Same Old Games
26 I’ll find the words to say before u leave me today
PDV Harry
Não acredito que eu fiz isso. Como você é idiota, Harry. Acabou de perder a garota que você tanto esperou.
Ela entrou no carro e saiu dirigindo á milhão. Eu não vi outra alternativa à não ser seguí-la. Entrei no carro e deixei que as lágrimas queimassem meus olhos enquanto dirigia. Esse era o Harry Styles de sempre, afinal. O que magoava tantas garotas. Mas, não ela. Ela não.
Natália estava dirigindo tão rápido que eu estava tendo dificuldade em acompanhá-la. Consegui frear no último segundo, mas ela ultrapassou o sinal vermelho. Nem deve ter visto que estava fechado. Foi quando o pior aconteceu.
Um carro preto bateu no carro dela. Ele não estava tão rápido, mas a velocidade de Natália contribuiu para que o acidente fosse feio. Eu senti como se meu coração tivesse sido arrancado do peito.
- NATÁLIA. – gritei
O carro dela parou no meio da avenida com um dos lados completamente destruído. Eu nem pensei, só saí do carro e fui correndo até ela. Algumas pessoas já estavam ficando em volta do local do acidente.
- Natália. Natália. – eu gritava correndo, até que parei ao lado dela. – Natália, você está bem?
Eu não consegui controlar o choro que veio de repente. Um lado da cabeça dela estava completamente ensanguentado e ela estava quase fechando os olhos. Ela disse, desnorteada:
- Harry, eu...
- Calma, você vai ficar bem. ALGUÉM LIGA PRA UMA AMBULÂNCIA? – gritei desesperado. Um homem pegou o celular e discou o número. – Nath, Nath, olha pra mim. Me perdoa, me perdoa, eu não queria fazer aquilo, eu...
- Harry, eu vou morrer? – ela perguntou com a voz fraca, os olhos quase fechando.
- Não, é claro que não. Não fala uma coisa dessas, você vai ficar bem, eu prometo.
Eu estava chorando muito. O lado esquerdo de Natália estava completamente encharcado de sangue e o vidro tinha se estilhaçado onde ela havia batido a cabeça. Não estava usando cinto.
O trânsito tinha começado a se congestionar e a ambulância chegou depois de 10 minutos que me pareceram uma eternidade. Eu lutei pra manter Natália acordada, mas ela não tinha mais noção das coisas. Quando os médicos à colocaram na maca e depois dentro da ambulância, ela finalmente fechou os olhos.
- Você é da família, rapaz? – um médico me perguntou.
- Eu... eu sou o namorado dela. – era mentira, mas eu me senti bem dizendo aquela palavra. Me deu uma sensação esquisita, mas boa. Infelizmente, minha preocupação era maior.
O médico me examinou por um momento e depois disse:
- Tudo bem, pode entrar.
Eu entrei na ambulância e fiquei observando um dos paramédicos bombear oxigênio enquanto Natália permanecia desacordada. As lágrimas ainda não tinham parado de escorrer pelo meu rosto. Eu só consegui enterrar as mãos nos cabelos e chorar ainda mais.
Quando chegamos ao hospital, o doutor pediu pra que eu esperasse do lado de fora. Eu me sentei e tentei me acalmar. Em vão.
Ficar sozinho ali estava me deixando louco. Depois de 20 minutos sem notícia alguma, peguei meu celular e disquei o número da primeira pessoa em que pensei. Da que eu mais queria ver no momento.
- Alô?
- Gabi? É o Harry.
- Harry? O que aconteceu? Sua voz... você está chorando.
- Gabi, me faz um favor?
- Claro, Harry. O que você quer?
- Eu estou no hospital. O mesmo em que você e Liam estiveram semana passada. Você pode vir até aqui?
- Hospital? Por que você está no hospital? O que aconteceu? – ela estava preocupada.
- Só vem até aqui, por favor. E vem sozinha, tá? Eu te explico tudo quando você chegar.
- Tá legal, eu chego aí daqui a pouco.
Desliguei o celular e tentei me acalmar. Normalmente eu ligaria pro Louis, mas ele já estava com problemas o suficiente. Tinha começado a superar a morte da mãe e estava se divertindo com Marleine, então eu resolvi não incomodar. Gabi sempre era minha primeira opção quando se tratava de Natália.
Depois de meia hora, eu vi alguém virando o corredor. Gabi veio correndo em minha direção, parecendo uma morta. As pessoas olhavam pra ela de um jeito estranho, mas ela nem se importou com o fato de que estava parecendo um zumbi. Eu me levantei e a abracei com força, sem segurar as lágrimas.
