Same Old Games

18 We're not the same...


Notas iniciais
oooooooooooooi *-* voltei com o maior capítulo até agora haha' espero que gostem, porque ele demorou 56487 anos pra ficar pronto, mas eu gostei dele haha' :3 boa leitura...

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PDV Natália

Domingo é o dia oficial do “não tenho nada pra fazer”, exceto, é claro, quando você vai muito mal na prova de geometria.

Eu ia ter um teste na segunda-feira pra evitar ficar de recuperação e é claro que eu deixei pra estudar na última hora. Porém, fui procurar meu caderno na mochila e ele não estava lá. Lembrei que Niall tinha pegado emprestado e liguei pra ele. Ele atendeu no terceiro toque.

- Hey, Niall.

- Hey, Nath. Tudo bem?

- Tudo sim. Nini, eu deixei meu caderno de geometria com você?

- Hm... calma aí, eu vou olhar.

Houve silêncio do outro lado da linha e algum tempo depois, Niall disse:

- É, tá aqui sim, Nath.

- Ok, eu vou aí buscar, tá legal?

- Tudo bem, vou esperar. Beijo.

- Beijo.

Eu desliguei e prendi o cabelo. Avisei minha mãe que voltava logo e saí.

Felizmente, a casa dos meninos não ficava muito longe, então eu toquei a campainha uns 20 minutos após ter saído.

- Oi, Naaaaaaaaaath – Niall disse abrindo um sorriso e me abraçando.

- Oi, meu duende irlandês favorito. – eu disse enquanto ele me colocava no chão.

- Entra aí. – Niall disse fechando a porta.

- Só vim buscar meu caderno mesmo, Nini. Preciso estudar, infelizmente.

- Ok. Fica a vontade aí que eu vou lá buscar.

Entrei na sala e encontrei Louis mexendo no notebook na poltrona e Liam deitado no sofá.

- Nossa, lembrou que tem casa, é? – eu perguntei e Liam me jogou uma almofada.

- Voltei – disse uma voz feminina e Gabi apareceu com uma vasilha de pipoca. – Oi, Nath. – ela disse sorrindo.

- Ah, entendi. Agora é você que não tem casa.

Ela e Liam jogaram pipocas em mim. Niall desceu as escadas com um caderno de capa azul na mão.

- Tá aqui, Nath.

- Obrigada, Niall.

- Não quer ficar e assistir um filme com a gente, Nath? – Louis perguntou – Vai ser legal ter mais alguém como companhia além do casal melação ali.

Gabi jogou uma almofada nele. Eu ri.

- Desculpa, Lou, eu tenho que ir mesmo. Tenho teste de geometria amanhã e preciso estudar.

- Ah, que chato – ele se levantou e me abraçou – Estuda direitinho, então.

- Sim senhor, senhor Tomlinson.

Me despedi dos outros e voltei pra casa. Minha mãe deixou um bilhete na cozinha, dizendo que teve que resolver umas coisas no trabalho e voltava de noite. Meu pai trabalhava aos domingos, então eu estava sozinha em casa.

Peguei uma maçã e subi para o meu quarto. Coloquei o caderno em cima da mesa de cabeceira, ainda com a luz apagada, e me joguei na cama.

Só que eu não caí na cama, caí em cima de algo... ou alguém.

Eu gritei e ele também. Espera aí... ele?

Acendi a luz e deparei com dois olhos verdes me olhando.

- HARRY? O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?

- Eu vim te ver, eu acho.

- E como você entrou?

- Sua mãe abriu a porta pra mim enquanto estava saindo.

Me joguei na cama, ao lado dele, e afundei a cabeça no travesseiro com o coração disparado.

- Você quase me matou de susto.

- Desculpa – ele disse deitando do meu lado – Não foi minha intenção.

Depois de me recuperar do susto, eu me sentei e perguntei.

- O que veio fazer aqui?

Ele se sentou também e olhou pra mim.

- Bom, a minha mãe disse que a sua mãe disse que você não estava indo muito bem em geometria. Bom... eu vim te ajudar.

Encarei Harry por um minuto e depois comecei a gargalhar. Ele fechou a cara e me olhou, sério.

- Qual é o problema?

- Você? Me ensinando geometria? – voltei a gargalhar.

- Pro seu governo, minhas notas fecharam em B e não em F.

Parei de rir na hora. Harry ergueu uma sobrancelha e perguntou:

- E então? Vai querer a minha ajuda ou não?

Revirei os olhos.

- Acho que preciso, né?

