Samuel Farley e a Lança de Zeus Capítulo 1 e 2

1 Surpresas no primeiro dia de aula e O Novo Mundo


Notas iniciais
Esses são os dois primeiros capítulos do livro da saga "Samuel Farley" Espero que gostem e se divirtam :3 Para continuar lendo é só adquirir um exemplar entrar no site do livro e compre um :)

Capítulo 1

Surpresas no primeiro dia de aula

Eu estava sonhando com um homem parecido comigo e ele estava conversando com outro homem, só que mais velho e com barba comprida; eles estavam dizendo:

− Ele não pode saber, ainda é muito novo. − Disse o homem parecido comigo.

− Sinto muito, mas está na hora. − Respondeu o homem mais velho.

E antes de terminarem a conversa, minha mãe me acordou.

Não era a primeira vez que eu sonhava com isso, acho que desde que me entendo por gente eu sonho com isso, mas nunca liguei para esse tipo de sonho, apenas os ignoro.

Minha mãe se chama Samanta Farley. Nós vivíamos mudando por causa do seu trabalho. Ela era enfermeira voluntária, nunca ficávamos em um só lugar. Houve um dia em que tivemos que ir para o meio do mato, na floresta amazônica, mas, enfim, voltamos para nossa verdadeira casa, que fica na minha cidade natal, o Rio de Janeiro. Posso dizer que minha mãe não é muito bonita, mas ela tem uma beleza peculiar. Seu longo cabelo enrolado negro é muito bonito, assim como o meu, porem o dela é recheado de cachos ao contrário do meu que possuí menos cachos. Talvez fosse por causa de meu pai. Ela nunca me falou dele, para ser sincero eu nunca tive vontade de perguntar, mas voltando a minha mãe, ela tinha seu charme e por algum motivo, adorava usar vestidos, tinha um pra cada hora. Em todos os cafés da manhã ela usava um com rosas estampadas e seu avental era branco, com uma enorme rosa vermelha que ela mesmo bordou.

Como era de costume quando chegávamos em algum lugar novo ela sempre me pergunta com seu lindo e contagiante sorriso “Como está o ânimo para ir à nova escola” e hoje não foi diferente:

− Como está o ânimo para ir à nova escola? – Ela disse com um grande sorriso.

− Não muito bem, mãe. − Respondi ainda sonolento e desanimado, porque ninguém merece acordar às cinco horas da manhã para não chegar atrasado na escola.

Ela se sentou à mesa – sempre fazia isso quando queria me consolar ou falar algo sério − segurou minhas mãos olhou em meus olhos. E com preocupação na voz perguntou:

− Por que, Samuel? – Seus lindos olhos castanhos me encaravam e eu a respondi:

− Bem, para começar, ser aluno novo é um saco. Mesmo sendo início de ano, não conheço ninguém na escola e para fazer amigos, sendo novo, é um saco. E eu também já estou de saco cheio de me mudar. – Desabafei. Ela deu um sorriso e disse:

− Na próxima vez em que você falar "saco", vou te botar de castigo! Mas não se preocupe, vai dar tudo certo. Novidades são o que nos fazem felizes. E eu lhe prometo que esta é a última vez que nos mudamos. − O olhar dela era de sinceridade, então eu disse:

− Ok então. Já que a senhora promete... − Era difícil ela fazer uma promessa, então eu sabia que não era mentira.

− Claro! Mas agora tome seu café da manhã rápido, ou vai perder o ônibus. − Disse ela, levantando-se e me servindo um prato com um misto quente e um copo de leite com chocolate.

Comi tudo rapidamente, peguei minha mochila, dei um beijo em minha mãe e eu fui para o ponto de ônibus. O ônibus chegou em instantes e eu entrei, antes que o motorista fechasse a porta, ouvi um garoto gritar:

− ESPERA! DEIXE-ME ENTRAR!

A porta já estava se fechando. Então a segurei e o garoto disse:

− Obrigado.

− Não há de quê. – Respondi.

− Qual é o seu nome? − Perguntou ele. Achei meio estranho um desconhecido perguntar o meu nome, sem mais nem menos. Porém, respondi com uma pergunta:

− Samuel, e o seu?

− Carlos. − Respondeu ele, apertando minha mão.

Carlos era um garoto moreno, de cabelos encaracolados, usava uma calça jeans com uma blusa preta e um tênis branco, os seus olhos eram castanho-escuros.

− Ah! Prazer em conhecê-lo. – Afirmei.

− O prazer é todo meu! − Disse Carlos.

Ele entrou e nós sentamos nas cadeiras, que por milagre, estavam vazias. O ônibus percorreu mais ou menos uns dois quilômetros, o que foi bastante cansativo, já que o motorista dirigia de um jeito que se passássemos em qualquer buraco, seriamos arremessados no teto e como as poltronas não eram nada confortáveis a viajem foi mais desconfortável ainda.

O ônibus parou e assim que descemos descobri que Carlos estudava na mesma escola que eu, a Governador Henrique. A escola era grande, um prédio de quatro andares, havia um portão de aço com as siglas G.H gravadas em uma placa de metal brilhante. Quando entramos, uma mulher idosa nos entregou a programação da aula, em seguida o sinal tocou e Carlos disse:

− Ei, Samuel, venha aqui, a aula já vai começar.

− Já estou indo. Qual será nossa primeira aula, hein, Carlos? − Perguntei.

− História. Por quê?

