Same Old Games

31 You are the only exception...


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PDV Gabriela

Já faziam 3 dias desde toda aquela confusão com Liam, Harry e Natália. Eu não fui pra escola em nenhum desses dias. Grande parte da escola já devia saber do ocorrido e eu não queria que as pessoas me olhassem diferente, não queria que elas me julgassem por algo que eu não tinha feito.

Como eu sabia que elas sabiam? Porque eu percebi que até mesmo Marleine e Victória estavam diferentes comigo. Elas falavam baixo por aí e quando eu aparecia paravam de conversar abruptamente. Sabe o quanto dói ver suas melhores amigas fazendo isso?

Eu não procurei Harry nesses dias. Ele com certeza estava se sentindo como eu, mas foi por estarmos muito próximos que toda essa confusão aconteceu e eu não queria trazer mais problemas à ele. Meu melhor amigo já sofria o bastante.

Sábado à noite. Esse seria um dos dias em que eu sairia com Liam ou simplesmente iria na casa dele pra assistir um filme e passar a noite lá. Seria.

Não era a primeira vez que eu me perguntava o que Liam podia estar fazendo agora e se pensava em mim, se lembrava das mesmas coisas que eu estava lembrando. Não, eu não conseguia mais chorar. Tinha chorado tanto nas últimas 72 horas que acho que perdi a capacidade de produzir lágrimas, pelo menos por um tempo. Ou talvez eu estivesse me conformando com a dor.

Ele nem ao menos quis conversar, nem ao menos quis saber a verdade. Dizer que não tentei procurá-lo é mentira. Liguei várias vezes, mas ele não atendeu. Soquei sua porta, mas o máximo que consegui foi fazer com que Niall me pedisse desculpas e me desse um abraço.

Por fim, cansei de ficar olhando pro teto e ouvindo as gotas de chuva baterem na minha janela enquanto eu pensava nessas coisas e decidi tomar um copo d’água pra me acalmar.

Desci as escadas e deparei com Marleine e Victória conversando na sala. Elas pararam de falar assim que me viram, como de costume nos últimos dias.

Apenas respirei fundo e tentei ignorá-las, o que tornava as coisas ainda piores. Tomei um copo d’água e me virei pra voltar pro meu quarto, coisa que eu já estava acostumada a fazer. Desde a briga com Liam, eu não tinha saído de casa.

- Gabi, nós precisamos falar com você. – Victória disse.

Me surpreendi porque era a primeira vez que ela falava em três dias. Pelo menos comigo.

- Sobre o que vocês querem falar?

Minha voz saiu rouca e falha. Foi só então que eu percebi que tinha passado todo esse tempo sem falar nada, com ninguém. Tinha até esquecido do som da minha própria voz.

- Sobre o que aconteceu entre você... e o Liam. – ela respondeu.

É claro que era sobre isso que elas queriam conversar. Infelizmente, eu não conseguia falar uma palavra sobre o assunto.

- Não quero falar sobre isso. – eu disse virando as costas e com a intenção de subir as escadas, mas a voz de Victória me impediu.

- Mas, você vai falar. Porque nós temos o direito de saber o que você fez.

Parei no segundo degrau, sem conseguir acreditar no que ela tinha dito. Me virei para encará-las lentamente e lhes lancei meu pior olhar.

- Como assim, o que eu fiz?

- Bom, você sabe... – ela gaguejou – Você não apareceu na escola por três dias, Liam parece viver em um mundo próprio, Natália e Harry nem olham mais um na cara do outro. As pessoas começaram a falar.

- E o que exatamente elas falaram sobre mim, posso saber?

Eu encarava Victória fixamente, mas já sabia a resposta antes mesmo dela dizer.

- Que você traiu o Liam com o Harry.

Ela disse aquilo como se não pudesse acreditar, mas tinha suspeitas pra que fosse verdade.

- Quem disse isso?

- A Megan.

Eu ri sem humor nenhum e me virei pra voltar a subir os degraus.

- Isso é verdade?

- Victória, desde quando alguma coisa que a Megan diz é verdade? – eu me virei pra ela.

- Mas, ela tem argumentos, Gabi. E eles são bons.

Fiquei completamente indignada.

- Eu não acredito que você está desconfiando de mim.