- Ei, calma... O que aconteceu? – ela disse me soltando.
Eu enxuguei as lágrimas.
- A Nath, ela... Ela sofreu um acidente.
- O quê? – ela colocou as mãos na boca.
Tentei explicar tudo o mais rápido possível. Não queria ficar revivendo a cena porque isso iria fazer com que eu me sentisse mais culpado. Eu não disse nada, mas Gabi sabia o que eu estava sentindo.
- Harry, não foi sua culpa. Não se sinta assim. – ela disse segurando minha mão.
- Não, Gabi, foi minha culpa, sim. Se eu não tivesse feito aquela besteira, se eu tivesse esperado mais um pouco, eu...
- Harry, olha pra mim. – ela segurou meu rosto e me forçou a olhar em seus olhos. Eles estavam marejados e eu podia ver que ela estava preocupada. – A culpa não foi sua, entendeu? A Nath perdeu a cabeça, ficou estressada e infelizmente isso aconteceu, mas não se culpe por nada. Você entendeu?
Eu não respondi, apenas desviei os olhos. Ela ergueu minha cabeça mais um pouco.
- Harry Edward Styles. – eu olhei pra ela – Você me entendeu?
Eu balancei a cabeça, mas não estava sendo sincero. A culpa era minha e eu sabia disso, mas Gabi iria ficar tentando me convencer de que não era, então eu decidi facilitar as coisas. Mas, ela me conhecia muito bem pra acreditar. Gabi respirou fundo e deixou as lágrimas caírem. Ela soltou meu rosto e me abraçou forte.
Era por isso que eu sempre chamava a Gabi quando precisava de alguma coisa. Ela nunca me culpava por nada, ela nunca me julgava. Ela sabia exatamente o que eu estava sentindo, e mesmo que eu estivesse errado, ela preferia não dizer nada, exceto quando era extremamente necessário.
- Eu não quero perdê-la, Gabi. – eu disse a abraçando mais forte.
- Você não vai, Harry. – ela me soltou pra me olhar nos olhos novamente – Nós não vamos.
Fomos interrompidos por passos apressados e os pais de Natália vieram até nós. Eu tive que preencher a ficha dela enquanto esperava e o hospital tinha ligado pra avisá-los.
- Harry... Harry o que houve? – a mãe dela me perguntou.
Eu expliquei tudo à eles, menos a parte em que a culpa era minha. Depois de um tempo, o médico disse que eles podiam entrar pra vê-la. Deixamos que eles ficassem no quarto e conversassem com o médico a sós. Eu estava exausto, então encostei a cabeça no ombro de Gabi e deixei que ela fizesse carinho nos meus cabelos. Fechei os olhos, deixando uma lágrima cair, mas não consegui dormir.
Ficamos esperando mais um pouco, até que o celular dela vibrou e ela me soltou pra responder a mensagem.
- O que você disse pro Liam? – perguntei
- Disse que você precisava de mim e que, pela sua voz, era urgente. – ela disse guardando o celular.
- E ele deixou você vir? Sério? – eu me espantei.
- Ele sabe que você é o meu melhor amigo, Harry. Ele não pensou duas vezes antes de me trazer até aqui.
Levei um choque. Liam confiava em mim? Ele realmente confiava em mim? Me senti pior do que eu estava me sentindo. Lembrei do que tinha feito com ele em relação a Megan... ele nem ao menos sabia.
- Isso é verdade? – perguntei, quase chorando de novo.
- O quê?
- Eu sou seu melhor amigo?
Ela inclinou a cabeça e sorriu.
- Você ainda duvida disso?
Eu não respondi. Ela deu uma risada rápida.
- Honestamente, Harry. Você realmente acha que depois de tudo pelo que nós já passamos, por todas as vezes em que eu te aturei, você não seria o meu...
Eu não deixei ela terminar, porque dei um abraço tão forte nela que nós caímos deitados no banco. Gabi levou um susto, mas depois deu risada.
- Por que tudo isso? – ela perguntou.
- Eu te amo, sabia? – eu disse, ainda sem soltá-la.
Acho que isso à pegou de surpresa. Pra falar a verdade, isso até me pegou de surpresa. Era a primeira vez que eu estava dizendo isso pra uma menina, mas no sentido “puro” da coisa. Eu só tinha me dado conta nesse momento de que Gabi era, afinal, minha melhor amiga.