Fechei a cara e disse:

− Eu odeio aula de História.

− Por que, Samuel?

− Bem, eu não gosto muito de saber sobre o passado. − Respondi.

Entramos na sala de aula. Era grande com cadeiras duplas. Sentamos juntos e o professor disse com um enorme sorriso no rosto (com certeza era novato):

− Olá, Alunos! Sejam bem-vindos!

O professor era diferente das outras escolas em que passei. Ele parecia ter uns vinte anos. Cabelo loiro, olhos castanho-claros e uma barba rala. Ele usava uma blusa social de manga dobrada, uma calça jeans e um sapato social. Ao contrário de minha última escola, onde o professor era careca e gordo, e adorava usar blusas e calças largas, que mostravam coisas que não deviam aparecer.

− Bem, alunos, eu sou o professor David Hunter, tenho trinta anos − me surpreendi ao saber sua idade − E para nossa primeira aula, falaremos sobre mitologia.

Sempre me interessei por mitologia, mesmo não gostando muito de história, só que minha mãe não gosta muito, ela diz que isso vai me atrapalhar nos estudos, mas pelo visto, vou tirar total na disciplina.

− Pra começar quero perguntas sobre a matéria. − Disse o professor.

− Professor, o que é mais interessante na mitologia? − Perguntou um aluno.

− Bem, em minha opinião, são os deuses que os antigos gregos cultuavam. − Respondeu ele.

O professor David falou sobre os deuses da mitologia grega; falou sobre Afrodite, a deusa da beleza; disse sobre Zeus, o deus dos deuses, e seus filhos gêmeos, Apolo e Ártemis; e disse que Ártemis era a deusa da caça e Apolo era o deus da luz, das artes, da adivinhação e que foi conhecido como deus da medicina, mas deu este lugar a um de seus filhos, Asclépio, que se tornou um deus. Ele também era chamado de Febo ou Hélio, deus do sol.

− Professor, os deuses gregos podem descer à Terra? − Perguntou uma garota atrás de mim.

− Claro que sim Maria, e eles também podem ter filhos com humanos! Essas crianças se chamam semideuses ou meio sangue. − Respondeu ele.

− Professor David, está na hora. − Disse Carlos se levantando.

− Ah! Sim, pode fazer, Carlos. − Disse ele.

Antes de eu perguntar o que Carlos ia fazer, apareceu uma varinha em sua mão e ele disse uma palavra muito estranha.

Da varinha que ele segurava, uma luz prata se expandiu por toda a sala, e todos os alunos ficaram paralisados, exceto David, Carlos e eu.

− Ei! O-o q-que é que está acontecendo? − Perguntei com a voz trêmula.

− Acalme-se, Samuel. Eu lhe explicarei tudo, mas primeiro, devemos sair daqui, antes que alguém chegue − Disse o professor David.

− Tarde demais, David! − Disse um homem que surgiu do nada. Ele estava encostado na quina da porta da sala. Tinha cabelo castanho, olhos pretos, e vestia um paletó preto, com um “A” e um “H” dourados gravados em seu bolso.

− Sísifo!? Como você fugiu!? − Perguntou David ao homem. Esse nome me era familiar, só não sei de onde.

− Bem, meu amigo, esse é um assunto para outro dia! − Disse Sísifo. − Agora me dê o garoto!

− Ei! Espera aí! Você está falando de mim? – Perguntei, confuso e assustado encarando-os.

− David ainda não lhe contou? − Perguntou Sísifo, olhando para mim.

− Cale-se, Sísifo! − Disse David olhando para ele com ódio nos olhos.

− Opa! Isso é jeito de tratar uma pessoa mais velha? – perguntou Sísifo com sarcasmo na voz.

Antes que Sísifo continuasse, David disse uma palavra em uma língua estranha, que eu acho que já havia ouvido antes.

E pelo que parecia, um raio branco saiu da mão de David e foi até Sísifo, porém, antes que o atingisse, ele esticou a mão com a palma aberta e falou, pelo o que parecia, na mesma língua em que David havia dito uma palavra mais estranha ainda, e o raio voltou mais forte, em direção a David, que o atingiu em cheio e foi jogado contra o quadro, chegando a atingir alguns alunos, que caíram no chão, na posição em que estavam sentados.

Sísifo deu um sorriso tenebroso e antes que um raio, ou coisa pior saísse de suas mãos, Carlos me puxou até David e disse uma outra palavra mais estranha ainda. Eu Só vi o rosto de Sísifo borrando e depois apenas escuridão. Quando percebi, nós já estávamos na sala de minha casa. Minha mãe ficou bem assustada quando chegamos de repente.

− Oh, meus deuses! Quero dizer: Deus! O que aconteceu, Samuel? Você está bem? − Perguntava minha mãe, checando meu corpo e apertando para ver se eu estava machucado.

Eu mesmo confuso disse:

− Mãe, eu estou bem, mas o meu professor está mal. E para de me apertar desse jeito, daqui a pouco a senhora é que vai me machucar!

− Espere aí. Esse é David Hunter? − Perguntou minha mãe.

− Sim, mãe, por quê?

Minha mãe ficou pálida, colocou a mão sobre a boca e se sentou no sofá da sala, seu rosto estava branco como a neve e ela sem expressão nenhuma me disse:

− Samuel, meu filho, creio que a hora de você saber a verdade sobre seu pai chegou.