- Não estou desconfiando, Gabi, mas isso faz sentido. Você e Harry passam muito tempo juntos, ele aparece aqui em casa de madrugada, ele entra só Deus sabe por onde e depois sai pela porta da frente e nós nem sabemos o que ele veio fazer aqui. Não pense que nós não vemos quando ele sai, porque nós vemos.

- Ele é meu melhor amigo.

- E o que ele tanto esconde que não pode nem ao menos entrar pela porta da frente e pedir pra falar com você?

- Isso é assunto meu e dele.

Foi a vez dela de rir.

- Viu? Você tem segredos com ele.

- Escuta aqui, por que isso de repente? Você me conhece à anos, sabe que eu nunca faria uma coisa dessas, muito menos com o Liam. Eu amo o Liam e nunca, jamais, queria vê-lo sofrendo desse jeito. Tudo o que aconteceu não passou de uma armação da Megan.

- Armação? Por que ela armaria pra vocês?

- Eu não sei. Inveja?

- Ah, por favor, Gabi. Isso é ridículo.

- Sabe o que é ridículo, Victória? – eu disse descendo os degraus e apontando o dedo pra ela – Ridículo é você acreditar na vadia do colégio, a garota que você dizia que odiava tanto, e desconfiar de quem você dizia que era sua melhor amiga. Alguém que você jurou que amava e agora condena sem nem ao menos saber o que aconteceu.

- Me conta, então. Me conta o que aconteceu. Me conta porque você e o seu “amiguinho” Styles precisavam conversar à sós quase todos os dias, até mesmo quando você tinha acabado de voltar de viajem com o Liam.

As lágrimas queimaram meus olhos novamente, mas dessa vez não eram de dor ou tristeza. Eram de raiva.

- Quem é você?

- Não, Gabi. Quem é você? Porque a Gabi que eu conhecia não era uma vadia que saía por aí com dois garotos ao mesmo tempo.

Não me controlei. Dei um tapa no rosto dela. A raiva subiu por todo o meu corpo e foi descarregada na minha mão. Marleine se levantou, assustada, mas Victória riu.

- Vai, bate. É o que acontece quando as pessoas jogam a verdade na sua cara.

- Victória, chega. Ela não merece tudo isso.

- Merece sim, Marleine. Porque ela precisa acordar e perceber que isso aqui não é o Canadá, e não é só porque ela não tem a mãe dela por perto pra levar uma bronca que ela pode fazer o que quiser com quem quiser.

- CALA A BOCA. – eu berrei, sem conseguir controlar as lágrimas.

- Victória, já chega. – Marleine disse com a voz firme.

- Fica esperta, Mar. Você não me disse que o Louis à pegou no colo outro dia. Ele também não vai demorar muito.

- E quanto à você, hein? Namora com o Niall, mas ainda ama perdidamente o Justin. – eu disse.

- Eu sou fã dele, é claro que o amo.

- Fã? Não conheço nenhuma fã que fica conversando com o ídolo até às 4 da manhã e se despede dele como se estivesse falando com o seu namorado. Você não tem moral nenhuma pra falar de mim, Victória. Nenhuma.

Ela ficou sem fala, sem reação. Parecia que tinha levado outro tapa e eu percebi que estava certa, mesmo sem ter a intenção de ter falado aquilo. Eu só queria que ela calasse a boca, mas acabei descobrindo algo maior.

- Você me dá nojo. – eu disse me afastando e indo em direção à porta.

- Calma aí, aonde você vai? – Marleine perguntou.

- Pra longe dessa casa. – bati a porta com força e saí.

A chuva não tinha melhorado nem um pouco, mas eu não me importava. Parecia loucura sair de casa no meio de um temporal, sem rumo ou direção, mas tanto fazia pra mim. Eu só precisava ficar longe de todas aquelas pessoas que me julgavam.

Niall e Louis ainda acreditavam em mim. Eu poderia falar com eles, mas eles moram na mesma casa que Liam e isso não seria nem um pouco legal. Zayn preferia não tomar partido porque ele era o melhor amigo de Liam e não queria perder sua amizade. Mas, ele nunca me olhou estranho ou me acusou de algo. Apenas ficava na dele.

Todos ainda conversavam com Liam, todos ainda falavam com Natália. Todas as minhas amigas tinham a apoiado e me virado as costas como se fossem donas da verdade. Eu não me daria o trabalho de explicar ou as coisas acabariam do mesmo jeito que acabaram agora.