Eu a soltei e a ajudei a levantar. Ela me deu um beijo no rosto.
- Eu também te amo, Harry. Obrigada por tudo.
- Eu é que agradeço. Por todas as vezes em que me aceitou entrando anormalmente na sua casa só pra me ouvir reclamar ou pedir ajuda. – ela riu.
Nesse momento, os pais de Natália saíram da sala. Nós nos levantamos e eu perguntei:
- E então, como ela está?
- Ela sofreu um leve traumatismo craniano, mas vai ficar bem. Graças a Deus não foi nada muito grave e ela não entrou em coma. – o médico respondeu
- Isso é um alívio. – eu senti como se um enorme peso fosse retirado das minhas costas.
- Ela está acordada, Harry. – a mãe dela disse – Você quer ir vê-la?
- Ah... eu acho melhor não...
- Deixa de bobagem, menino. – o pai dela disse – Você a trouxe até aqui, ela vai querer de ver.
Me virei pra Gabi. Ela colocou a mão no meu ombro, balançou a cabeça e sussurrou “vai”.
Eu respirei fundo e bati na porta. Coloquei a cabeça pra dentro e perguntei:
- Posso entrar?
Natália não disse nada, apenas desviou o olhar. Eu pensei em fechar a porta e sair dali, mas decidi entrar. Se eu não falasse com ela agora, não falaria nunca.
- Como você tá? – eu perguntei me sentando na poltrona ao lado dela.
- Vou ficar bem. – ela continuou encarando o chão do outro lado.
Ela estava tomando soro na veia e tinha um curativo do lado esquerdo da cabeça. Estava mais branca do que de costume, e por mais que eu amasse a cor dela, não era daquele jeito que eu queria vê-la.
- Olha, me desculpa, tá legal? Eu sei que a culpa foi minha. Você podia... você podia ter...
- Morrido? – ela se virou pra mim – E se eu tivesse? Não faria diferença, não é? Eu só ia desempatar o seu caminho pra que você pudesse ficar com quem quisesse.
Eu olhei em seus olhos e vi uma lágrima escorrendo do rosto dela. Isso me destruiu por dentro.
- Nunca mais fale uma coisa dessas. – eu disse fechando os olhos pra não chorar e abaixando a cabeça.
- Por que? Porque você não queria levar a culpa da minha morte toda vez que você agarrar alguma vadia em uma festa? – ela quase gritou e dava pra ouvir em seu tom que ela estava chorando.
- NÃO, PORQUE EU NÃO IA SUPORTAR A DOR SE VOCÊ TIVESSE MORRIDO.
Eu levantei a cabeça e gritei, sem tentar segurar as lágrimas. Não me importava se as pessoas do lado de fora estivessem ouvindo e nem me importava a cara de susto que Natália fez. Eu só precisava falar o que estava entalado na minha garganta.
- Até alguns meses atrás, eu era o pior tipo de idiota que se pode existir. Eu ficava com as meninas pela aparência e nunca me importei se elas tinham namorado ou não, porque eu só pensava em mim. Aí você apareceu e foi a primeira garota que me disse “não”. Eu comecei a pensar coisas do tipo “quem ela pensa que é?” e no começo eu só queria ficar com você pra ser mais uma na minha lista. Mas, as coisas mudaram. Você me mostrou que as coisas não podiam ser assim, que valia a pena lutar por alguém, e quanto mais eu te conhecia, mais eu sabia que eu não tinha mais aquela necessidade de ficar com você, eu queria algo a mais. Mas, como eu ia conquistar essa garota se ela não confiava em mim? Eu fiz por merecer, eu não era digno da confiança de ninguém e parece que ainda não sou. Sou só um desses meninos idiotas tentando achar algum sentido em frases de amor porque elas nunca significaram nada pra mim. Até agora. Porque eu percebi, e não foi quando eu entrei nesse quarto e nem quando eu estava esperando do lado de fora. Enquanto eu te esperava naquela festa, enquanto eu desejava que você entrasse por aquela porta, eu percebi que eu não gostava de você. Só que você não apareceu e eu pensei que eu não significasse nada, afinal, por que eu significaria? Então, quando você sofreu aquele acidente, eu senti como se meu mundo estivesse escapado das minhas mãos e agora estava prestes a acabar. Uma parte de mim morreu ali. Mas, foi naquele momento em que eu percebi, Natália. Eu percebi que... eu percebi que eu te amo.
Ela ficou em estado de choque e eu aproveitei o momento pra continuar falando.