− Como assim, mãe? – Perguntei confuso com o que minha mãe disse e com o que estava acontecendo.

Ela suspirou e disse:

− Não posso dizer! Eu não quero você nessa vida! − Disse ela com lágrimas nos olhos.

− Mãe, se tem algo a dizer, diga agora, porque hoje estava tudo normal, até eu conhecer um garoto que eu achava normal, mas que na verdade é alguém com uma varinha que paralisa todo mundo e um professor que solta raios das mãos. Não posso me esquecer de Sísifo, um maluco que está me perseguindo pra sabe lá o que quer fazer comigo, então diga logo. O que está acontecendo! − Enquanto desabafei, minha mãe ficou com cara de espanto e disse:

− Tudo bem meu filho, eu digo. Samuel, você é filho de um deus grego... o deus Apolo. − Eu fiquei espantado e incrédulo com o que ela acabou de me dizer, mas a única coisa que fiz foi começar a rir e eu disse:

− Sério isso?

Sua expressão não alterou, continuou séria e eu disse:

− A senhora não está brincado? Isso é mesmo verdade? Deus, mas como? Por quê? − Perguntei.

− Infelizmente sim meu filho, contarei o que aconteceu: eu tinha mais ou menos 28 anos, quando conheci um rapaz bonito, forte, de cabelos negros e olhos verdes, como os seus. Nós conversamos durante vários dias, nos apaixonamos e um dia ele veio à minha casa, e você sabe o que ocorreu depois. Eu só fiquei sabendo que ele era... − minha mãe suspirou e continuou − que ele era um deus, depois que você nasceu; e aí...

− Já que o papo de mãe e filho já acabou, eu acho que vou levar você, Samuel. − Disse Sísifo na porta da frente de minha casa.

− Mas, como você nos encontrou? − Disse Carlos.

− Como você acha que eu fugi do Tártaro? − Disse Sísifo, com tom de sarcasmo. − Agora, venha comigo, Samuel.

− NÃO! Ele nunca irá com você. − Disse minha mãe, indo para minha frente.

− Não torne as coisas mais difíceis. − Disse Sísifo.

− Eu disse e repito: ele não irá como você. – Insistiu minha mãe.

− Ah! Pare! Você não pode impedir o Destino! − Bradou Sísifo.

− Eu impedi até agora, e impedirei o quanto mais for necessário. − Disse minha mãe.

− Acho que não minha querida. – Sísifo apontou sua mão para minha mãe e disse mais uma palavra estranha e de sua mão saiu uma luz negra e atingiu minha mãe; ela caiu e não se ouvia mais nenhum suspiro dela. Eu queria ir socorrê-la, mas Carlos me puxou.

− Eu tinha que lhe levar vivo, mas você me estressou muito por hoje. − Disse Sísifo.

Mas, antes que Sísifo dissesse de novo aquele feitiço, Carlos puxou meu braço e disse novamente aquela palavra estranha. A última coisa que vi foi minha mãe morta de olhos abertos, olhando para mim.

Eu, Carlos e o professor David desaparecemos e ouvi o eco de Sísifo dizendo:

− Droga! De novo! − E pelo tom de voz, Sísifo estava fervendo de raiva.

Capítulo 2

O novo mundo

Acordei e percebi que estava em um campo gramado, olhei para o lado e vi uma floresta ao norte. Um castelo enorme com cinco torres ao sul e nessas torres, pude ver sombras de estátuas, pude ver também uma parte de um rio que saia da floresta e seguia até uma ponte que era o caminho para a entrada do castelo. Senti a mão de alguém no meu ombro. Me virei rapidamente e vi um homem velho. Fiquei olhando e ele me disse:

− Seja bem-vindo, Samuel Farley, filho de Apolo.

− Isso é um sonho de novo? − Perguntei ao senhor.

− Creio que não, senhor Farley. − Continuou o homem. – Agora, siga-me, por favor.

Eu o segui e perguntei:

− Quem é o senhor?

− Bem, eu sou Antenor, o serviçal da escola.

Eu estava andando ao seu lado e tomei um susto quando percebi algo que só via em histórias. O homem era da cintura para baixo um bode e da cintura para cima um homem idoso, com cabelos enrolados e dois chifres, um estava quebrado. Usava terno, gravata e óculos. Este homem que me guiava era um sátiro, eu nunca imaginei que criaturas como essa existiam e percebi que aquilo era definitivamente um sonho. Também reparei que no castelo havia um pátio e David estava conversando com outros adultos, eu, sem pensar, fui correndo para ele, porém bati em uma coisa parecendo uma parede invisível e fui lançado a um metro dali, o senhor Antenor me disse enquanto ia atrás de mim:

− Senhor Farley, o senhor está bem? Não seja imprudente. – disse Antenor.

− O que aconteceu? – Perguntei sem intender o que se passava.

− O senhor chocou-se contra o escudo da escola e Só eu e o diretor podemos abri-lo, então, com licença.

Fomos de novo para perto da parede invisível e o senhor Antenor riscou com sua unha enorme e disse:

− Pode entrar na escola dos semideuses.

Hesitei por um momento, mas fui adiante e percebi que não fui jogado para longe então despreocupado fui direto para o professor David e perguntei:

− Professor David, você já está melhor? Por que o senhor não estava comigo?

− Sim, Samuel, eu melhorei e eu ia lhe encontrar lá fora junto com Antenor porem surgiram problemas no caminho. Ah! Deixe de formalidade, pode me chamar de David.

