Passei o sábado inteiro pensando se deveria ou não ligar para Bradley checando se ele estava bem. Me sentia estranha por saber que ele estava tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Uma parte minha sabia que eu nunca deveria ter ido a aquela festa,agora era como se a parte que eu lutei para adormecer nesse um ano separados tinha despertado junto com uma saudade enorme dele.

Juntei todas as minhas forças e manti o celular afastado de mim o dia inteiro, fiz coisas para me distrair como: limpar o apartamento e olhar dezenas de séries e filmes com pipoca.

Agora já estou deitada esperando o sono me contemplar com sua presença. Sinto o celular vibrar ao meu lado. Reluto para pega-lo,me convenso de que não é Bradley e que ele não teria motivos para entrar em contato comigo. Pego o celular.

03:26
Sábado,13 de agosto

01 nova mensagem de Bradley

Meu coração dispara, não quero me iludir. Desbloqueio o celular e abro a mensagem.

“Não consigo dormir. Tá acordada?”

Penso em ignorar. Sim, estou dormindo sim. Mas não consigo. Porra é o Bradley.

“Sim.”

Digito e envio. Guardo o celular rápido em baixo do travesseiro e fecho os olhos fingindo que nada aconteceu. Outra vez o celular vibra me alertando de que não estou sonhando.

“Já esta deitada? O que você acha de darmos uma volta pela cidade?”

Ok, por essa eu não esperava. Li e reli diversas vezes para ver se tinha entendido o que estava escrito. Digitei inúmeras respostas diferentes, cheguei a conclusão de que se iríamos tentar ser amigos não teria problema sairmos,mas não vou negar que se acontecesse algo a mais eu não iria ficar triste. Realmente nunca fui boa nessa parada de “não me iludir”.

“Pode ser. Passo ai em 20 minutos.”

Levantei e fui colocar uma roupa, de noite é sempre mais frio que o normal. Passei um pouco de maquiagem, não sou o tipo de pessoa que se sente confortável sem maquiagem, principalmente meu amado rimel. Peguei as chaves do carro e fui,meu estomago já estava dando voltas de nervosismo.

Quando cheguei ao hotel mandei uma mensagem para Brad avisando que estava ali. Estava distraída mexendo no celular quando ele bateu na janela, baixei o vidro. Com um sorrisinho ele falou: — Me deixa dirigir.

— O que? Não. Por quê?

— Por que você não sabe o caminho de onde vamos ir.

— É só você me dizer. — Falei fazendo uma cara como fosse obvio, Brad só revirou os olhos.

— Passa logo para o lado, Maya. Tá frio aqui fora. — Destranquei o sinto e passei para o banco do carona. Brad entrou no carro rindo da minha cara.

O caminho foi tranquilo, liguei uma musica e Brad reclamou do meu péssimo gosto musical.

— Você sabe que eu escuto as musicas sua banda também né? — Falei erguendo uma sobrancelha e o olhando pelo canto do olho. Ele riu e estalou a língua.

— Para tudo tem uma exceção, não é mesmo?

Depois daí o nervosismo que estava revirando meu estomago foi se dissipando, éramos Maya e Bradley novamente. Duas pessoas normais conversando e brincando, uma das coisas que sempre gostei em Brad é que me sinto a vontade na sua presença, sem estar me importando de parecer inteligente ou qualquer outra coisa. Só Maya,sem mascaras.

Estacionamos o carro e caminhamos mais um pouco até chegar às escadas do The MET (Metropolitan Museum of Art). Como era de madrugada o lugar estava vazio, colocamos os assuntos em dia, afinal muita coisa aconteceu nesse um ano separados. Eu e Brad sempre fomos melhores amigos antes de namorados então manter a conversa não foi tão difícil assim

Depois de um tempo ali sentados começou a esfriar, então começamos a perambular se equilibrando pelos degraus. Chegamos ao final da escada e que aí o que eu temia aconteceu, o assunto se esvaiu e um silencio desconfortável tomou conta do lugar.
Um de frente para o outro,ele um degrau abaixo o que me ajudava a ficar da sua altura. Nós nos olhávamos como se fossemos nos beijar.

Clichê demais.

Perigoso demais.

Não me mexo e Brad também não. Cada movimento agora é minuciosamente calculado e decisivo. Parte de mim quer agarra-lo e beija-lo, outra parte grita com urgência para me afastar e não cair nessa de novo.

Solto o ar e sorrio,baixo a cabeça e decido não fazer nada. Me afasto e subo mais um degrau,chegamos a entrada do MET. Coloco as mãos no bolso do moletom e falo:

— Deveríamos vir aqui quando estivesse aberto.

Bradley me segue até a entrada concordando, ele para em minha frente, sério. Algo me diz que a minha troca de assunto não foi bem sucedida. Sinto sua mão em meu rosto, ele se prepara para falar algo, mas nenhum som é emitido. Antes que o mesmo consiga dizer algo eu o interrompo.

— Brad... — Coloco minha mão por cima da sua a fim de tira-la dali, mas ele a segura.

— Não. Eu não consigo... Não consigo fingir que sou apenas seu amigo quando sei que já fui bem mais que isso.

Nos beijamos com urgência, tudo o que me dizia para sair correndo dali foi silenciado nesse momento. Éramos apenas nós dois num emaranhado de saudade e amor que fora sufocado por muito tempo.

Afastamos-nos um pouco e só ai consegui voltar a respirar direito.

— Eu senti tanta falta disso. — Bradley disse.

Apenas concordei com a cabeça sem falar nada, não queria acabar com aquele momento. O resto da noite agimos como se fossemos namorados novamente, era como se todas as brigas e magoas do passado tivesses desaparecido. Ficamos mais um pouco ali e seguimos para minha casa.