- Ok, eu vou lá buscar meu caderno e já volto.

Harry demorou 3 séculos lá embaixo, de modo que quando ele voltou eu já tinha acabado de comer minha maçã.

- Nossa, o que aconteceu? Esqueceu o caminho ou os degraus eram muito altos pra você?

- Haha, engraçadinha. Tava vendo suas fotos de quando você era pequena na sala.

Eu fiquei vermelha e escondi o rosto nas mãos.

- Eu não acredito que você viu. Eu morro de vergonha daquilo.

- Não precisa ter vergonha. Você era... fofa.

Olhei pra ele com cara de tédio e Harry riu.

- Ok, vamos começar. Aonde você tem dúvida?

- Em tudo, pode ser?

Harry começou a me explicar tudo o que sabia e eu não. Pra minha surpresa, ele realmente entendia de geometria e era um bom professor. Não levem a mal essa última parte.

Entreguei alguns exercícios pra Harry corrigir e ele me olhou com cara de tédio.

- O que aconteceu?

- MEU DEUS, NATÁLIA, COMO VOCÊ É BURRA. DESDE QUANDO 2 – 2 É QUATRO? – ele começou a rir.

- O que? Deixa eu ver isso.

Ele estava certo, mas agora Harry estava rolando de rir.

- Tá legal, Harry. Eu só confundi o sinal, só isso. Não é motivo pra tanto. Pronto, já arrumei.

Harry parou de rir aos poucos e disse:

- Você é engraçada.

- Haha, tô morrendo de rir.

- Ah, não tá rindo não, é?

- Não.

- Então agora vai rir.

Harry começou a fazer cócegas em mim. Já mencionei que odeio isso? Comecei a rir igual uma retardada, até cair na cama com Harry em cima de mim.

- Harry... PARA. – eu gritei me recuperando

- Só se você me der um beijo.

Olhei em seus lindos olhos verdes e vi aquele sorriso de lado. Estávamos perigosamente perto. Coloquei as mãos em seu peito e...

- Beija o chão então.

Eu o empurrei e Harry rolou da cama direto pro piso com um baque.

Olhei pra ele do alto, dando risada.

- NATÁLIA! Isso doeu, sabia?

- Foi você que sentiu a dor, não eu.

Ele se levantou, esfregando as costas, e disse emburrado:

- Vai ter que fazer massagem agora.

- O chão sabe fazer massagem também, quer voltar pra lá?

Ele fez uma careta e se sentou na cama de novo.

- Eu te ajudo a sair da recuperação e é assim que você me agradece?

- Anw, tadinho do Harry – apertei as bochechas dele – Obrigada, bebê.

- Ok, menos exagero, por favor.

- Tá legal, o que você quer então?

- Jantar. Comigo. Hoje a noite. Onde eu quiser. – ele disse rápido.

Eu ia protestar, mas Harry disse:

- Não aceito ‘não’ como resposta.

- Que tal ‘de jeito nenhum’?

- Nossa, como você me ama.

Eu ri.

- Que horas? – perguntei

- As oito. E esteja preparada para uma ótima surpresa.

Ergui uma sobrancelha e Harry sorriu.

- Não vai me contar?

- Se é surpresa, né? – ele disse fazendo uma cara óbvia.

- Tá legal, te vejo as oito. – eu disse abrindo a porta do quarto pra ele passar.

Fomos até a saída e Harry disse:

- Até mais tarde, então.

- Até.

Ele meu deu um abraço e um beijo no rosto e saiu.

PDV Gabriela

Estava “assistindo”um filme com Liam e os meninos quando alguém tocou a campainha.

- Eu atendo. – Louis gritou e foi abrir a porta. – Oi, Mar.

- Lou, a Gabs tá í?

- Tá sim, entra aí.

Ela disse oi para os meninos e se virou pra mim:

- Você tem casa, sabia?

- Sim, senhora. Só não quero voltar pra lá.

Liam riu e Mar me olhou com cara de tédio.

- Só que você tem um trabalho de ciências pra terminar comigo.

- E...?

- E é PRA AMANHÃ.

Eu me levantei de um pulo. Tinha esquecido completamente esse trabalho.

- Meninos, eu tenho que ir.

- Nãão... – Liam reclamou com uma voz manhosa me puxando pelo braço.

- Meu Deus, chega de Galiam por hoje. – Marleine reclamou

- GALIAM? – perguntamos juntos

- Onde tem galinha? – Niall perguntou

- GA-LIAM. Uma msitura de Gabi com Liam – Mar explicou.