− Ok! Profes... Desculpe! David. Onde está minha mãe?

David ficou pálido e disse com a voz séria:

− Bem, Samuel, não sei como dizer isso, mas... sua mãe está, ela... ela está morta.

Quando David disse aquilo, meu coração parou, eu senti uma agonia na minha alma, eu queria fugir dali, sumir, desaparecer, acordar daquele pesadelo e incrédulo disse:

− Não! Isso não pode ser verdade, você está brincando comigo, não está? Eu estou sonhando, não estou? − Disse a David, tentando segurar as lágrimas que já corriam como cachoeiras dos meus olhos.

− Odeio lhe informar, mas é real, Samuel. Sísifo lançou um feitiço que matou sua mãe. − Disse David.

− Não! Isso é mentira! Eu quero minha mãe de volta. Ela me prometeu que iriamos ficar no Rio. − Eu chorava e a agonia só aumentava. David, com um rosto tenso, me abraçou. Eu tentei sair do abraço, porém, não queria. O que eu mais desejava era alguém que me ajudasse e trouxesse minha mãe de volta.

− Ei, ei, ei Samuel, não se preocupe, tudo vai ficar bem. Olha, um homem sábio disse uma vez que “O que os deuses nos tiram hoje, é por que amanhã teremos o dobro”. − Quando David disse isso, enxuguei mas ainda minhas lágrimas enquanto soluçava. Ele continuou. − Então, não se preocupe, você vai encontrar pessoas que te amarão e que você vai amar no futuro. Agora está tudo bem?

Não, não está tudo bem, minha mãe está morta! Morta! Eu já não sei o que fazer, eu não quero acreditar nas palavras de David eu apenas quero voltar para casa e encontra-la preparando o almoço, eu quero sentar perto dela a noite e assistir a novela. Porem isso já não é mais possível, nunca mais será. Sai dos braços de David, enxuguei minhas lagrimas e disse:

− David... Foi Sísifo que matou minha mãe?

Ele balançou a cabeça confirmando eu não disse nada, apenas me silenciei, David percebeu meu estado triste e depressivo e disse:

− Então, agora que você está melhor, vamos à cidade comprar o material para você estudar na escola. Certo? − Ele estava com um sorriso para tentar me animar.

− David... E o corpo da minha mãe? ... − Perguntei.

− Não se preocupe, farei um tumulo digno pra ela, e você pode visita-lo quando quiser. − Ele me disse.

Suspirei de alivio, fechei meus olhos e tentei esquecer por um momento aquela horrível noticia, olhei para David e tentando aceitar o fato de eu ser um semideus eu disse:

− Obrigado David. Agora, como vamos fazer para voltar para o Rio de Janeiro?

− Que Rio de Janeiro o quê, Samuel? − David riu − Vamos à décima primeira cidade-país do Mundo Mágico.

− O quê? Que cidade é essa? Como a gente chega lá? E que escola é esse que vocês tanto falam? − Perguntei.

− Lá eu lhe explico, segure-se em mim − Obedeci e mais uma vez ouvi ele dizer uma palavra estranha.

Quando percebi, estava em uma cidade onde as casas e as roupas das pessoas não eram parecidas com as roupas normais, parecia estar vestindo roupas de séculos atrás, as mulheres estavam usando vestidos compridos, mas muito justo no busto e os homens estavam vestindo calções soltos debaixo de uma túnica. Aquilo era muito estranho para mim.

− David porque você voltou no tempo? − Perguntei.

− Não, Samuel! Nós estamos na décima primeira cidade-país central/maravilhosa/mágica, ou se preferir: “Imítheous, a cidade onde o passado e o futuro andam juntos”. As pessoas estão assim por que todos os anos é um século diferente, este ano é o século 15, quando chegamos ao século 21, voltamos ao século primeiro depois de Cristo. − explicou David. − Agora tome a lista do seu material. − Disse ele me entregando um pedaço de papel.

− Certo, isso é estranho, mas fazer o quê?! − Respondi.

Nós fomos caminhando lentamente, até que parei e gritei:

− David! − Chamei ele após olhar a lista.

− Sim?!

− Como eu vou comprar uma espada, uma armadura, uma varinha, três livros (tipos de magia, poções e mitologia), um familiar ou um animal de estimação mágico, como um gato, coruja, morcego, sapo, rato, cobra, dragão ou escorpião e um uniforme? − Perguntei tomando folego.

− Deixe comigo. Eu comprarei tudo, já os livros e o uniforme, a escola dará a todos os alunos.

− Mas você tem dinheiro para tudo isso? − Perguntei

− Eu não, mas você sim. − Respondeu ele.

− Como assim? Minha mãe só tinha uns R$300,00 na poupança. − Afirmei.

− Vamos ao banco de Atenas e eu lhe mostrarei. − Disse ele.

Quando entramos no banco, havia várias estátuas de uma mulher com um escudo na mão e uma coruja na outra, era Atenas, a deusa da sabedoria. Por dentro era tudo de mármore, com pedras preciosas incrustando o teto e os pilares de sustentação. No primeiro momento maravilhei-me com tanta informação e beleza, meus olhos cintilaram de tanta admiração e foi quando reparei bem nos funcionários do banco e abri um sorriso e disse:

− Duendes!?

− Sim! Você tem um bom conhecimento sobre criaturas. – Disse David.