Eu não estava totalmente sozinha nesse sentido. Todos os amigos de Harry agora apoiavam Liam. Nem olhavam mais na cara dele, com excessão de Louis. Melhores amigos sempre permanecem, afinal. Com excessão das minhas.

Sem que eu me desse conta, tinha parado em frente à uma casa que eu conhecia. Sei que isso talvez me trouxesse mais problemas depois, mas eu precisava conversar com alguém que não me julgaria porque essa pessoa tinha a certeza de que eu não havia feito nada. Talvez duas pessoas magoadas pudessem encontrar um pouco de paz juntas.

Toquei a campainha sem pensar duas vezes e esperei. A chuva e o frio não me incomodavam mais. Talvez nunca tivessem incomodado.

- Gabi? – Harry abriu a porta surpreso.

- Hey. – eu disse, sem graça.

- O que você está fazendo aqui? Ficou louca? Tá chovendo, você pode pegar um resfriado.

- Você disse que eu podia contar contigo se precisasse. – eu disse com as lágrimas queimando meus olhos. – Acho que eu preciso.

Harry não disse mais nada, apenas me puxou com força pra dentro de casa e me abraçou. Deixei que minhas lágrimas molhassem sua camisa, enquanto ele afagava meus cabelos, tentando me acalmar. Ele não se importou com o fato de eu estar molhando toda a sua roupa ou o chão da sua casa, parecia precisar de um abraço tanto quanto eu porque a cada soluço ele me apertava mais forte.

Queria abraçar Harry pra sempre porque ele me transmitia uma segurança fora do comum. Aos poucos eu fui me acalmando e decidi soltá-lo antes que ele ficasse tão encharcado quanto eu.

Ele me soltou, mas continuou segurando meus braços.

- Desculpa por isso. – eu disse, tentando sorrir.

Ele deu um sorriso de lado e preocupado.

- Não se preocupe com isso. Antes de me contar o que aconteceu, você precisa de um banho. Vem comigo.

Ele me puxou pela mão e me levou até o elevador que daria no andar de cima, mas quando as portas se abriram para o hall de entrada eu não saí.

- Harry, e seus pais? Eu vou molhar a casa toda e eles nem me conhecem.

- Eles saíram de viajem ontem e só voltam depois do ano novo, não se preocupe. Depois eu limpo o chão, pode ficar tranquila.

Subi as escadas, ainda com Harry me puxando pela mão, e nós entramos no quarto dele. Não era enorme, mas era espaçoso e bem organizado. Organizado demais pra ser do Harry. Ele começou a abrir as gavetas e as portas do guarda-roupa.

- Tem um banheiro no fim do corredor, você pode tomar banho lá. Eu vou tomar banho nesse que tem no meu quarto.

Banheiro no quarto. Rico? Imagina.

- Harry, só temos um problema.

- Qual? – ele disse se virando pra mim.

- Eu não tenho o que vestir.

- E eu me visto com o quê? Vento? – eu ri – Toma, pega essa calça de moletom ou uma boxer minha se estiver com calor. Vai ficar grande mesmo. Tem uma nova na gaveta de cima que eu ainda não usei, pode ficar com ela se quiser.

Abri a gaveta e peguei a boxer.

- Camiseta?

- Toma, usa essa. – ele abriu o guarda-roupa me entregou uma camiseta preta. Dos Ramones.

- Harry, é a sua favorita.

- E...?

- E daí que você morre de ciúmes dessa camiseta. Vai realmente me deixar usá-la?

- Vou te contar uma história. Uma vez eu disse que só deixaria uma garota usar minha camiseta dos Ramones se eu realmente amasse ela. Todo mundo pensa que podia ser algo como minha namorada ou a menina com quem eu fosse me casar, mas não é bem assim. Você é minha melhor amiga, Gabi, e eu realmente te amo. Se você não usar essa camiseta, acho que ninguém mais usa.

Meus olhos se enxeram de lágrimas e eu sorri. Nunca imaginei que Harry pudesse falar algo assim pra mim. Nunca imaginei que eu significasse tanto. Ele abriu um sorriso radiante, como só ele sabe fazer.

