San Andreas
1 O Destino da Grove Street
Notas iniciais
GTA SAN ANDREAS
SAGA: LOS SANTOS
Arco: O Destino dos Irmãos Johnson
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Capítulo 1: O Destino da Grove Street
Idlewood, Bairro Leste de Los Santos, 1987
Um jovem andava de bicicleta pelas ruas. O rapaz era um adolescente, negro, franzino e com as feições despreocupadas. Porém, guardava um segredo da família: ele era um pequeno traficante de cocaína. Obviamente que esse fardo ele carregava sozinho, ou seja, nem a sua mãe e muito menos seus três irmãos sabiam dessa sua vida. A família Johnson era absolutamente contra o consumo e venda de drogas pesadas, exceto a própria maconha no qual chamavam de "baseado" ou "água". Ele conseguiu se render ao vício do tráfico por meio de colegas de escolas que tinham conexões com membros de uma gangue perigosa chamada Ballas, sobretudo um dos sub-líderes chamado Little Weasel que outrora era membro da Grove Street.
O rapaz parou a bicicleta quando alguns pedestres pediram a "trouxinha''. Ele retirou algumas do bolso do casaco roxo e vendeu por U$ 10,00 cada. Faturou naquele dia cerca de uns 200 dólares. O traficante chefe da região reembolsou 120 e deu o restante a ele.
O homem era muito conhecido na região, principalmente pelo chefão da gangue local. Ele foi até um conjunto habitacional que ficava próximo a ponte que ligava Idlewood com o bairro de Jefferson.
— Little, sou eu, Val.
— E aí, como foi? — um rapaz negro, meio gordo, com uma bandana roxa na cabeça e roupas escuras atendeu.
— O plano de enfraquecer aqueles imbecis da GSF deu certo. Logo o rapaz que contratei há um mês ficará a sete palmos do chão.
— Que excelente notícia. A Grove está aumentando seus negócios. Precisamos pará-la. Ainda me arrependo de ter feito parte dela. Pode ir.
Little Weasel fechou a porta. Um policial negro fumava um baseado de maconha enquanto estava sentado no sofá do apartamento. Um outro policial, moreno claro, acompanhava-o.
— Satisfeito, sargento Tenpenny? Vamos começar uma guerra com a Grove. Isso por causa de suas ambições.
— Se quer reclamar, fale com o seu chefe. Aquele preto só porque virou o chefe de uma das famílias dos Ballas, acha que pode mandar em tudo. É por isso que eu gosto dele, porque me lembra muito quando eu era jovem. Enfim, aqueles retardados filhos da puta estão enchendo o meu saco por conta dessa ética moralista que eles têm. Logo quem fala, um bando de bandidinhos que fazem parte de gangue... Assim como vocês. Não reclame. Graças à mim, todos vocês estão sossegados com essa porra toda de tráfico, e eu mantenho meu status como melhor policial da cidade. Não é, Sargento Pendelbury?
— Claro que sim, sargento Tenpenny.
— Melhor continuarem com o plano. Quero aquele preto fedido transformado em comida de larvas daqui a dois dias. Ou eu corto a proteção que eu dou aos Ballas, e colocarei a culpa em você. Vambora, Pen.
Os dois policias saíram da casa de Weasel. Este foi imediatamente ligar para o líder da Front Yard, Kane.
Grove Street
A rua principal do bairro de Ganton era o quintal da gangue Grove Street Families. Gangue esta tranquila, que, apesar de viver ilicitamente, não gostava de se envolver com o tráfico de entorpecentes pesados, porque, segundo eles, o vício na cocaína enlouqueciam as pessoas.
A vizinhança era pacata e o índice de criminalidade era bem menor que na vizinha Idlewood. Por curiosidade este bairro era antigamente da GSF, mas com a ascenção de Tenpenny, os verdes perderam territórios.
O jovem Bryan Johnson retirou o casaco roxo e ficou com a camiseta verde que ele levava por baixo. Assim ele honrava as cores da sua gangue.
A Grove terminava num tipo de vila em que a pista acabava no formato esférico e sem saída. As casas eram bem próximas uma das outras, e a maior com certeza era a dos Johnson.
O rapaz estacionou a sua BMX na garagem de casa e entrou. Já era tarde, passava das oito da noite. Ele tentou subir as escadas no escuro quando a luz acendeu, aparecendo o seu irmão mais velho, Sean.
— Xi, vai me dar bolo de novo.