− Obrigado. Eles trabalham no banco? − Perguntei

− Sim, duendes são ótimas criaturas para guardar dinheiro e coisas de valor inestimável. Nunca ouviu falar da lenda do pote de ouro no fim do arco-íris? – David perguntou.

− Já sim, porem eu achava que era só uma lenda – Afirmei.

David chegou perto de um balcão onde havia um duende sentado mexendo em um computador (coisa que estranhei no princípio, sendo que a Imítheous estava no século 15). David chamou a atenção do duende e ele olhou para mim de cima a baixo, arregalou os olhos e voltou-se para David, dizendo algo com uma voz fina e rouca.

− Em que posso ajudá-lo?

Ver duendes não era a coisa mais bela do mundo já que eles eram assustadores, seus olhos eram verde oliva e sua pele era branca. Todos tinham cabelos ruivos, bem aqueles que ainda tinham cabelo. Suas orelhas pontudas tinham fios de cabelos brotando para o lado de fora e seus grandes narizes lembravam os narizes de bruxas.

O duende que falou com David tinha um olhar arrogante e de desprezo, David apenas ignorou aquela arrogância e disse animado como sempre:

− Queria fazer uma retirada, por favor.

− Em nome de quem? – Perguntou o duende.

− Samuel Farley, filho de Apolo, deus grego das artes, adivinhação e arco-e-flecha e conhecido também por Febo, deus do sol. – Respondeu David.

− Certo, o duende guia os levará para o seu cofre. − Disse o duende apontando para uma enorme porta que havia um pouco mais a frente.

Um duende com um molho de chaves na mão apareceu e nos levou até a porta, ele a abriu e atrás dela havia um túnel com as paredes e o chão de pedras, onde havia um tapete de veludo vermelho que cobria o túnel inteiro. Nós andamos durante uns metros e ele parou na frente de uma porta enorme e nela estava escrito em grego, eu acho, a seguinte palavra “Ἀπόλλων”. O duende virou-se para David e disse:

− Senhor, sua chave.

David entregou o que na verdade era um cartão, o duende colocou sua mão na parede e uma tela tridimensional apareceu, e lá estava escrito: “Por favor, coloque o cartão na tela”, e o duende fez o que pedia e ele disse em seguida.

− Senhor, digite sua senha.

− Claro! − Respondeu David.

David digitou a senha e uma fechadura apareceu, o duende pegou uma chave dourada do molho colocou na fechadura rodou-a duas vezes e a porta se abriu. Lá dentro haviam milhares de joias, ouro, dólares, euros, reais, libras e várias outras moedas, olhei para David e disse:

− Nossa! Imagine o que poderei comprar com isso! Espera... Quem me deu esse dinheiro? – Perguntei.

David deu um sorriso e disse:

− Bem, todos os filhos de Apolo recebem uma quantia semelhante. – Respondeu David. − Duende, vim pegar aquela “coisa” para Ivanir. – Completou David.

− David quem é Ivanir? − Perguntei.

− Bem, Samuel, Ivanir e o diretor da escola dos semideuses.

Pegamos uma boa quantia de dinheiro e o duende guia nos levou até uma porta onde haviam dois emblemas: um raio, uma gota de água e no outro não havia nada, somente um círculo negro.

− Senhor, você trouxe os cristais? − Perguntou o duende.

− Claro! − David mexeu nos bolsos e disse: − Aqui está. − Ele entregou três cristais pequenos ao duende, um amarelo, um azul e outro preto.

O duende pegou os três cristais chegou perto da porta e estendeu-os em direção a ela, eles começaram a levitar e entrar nos símbolos. O amarelo no raio, o azul na gota d’água e o preto no círculo negro. A porta se abriu e David entrou, de repente apareceram dois leões, um estava com a pata sobre um globo e o outro estava protegendo um filhote.

− Quem és tu, mago, deus, besta ou semideus? − Perguntou o leão que estava com o globo.

− Sou David Hunter, um mago semideus. − Respondeu David.

− Pegue o que veio pegar e saia logo mago semideus! − Disse o leão que protegia o filhote.

David então pegou uma esfera que estava levitando no centro da sala e saiu. Assim que se afastou, a porta se fechou e se transformou em uma parede comum.

Saímos do Banco e perguntei a ele.

− David já que o pessoal desta cidade está no século 15, porque os duendes têm tecnologia do século 21? − Perguntei quando saímos do banco.

− Olha, Samuel, os duendes não são bobos, em vez de usarem tecnologia do século 15 eles usam do século 21 e também é pelo fato que Imítheous é a cidade onde o Passado e o Futuro andam juntos, enquanto alguns lugares têm costumes do século 15, outros têm do século 21. Além disso, tecnologia do século 21 é mais segura e confiável. − Respondeu ele.

− Agora, você pode me explicar o que é essa tal escola? – Perguntei.

− Claro, esqueci. Bem simplificando a Escola para Semideuses da América do Sul, a ESAS é um lugar onde semideuses nascidos ou residentes na América do Sul vão para estudar e aperfeiçoar suas habilidades magicas para que possam se defender de futuros perigos ou trabalhas em áreas especificas no Mundo Mágico. – Explicou David.

− Agora entendi. Bem, já que estou com este dinheiro, aonde irei comprar meu material? – perguntei.

− Bem, vá naquela loja. − Disse David apontando para a loja “Varinhas e espadas do Deus Hefesto”. – Tenho que resolver umas coisas, vá lá e me espere quando terminar – Completou David.