- Olha, eu só não te abraço de novo porque eu vou te molhar mais ainda e eu preciso de um banho antes de ficar resfriada.

Ele riu e me empurrou.

- Vai logo, então. Não quero minha melhor amiga doente.

Tomei um banho bem demorado, tentando afastar toda a dor e todos os pensamentos ruins da minha cabeça. Coloquei a camiseta dos Ramones e a boxer do Harry, que ficou do tamanho exato de um shorts, e voltei pro quarto dele.

Harry estava deitado na cama, com os cabelos úmidos, usando jeans pretos e uma camiseta branca. Mesmo que eu não devesse pensar uma coisa dessas... é, ele é gostoso.

- Oi. – eu disse entrando e fechando a porta.

- Hey. – ele disse se levantando e vindo até mim.

Harry me olhou de cima a baixo e sorriu.

- Viu, eu sabia que ia servir em você. Você é baixinha.

Dei um tapa no braço dele.

- Não tenho culpa se você tem o tamanho de uma jamanta.

Ele ergueu uma sobrancelha e deu um sorriso confuso.

- O que é uma jamanta?

- Não faço ideia, mas sei que é grande.

Ele riu e depois me abraçou novamente.

- Eu te amo, sabia?

Ficamos em silêncio por um tempo, até que eu senti algo molhando minha camiseta. Pensei que fossem meus cabelos, que estavam molhados, mas percebi que não era isso quando Harry soluçou.

Eu o afastei pra olhar em seu rosto, mas ele manteve a cabeça baixa.

- Harry? Harry, olha pra mim. – peguei em seu queixo e o levantei.

Seus olhos estavam vermelhos e lágrimas escorriam por eles.

- O que aconteceu? Você estava rindo até agora. – eu perguntei.

- Nada. É só que...

Ele abaixou a cabeça e voltou a chorar. O levei até a cama, ele se sentou de um lado e eu do outro.

- O que houve, Harry? – perguntei me sentando de frente pra ele.

- Eu acabei com a sua vida, Gabi. Não só com a sua, mas com a do Liam e a da Nath também. Cara, eu amo vocês tanto e olha só o que eu fiz. Eu nem merecia que você estivesse aqui comigo agora. Me sentiria menos culpado se você tivesse virado as costas pra mim como todos os outros. Eu não presto, Gabi.

- Não presta por quê? Porque cometeu um erro? Porque estava bêbado e não conseguiu resistir à uma garota que estava se jogando pra você? Harry, nós dois sabemos quem devemos culpar por isso e não é você.

- Sou eu, sim. Se eu tivesse conversado com Liam antes, nada disso teria acontecido. Você estaria na casa dele, como sei que costuma fazer, e eu estaria trocando sms com a Natália. Acho que se eu enfiasse uma faca no meu peito não doeria tanto quanto está doendo agora.

Aquilo conseguiu acabar com o que ainda sobrava de mim. Ele se culpava tanto e sofria cada vez mais por isso.

Harry abaixou a cabeça e voltou a chorar. Sem dizer uma palavra, me sentei ao lado dele e encostei sua cabeça no meu ombro, o abraçando em seguida. Harry me abraçou com força pela cintura e deixou que as lágrimas escorressem sem vergonha.

Eu odiava que ele se sentisse daquele jeito. Queria que ele soubesse que eu não o culpava por nada, que eu nunca teria raiva dele, mas as palavras simplesmente não saiam. Queria dizer que tudo voltaria ao normal, mais cedo ou mais tarde, mas eu não sabia se isso era verdade. Então decidi ficar quieta. Talvez o silêncio fosse a melhor opção no momento.

Me esforcei pra não chorar também. Precisava ser forte agora, precisava fazer Harry se sentir melhor e não pior do que já estava.

- Ei, olha pra mim. – eu disse com a voz fraca.

Ele se levantou devagar e olhos nos meus olhos.

- Lembra quando você me deu isso – segurei a corrente que ele havia me dado – e disse que sempre que eu sentisse vontade de me cortar era pra lembrar que alguém se importava e que alguém me ajudaria se eu precisasse de ajuda?

Ele assentiu.

- Então. Assim como eu te prometi que não me cortaria mais e estou cumprindo a promessa, eu quero que você me prometa que não vai mais se culpar por isso. A culpa não foi sua e você sabe.