— Você sabe que o "bolo" é uma preocupação que eu tenho contigo. Bryan, a mamãe não sabe... Você está vendendo cocaína?
— Não estou. Quantas vezes vou ter que falar isso?!
— Até se confessar. Comprou até mesmo um casaco roxo, ROXO, lá no Sub-Urban do Jefferson. Isso seria uma traição grave se fosse um membro qualquer, mas como é meu irmão...
— Chega de melação, cara. Você tem a Kendl e tem o Carl. Até parece que eu sou o único. Sweet, eu vou ficar bem.
— Só me preocupo com meu irmão caçula. Não se meta com aquela galera do Front Yard. Eles são barra pesada, mano.
Bryan subiu as escadas e foi para o seu quarto. Mesmo não ganhando muito, foi bem melhor do que nos primeiros dias. Não se importava mais se vendia cocaína pelas ruas. A única preocupação era de ser pego pela polícia.
Sweet ficou sentado no sofá de renda. Ele era um homem jovem, com seus 30 anos de idade, negro, barba rala e usava um boné verde característico. Era o sub-líder da gangue, atrás apenas dos irmãos Little Devil e Big Devil, porém sua influência era bem maior nas famílias como a Seville Boulevard.
— Escutei a breve conversa de vocês.
— Minha mãe, como chegou sem eu ver?
— A porta dos fundos estava aberta. Ainda bem que eu chego esse horário porque senão até hoje estaríamos sem nada.
— Vou prestar mais atenção... Droga, escutou a nossa conversa!
— Sean, você devia confiar mais nos seus irmãos. Você se comporta como alguém que eles nunca tiveram, um pai. Admirável, mas precisa dar espaço para os outros.
— Kendl só quer arranjar encrenca. Ultimamente ela vai muito pra El Corona, não sei por quê? Carl é outro que desistiu de viver pela Grove. Agora tem um papo de ir pra Liberty City, dá pra acreditar? Por isso eu só tenho o Bryan pra se tornar forte para a Grove.
— Tem que dar mais espaço aos seus irmãos ou eles vão ficar com raiva de ti por conta desse sufoco todo. E eles decidem por si só o que querem. Não será você ou eu que mudará isso. Bom, vou descansar, aquele hotel ainda vai matar de cansaço.
— Hotel que fica na região dos Ballas, sabe disso?
— Amor, não sou uma gangster, sou trabalhadora. Nem de verde posso ficar já que as fardas são beges ou pretas. Até daqui a pouco para o jantar, meia hora de descanço e ficarei firme e forte.
Beverly Johnson foi descansar no seu quarto.
Nome: Beverly Johnson
Idade: 50 anos
Local onde mora: Ganton, Grove Street
Ocupação: Governanta de Hotel
Filhos: Sean Johnson, Kendl Johnson, Carl Johnson e Bryan Johnson.
Sweet apenas ficou sentado esperando os outros dois chegarem. Mal esperou quando Kendl chegou de supetão. A moça subiu as escadas correndo e sequer olhou para o irmão.
Momentos depois, uma ligação. Era Carl avisando que não dormiria a noite em casa e que tinha um compromisso com contatos de Liberty City. Foi o fim da picada para o irmão primogênito.
...
QG da Front Yard Ballas, Willowfield
Little Weasel foi se encontrar com seu colega e líder da facção, Kane, para falar sobre os acontecimentos que estavam antecedendo a morte de Bryan, além da visita dos policias. Kane era um negro, magro, vestido com uma jaqueta roxa, calça cáqui, touca preta e óculos escuros. Virou líder com apenas 19 anos de idade.
— Tenpenny está brincando comigo. Não me interessa pegar aquele franzino. Quero mesmo é a cabeça do Sweet numa travessa de prata aqui fazendo de enfeite como aquele vaso que roubei aos dez anos. Ainda me lembro que tive que matar uma velhinha lá em Temple. Agora me vem com essa?
— Não temos escolha, preto. Aqueles canas estão nos encostando contra a parede.
— Se não fosse pela interferência do chefe maior, eu já teria invadido a Grove e matado todos, até mesmo as crianças e idosos. Matar só um pequeno membro não vai funcionar em nada.
— Eu disse a ele, Kane. Mas o Tenpenny é teimoso. Ele quer virar Tenente em pouco tempo e para isso quer enfraquecer aos poucos aqueles idiotas.
— Chefe Maicon é muito caridoso com a Grove, puta que pariu. Mesmo ele sendo o fundador, ainda vivo, dos Ballas, eu não o respeito como deveria. Quem sabe poderemos dar um sossega leão no velho.