- Que estranho – Liam disse – Prefiro Gabiam.

- Continua sendo estranho. – Louis disse.

- Mas é melhor do que galinha. – eu disse

- Não importa – Marleine nos interrompeu – Você tem cinco minutos pra se despedir e aparecer lá em casa.

Ela saiu batendo a porta.

- Ela é um doce de pessoa. – Louis disse sarcástico.

- Tenho que ir mesmo, gente. Vou poupar vocês dois de mais melação.

- Se a Victória estiver em casa, chama ela pra mim. – Niall falou

- Meu Deus, eu preciso me mudar dessa casa. – Louis disse subindo as escadas.

- Vamos, Gabi. Eu te levo em casa. – Liam disse se levantando e me pegando pela mão.

- Tchau, Niall.

Nós atravessamos a rua e eu me encostei na porta fechada.

- Está entregue. – Liam disse.

- Sim. Tchau, então.

Liam passou os dois braços envolta da minha cintura e sorriu.

- Eu não ganho um beijo de despedida, não?

Passei meus braços pelo seu pescoço e fiquei mexendo em seu cabelo.

- Hm, não sei... Você merece?

- Acho que sim, né?

- E por que?

- Porque eu te amo... E isso já é algo muito difícil de se fazer.

- Nossa! Agora que eu não te beijo mesmo.

Liam riu e beijou meu pescoço. Depois disse baixo:

- É porque só eu posso ter esse direito. Mais ninguém.

Eu sorri e o beijei. Estava tudo muito bom até Marleine abrir a porta e dizer:

- Nossa, eu mandei a Gabi volt...

Como eu estava encostada na porta, acabei caindo no chão junto com Liam.

- MARLEINE. – nós gritamos juntos.

Ela sorriu sem graça e saiu correndo.

Liam me ajudou a levantar e me abraçou.

- Até amanhã, linda.

- Até amanhã, amor.

Fechei a porta e deparei com Victória no sofá.

- Vick, o Niall pediu pra você ir lá.

- Por que ele não veio aqui?

- Eu não sei. Quer atravessar a rua pra perguntar?

Ela fez uma careta e se levantou.

- Vou lá.

Ela saiu e eu gritei:

- MARLEINE.

Ela desceu as escadas rindo.

- Desculpa, eu não sabia que vocês estavam ali na frente. Enfim, eu já fiz minha parte do trabalho. Sobe lá e faz a introdução, a capa e a conclusão.

- Tá.

Entrei no meu quarto e comecei a fazer o trabalho. Depois de meia hora já tinha terminado e estava imprimindo. Eu tinha uma daquelas máquinas de fazer furos nas bordas do papel, então encadernei e deixei em cima da escrivaninha.

Liguei o notebook e a televisão quando meu celular tocou.

- Alô.

- GABRIELA! Dá pra abrir aqui, por favor?

Percebi que a voz vinha de dois lugares e ouvi batidas na porta de vidro da sacada.

- HARRY? – eu gritei, desligando o celular e abrindo a porta. – O que você está fazendo aqui?

- Queria falar com você.

- E qual é o problema de usar uma porta? – perguntei enquanto ele entrava.

- Não queria que ninguém me visse.

- Você escalou?

Fui até a sacada para ver a distância dali até o chão.

- Sem mais perguntas, por favor. Preciso de ajuda.

Entrei no quarto e fechei a porta.

- Qual é o problema em me fazer uma visita normal, pelo menos uma vez?

- Eu preciso de vocêêêê... – ele disse como uma criança que faz birra.

Respirei fundo.

- Senta aí.

Ele sentou na cama de frente pra mim e eu disse:

- Tudo bem, do que precisa?

- Eu chamei a Nath pra sair.

- De novo? Nossa, você tá mesmo gostando dela.

Ele me deu um tapa nada delicado na cabeça.

- Não é só isso, idiota. Eu chamei ela pra jantar.

- E...?

- E... eu não sei aonde vou levá-la.

Foi a vez de Harry levar um tapa.

- AI. Isso doeu.

- COMO ASSIM NÃO SABE ONDE VAI LEVÁ-LA?

- Shhhhhhh... quer falar baixo, por favor? – ele disse tampando minha boca e sussurrando. Bati na mão dele e ele me soltou. – Me ajuda.

- Te ajudar no quê?

- Eu quero que ela jante comigo, eu prometi uma surpresa pra ela, mas não sei aonde.

- Harry, Londres deve ter 300 restaurantes. Não vai ser difícil encontrar um.