- Pois é, Natália, eu te amo. Isso é estranho até pra mim, acredite. Eu nunca senti isso por garota nenhuma, mas eu sinto por você. Não é nenhuma paixonite e nem nada passageiro, é amor, eu juro. E eu ainda não sei o que você sente ou o que passou a sentir depois do que você viu, mas eu precisava te contar isso. Eu precisava te contar que nenhuma garota importa mais, só você.
Eu esperei por alguma reação. Esperei que ela fosse gritar, rir, chorar, me expulsar ou até mesmo me chamar de mentiroso, mas ela não fez nada disso. Ela apenas ficou ali, sem dizer uma palavra, olhando pra mim, o que tornou tudo ainda pior.
Abaixei a cabeça pra enxugar as lágrimas.
- Tudo bem. Eu... vou deixar você descansar, já causei problemas o suficiente. Melhoras, Nath.
Eu me virei pra sair. Coloquei a mão na maçaneta, mas fui impedido de abrir a porta pela voz dela.
PDV Natália
- Você acha que eu não sinto o mesmo?
Confesso que tudo aquilo me pegou de surpresa. Eu podia gritar, dizer que ele estava mentindo e nunca mais olhar na sua cara, mas não era isso que eu queria. Porque no fundo, eu sabia que ele estava dizendo a verdade.
Harry parou com a mão na maçaneta e se virou.
- O que?
- Você acha que eu teria ido àquela festa se eu não sentisse o mesmo?
Eu sorri enquanto via o rosto de Harry finalmente assumir uma expressão de compreensão. Quando ele finalmente pareceu entender o que eu tinha dito, um sorriso enorme e perfeito tomou conta do seu rosto e ele veio correndo e se jogou na cama, ficando por cima de mim. Eu ri.
- Harry, calma. Eu ainda estou no hospital e ainda preciso tomar certo cuidado com as agulhas.
Ele ficou meio sem graça e disse, corando.
- Ah, ta. Desculpa.
Ficamos por alguns segundos apenas nos olhando, enquanto eu via o sorriso nos lábios dele se desmanchando pouco a pouco.
- Acho que agora eu posso fazer uma coisa que eu tenho esperado por tanto tempo, né?
- Hm... não sei. Que tipo de coisa? – eu me fingi de desentendida e ele sorriu.
- Uma coisa bem legal.
- Ah, é? Você pode me mostrar?
- Claro.
E então ele me beijou. Finalmente me beijou. E eu percebi quanto tempo eu tinha perdido, porque o beijo do Harry era simplesmente perfeito. Eu podia ficar ali a minha vida inteira, porque eu estava beijando o garoto que eu amava e que eu sabia que me amava também.
Harry estava esperando por isso à mais tempo que eu, então colocou toda sua força de vontade nisso. Se ele queria fazer com que fosse inesquecível, conseguiu.
Nós nos separamos por falta de ar. Eu abri os olhos, mas Harry manteve os dele fechados. Aproveitando o momento, eu fiz carinho em seus cachos e susurrei em seu ouvido.
- Eu te amo, Harry Styles. Eu te amo.
Ele sorriu e abriu os olhos, radiante. Essa era, com certeza, a melhor sensação da minha vida.
- Eu te amo mais, Natália Bispo. Muito mais.
Ele sorriu e me beijou mais uma vez. Os lábios de Harry eram tão macios, tão viciantes. Agora eu entendo porque as meninas sempre correm atrás dele novamente. Ele passou os dedos pela base das minhas costas, me dando um arrepio e eu arranhei sua nuca de leve. Tivemos que nos separar mais uma vez.
- Acho que eu preciso deixar você descansar, agora. – ela disse arrumando os fios bagunçados da minha franja.
- Ah nãããão. – eu reclamei
- Shhh. – ele colocou um dedo nos meus lábios – Você precisa ficar boa pra sair daqui logo e nós vamos poder aproveitar nossa vida de casal.
- Vida de casal? – eu ri
- Sim. Você é minha namorada agora. – ele beijou meu pescoço – Minha. – ele beijou o outro lado do meu pescoço – E só minha. – ele me deu um selinho.
- Vai me deixar mal acostumada.
- Essa é a intenção. – ele sorriu e se levantou – Fica bem logo, princesa. – ele beijou minha testa. – Eu te amo.
- Eu também te amo, Harry.
Ele soltou minha mãos aos poucos e saiu do quarto, me deixando mais feliz que nunca.
Fale com o autor