San Peter: A Escola dos Mimimis Amorosos (Vol.2)
73 149. Proposta
Notas iniciais
Encontramos meus pais no terminal e fomos recebidos com beijos e abraços apertados, como sempre. Ficamos tagarelando no caminho até em casa, Bebê foi para a dele e eu para a minha. Cumprimentei o Batata e a Caju e subi para o quarto com as malas, encontrando Ana mexendo no computador. Ela correu assim que eu entrei e veio me abraçar.
— Finalmente você chegou! — gritou na minha orelha e eu fiz uma careta.
— Eu sei que você tá feliz, mas não precisa gritar no meu ouvido. — Dei risada e nos soltamos.
— Desculpa. Bru, Bru! Eu preciso te pedir uma coisa.
— Ih, lá vem... — Deixei as malas próximos ao sofá. Pelo menos ela não tinha mudado nada no quarto, aparentemente. — Fala.
— Então... — Fez uma graça. — Eu tenho uma amiga que vai fazer aniversário e ela me chamou pra ir... — E baixou o tom de voz. — Mas vai ser em uma balada fechada, e eu falei pros pais que vai ser tipo num salão de festa, porque se eu falasse que era numa balda, eles não iam deixar nunca. E aí eles falaram que eu posso ir se você ir comigo, e se puxasse o Bebê junto ia ser melhor ainda. Por favor!
Ai meu Deus... — Ana, eu não gosto de balada — resmunguei, tirando os sapatos.
— Você nunca foi em uma! E nem eu! Eu quero ir, quero ver como é. Por favor — pediu, agarrando meu braço.
Suspirei. — Eu vou pensar. E vou falar com o Bebê pra ver o que ele acha.
— Tá bom! Obrigada! — Me abraçou com certa violência.
— Calma lá, eu não falei que vou, falei que vou pensar.
— Eu sei, eu sei. — Riu, me largando. — Quer ajuda pra desfazer as malas? Quer uma massagem nos pés?
— Não vem querer puxar o saco não, menina. — Acabei rindo, abrindo a mochila e começando a tirar as roupas de lá, as colocando no sofá.
— Afe. — E ela voltou a se sentar na mesa do computador. — Mas se precisar de alguma coisa, me fala.
Ela realmente acha que vai me comprar fazendo coisas pra mim? Gente do céu...
Dei uma espiada para a tela do computador, vendo que Ana estava conversando com alguém no msn. Automaticamente pensei no que Bernardo tinha dito sobre falar com o Yan. Será que ele estará online quando eu entrar? Será que ele chegou a me mandar alguma coisa...?
— Depois eu quero mexer aí — anunciei.
— Tá bom, irmãzinha querida — respondeu Ana, me olhando rapidamente com um sorriso forçado e engraçado.
Neguei com a cabeça e continuei tirando as roupas, as dividindo entre sujas, limpas e as que não estavam sujas, mas que poderiam ser lavadas. Depois de guardar as limpas e levar as sujas para a lavanderia, guardei a mala e a mochila e Ana saiu do computador. Me sentei na cadeira e olhei para a tela inicial do msn, já começando a me sentir nervosa.
Coloquei meu email e senha, e esperei entrar. Meu coração vacilou quando vi algumas janelas abrirem, indicando que alguém tinha mandado mensagem enquanto eu estava offline, mas consegui respirar quando vi que era Lili e James, perguntando se eu tinha chegado bem. Eles estavam online, e depois que eu os respondi, olhei minha lista de amigos, tanto on quanto off, e infelizmente — ou felizmente — Yan estava na lista offline.
Não tinha uma mensagem dele, e mesmo assim cliquei ali, fazendo abrir uma janela de conversa. Sua foto de perfil estava quase transparente, então não dava para ver exatamente o que era, mas não era uma foto dele.
Suspirei, fechando a janela. Vi que Bebê estava disponível e abri uma janela dele, digitando “para de conversar com o Carlos”. Segundos depois ele respondeu “eu faço o que eu quiser”. Dei risada e mandei “precisamos conversar, tenho uma proposta para você que envolve a Ana”. Ele disse “ok, depois da janta vou aí”.
Fiquei um tempinho mexendo nas redes sociais, até que minha mãe veio chamar para comer. Desliguei o computador e desci. Jantamos todos na mesa, conversando sobre coisas aleatórias, e quando eu estava tirando as louças, a campainha tocou.
— É o Bebê — falei para Ana, que estava pegando as chaves.
— Precisamos fazer uma cópia da chave pra ele — disse mamãe. — Já é adotado mesmo.
Dei risada. — Isso é. — Segundos depois, os dois vieram. — Já lavou a louça?
— Já, você pelo jeito ainda não. — Bebê devolveu a alfinetada.
— É a Ana que lava a louça da janta, eu só seco.
— Eu já tô indo, não me bate. — Ela foi para a cozinha, começando a organizar as peças e lavando.
Peguei um pano de prato e fiquei ao lado dela, esperando a primeira louça. Bebê encostou no balcão.
— Qual é a proposta?
— Xiu, aqui não — sussurrei, dando uma olhada para trás. Pelo menos meus pais estavam na sala de televisão. — Lá em cima a gente conversa.
— É coisa secreta? — O canto de sua boca levantou, malicioso.
— Sim, mas pode tirar esse seu sorrisinho malicioso da cara.
— Tô ficando curioso, terminem logo isso.