- Não posso prometer algo que eu não vou cumprir.

- Ótimo. Então eu estarei aqui todos os dias até que você perceba que não tem culpa e até que consiga cumprir sua promessa. Promete?

Ele demorou um pouco pra responder. Respirou fundo e olhou nos meus olhos. Depois disse sinceramente:

- Prometo.

- Ótimo. – eu disse chegando mais perto e enxugando suas lágrimas – Agora pára de chorar e abre um sorriso.

Ele limpou algumas lágrimas e tentou sorrir.

- Não. Quero um sorriso de verdade.

- Desculpa, mas estamos em falta no momento.

- É? Quem sabe eu não consiga trazê-lo de volta.

Então eu fiz o que qualquer ser humano normal e retardado faria. O ataquei com cócegas.

- Ah, não. Gabi, NÃO.

Ele começou a rir e eu dava risada junto com ele. Até que ele jogou um travesseiro em mim e eu tive que soltá-lo.

Abracei o travesseiro e fiquei observando Harry parar de rir aos poucos. Era tão bom ouvir sua risada. Me trazia paz. Ele parou de rir e olhou pra mim.

- Por que tá me olhando assim?

- Sei lá. É bom te ver sorrindo.

Ele deixou a cabeça cair pra um lado e disse:

- Anw. Vem cá.

Ele ergueu os braços, porque estava deitado na cama, e eu fui abraçá-lo. Harry me puxou e eu caí em cima dele com mais força que o necessário.

- Ai.

- Au.

- Você tá gorda.

- Olha quem fala. – eu disse batendo na barriga dele e me levantando. – Harry, onde eu vou dormir?

- Ah, vem comigo.

Nós nos levantamos e saímos do quarto. Harry me levou até o final do corredor e abriu a porta. Era quarto grande de casal.

- Pode ficar no quarto dos meus pais.

- O QUÊ? CLARO QUE NÃO.

- Por que não?

- Harry, esse é o quarto dos seus pais. Eu não posso dormir aqui, não é certo. Não tem um quarto de hóspedes ou algo assim?

- Claro que tem, mas eu quero que você durma aqui.

- Mas...

- Escuta. Esse é o quarto mais aconchegante da casa e eu quero que você fique nele porque você precisa descansar de verdade e esse é o único lugar da casa onde você pode. Fica tranquila, eles não vão saber.

Eu não queria, mas Harry continuou insistindo, então eu tive que ceder. Nós nos abraçamos uma última vez e ele disse.

- Boa noite, pequena.

- Boa noite, grandão.

Entrei no quarto e me deitei na cama. Era realmente macia e em outras circunstâncias eu teria dormido imediatamente, mas não foi assim.

Fiquei encarando o teto por mais de meia hora. Ter passado um tempo com Harry tinha me feito melhor, mas não tanto assim. Eu vim em busca de ajuda, mas fui eu que acabei o ajudando, como sempre. Não que eu reclamasse, eu sempre me sentia melhor ajudando os outros, mas as últimas memórias invadiram meus pensamentos de novo.

Victória preferia acreditar que eu era uma qualquer, o garoto que eu mais amava no mundo tinha ficado com outra garota ontem. Pois é, eu não mencionei isso, não é?

Nunca pensei que Liam faria uma coisa dessas, mas eu não podia culpá-lo. Ele estava magoado e precisava esquecer. Ele estava seguindo em frente.

E as lágrimas voltaram. As lágrimas que eu tanto tinha segurado nas últimas horas, que eu tanto tinha impedido que caíssem, agora voltavam. Deixei que elas escorressem sem medo ou vergonha. Apenas deixei que caíssem e rezei pra que Harry não pudesse escutar meus soluços do outro quarto.

Algum tempo depois ouvi uma batida na porta.

- Posso entrar?

Seguido disso, um trovão sacudiu as janelas e eu me sentei assustada. Tinha até esquecido que estava chorando.

- Hey. – ele disse entrando e fechando a porta. – O que houve?

- Anh... nada. – enxuguei as lágrimas rapidamente enquanto Harry se sentava na cama de frente pra mim.

- Gabi. – levantei a cabeça – Você me ajudou tanto hoje que eu até esqueci que era você que precisava de ajuda. Desculpa.

- Deixa pra lá, Harry. Esquece isso.

