SanWar - Priére (Interativa)
2 Capitulo 1 - O novo despertar.
Notas iniciais
* Eric
O entardecer parecia calmo, o pôr do sol parecia pintar o céu de uma cor laranjada e tranquila, o que me fazia querer simplesmente deitar e observar o mundo escurecer com a noite e a cidade adormecer, mas não era algo que eu poderia apreciar, ao menos não nesse momento.
O mundo atual está definitivamente mais calmo que nos tempos de guerra. Cidades e metrópoles em ascensão e expansão, sendo uma delas, Asphlein, antigamente localizada ao leste dos mares turbulentos, antigamente conhecidos por América antes das guerras e dizem ser o local onde os primeiros anjos pisaram em terra em socorro à humanidade. Tida uma cidade baseada nos povos antigos, com casas construídas à partir de tijolos, cimento e concreto, e os famosos arranha — céus, prédios tão grandes que realmente pareciam tocar as nuvens, estes sendo mais comuns em regiões de extrema riqueza.
Entretanto a região habitacional fora drasticamente reduzido com a guerra, tanto por se tornar lugares com condições inabitáveis, quanto à própria aparição das bestas que enfestavam tais lugares. E ao pensar nisso, dirigi meu olhar aos céus, imaginando que tipos de lugares se perderam após a tal guerra santa, e qual exatamente era o temor das pessoas para não ousarem sair daquele pedaço de terra.
– Ei garoto, é perigoso ficar ai deitado. — disse uma voz me surpreendendo e me fazendo saltar. — Uma caixa pode cair encima de você, moleque.
– Tudo bem, estou saindo. — E com isso me levantei e ao encarar o dono de tal voz me veio um pensamento que não pude conter. — Ainda mais com a presença deles, o que faz as pessoas ser tão covarde ao se esconderem neste lado do planeta... — Murmurei enquanto suspirava.
Ele era de fato um dos mestiços, ou humanos com poderes, chame como quiser. Não que ele fosse diferente de todos, mas era simples essa definição. Ele vestia um uniforme do esquadrão especial da cidade, uma vestimenta preta, calças escuras, uma jaqueta preta e coturnos, que servia para destacá-los dos demais e impor respeito aos normais. Mostrava que era um mestiço treinado e com controle de seus poderes Elementais, o que os tornavam perigosos e temidos.
– O que disse moleque? — Ele perguntou pulando e se postando em minha frente. Ele possuía cabelos negros desgrenhados e um ar confiante. Ao chegar mais próximo notei que ele possuía uma doença rara, heterocromia que deixava cada um de seus olhos de uma cor, sendo o esquerdo azul e o direito vermelho onde possuía uma cicatriz transpassando-o, mas sem afetar sua visão aparentemente. — Você não lê muito não é? Se lesse saberia que a humanidade perdeu grande parte de sua tecnologia e não tem condições de enfrentar nada. E nós, bem apesar de tudo só temos forças para nos protegermos e não conheço ninguém idiota o bastante para se aventurar no continentes perdidos.
De fato ele estava certo, mas não queria demonstrar isso a ele e por isso apenas me mantive encarando — o até que ele perdeu a paciência e se afastou apontando para a cidade.
– Va logo. Se encontra-lo novamente por essa área irei prendê-lo, ate porquê hoje... Bem, você sabe. — e com isso deu as costas e foi embora, mas ao dar as costa que notei uma espada que media aproximadamente 1.50 provavelmente 30 centímetro menor que seu dono e por um momento me senti grato por ele não empunha-la, apesar do estranho fato de usá-la no meio da cidade, sendo imposta a regra de não poderia usar uma arma na cidade, a menos que...
"Não, dificilmente isso aconteceria agora" pensei enquanto me dirigia para a cidade ao escurecer, tentando me livrar daquelas suspeitas.
A cidade estava mais barulhenta que nunca, tudo para a preparação de uma imensa comemoração em homenagem ao aniversário de 18 anos de Lucinda, que ocorreria no dia seguinte, filha de Isadora uma das mulheres mais influentes do mundo atual e tida como a mulher mais próxima dos anjos, sendo posta em duvida sua relação com o marido, o presidente Charles.
Ironicamente também seria meu aniversário, e senti um aperto jo coração quando me dei conta de que imaginava como seria se fosse para mim aquela festa, não que quisesse toda a atenção e com isso a pressão por ser de uma elite, até porque provavelmente surtaria com tudo isso.
Dirigi-me diretamente para casa passando por alegorias, pessoas, e lojas postas na rua central da cidade, o que indicava um verdadeiro festival.
– Algo assim poderia durar semanas, ainda mais se fosse para me manter longe daquela escola. — Disse com um sorriso transcorrendo meu rosto enquanto andava em meio à decoração de figuras com asas brancas e outras negras, representando os anjos e demônios e alguns monstros que pareciam as bestas, apesar de me parecerem bonitinhas demais para os relatos das pessoas e dos livros.
Ao chegar em casa me deparei com uma cena um tanto incomum, minha mãe conversando com um homem desconhecido e ela parecia feliz próxima a ele.
Minha mãe era de fato realmente linda, pele bronzeada e cabelos tão escuros quanto o céu noturno e olhos tão brilhantes quanto o céu estrelado, diziam que sua beleza não era humana, mas ela vinha de uma família tão antiga quanto a cidade e sempre me dizia que era inteiramente humana, o que foi o fator que levou meu pai a se apaixonar por ela. Mas era tudo o que eu sabia sobre ele.
– Com licença. — Disse a eles quando cheguei perto deles o suficiente para ouvir o que diziam. Mas aparentemente fui ignorado e eles continuaram conversando.
