro que não. – Respondeu Mike uma hora. – Vocês têm vantagens em ambientes fechados, e não quero destruir mais as coisas, depois quem será cobrado serei eu. Então calem a boca.

Depois de cerca de 20 minutos correndo entre os becos e ruas cambaleando pelas paredes, vi ao longe o destino de Mike, uma mansão com um grande espaço no quintal, sendo maior até mesmo que a rua.

E não foi uma surpresa quando ele pulou o portão abrindo uma porta para que eu pudesse passar, já que pular com o tornozelo nesse estado estava fora de questão.

– Depois não diga que não fiz nada por você. – Ele sorriu de forma brincalhona depois mudou para uma expressão mais fria. – É sério.

Não demorou muito tempo para que Alec e Jorge nos alcançassem e assim como era de se esperar ambos estavam extremamente bem, ao contrario de mim que estava ofegante e com a visão ficando turva.

– Finalmente cansaram, seus moleques? – Disse Alec parando e encarando o redor, depois arrancou algumas barras do portão e entortando-as em forma de escudo.

E Jorge começou a chamuscar, a fúria era visível em seu olhar e não demorou muito até que ele investiu em minha direção.

– Morra em punição ao que fez! – Ele disse se jogando em minha direção, envolto em chamas, como se ele mesmo fosse um projetil.

No mesmo instante Mike foi de encontro ao Alec, retirando sua espada das costas e erguendo-a fazendo com que um raio a atingisse e depois ele desapareceu.

Quando prestei atenção Jorge já estava me atingindo e me lançando contra uma serie de arvores que estavam espalhadas pelo local. Acabei acertando um grande carvalho, mas estranhamente assim como da primeira vez, minha espada havia absorvido as chamas o que diminuiu bastante o impacto do golpe.

A luta de Mike para mim parecia uma faísca viva batendo insistentemente em uma pilha de pedras, mas que a cada ataque fazia um novo buraco no muro, até que em certo momento Mike reapareceu com sua espada reluzindo um brilho amarelado e azulado e então desenhou um circulo no chão e ao cravar sua espada no centro, um tigre feito de relâmpagos surgiu do chão e pulou em direção ao amontoado de rochas explodindo-a e fazendo Alec urrar de dor.

Mike caiu exausto de joelhos segurando sua espada que ainda estava cravada, Alec deitado imóvel em sua frente e o tigre tremeluzindo até desaparecer. Ao ver essa cena, Jorge se descontrolou ainda mais.

– Vocês os mataram, mataram ambos! – E então começou a gritar e entrou em desespero. Lagrimas caíram de seu rosto e então algo estranho aconteceu, uma aura negra começou a sair de seu corpo, e pequenas plumas negras começaram a surgir em suas costas.

Então após uma onda de impacto foi para todos os lados levantando poeiras, pedras e derrubando arvores. E Jorge agora possuía asas negras e uma nova pilastra de fogo surgia abaixo de Mike, mas no ultimo segundo ele foi pego e lançado por um homem de preto que foi atingido pelas chamas negras e simplesmente virou um corpo vazio, uma casca assustadora de um homem, parecia uma maldição lançada por um demônio.

E então uma moça ruiva apareceu, retirou duas pistolas e começou a disparar contra Jorge e cada bala era chamuscada antes mesmo de atingir o alvo. Nesse momento levantei apanhando em minha espada e me atirei contra ele ignorando o fogo que aparecia, esperando que minha espada absorvesse o que não aconteceu, então por uma fração de segundos achei que ira morrer, mas uma agua cristalina me envolveu e então cai no chão sem saber o que havia acontecido e mesmo olhando para os lados não vi que era o autor daquilo.

Felizmente aquilo havia sido o bastante para tirar a atenção de um Mike quase desacordado, infelizmente a atenção dele foi voltada a mim. Tudo o que pude fazer no momento foi concentrar toda a minha força em um único ataque, fiz com que minha espada ficasse envolta de fogo e cortei o ar lançando todo o fogo para os céus em direção a Jorge que criou uma barreira de fogo negro, mas o que aparentemente foi seu pior e ultimo erro.

Ao concentrar sua atenção em mim e meu ataque, foi questão de segundos para três balas cristalizadas e envoltas de agua atravessarem o seu corpo e ele cair imóvel no chão.

Mas antes que eu pudesse ver quem havia quem havia nos salvado, minha visão escureceu totalmente e cai exausto no chão, conseguindo apenas distinguir duas vozes.

– Eles estão vivos? – Perguntou uma delas, uma voz mais jovem e aparentemente preocupada. – Que ideia idiota pular em direção a um demônio daquela forma...

– Ao menos isso funcionou ao nosso favor, e seu desespero despertou o seu poder, então não podemos mata-lo, ao menos não ainda e nem julga-lo. – Disse uma voz mais despreocupada e tranquila, aparentemente de uma mulher mais velha. – Mas francamente, para Mike precisar chegar a tal ponto, ou ele é extremamente inexperiente ou extremamente idiota. Vamos, vamos levar esses dois para dentro.

Aparentemente a discussão continuou porem minha consciência se esvaiu e apaguei completamente, apenas sentindo que alguém me puxou e passou a me carregar.

Notas finais
E então galera, gostando? deixem suas opiniões e até a proxima o