Samurai
1 Capítulo 1
Andava calmamente como se o caminho nem sua paciência tivessem fim. Na verdade, forçava-se a acreditar nisso: encarar que estava aflito e inseguro por causa de outro homem, isso nunca!
Cansado de andar, sentara-se à beira da fonte que havia na praça. Um pequeno chafariz espirrava água para o alto. Ele sentia os respingos. Sabia que os cabelos e a camisa social ficariam molhados. Porém, não se importava. O que valia naquele momento era o sentimento agudo em seu peito. Aflição. Insegurança.
Como ele chegara a tal ponto não tinha a mínima ideia. Só sabia que aquele ser, que mais parecia um anjo, levara para bem longe o equilíbrio que tanto prezava. Aquele jovem entrara um dia em sua vida e desordenara tudo! Tudo que ele levara anos e anos para sedimentar. Sua fortaleza interior ruíra por causa de sorrisos e olhares. Sorrisos como borboletas, batendo alegres as asas em sua direção. Olhares como girassóis, sempre voltados para si. Não! A sua pessoa não poderia ser um sol que atraía aquele belo girassol! O sol na verdade era o outro, o jovem samurai metido em seu hakama, pronto, sempre pronto a desnudar sua katana afiada e vencer o jogo.
Tornara-se um coração aflito e inseguro desde que o conhecera. Um grande empresário, dono de um grande império financeiro, tornara-se um simples servo de um moderno samurai de sorriso franco, olhos claros como o luar, corpo esguio e ágil, inteligência veloz, e belo. Belo como o pecado. Pecado que não existia nas ações, nem no modo de vida do jovem, mas que morava em sua cabeça pervertida de adulto acostumado ao mundo.
Por isso, ele saíra para caminhar sem rumo definido, com uma calma aparente, enquanto sua mente corria na direção do alvo de seus pensamentos. Coração e mente alucinados num corpo que nega a todo custo o seu próprio desejo.
Seu cabelo agora está tão úmido quanto a sua camisa. Fatos sem importância, pois ele sente seu corpo como que anestesiado. Sobressalta-se quando o seu celular toca. Fica de pé e retira o celular do bolso da frente da calça. Um suspiro profundo sai sem querer quando ele percebe quem o chama. Tal como um adolescente pela primeira vez apaixonado, sente seu coração dar um pulo e, por um instante, tem a impressão que a noite amanheceu.
Ele atende a chamada:
- Tiers, aconteceu algo? Você deveria estar dormindo! Amanhã tem treino!
E do outro lado da linha, o outro responde de modo contundente:
- Preciso de você!
Fale com o autor