Quando entrei, estava bem suja, com terra e plantas com folhas secas espalhadas pelo chão, havia um balcão de madeira talhado com espadas, varinhas, criaturinhas e árvores em sua base. Atrás do balcão tinha uma enorme estante onde se encontravam pequenos caixotinhos de madeira, alguns possuíam detalhes esculpidos.

No canto direito da loja, haviam três espantalhos bem bizarros e do lado esquerdo, estava pregado na parede uma enorme pintura de corpo inteiro de um homem com barba grossa, pelos no peito, cabelo crespo e usava apenas uma tanga feita de couro de algum pobre animal, sua vestimenta era igual à dos bárbaros de cinema. Ele tinha um chinelo de tiras de couro e na moldura da pintura, havia uma plaquinha dourada que estava escrito: “Aquele que foi expulso do Olimpo e voltou como o criador das armas dos Deuses”. Eu sabia que aquela frase era familiar, pois já havia lido uma lenda sobre isso.

Sobre o balcão havia uma caixa registradora, tinha também um pedaço de sanduíche podre em um prato de porcelana com um pedaço da borda quebrada, não havia ninguém que parecesse o atendente da loja, então toquei uma campainha enferrujada que estava em cima do balcão.

De dentro da estante, apareceu um anão saindo de uma porta escondida. Ele era velho e se assemelhava com o homem da imagem, a diferença era que ele tinha uma longa barba. Ele estava imundo, vestia com uma camisa social com as mangas dobradas, suas mãos e a camisa estavam cobertas de terra. Não pude ver muito bem pelo seu tamanho, mas ele parecia usar uma calça social que estava sendo segurada por um suspensório. Ele bateu palmas para limpar a poeira, subiu em um banquinho que havia próximo ao balcão, colocou as mãos sobre o queixo e apoiou o cotovelo sobre o balcão e me perguntou:

− Deseja alguma coisa meu jovem?

− Eu vim comprar... É.... É.... − Eu meio sem jeito gaguejei.

− Varinhas e espadas! − Completou o anão.

− É. − Confirmei.

− Ótimo! E qual e o seu nome meu jovem? − Perguntou o anão já um pouco animado.

− Samuel. − Respondi.

− Muito bem, vamos começar por espadas, tudo bem para você? − Perguntou ele.

− Sim! − Respondi.

Ele foi até a estante e pegou um caixotinho, abriu o objeto e disse:

− Tome pegue esta, o nome dela é Citrino.

A espada era feita de bronze, seu cabo era de madeira com cobras esculpidas. Por curiosidade perguntei:

− Por que você chamou a espada de “Citrino”?

− Espadas de magos, semideuses e/ou cavalheiros possuem personalidades mágicas. − Respondeu ele dando um sorriso.

− E....? − Perguntei achando a resposta um pouco incompleta.

− E por elas terem personalidades, precisam de nomes ao serem chamadas para a batalha. − Disse ele.

− Como assim? Chamadas em batalha? − Perguntei ainda mais confuso.

Ele passou as mãos sujas sobre o rosto e disse:

− Pergunte ao seu professor! − Achei sua resposta meio ignorante, ou melhor, ela foi ignorante, mas ignorei. Irônico, não? E parei de fazer perguntas.

Peguei a espada ela parecia pesar uma tonelada, mal conseguia levantá-la, o anão olhou para mim e disse:

− Pesada demais não é?

− Um pouco, você não tem outra? − Perguntei

− Tenho esta, ela se chama Dórios.

Ele pegou outro caixote, só que esse estava debaixo da mesa, ele tirou a espada do caixote, ela era de metal, dessa vez com um cabo de bronze, peguei-a, não era tão pesada, ao contrário estava leve demais, vi os bonecos que estavam em minha frente e disse:

− Posso tentar acertar um deles?

− É pra isto que eles servem. − Disse o anão.

Cheguei perto dele e ataquei, só que a espada escorregou da minha mão e atingiu o braço do anão. Fui socorrê-lo e vi que começou a sangrar, mas ele passou a mão e o machucado sumiu, ele olhou para mim e disse:

− Meu jovem, venha aqui. – A expressão no rosto do anão era séria ele abriu uma porta que dividia o balcão e me chamou para dentro.

Atravessei o balcão e fui até ele e eu disse:

− O que foi?

− Já sei qual espada vai ser sua. − Disse ele. − Você conhece a lenda do rei Arthur, os cavaleiros da Távola Redonda, o Santo Graal?!

− Sim, mas ela não passa só de uma lenda, os fatos históricos dizem que nunca existiu. − Afirmei.

− Para humanos, é sim uma lenda, mas para nós, do Mundo Mágico, aconteceu! − Disse o senhor.

− Mas por que nós humanos não sabemos a verdade? − Perguntei.

Ele deu um daqueles sorrisos que damos a crianças pequenas, que disseram coisas erradas ou que não sabiam do que estavam falando. Ele se olhou para mim e disse:

− Primeiro: Você não é humano, mas possui um “coração humano”, ou seja, você possui somente os sentimentos humanos mas sua alma e corpo são de um semideus e segundo: Há verdades que os humanos ainda não estão preparados para saber! Mas vamos voltar ao assunto principal. Na história quando rei Arthur morreu sua espada, a Excalibur, desapareceu! − Disse o anão.

− Sim, e o que eu tenho a ver com isso? − Perguntei.