- Não, eu não vou esquecer. Vem aqui.

Harry afastou as cobertas e nós entramos debaixo delas. Ele me encostou em seu peito e me abraçou de lado, depois nos cobriu.

- Conta, vai. O que aconteceu?

- Eu briguei com a Victória.

- O quê? – ele perguntou indignado.

- Pois é.

- Por que?

- Bom, ela acreditou em tudo o que a Megan disse e veio tirar satisfações. Me chamou de vadia, me acusou por tudo aquilo. Não foi legal. E eu descobri hoje à tarde que o Liam ficou com outra menina ontem.

- O QUÊ? – dessa vez ele ficou mesmo indignado.

- Essa foi minha reação também. – eu disse sem emoção na voz, olhando para o vazio.

- E... como você tá?

- Pra ser bem sincera? Destruída. Você é a única pessoa com quem eu posso contar, Harry. A única.

Ele respirou fundo e me abraçou com mais força. Fechei os olhos e duas lágrimas escorreram, sem que eu pudesse controlá-las.

- O Liam é um idiota. – Harry disse.

Eu ri sem humor.

- O pior é que ele não é. Eu entendo o lado dele, Hazza. Não posso culpá-lo e nem julgá-lo por nada.

Respirei fundo e virei a cabeça pra olhá-lo. Harry estava sorrindo.

- Por que está sorrindo?

- Nada. – ele soltou o riso – É que você nunca me chamou de Hazza antes.

- Se você quiser eu paro...

- Não... É legal.

Juntei minhas forças em um último sorriso.

- Acho que vou dormir agora, Harry.

- Tá. Posso ficar aqui com você?

- Sim. Mas, por que?

- Tenho medo de tempestades.

Eu ri e me deitei de costas pra ele. Harry me abraçou e me deu um beijo na bochecha.

- Boa noite, Gabi.

- Boa noite, Hazza.

...

Acordei assustada com o meu celular tocando. Pensei que fosse o despertador, mas ainda estava escuro e eu não fazia ideia de onde estava. Até que olhei pro lado e vi Harry dormindo.

Procurei meu celular e o atendi.

- Alô?

- Gabi?

- Mãe? Espera um pouco.

Me levantei com cuidado pra não acordar Harry e saí do quarto. Fechei a porta e disse.

- Oi, mãe. O que foi? Aconteceu alguma coisa.

- Pra falar a verdade, aconteceu. Nós precisamos conversar, filha.

Ao final da ligação, eu só me sentia entorpecida. Não conseguia acreditar no que minha mãe tinha me dito. Não era possível. Não agora. Não quando tudo já estava ruim o suficiente.

Entrei no quarto, sem prestar muita atenção no que fazia. Eu só conseguia pensar que aquilo não podia estar acontecendo. Simplesmente não podia.

Assim que olhei pra Harry dormindo, percebi que não conseguiria ficar o resto da noite alí. Seria muito pior quando eu acordasse. Mas, eu queria ficar. Infelizmente, eu não podia.

Me ajoelhei ao seu lado e mexi nos seus cachos, enquanto mais lágrimas escorriam pelo meu rosto. Ele se mexeu, mas não acordou.

Dei um beijo demorado em sua testa, tentando aproveitar aquele momento ao máximo.

- Eu te amo. Obrigada por tudo, Hazza.

Me levantei silenciosamente e saí do quarto. Dei uma última olhada no meu melhor amigo, que ainda dormia como um anjo, e fechei a porta.

Enxuguei as lágrimas e fui andando.

Era hora de voltar pra casa.

Notas finais
oi, oi gente. primeiro, queria dizer que eu escrevi errado nas notas finais do último capítulo alskdalkaçskd é o último capítulo que sai dia 19, e não esse aqui. desculpem. segunda, queria agradecer à Carine Freitas pela recomendação e pelos elogios nos reviews. Eu li todos e fico realmente muito grata. Obrigada, de verdade. São coisas assim que me dão vontade de escrever. Quanto à Gabarry (estranho), eu pensei em fazer algo diferente, mas depois percebi que não daria certo. Fala sério, até o shipp é estranho açkdakdças agora não. Espero que tenham gostado e espero reviews. Próximo capítulo é o último, hein? expectativas? askjdkasjda
beijo, galerinha e obrigada por tudo, à todos vocês.