Little Weasel ficou com medo da ideia sinistra de Kane: matar o próprio líder e fundador da gangue. Claro que era loucura, mas Kane não pensava assim. De todos os 4 sub-líderes das facções, ele era o mais sanguinário e frio. Não media esforços até conseguir o que quer.
— Pelo menos estamos negociando com os Los Santos Vagos. Eles serão de grande ajuda já que os Varrios botaram muitos obstáculos. Weasel, meu caro, o mundo tá mudando, nego, precisamos expandir nossas relações. Os Ballas serão a maior gangue de toda Los Santos. Lembre-se do que digo huhuhuhuhu.
...
De volta à casa dos Johnson.
Kendl, negra, 20 anos, cabelos e olhos castanhos. A única irmã de Sweet era a única que nunca se meteu nos assuntos do bairro ou da gangue. Ela preferia levar uma vida pacata, trabalhando como garçonete no clube de dança perto de Idlewood com Little México. Tal emprego não agradava em nada o irmão mais velho.
— Já vai para aquele clube?
— Nem vem que hoje não estou muito boa. Mamãe, o CJ ainda não voltou.
— Filha, ele disse que estaria num negócio com a família Leone em Verona. Se tudo ser certo, ele vai trabalhar para um dos homens mais poderosos da costa leste.
— Oi. Mãe, poderia me fazer aquele achocolatado?
— Não, mãe. Bryan, vá e faça você mesmo.
— Sweet, seu chato. Eu tenho dinheiro para as despesas. Posso dar uns 200 dólares. O resto vou comprar roupas novas para mim.
— Só queria saber de onde veio o dinheiro. Mas tudo bem, não vou ficar mais aqui falando. Tenho coisas importantes para fazer.
Kendl já estava saindo de casa quando viu seu irmão chegar num ônibus. Carl chegou com uma jaqueta vermelha, calça jeans azul e tênis preto. A garota abraçou o rapaz assim que o viu. Carl Johnson era um pouco forte, mas ainda magro, tinha 1 metro e oitenta e cabelos curtos. Ele em nada lembrava ser um membro da Grove Street, não gostava de se vestir como gangster.
— E aí, baby.
— Carl, que bom que voltou — disse ela o abraçando.
— Até parece que eu fiquei longe por muito tempo. Foram só dois dias... Bem, agora sim provavelmente ficarei bem mais tempo longe. Fui contratado pela família Leone como segurança do filho do chefão.
— Mas que notícia maravilhosa! Até que enfim um homem dessa casa vai trazer dinheiro lícito. Carl, mesmo que você fique longe por muito tempo, eu te desejo a melhor sorte do mundo.
— Claro que deseja, é minha irmã e tem que desejar mesmo.
— Ai, seu bobo.
— Brincadeira. Quero ver só a cara do Sweet quando ele descobrir. Vou contar agora, antes da mamãe ir para o trabalho. Pretendo contar ao Smoke e ao Ryder também. Eles são meus amigos e parceiros e precisam ficar sabendo.
— Já vou indo. Meu ônibus vai já chegar — ela atravessou a pista.
Carl entrou em casa, viu Sean, Bryan e Beverly na mesa de jantar, deu um beijo na mãe e deu um bom dia aos irmãos.
— O que trouxe pra mim?
— Um boné bacana da Pro-Laps.
— Valeu, mano.
— E aí Sweet?
— Oi, cara. Como foi o encontro com o pessoal de Liberty?
Carl contou com um pouco de detalhes o que estava acontecendo desde a reunião em Verona. Todos ficaram sabendo da decisão dele em viajar para a costa leste e do emprego que os Leone ofereceram. Sweet, claro, não gostou, mas não quis reprovar o irmão.
Beverly levou Bryan à escola enquanto os dois ficaram em casa. Sweet chamou Carl para uma conversa sobre o caçula.
— Não pode ser! O Bryan metido com os Ballas?
— Estou perdendo a cabeça com isso. Sabe agora a minha preocupação? E nem posso sair da área ou vou desagradar as famílias.
— Não se preocupa, cara. Irei atrás do Bryan no dia que ele for traficar.
— Vai ser amanhã. Ele sempre vai nas terças, quintas e sábados, e amanhã é quinta. Sei lá, estou com mau pressentimento.
— Fica frio, parceiro. Pode deixar o Bryan sob minha responsabilidade. Ele vai ter que se abrir comigo de qualquer jeito.
To be continued...
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