- Mas, eu não queria levar ela em um restaurante. Tem muita gente, é muito cheio. Gosto de lugares calmos.

- Assim fica difícil, né?

- Me ajuda, Gabi.

Ele praticamente implorava, dava até pena. Sempre fui de pensar rápido e sabia que Natália sempre gostou de ficar em casa, então disse:

- Anh... por que você não prepara um jantar na sua casa pra ela? Seus pais não estão de férias no Caribe?

Ele assentiu.

- Então. Faz uma coisa fofa, nem que precise encomendar comida, mas seja criativo. E acima de tudo, seja você mesmo.

- E quanto a minha roupa?

- Harry, você quer que eu vá na sua casa escolher sua roupa? É só o que falta.

- Eu não queria, mas já que você deu a ideia...

Bati no braço dele e nós rimos.

- Vista o que você costuma vestir. Jeans, camiseta, tênis... Simples e muito bonito. Blazers também ajudam.

- Jantar fofo, blazers... ok. – ele olhou pra mim e me pegou em um abraço forte de surpresa.

- Obrigado, Gabi. Me ajudou muito.

- Não precisa agradecer. – eu disse me soltando dele. – E então, já sabe o que vai fazer?

- Tava pensando em pedir comida japonesa. Que tal?

- Perfeito. – eu sorri e ele sorriu também. Harry tinha o sorriso mais perfeito do mundo.

- Anh... e como você tá?

- Como assim?

- Quanto aos... sabe... – ele olhou de relance para o meu braço e percebi que ele estava tentando não dizer a palavra “cortes”.

- Ah... desde que cheguei a Londres, nenhuma recaída.

- Isso é bom. Por que começou com isso?

Respirei fundo.

- Desculpa, eu não devia ter perguntado.

- Não, tudo bem. – eu disse – Eu me sentia sufocada. Meu padrasto preferia fingir que eu não existia, minha mãe não me deixava sair de casa. Fui vítima de certo tipo de bullyng na escola. Todos perguntavam coisas do tipo “por que você não foi na festa de fulano?”, “por que você não foi ao jogo de ciclano?”. Eu respondia que não quis ir e coisas do tipo, mas as pessoas não falavam comigo. Me chamavam de “anti-social”. Marleine e Victória eram legais comigo, mas até elas podiam sair para qualquer lugar sozinhas. Por uma fatalidade, nunca tive meu pai por perto pra me apoiar, mas sempre tinha forças quando pensava nele. Eu sempre dizia a coisa errada, sempre era alvo de piada. Minha mãe nunca, nunca passava muito tempo comigo. Se ela me deixasse com as minhas amigas, eu não me importaria. Mas, ela não deixava. Então comecei a me cortar. Sempre que eu sentia meu braço arder, era como se eu estivesse livre por um momento. Era o único momento em que eu estava tomando uma decisão por mim e tendo a liberdade para fazê-lo. Ver meu sangue escorrer era, de certa forma, um alívio. Me lembrava que eu ainda estava viva, apenas não podia viver. Não conseguia. O que as lágrimas não aliviavam, a dor física amenizava.

Harry tinha lágrimas nos olhos, mas não permitia que elas caíssem. Eu sorri fracamente.

- Não precisa chorar, Harry. Não é nada demais. Chega até a ser... infantil.

- Não. Gabi, não é infantil. Auto-mutilação é coisa séria e você não merecia tudo isso. Mas, se sua mãe te prendia tanto assim, como ela te deu uma passagem pra Londres assim sem mais nem menos?

- Ela viu que eu me cortava e me mandou pra rehab, mas eu não fui. Aí ela disse que seria bom que eu estivesse por conta própria em outro país. Disse que eu podia recomeçar aqui e ter a liberdade que eu joguei na cara dela que nunca tive. Ela praticamente disse “toma, se vira. Pode levar 2 amiguinhas, mas está por conta própria.” Ela disse que me amava e eu acredito, mas nossa relação não é das mais carinhosas. Já me acostumei com isso.

Harry se levantou e estendeu a mão pra mim. Ele me ajudou a levantar e olhou nos meus olhos.

- Sabe, eu não posso julgar o que você sentia ou como se sentia, mas eu espero que tudo isso tenha ficado pra trás. Porque hoje você é uma das minhas melhores amigas e machuca saber de tudo isso. Então, quero um sorriso nesse rosto e uma promessa de que não vai mais fazer isso.

- Mais uma? – perguntei

- É, mais uma. Mas, dessa vez, é mais como um favor. Toma...