– Ora, vamos Cordelia, venha comigo a festa da senhorita Lucinda amanhã. O que te custaria? — perguntava o homem, que tinha cabelos entre o loiro e o castanho e pele clara. Era um pouco mais alto que eu e tinha quase 1,90 de altura e tinha uma postura relaxada mais confiante, usando uma roupa casual.
– Já disse que tenho que ver com meu filho ate porque é seu aniversário amanhã também, não posso te dar uma resposta agora Ângelo... — Dizia entre risos, aparentemente se divertindo com a cara que ele fazia sempre que ela falava o que me dava a entender que eles estavam... Flertando? Sim, ela é jovem, cerca de 33 anos, e bonita, mas vê — lá daquela forma me era estranho. Até que por fim me notou parado a alguns metros atrás e acenou pra mim. — Veja, falando nele, finalmente chegou.
Disse e veio me abraçar com força como sempre fazia, mas seu amigo, Ângelo, me encarava, como todos faziam quando nos dizíamos parentes. Não que fossemos tão diferentes, mas demoravam o ponto para absorver minhas características e comparar — nos.
Possuía os mesmos cabelos negros e a pele bronzeada de minha mãe, mas por algum motivo meus olhos eram prateados, não cinzentos e ofuscados, mas de certa forma reluzente e chamativos, por isso eu passei um bom tempo escondido atrás de um par de óculos, até que minha mãe me convenceu a tira-los. Tinha quase 1,80 de altura e um corpo ligeiramente grande e não tão atlético, mas no momento tinha feições de desconfiança no rosto.
– Prazer... — Ele começou a dizer, mas parou ao se dar conta de que não sabia nome e então minha mãe começou a cerrar os olhos esperando que eu me apresentasse e tirasse aquela expressão do rosto, aparentemente.
– Prazer, meu nome é Eric. — Disse num tom monótono e logo completando. – Mãe, vou entrar e dormir um pouco. Com licença. — E entrei em casa deixando os dois conversando por mais um tempo.
Minha casa não era muito grande exatamente, mas ainda assim era grande demais para duas pessoas, com 8 cômodos, contando os quartos, a cozinha, sala de jantar e de estar. A casa possuía paredes pintadas de varias cores, de branca e azul a vermelho e preto, dependendo do cômodo, com detalhes que possuíam de acordo com a finalidade, como a cozinha de uma tonalidade mais quente como o amarelo e o vermelho para animar quem a usar e motivar. A sala de estar com tons neutros como verde e azul com detalhes em laranja, trazendo aconchego próximo a lareira e a televisão. Mas a única parte que minha mãe não gostava era a sala de jantar, que era totalmente preta, com detalhes prateados dando uma sensação de importância e superioridade em relação a toda a casa, ainda mais com os moveis feitos de mogno, diferente de grande parte da casa, por isso evitávamos esse local de toda a casa, que fora herdada de minha mãe por seus avós, já que seus pais morreram precocemente em um ataque das bestas quando ela tinha quase minha idade e por respeito e apreço a eles, ela se recusa em mudar algumas coisas, como aquela sala.
Segui direto e fui ao meu quarto que ficava no segundo andar. Meu quarto foi o ultimo cômodo construído na casa, pois sendo de um tom branco e com desenhos de flocos de neve em azul, mas foram desenhados de tal forma que pareciam se mover em direção ao chão. O único lugar que realmente me sentia confortável, com minha cama e minhas coisas como livros e eletrônico.
Ao entrar e me deitar, fiquei olhando para as paredes apreciando sua decoração, e estava quase adormecendo, até ouvir passos vindos nessa direção e o som da maçaneta destravando.
– Você poderia ser mais simpático, sabia Yuki?– Minha mãe disse ao entrar no quarto e pronunciando a ultima palavra com uma cara de desdém mss tentando segurar o riso.
– Você sabe que isso é idiota não é mãe? Deixa as pessoas pasmas... — Retruquei virando o rosto. Yuki, neve em japonês, também é parte do meu sobrenome, Kuroyuki, mas como a neve em si é branca, isso cria um contraste com minha aparência, o que fez minha mãe manter essa brincadeira com meu nome.
– Yuki... — Ela repetiu, mas não se dirigindo a mim, e pulando na cama ao meu lado me empurrando dela e me jogando no chão. Mas antes que pudesse protestar algo ela continuou. — A primeira Palavra que seu pai falou, talvez porque era inverno ou por saber quem eu era. Conhecemo-nos pouco depois de meus pais serem mortos e ele me ajudar a escapar das bestas. E quando nasceu metade da cidade estava soterrada em neve. Ele o queria batizar assim, mas sua pele já era parda e seus cabelos tão escuros que desistiu da ideia... — Dizia ela, sendo essa a primeira vez que falava sobre ele.
– Mãe, meus olhos... Eles... — Disse começando a me levantar usando a cama como apoio.
– Do seu pai? Claro que sim. Não conheço nenhum outro idiota no mundo que passaria essa cor de olhos para um filho. — Disse ela mostrando um grande sorriso iluminado, mas com pequenas lágrimas escorrendo dos olhos que ao me ver notando-as, passou a mão e pulou na minha direção me dando uma chave de pescoço com um braço enquanto bagunçava meu cabelo com a mão solta. — De qualquer forma, que atitude foi aquela ein?
– Desculpa, Desculpa!! — Gritava entre as risadas que aquela situação causava ambos. — Não acontecerá novamente, eu acho. — Murmurei tentando não ser ouvido, mas sem sucesso.
– Aham, sei garoto, não tente me enganar viu? — Disse em tom zombeteiro e me soltando. — Agora, já para a cama e durma, terá um dia agitado amanhã. — E por fim saiu me deixando refletir sobre a história que acabara de me contar sobre meu pai.
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