Same to you - The Vamps
6 Capítulo Seis
Bradley
Três anos atrás.
Dezembro.
Neste final de semana a banda vai tocar em um festival perto de Birmingham, então avisei os meninos que iria antes para passar em casa alguns dias. Cheguei e fui direto ver minha família, mas o meu principal objetivo não era esse. Descobri uma biblioteca perto dali com algumas obras antigas, algumas que nem eram mais vendidas. Bem o tipo de coisa que Maya gosta, então eu pensei em leva-la para conhecer o lugar.
É sexta feira e Maya estava na aula esse horário, peguei algumas coisas e fui para faculdade espera-la. Perto do horário de acabar sua aula mandei uma mensagem dizendo que estava lá esperando por ela. Não demorou muito para que ela aparecesse.
— O que você está fazendo aqui Bradley? Aconteceu alguma coisa?
A Maya que veio ao meu encontro parecia preocupada, acho que ela realmente pensou que algo tinha acontecido. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo bagunçado e ela ainda estava com seus óculos de grau. Não segurei o riso.
— Por que você tá rindo?
— Não aconteceu nada Maya, apenas vim mais cedo para casa e pensei que nós poderíamos dar um passeio.
— Não acredito que você me assustou para nada Bradley. — Ela respirou fundo tirando a cara de brava. — Tudo bem, aonde vamos?
— É surpresa, mas você vai adorar. Eu prometo.
Entramos no carro e seguimos caminho até a biblioteca, Maya ligou o som deixando um clima agradável.
Já era de tarde quando saímos e segundo a rota que vi nos mapas a cidadezinha onde ficava a biblioteca não era muito longe dali, porem já estava anoitecendo e ainda não tínhamos chegado. Maya já estava começando a ficar inquieta perguntando onde estávamos indo, não queria admitir que estávamos perdidos,mas em certo ponto não consegui mais disfarçar.
— Brad, você tem certeza que sabe onde está indo?
Suspirei e estacionei o carro no acostamento, o sol já tinha se posto e a escuridão tomava conta do céu agora estrelado.
— Não. Acho que errei o caminho. — Maya riu.
— Você acha? — Olhei para ela que estava me encarando com uma sobrancelha levantada. — Tudo bem, vamos ver o que podemos fazer. — Ela disse pegando o celular.
Apenas relaxei no banco enquanto ela procurava alguma solução, estava decepcionado por não ter conseguido chegar onde queria.
— Ok, segundo diz aqui se seguirmos mais um pouco vamos encontrar um hotel,onde eu espero muito que tenha um restaurante porque eu to morrendo de fome.
— Vamos lá então. — Disse ligando o carro e partindo.
Não demorou muito para que encontrássemos o lugar agora que Maya estava de "copiloto". O restaurante não era dos melhores, mas já deu para matar a fome. Pedimos hambúrgueres com batata frita.
— Então... Onde você queria me levar antes de se perder? — Maya perguntou enquanto colocava uma batatinha na boca.
— Em uma biblioteca que descobri, diz que tem obras que não são mais publicadas. Achei que você fosse gostar.
— Sério? Eu ia amar! — Acenei com a cabeça concordando, — Mas tudo bem, passar um tempo com você sem ser por celular já valeu a pena. — Ela sorriu.
E foi quando ela sorriu que eu notei que algo tinha mudado. Estar perto de Maya me fazia bem, quando olho para o seu rosto sinto que quero protegê-la de tudo que possa de alguma maneira machuca-la.
Maya não era mais somente minha amiga, eu me apaixonei rápido demais por ela. Tão rápido que nem eu mesmo notei.
Resolvemos passar a noite no hotel, já estava muito escuro para voltarmos e nem sabíamos direito onde estávamos. Fui acertar a entrada e pegar a chave do quarto na recepção enquanto Maya esperava na área de lazer. Quando terminei fui até ela.
Ficamos na varanda antes de irmos para o quarto que não parecia muito novo ou confortável. Uma brisa suave deixava o lugar mais aconchegante. Encostei-me a sacada e fiquei observando as estrelas, senti Maya chegar ao meu lado.
— Brad.
— Hum?
— Você está bem? Não tem problema que não conseguimos chegar até a biblioteca. É sério.
— Sim. — Fiquei um tempo em silencio, continuando em seguida. — Você tem noção do quão rápido as coisas podem mudar? — Perguntei ficando de frente para ela.
— Como assim?
Eu observo o castanho dos seus olhos à luz da lua, eles parecem as estrelas acima de nós. O vento batia suavemente em seus cabelos, coloquei minhas mãos em seu rosto e a beijei.
— Estava me perguntando quando isso aconteceria. — Maya diz depois que nos separamos com um sorriso no rosto.
Ficamos mais um pouco por ali na varanda e fomos para o quarto dormir.
Acordei em um salto, assustado e com a luz do sol em meus olhos, procurei rapidamente meu celular para saber que horas eram.
10:15
Sábado,13 de dezembro
Merda! Tinha me esquecido do festival, teria que estar lá até o meio dia para ensaiar com o restante da banda. Fui ao banheiro e arrumei minha roupa antes de acordar Maya.
— Maya! Maya! Nós precisamos ir! — Disse enquanto a balançava de leve.
Ela sentou na cama ainda sonolenta e foi direto para o banheiro. Não demorou muito para sair já arrumada.
— Pronta? Precisamos partir.
— Por que tanta pressa?— Ela perguntou confusa.
— Preciso estar no festival até o meio dia para a passagem de som.
— Festival? Você vai cantar em um festival hoje e não tinha me avisado? Meu Deus, Bradley! Eu vou dar na sua cara. — Ela me encarou brava com as mãos na cintura.
Tive que rir.
— Você teria coragem? — Disse tentando fazer uma cara fofa enquanto continha o riso. Maya sorriu desfranzindo a testa.
— Provavelmente não. — Disse enquanto se aproximava, senti suas mãos em meu rosto e um selinho rápido foi depositado em meus lábios.
Em seguida pegamos a estrada em direção ao festival. Chegando lá Maya ficou no backstage durante a passagem de som e o restante do show. Não demonstramos nada em publico naquele dia, no máximo alguns beijos e selinhos roubados enquanto estávamos sozinhos.
A sensação de olhar para o cantinho do palco e vê-la me observando fazia tudo parecer completo. Na verdade, nunca pensei que tivesse algo faltando até ela chegar em minha vida. Tinha a banda e estava sempre ligado a musica, mas ela vinha me mostrando que a vida era bem mais que isso.
O publico cantava junto com nós, a energia ali estava incrível. Eu não precisava estar olhando para saber que o sorriso dela iluminava ainda mais aquele lugar. Eu estava feliz como nunca estive antes.
Nunca marcamos uma data fixa para o inicio do nosso namoro, mas depois desse dia nada voltou a ser como antes.
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