− Bem, eu estou com ela e que tal ela ser sua nova espada? − Disse o anão.

− Como assim? Eu não estou entendendo nada. − Perguntei abismado.

− Quando ela desapareceu foi por que o deus Hefesto, pegou ela e me entregou já que sou seu filho. − Disse o anão.

− Nossa isso e incrível, mas por que você me escolheu?

− Não, Não, Não! Eu não te escolhi, ela que te escolheu. − Disse ele.

− Excalibur, a espada me escolheu, desde quando espada escolhe? − Perguntei sem acreditar, seu hálito estava muito desagradável, ele deve ter exagerado um pouco na bebida.

− Como eu havia lhe dito, espadas de magos e semideuses possuem personalidade. − Disse o senhor.

Ele abriu uma porta escondida que estava atrás da grande estante e lá dentro tinha um escritório, bem limpo em comparação ao resto da loja, havia uma escrivaninha de madeira vermelha atrás dela, avistei uma janela enorme quadriculada, para tampar o papel de parede cor de vinho haviam duas estantes em cada canto da parede, elas chegavam até o teto, o senhor entrou na sala e pegou um caixote dourado que estava em cima da escrivaninha ao lado de outros dois, ele o trouxe para fora, fechou a porta e colocou o caixote sobre o balcão, quando abriu vi a Excalibur, uma linda espada medieval feita de metal com detalhes em dourado na lâmina e seu cabo era de ferro negro com um desenho de leão moldado nele.

− Magnífica!

− Sim, assim como todas as armas sagradas, Excalibur não se compara a nada feito pelas mãos de homens. − Respondeu o anão admirando Excalibur comigo.

− Bem, agora falta minha varinha? − Perguntei a ele.

O anão hipnotizado pela Excalibur, não me ouviu, então o toquei e ele disse acordando do transe:

− Bom, Samuel, algumas espadas escolhem seus donos, o que foi seu caso e elas têm uma varinha irmã que também é o seu caso. − Respondeu o anão.

− Então você quer dizer que terei que ficar com a varinha irmã de Excalibur? − Perguntei.

− É isto meu jovem! − Respondeu ele.

− Então onde ela está? − Perguntei ansioso.

− Bem aqui. − O anão tirou Excalibur da caixa e entregou a mim, eu a peguei e senti uma vibração boa. Excalibur estava sobre um forro vermelho, o anão tirou o forro e enrolado em outro pano estava a varinha, era entalhada semelhante ao cabo de Excalibur mas numa visão bem minúscula.

− Legal. – Disse eu a ele − Tem mais alguma coisa que devo saber?

− Sim, o núcleo dela é feita com asas de fada. É ela é a varinha irmã de Excalibur, por que foi Merlin que a criou a partir da energia mágica de Excalibur.

− Interessante, mas por que devo saber disso?

− Eu digo coisas que um dia terão sentido, então se acalme. − Achei estranho o que ele disse, parecia mais uma profecia, me assustou um pouco. Eu saí de trás do balcão e guardei Excalibur e a varinha no caixote. Ouvi a porta se abrir e vi que era David.

− Então vamos? – Ele disse.

− Para onde? − Perguntei

− Pegar os seus livros. − Respondeu David.

− Ok! Só espera me despedir do senhor que me atendeu.

Quando me virei o senhor não estava mais lá e Excalibur estava em uma sacola de papel. Saí da loja com David e já na rua de pedra perguntei carregando Excalibur e minha varinha:

− Onde irei encontrar os livros para comprar?

− Calma, é logo ali, mas antes, quero lhe perguntar: O que você acha de Dragões?

− Eu adoro dragões, principalmente os que cospem fogo, não me diga que eles existem aqui também? – Eu disse, rezando para que dragões existissem.

− Claro que existem, mesmo sendo raros. – Abri um sorriso quando David confirmou minhas expectativas –

– Existem lojas especializadas na venda de ovos destas criaturas maravilhosas e que cobram o olho da cara por um ovo, mas não importa, como presente eu estou lhe dando este aqui. − Assim que ele terminou de falar, surgiu um ovo prateado com manchas douradas de sua mão. Eu fiquei olhando maravilhado e David continuou − Não tenha medo, pegue-o. − Disse ele estendendo o ovo em minha direção.

Peguei o ovo sem contestar, ele começou trincar até que se quebrou por completo e saiu dele um pequeno dragão prateado com manchas douradas bem pequenas. O dragão estava olhando diretamente para os meus olhos, ele deu, pelo que parecia, um espirro e passou as patinhas sobre o focinho eu ri com o ocorrido e ele deitou em meus braços, seu corpo era quente e suas escamas eram macias como penas de aves. Ele era um pouco pesadinho, tive que encosta-lo no peito para conseguir segurá-lo melhor. Olhei para David com um sorriso e disse:

− Valeu David! Nunca imaginei que me daria um dragão, ele parece com o dragão que vejo nos filmes, sua cor é linda, mas pelo que eu li, dragões dourados e prateados, acho que é a melhor combinação, já que os dois são uma raça bondosa com pessoas, eu não sei como lhe agradecer por isso David, obrigado.