Ele tirou uma das duas correntes que sempre usava e colocou no meu pescoço.

- Se caso você tenha uma recaída, lembre que tem alguém que se importa. Alguém que vai sofrer muito se você fizer isso. E quando você lembrar, faz o que eu tenho feito nesses últimos dias. Pode aparecer de madrugada lá em casa ou escalar minha janela. – eu ri – Não vou me importar de ajudar uma amiga.

- Obrigada, Harry.

Eu sorri e o abracei. Ele me apertou tanto que me deixou sem ar.

- Agora vai, você tem um jantar, né?

Ele sorriu.

- Sim.

- Vou ver se as meninas não estão na sala.

Saí no corredor e percebi pelas luzes acesas, que as duas estavam no quarto.

- Vem.

Nós descemos em silêncio e eu abri a porta pra ele. Pelo visto, Harry tinha vindo a pé.

- Tchau, então. E obrigada por tudo, Hazza. – eu o abracei de novo.

- Eu que agradeço pela ajuda.

- Bom jantar, então.

- Até amanhã, Gabs.

Esperei até que ele fosse embora e entrei.

PDV Natália

Me arrumei e fiquei esperando Harry chegar. Não coloquei vestido e nem nada do tipo. Uma roupa simples estava ótimo.

Avisei meus pais que iria sair e algum tempo depois a campainha tocou. Harry sorriu pra mim e disse:

- Oi.

- Oi. – sorri de volta.

- Vamos?

- Uhum.

Me despedi dos meus pais e fui até o carro com ele. Fomos conversando durante o caminho e logo depois ele parou o carro... em frente a casa dele.

- Anh... Harry?

Ele colocou o carro na garagem e abriu a porta pra mim.

Estávamos no elevador, quando eu perguntei:

- Tem alguma coisa que você queira me contar?

- Bom, lembra quando eu disse que tinha uma surpresa? – eu assenti – Essa é a surpresa.

O elevador se abriu e Harry me levou até a sala de estar, onde ele tinha arrumado algumas velas e tinha encomendado comida japonesa.

- Er... desculpa. Foi tudo muito em cima da hora. Eu queria ter feito algo mais bonitinho, mas...

Eu o abracei e ele parou de falar.

- Está perfeito, Harry.

Harry ligou a televisão, colocou um filme qualquer de ação e nós sentamos no chão pra comer.

Eu não tive problemas, já ele...

- Harry, o que aconteceu?

- Eu nunca comi comida japonesa. Não sei usar esses palitos. – ele disse tentando segurar os hashis.

Eu ri e o ensinei a usá-los. Depois de um tempo, ele finalmente conseguiu comer alguma coisa.

- Aê, consegui.

Eu bati palmas e ri.

- Parabéns.

Depois de um tempo, eu terminei, mas Harry não tinha comido nem a metade.

- Desisto disso. – ele disse jogando os hashis no chão e fazendo birra.

Eu ri ainda mais e peguei um pouco de comida no meu hashi.

- Abra a boca, bebezão.

Nós ficamos rindo e conversando, enquanto eu dava comida na boca de Harry. Desde quando eu mimo esse garoto?

- Bom, mas vamos para a melhor parte. – ele disse

- E qual é? – perguntei.

- CHOCOLATE.

Harry se levantou e foi até a cozinha. Voltou alguns minutos depois com duas tigelas cheias de morango e duas com chantili. Ele colocou as tigelas na mesinha e apontou para uma cascata de chocolate na mesa ao lado do sofá, que eu ainda não tinha reparado.

- Abre a boca. – ele disse e me deu um morango com chocolate.

Sujei o rosto dele de chantilli e ficamos nessa – rindo, comendo, assistindo, nos sujando – por muito tempo. Até que algo me passou pela cabeça.

- Harry, qual é o motivo de tudo isso?

- Tudo isso o quê? – ele perguntou sorrindo.

- Ah, você sabe. A ajuda em geometria, o jantar, a London Eye e coisas do tipo. Quer dizer, a algum tempo atrás você apenas vivia correndo atrás de mim e tentando me irritar, mas agora está sendo meu amigo. Por que?

Ele pensou um pouco e depois respondeu:

- Você sabe quem eu sou, convive comigo a mais de um ano. Eu sempre fui Harry Styles, o menino que pega qualquer uma quando quiser. Aí você entrou na escola e mudou tudo, mudou esse conceito. Não queria ser mais uma, não queria ter esse “título”. Acho que foi isso que chamou minha atenção pra você. Dizem que as pessoas gostam do que não podem ter. Aí eu percebi que depois de um tempo eu não queria mais que você fosse uma das garotas com quem eu fico por aí. Queria algo a mais, queria sua amizade antes de tudo.

