Same Old Games
1 The Day I First Met You...
Notas iniciais
É isso não é? Estou deixando o Canadá pra sempre. O lugar em que eu morei por toda a minha vida. Fiz amigos, criei histórias e com certeza tenho muita coisa pra contar daqui. Desde que me entendo por gente tenho duas melhores amigas que vão comigo aonde eu for. Victória e Marleine.
Quando digo “aonde eu for” significa isso mesmo. Meu nome é Gabriela e eu estou me mudando pra Londres. Eu não queria mudar, não queria mesmo, mas estou sendo praticamente forçada a ir.
Eu perdi meu pai quando tinha apenas 5 anos e sinto muita falta dele, o tempo todo. Minha mãe é legal, mas a gente não se fala direito sabe? Ela se casou de novo, mas o cara é um cretino. Meu ex-namorado? Um canalha. Me traiu mais de 3 vezes. Amigos? As únicas são Mar e Vick
Eu tive problemas com auto-mutilação. Graves problemas. Quando minha mãe viu foi tipo uma simulação da Primeira Guerra Mundial. Ela disse que eu não podia fazer isso comigo mesma e que eu precisa ir para uma clínica de reabilitação e não sei o quê. É claro que eu não fui, mas Vick e Mar me ajudaram muito nesse período. Quando minha mãe descobriu que eu não estava indo à clínica nós brigamos feio. Ela me deu uma passagem pra Londres e disse que eu iria morar lá por tempo indeterminado, até que ela me mandasse voltar. Ela não me queria por perto, não queria a própria filha por perto.
Eu aceitei na hora. Não me entenda mal, eu amo minha mãe, mas eu estava precisando de um tempo longe dela e do meu padrasto. As coisas estavam realmente ruins, meu mundo estava desabando. Eu não confiava em mais ninguém além de Vick e Mar.
Quando contei à elas que iria me mudar, elas não pensaram duas vezes. Falaram com seus pais e por algum milagre eles permitiram que minhas melhores amigas se mudassem comigo. Afinal, acho que já podemos cuidar de nós mesmas.
Minha mãe tinha arranjado tudo. Tinha comprado uma casa pra gente e nos matriculado no colégio. Ela é legal, mas as vezes ela tem essas loucuras.
As meninas dormiram lá em casa e minha mãe tinha nos levado até o aeroporto. Minha mãe me deu um abraço e disse:
– Desculpe por tudo querida, mas vai ser melhor assim. Eu te amo.
– Também te amo, mamãe. – eu disse com lágrimas nos olhos.
Estamos no avião agora, partindo pra longe da nossa casa. Eu nunca vou poder agradecer as meninas por tudo que estão fazendo por mim. Minha vida em Londres seria um inferno. Comecei a pensar em tudo que estava se acumulando e algumas lágrimas escorreram. Tentei secá-las, mas Mar viu. Ela me abraçou:
– Hey, tudo vai ficar bem, tá? Nós estamos com você.
...
Chegamos em Londres no finalzinho da tarde. O tempo estava meio frio, o que era bom porque eu não precisaria justificar minhas blusas de manga comprida.
Pegamos um táxi e dissemos o endereço da nossa nova casa. Era muito estranho pois nunca tínhamos estado lá, apenas minha mãe, mas era uma casa bonita. Bem espaçosa e organizada. Alguns meninos estavam jogando futebol no final da rua e aos poucos foram parando para nos ver. Três garotas chegando de malas, maravilha.
Nós entramos para colocar parte das malas e voltamos pra buscar o resto. Como eu sou muito desastrada, é claro que eu tinha que tropeçar na calçada, deixar todas as malas caírem e cair junto. Já estava sentindo o tombo lindo que eu ia levar, mas duas mãos quentes e fortes me agarram pela cintura. Eu me levantei e me virei para agradecer, mas esqueci completamente do que ia dizer.
Um garoto alto e lindo tinha me segurado. Ele estava sem camisa e , meu Deus, que corpo era aquele?
– Precisa ter mais cuidado por onde anda. – ele disse sorrindo. Nossa, que sorriso era aquele?
Eu sorri também:
– Obrigada. Se não fosse por você, eu estaria toda quebrada agora.
– Precisa de ajuda com as malas? – ele perguntou
– Por favor.
Enquanto nós entrávamos carregando as malas, passamos por Marleine e Victória que me olharam com uma cara safada. Mostrei a língua pra elas e mostrei ao menino onde deixar as malas.
– Pode deixar aí, muito obrigada...
– Liam.
– Liam. – repeti. Que nome lindo. Liam, liamdo, hm – Eu sou Gabriela, mas pode me chamar de Gabi.
Ele estendeu a mão e eu a apertei:
– Prazer, Gabi. E então, está se mudando, né?
– Ah sim, eu morava no Canadá, mas tive que me mudar, sabe... problemas pessoais. – não queria entrar muitos detalhes e Liam pareceu entender.
– Ah, entendi. Bom, seja bem-vinda. Se precisar de alguma coisa, como conhecer a cidade, eu moro na casa em frente a do seu vizinho.
– Anh... na minha diagonal?
– Sim – ele disse e nós rimos.
– Estamos interrompendo alguma coisa? – perguntou Mar
– Ah, Liam essas são Marleine e Victória. Meninas, o Liam é praticamente nosso vizinho.
Ele cumprimentou as meninas e disse:
– Bom, vou deixar vocês se adaptarem à Londres. Foi um prazer conhecer vocês, meninas. Nos vemos por aí.
– Tchau.
Ele fechou a porta quando saiu e as meninas começaram a gritar feito doidas:
– Nossa, já arranjou um gato? Safadinha, hein?
– Você viu a barriga, dele? Meu Deus, o que é aquilo?
– E ele é nosso vizinho. Eu realmente espero que os amigos dele sejam gostosos desse jeito.
– GENTE, GENTE, CALMA. – eu gritei – Não precisa desse escândalo todo por causa de um menino.
– Um menino lindo, fofo e perfeito? Precisa sim. – disse Victória
– Não sabemos se ele é fofo... e nem perfeito. – eu disse
– Ele te salvou de levar o pior tombo da sua vida, te ajudou a carregar as malas e se ofereceu pra te ajudar a conhecer Londres. Ele não é fofo? – disse Marleine indignada
– Mar, sua bobinha. Não se pode julgar as pessoas pelo que elas aparentam ser.
– Você talvez não, mas eu posso. E eu estou julgando que ele é lindo demais pra existir. – ela disse sonhadora
Eu ri e disse:
– Venham, vamos arrumar as coisas. Nós temos aula amanhã e eu quero causar uma boa impressão no primeiro dia.
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