Tentamos ir mais rápido. Em menos de quinze minutos estávamos subindo para o quarto. Fechei a porta, mas pensei que isso seria muito suspeito, então acabei a abrindo, recebendo um olhar do Bebê do tipo “você ficou louca?”.
— E aí, falem logo — disse ele, indo se sentar no sofá.
— É com você. — Indiquei minha irmã, que sentou no braço do sofá ao lado dele.
— Bom... Minha amiga vai fazer o aniversário dela em uma balada, mas eu falei pros nossos pais que seria num salão, porque senão eles não deixariam, e eles falaram que eu posso ir se a Bru for e que se você for vai ser melhor ainda. E a Bru falou que ia ver com você. Por favorzinho. — Juntou as mãos na frente do queixo.
Bernardo me olhou com a sua típica cara de bunda que eu conhecia muito bem. Ele estava considerando se valia a pena ou não o esforço.
— Você quer ir?
— Não sei. — Dei de ombros.
— Tá, primeiro quero detalhes. Quando vai ser? — Encarou Ana. — Que horas vai ser, onde vai ser e quanto tempo vai durar?
— Vai ser amanhã, as oito horas, numa balada chamada EletricDance. Não tem hora pra acabar. Minha amiga diz que quer ficar até amanhã cedo.
— Sem chance de eu ficar numa balada até seis horas da manhã. Olha minha cara de quem fica mal-humorado á meia noite por sono. — Apontou para o próprio rosto.
— Eu não falei que quero ficar até seis horas — retrucou, cruzando os braços. — Mas também não quero ir embora onze da noite.
Ele também cruzou os braços, pensando por um tempinho. — Bom, se a Bru concordar, acho que ficar até uma e meia ou duas é o suficiente. — E os dois me olharam.
Ana estava quase com lágrimas nos olhos, com a cara de cachorro que caiu da mudança. Suspirei.
— Tá bom.
— Aah! — Ela berrou, me abraçando com força. — Obrigada, obrigada!
— Tá, tá. Eu duvido que você vai aguentar ficar lá até duas horas, mas tudo bem. E como vamos chegar lá?
— O pai da minha amiga vai levar a gente. Ele tem uma van. Eu vou falar pros pais que vocês vão! — E ela saiu correndo para fora do quarto.
— Meu Deus do céu... — cochichei e fui me sentar no sofá.
— O que você não faz pela irmãzinha, né?
— Pois é. Sacrifícios.
— Ah, para, vai que seja legal. Pelo menos você não vai ficar sozinha se ela te largar pra dançar com as amigas.
— É, obrigada por isso. — Sorri, dando uns tapinhas em sua perna.
— Eu vou cobrar depois, fica tranquila.
— Claro, eu já esperava por isso...
De repente, Ana voltou acompanhada dos nossos pais. Ela veio se sentar ao nosso lado, enquanto papai e mamãe ficavam na nossa frente.
— Tá certo. Vocês já imaginam as regras, né? — Meu pai começou. — Nada de bebidas alcóolicas, nada de cigarro, de drogas, não aceitem bebidas de estranhos, nem comida e...
— Edson, pelo amor. — Minha mãe riu. — Eles estão crescidinhos pra ficar ouvindo isso.
— A Ana não. Ela nunca saiu pra esse tipo de lugar.
— Eu já fui em festa de aniversário, pai — resmungou Ana.
— Não importa, é sempre bom relembrar. Nunca aceite nada de estranhos, não saia com alguém que você não conhece e fique sempre perto da sua irmã e do Bernardo, ele tem cara de mau, ninguém teria coragem de fazer alguma coisa com vocês com ele por perto.
Bebê estreitou os olhos, confuso. — Obrigado, eu acho.
— De nada. Que horas vai acabar essa festa?
— Não tem hora pra acabar, mas o Bebê acha que duas horas é um bom horário pra gente ir embora.
— Duas horas?! — Meu pai encarou sua mulher, chocado, e ela retribuiu com uma expressão de “menos, vai”. Ele suspirou. — Tudo bem. Duas em ponto quero vocês aqui.
— Mas pai, o pai da minha amiga que vai buscar a gente, vai ficar chato se eu pedir pra ele trazer a gente também, não posso...
— Peguem um táxi, eu dou o dinheiro.
— Não posso dormir na casa dela?
— Você quer ficar a noite fora e ainda quer dormir na casa dela? Não acha que tá pedindo demais?
— Mas eu nunca saio pra lugar nenhum!
— Exatamente, um lugar só já tá de bom tamanho.
— Ana, só agradece. — Segurei seu braço assim que ela abriu a boca para continuar retrucando. — Você queria ir na festa, você vai.
Ela fez um bico, mas concordou. — Tá. Obrigada, pai. Duas horas estaremos aqui.
— Tudo bem. — Balançou a cabeça e saiu do quarto junto com a nossa mãe.
— Não abusa da boa vontade dele, Ana. Já é um milagre ele ter concordado em deixar a gente chegar as duas — falei quando ela levantou.
— Eu sei, mas não custava nada deixar.
— Pra ele custa. Fique grata por ir na festa e pronto.
— Tá bom, já entendi... Eu preciso escolher minha roupa! — E correu para o guarda roupa, escancarando as portas.
— Espero que seja legal.
— Se não for legal, fazemos ser. — Bebê deu um sorrisinho estranho.
— Olha lá, hein.
— Relaxa, vai ser legal.
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