- Antes de tudo... o que?

- Não sei. Você é diferente. Nunca fui desses caras que se “amarram” em uma pessoa só, mas ultimamente tenho pensado mais nisso. Não quero apressar as coisas, ainda não tenho certeza de nada, e por isso estou apenas começando do zero, querendo ter você como amiga. Porque você me faz bem, Natália. Me trouxe muitos sorrisos nos últimos dias e eu gosto da sua presença. Gosto muito.

Eu simplesmente não sabia o que dizer. Ali estava Harry Styles, praticamente se declarando pra mim, dizendo que eu era “especial” pra ele, no meio de comida japonesa e chocolate. E eu? Eu estava parada feito uma estátua sem dizer nada.

- Nath, você tá bem?

- Harry, eu... Eu tenho que ir. – eu disse me levantando.

- O que aconteceu? Eu disse algo de errado? – ele disse preocupado e ficando de pé também.

- Não. Harry, tudo isso foi perfeito, sério. O jantar e tudo o mais, você tem me feito muito bem esses dias. E é exatamente por isso que eu preciso pensar um pouco. É muita informação pra mim.

- Eu te levo em casa.

- Não, não precisa. Eu moro aqui perto e preciso andar sozinha um pouco. Espero que entenda.

Ele assentiu, triste. Eu me virei pra ir embora, mas Harry segurou meu braço delicadamente.

- Isso não vai interferir na nossa amizade, vai? – ele perguntou.

- Claro que não, Hazza. Você se tornou muito especial pra mim nos últimos dias, não vou deixar nada afetar isso. Só preciso pensar um pouco, tá? É muito... repentino pra mim.

- Tudo bem. Boa noite, Nath. – ele me abraçou forte

- Boa noite, Harry. Obrigada por tudo hoje, eu adorei.

Ele sorriu e beijou minha bochecha.

No caminho pra casa fui pensando em tudo que ele me disse. Eu sempre evitei Harry porque nunca quis ser vista como uma garota comum pra ele, nunca soube o porquê, mas agora tudo estava se tornando mais claro.

Talvez eu sempre tenha tido a vontade de ser algo a mais pra ele, uma garota que ele lembrasse durante toda a sua vida. Ainda me lembro de quando o vi pela primeira vez e meu coração batia tão forte que eu tive medo que ele escutasse. Já tinha tido esperanças de ser algo para Harry Styles, mas todas elas desapareceram quando Leticia me contou quem ele era.

A partir daí, eu parei de me iludir. Todas as vezes em que ele tinha perguntado “fica comigo?”, em quantas delas eu não me esforcei pra dizer “sim”? Mas, sempre neguei, sempre mantive os pés no chão. Até que um dia eu não me importei mais, decidi deixá-lo pra lá. E quando eu tinha me acostumado com essa ideia, lá estava ele, dizendo que precisava de mim por perto e que sentia algo por mim, mesmo que ainda não tivesse certeza do que.

Cheguei em casa sem me dar conta e subi para o meu quarto. Deitei na minha cama e fiquei encarando o teto, pensando. Meu celular vibrou com uma nova mensagem e eu fui ler.

Hm... oi. Quero pedir desculpas se disse algo de errado hoje, mas quero que saiba que foi verdadeiro. Espero não ter te magoado ou te deixado confusa, não era minha intenção. Espero que você ainda aceite ser minha amiga, porque nós estamos melhor agora e eu estou curtindo esse tempo. Me importo muito com você, tá? Harry.

Eu responderia ele, mas não foi isso o que eu fiz. Preferi fingir que não tinha lido porque não sabia o que dizer diante daquela situação. Tentaria não agir diferente com ele dali pra frente, mas seria complicado. Ele tinha virado meu mundo de cabeça pra baixo.

Notas finais
nossa, esse é o terceiro título em que eu coloco uma música do Paramore haha' sou Parawhore :3
bom, espero que tenham gostado porque eu gostei *-* ficou meio grande, mas queria reviews mesmo assim porque quero saber o que acharam. Se mantiver o ritmo do ultimo cap eu vou ficar mt feliz, então se estiver lendo MANDE REVIEWS POR FAVOR.
Quero agradecer a Mar e a Jé que me ajudaram mais uma vez *-* É isso aí, nos vemos no próximo cap.
Malikisses xx