− Não tem o que agradecer Samuel! Pelo visto você entende de mitologia. Bem, tome esta gaiola e coloque-o aqui dentro – Fiz o que ele pediu e em seguida um carrinho de bagagens apareceu atrás de David − Tome seu carrinho de bagagens suas malas já estão ai com suas roupas novas e agora iremos até a Segunda Livraria de Alexandria. − Disse ele apontando para um prédio de três andares onde estava escrito em uma placa de madeira “Segunda Livraria de Alexandria”, no meio estava a estátua de Alexandre o Grande com uma armadura de elmo e com um pergaminho e sua mão esquerda e um gládio em sua mão direita.

− David, mas a biblioteca de Alexandria não foi destruída? − Perguntei.

− Você está certo, porém o Conselho da Magia e o Conselho dos Deuses, conseguiram restaurar 65% da biblioteca e agora eles a transformaram em uma livraria onde você pode alugar ou comprar os documentos que lá estavam, não posso esquecer-me de te dizer que na livraria há várias escrituras, documentos entre outros manuscritos importantes de todo o Mundo Humano e Mágico.

Entramos na livraria. Ela maior do que aparentava o chão era forrado com madeira vermelha. O teto possuía pinturas que eu já tinha visto em livros de história, se assemelhavam com pinturas de Leonardo e Michelangelo. Haviam por toda a livraria enormes estantes de madeira branca onde haviam livros, pergaminhos e até fitas VHS, eu fiquei maravilhado com o tamanho e era só o primeiro andar da livraria, pude ver uma escada de ferro que subia em espiral para o próximo andar. Uma mulher chegou de repente e disse:

− Bom dia, senhores! Sejam bem-vindos à Segunda Livraria de Alexandria, desejam algo?

− Os Livros da escola dos semideuses, por favor. − Disse David.

− Claro! Um segundo. − Assim que ela disse, ela desapareceu e voltou em um segundo como ela havia dito.

− Aqui estão eles, O Grimório de Magia por Brockovich, O livro de Poções pelos Gêmeos Satheler, O Bestiário Mitológico por Romanoff, O Grimório de Defesa contra magia negra por Bergamota. Senhores desejam algo mais? − Disse ela colocando os livros sobre meus braços.

− Não, é só isso, obrigado − Disse David.

Saímos da loja e perguntei a David:

− E agora? Como voltaremos à escola dos semideuses?

− Simples, de metrô. − Disse ele.

− Ok! Mas não estamos no século 15, trens foram criados séculos depois? − Perguntei.

− Sim, mas o metrô e só para transporte de alunos e professores da escola, de integrantes do governo e representantes de outros países. Lembra-se do que eu disse antes, enquanto alguns lugares estão no passado outros estão no futuro, por isso que Imítheous é considerada uma das quinze cidades-países centrais/maravilhosas/mágicas!

− Ah certo! Mas o que são cidades-países centrais? − Perguntei.

− Bem, cidades-países centrais são as cidades do tamanho de um país onde se encontram sedes dos conselhos e para se tornar uma cidade central a cidade deve ter uma peculiaridade mágica, possuir mais de três religiões principais e possuir harmonia entre essas religiões. E é claro, os conselhos devem aprovar a cidade para que a mesma seja escolhida. − Respondeu David.

− Cada vez que eu descubro mais sobre esse Mundo Mágico, mais eu passo a gostar dele! – Eu disse entusiasmado.

Andamos por ruas de pedras, eu com meu carrinho de bagagem que David havia me entregado antes e David carregando a sacola onde estava Excalibur.

A cidade possuía enormes prédios antigos e as pessoas que estavam nas janelas dos prédios e as que também estavam na rua, olhavam para mim como se tivesse vindo de outro mundo por causa de minhas roupas. Eu vi que as pessoas não jogavam suas fezes e urinas pelas janelas de acordo com um site na internet. O cheiro da cidade era até mais agradável que os das grandes cidades modernas.

Descemos para o subterrâneo e chegamos à estação do metrô, nela haviam vários túneis a minha esquerda na horizontal e em cima deles estava o número do trem, percebi que haviam marcas de trilhos no chão onde eu caminhava porem não vi sinal de nenhum tipo de veículo que andasse nele. Não tinha ninguém na estação apenas eu e David, assim que passamos pelo vagão de número 100 o celular de David tocou, continuamos andando enquanto ele dizia:

− Alô! ... Mas tem que ser agora... Estou meio ocupado... Certo, eu já chego ai.

− Samuel era o Ivanir, tenho que ir, pegue o trem de número 348.

− Certo, mas...

Antes de eu terminar David desapareceu só vi o bilhete do trem e a sacola onde estava Excalibur cair no chão.

− Droga! – Eu disse pegando o bilhete e a sacola do chão, eu olhei para cima e o número ainda era o 158.

“Agora que David sumiu como vou acha um trem com o número 348, com um carrinho de bagagem cheio de malas e um dragão atrás, já que estou ainda no número 158, mas que droga.” − Pensei.

Fui andando e só haviam túneis com números entre a casa dos 100 e 300.

− Por que não usa o carrinho, assim você chega mais rápido do que andando. – Disse alguém atrás de mim.

Quando me virei, vi um garoto de olhos verdes, cabelo loiro encaracolado e pele branca. Ele usava um suéter xadrez verde, com uma calça marrom clara. Ele tinha um carrinho de bagagem, onde havia uma gaiola para animais com um gatinho caramelo e muito peludo dentro.

− Sério! E quem é você pra saber tanto assim em? − Perguntei

Notas finais
2014 © por Thomas EdsonTodos os direitos reservados.É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem prévia autorização do autor.
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