San Peter: A Escola dos Mimimis Amorosos (Vol.2)
8 84. A tarde é da Lili + Radical
Notas iniciais
Dando uns vinte minutos pro meio dia, o povo começou a sumir. Então a professora juntou os primeiros anos e disse que era hora do almoço, e quem quisesse poderia ir se trocar.
Já estávamos praticamente secos, então fomos direto pro refeitório, que parecia um restaurante self-service.
As mesas dali eram bem maiores, mais cumpridas e cabiam mais gente. Conseguimos pegar uma mesa onde tinha os lugares exatos vazios pra gente, depois de pegar a comida.
Depois, achamos a professora e perguntamos o que faríamos, e ela disse que estávamos livres, e que os segundos iam pra escalada e os terceiros pra tirolesa, e que poderíamos ir em um dos dois também.
Claro que a Lili já quis ir pra escalada, mas os meninos quiseram ir pra tirolesa.
Andamos juntos pela trilha da floresta, mas nos separamos. Seguimos só nas duas pra direita, já que a escalada ficava mais perto da cachoeira, mas nem dava pra vê-la.
Não tinha tantas pessoas assim, como eu imaginei que teria. Talvez nem todo mundo quisesse subir em uma parede de pedra.
Pelo jeito tinham dois monitores ajudando a colocar os cintos de segurança e explicando como aquilo funcionava.
— Será que o Mateus tá aqui já? — Lili cochichou, olhando para a pequena fila.
— Não sei. — Tentei procurá-lo. — Pra que você quer saber dele?
— As pessoas sobem em parzinho. Quem sabe eu não subo com ele?
Olhei pra ela, fazendo uma cara de “sua traidora”, mas...
— Meninas! — Mateus apareceu atrás de nós e colocou os braços nos nossos ombros. — Ué, só vocês vieram?
— Sim, nossa professora nos deixou livres. — Lili sorriu pra ele.
— E aí vocês decidiram subir umas paredes. — Brincou, nos soltando.
— Exato.
— E os seus amigos?
— Foram pra tirolesa — respondi. — Nos abandonaram.
Ele fez uma cara meio surpresa. — Hm, que sacanagem... Tudo bem, eu faço companhia pra vocês.
— E cadê os meninos? — Lili olhou para trás.
— Eles quiseram ir pra tirolesa. — Deu de ombros. — Esses chatos.
Aff Yan, tá difícil.
— Bom, vamos aproveitar. — Lili me puxou pela mão.
Nos aproximamos mais do povo e percebi que surgiu outro monitor, mas ele estava sem camisa e de bermuda, de costas pra nós. Conversava com outro monitor, segurando alguns equipamentos.
— Ai, não... — Lili reclamou, cobrindo o rosto com as mãos.
— Que foi? — A olhei.
— Viu quem tá ali?
— Quem? — Olhei de novo pra lá.
— Viktor — sussurrou, meio brava.
O cara sem blusa ficou de lado e eu vi que era ele. — Como você sabia que era ele?
Ela me lançou um olhar “por que você acha?” — A gente já namorou, esqueceu? Eu reconheceria aquelas costas. Sem falar no cabelo.
Ah é. Tem isso. Não tinha reparado. — Ele tá com o equipamento...
— Esqueci que ele costumava acampar. Ele entende dessas coisas.
— Parece que ele tá ajudando aquele monitor.
— Se quer saber, não duvido que ele o conheça. O Viktor conhece todo mundo.
— Vamos gente! — Mateus, que estava amarrando os tênis, passou por nós.
Lili suspirou e fomos atrás dele. Paramos nas duas pequenas filas, lado a lado, e Lili ficou na outra fila, atrás do Mateus. Eu tive que ficar na fila onde o Viktor estava com o outro cara.
Chegou a vez do Mateus e do cara da minha frente, e eles foram lá, e aí Viktor nos viu, abrindo um sorriso discreto.
— Miga, que gostoso. — Uma menina falou atrás de mim e eu estranhei.
— Ele é monitor também? — A que estava trás da Lili perguntou. — Devia estar de camiseta verde, não?
— Quem liga pra camiseta, olha aquele tanquinho! — exclamou baixo.
Lili e eu trocamos olhares e seguramos o riso.
— Nossa, se aquieta aí, garota. — A outra riu.
Ficamos ouvindo as duas garotas elogiando os dotes físicos do Viktor enquanto os dois escalavam e desciam. Mateus foi mais rápido e chegou lá primeiro.
Chegou nossa vez, e Viktor saiu do seu lugar e foi até a monitora, olhando Lili se aproximar.
Ela ia andar em minha direção quando chegou perto, mas ele segurou seu braço.
— Não foge, Lilizinha. — Sorriu, todo brincalhão.
— Aproveita e cuida dela pra mim. — A monitora deu o equipamento pra ele. — Preciso ir no banheiro rapidinho. — E saiu correndo.
— Por que você tá dando uma de monitor?
Deu um sorriso pro “meu” monitor, e ele começou a me explicar como funcionava as coisas, e conforme falava, colocava os cintos em mim.
— Eu só fui pegar uns equipamentos a mais pro meu amigo ali. — Viktor explicou, enquanto colocava as coisas na Lili também.
Lili me lançou um olhar tipo “eu mereço”. Ri e prestei atenção nas explicações de como subir.
Logo, Lili e eu começamos, já fazendo uma competiçãozinha.
Acabei chegando primeiro e Lili fez um bico.
— Posso ficar aqui até o Viktor ir embora?
— Fica à vontade. — Brinquei, rindo.
Descemos e o monitor voltou a mexer nos cintos em mim.
— Quer tomar café comigo hoje? — Viktor perguntou, trabalhando.
— O que eu ganho com isso? — Ela se fez de difícil.
— Hm... minha companhia? — Deu um sorriso colgate. — Faz tempo que não conversamos. Vai, o que custa?
— Vou pensar. — Ela acabou rindo.
— Tá bom. Pense que vai aceitar.
— Uhum — murmurou, enquanto saia de perto dele e vinha até mim.
Demos as mãos e rimos, voltando pra trilha, onde Mateus nos esperava.
— Parabéns, Bru. — Ele riu. — Parecia uma lagartixa subindo.
— Isso foi um elogio? — perguntei enquanto Lili morria de rir.
— Foi, você entendeu o que eu quis dizer! — Cutucou meu braço.
— Entendi sim. — Ri. — Obrigada.
— Vocês querem ir lá na tirolesa? Eu vou pra lá.
— Claro! — Lili se prontificou.
Voltamos o resto da trilha e seguimos para a tirolesa. Já vimos mais gente no mesmo lugar, e já tinha uma fila bem maior do que a que pegamos antes.
Não vi sinal dos meninos. Provavelmente eles já tinham passado.
Mas lá fomos nós pra fila. Mateus foi na frente, e disse que mostraria como faríamos as coisas lá em cima.
Uns dez minutos depois, chegou nossa vez. Subimos a escada, colocamos os cintos e seguimos Mateus pelos caminhos de cordas e pequenos troncos presos por mais cordas.
Fomos subindo cada vez mais, até chegar no topo da pequena montanha. Tinha uma espécie de casinha com teto, toda de madeira, e dava pra ver a corda por onde o povo descia, indo lá pra baixo e pra longe.
Esperamos um pouco até chegar nossa vez. Mateus foi primeiro e Lili me fez ir na frente, porque ela ficou com medo.
Então fui. Colocaram os cintos e a “cadeirinha” e me empurraram.
Dei um berro nos primeiros cinco segundos, e depois comecei a rir, e abri os braços.
Passei por cima de uma parte da floresta, e só fui parar lá perto do estacionamento.
Parei em outra casinha de madeira, e já vi Mateus esperando lá em baixo.
Desci e o encontrei.
— Muito louco, né? — Ele sorriu, todo animado.
— Quase morri do coração no começo. — Coloquei a mão no peito.
— O começo que é mais legal! Parece que você vai despencar e cair de cabeça no chão — exclamou.
— Exatamente! Eu hein. — Ri dele.
Então vi Lili descendo pelo cabo, não parecendo tão feliz quanto a gente. Ela chegou na casinha e desceu.
— Você tá bem? — Mateus a olhou.
Lili estava com a boca entreaberta, com os lábios pálidos. Ela respirou fundo e engoliu seco.
— Foi muito radical pra você? — Ele tentou brincar.
— Eu acho... — Colocou a mão na boca e virou, se inclinando e começou a vomitar do lado da árvore.
Mateus já foi segurar os cabelos dela, e eu fiz uma careta, e achei melhor não chegar perto ou poderia vomitar também.
Lili deu uma última tossida e passou a mão na boca, se erguendo.
— Valeu. — Ela disse fraca e Mateus a soltou.
— Quer ir pra enfermaria?
— Não, tô bem já. Eu desci muito rápido... Vamos no banheiro? — Me olhou.
— Vamos. — Olhei ao redor, e já vi um banheiro.
Fomos até lá, e Lili lavou a boca e o rosto.
— Tá mesmo bem? — A olhei pelo reflexo.
— Tô sim, relaxa. Meu estômago não aguentou tanta emoção. — Sorriu.
— Percebi.
Saímos e Mateus olhou pra Lili todo preocupado.
— Não tem mais nada pra vomitar, não se preocupe. — Ela levantou as mãos.
— Ainda bem então. — Sorriu de um jeito fofo.
Lili riu. — E agora? O que faremos?
— Ah... acho que eu deveria ir procurar os caras, mas tô me divertindo muito com vocês...
Ai, que fofinho esse menino.
— Também estamos, mas se você quiser ir procurar os meninos, podermos ir junto. — Lili sugeriu, com cara de inocente.
Mateus a olhou, parecendo pensar, e eu fingi que não vi a Lili dando uma levantada de sobrancelha pra ele.
— Ah... então bora! — Ele falou, já andando.
Lili me lançou um sorrisinho e me puxou para acompanharmos o Mateus. Ficamos conversando durante o caminho.
Eu estava metade querendo encontrar o Yan, e metade não querendo encontrar.
Meu estômago começou a dar sinais de nervosismo.
— E onde vocês vão dormir? Chalé ou barraca? — Lili perguntou.
— No chalé mesmo. Acho muito ruim dormir em barraca.
Estávamos indo pras quadras, já que Mateus achava que eles poderiam estar lá.
Chegamos, e logo na primeira quadra vimos Yan e Gabriel jogando basquete, os dois sem blusa.
Engoli seco enquanto chegávamos perto, e sentamos em um dos bancos de pedra que tinha ali, não muito perto da grade alta.
— OW! — Mateus berrou, segurando a grade.
Todos olharam na direção dele, e Gabriel acenou.
Vi Yan nos vendo e parecendo surpreso, ou confuso.
Gabriel acenou pra alguém do time e falou algo, e outro cara que estava de fora entrou na quadra enquanto ele saia e vinha até nós.
Mateus também sentou no banco, do lado da Lili.
— E aí! — Nos cumprimentou. — Onde você tava? — Olhou pro amigo.
— Ué, na escalada, e depois fomos na tirolesa, mas vocês nem estavam mais lá.
Enquanto Gabriel respondia, vi Yan saindo da quadra.
Talvez eu fosse a próxima a vomitar, mas de nervoso.
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