Same Mistake

4 Right Place, Wrong Reasons


Os dias seguintes passaram mais rápido do que Bella Swan conseguiria explicar. Já era final de Março de 2015...

Havia algo na presença de Edward Masen que alterava a percepção do tempo, como se as horas se tornassem mais curtas quando ele estava por perto e mais longas quando não estava. Não era apenas a frequência com que ele aparecia na Swan Grand Hotels, nem a forma como sua opinião começava, pouco a pouco, a se tornar indispensável nas decisões estratégicas. Era algo mais sutil. Mais perigoso.

Era a maneira como ele se tornava parte da rotina dela sem pedir permissão.

No início, eram apenas reuniões. Conversas pontuais. Trocas de ideias que começavam formais, mas terminavam com um tom quase pessoal. Edward sempre sabia quando encerrar um assunto de trabalho e introduzir algo mais leve, uma observação, um comentário, uma provocação sutil que fazia Bella sorrir sem perceber.

— Você sempre analisa as pessoas desse jeito? — perguntou ela certa tarde, apoiando o queixo na mão enquanto o observava.

Edward ergueu o olhar do tablet, encontrando o dela com calma.

— Desse jeito como?

— Como se estivesse tentando descobrir algo que elas não estão dizendo.

Ele sustentou o olhar por um segundo a mais.

— E se eu estiver?- Ele a provocou sorrindo torto.

— Então eu diria que é um pouco invasivo.— Bella estreitou levemente os olhos, intrigada.

— Ou eficiente.- ele brincou

— Você definitivamente não é comum.- Ela soltou uma pequena risada, balançando a cabeça.

— Ainda bem — respondeu ele.

E, naquele momento, Bella não soube dizer exatamente por quê… mas aquilo soou como algo bom.


Edward não invadia. Ele se infiltrava, era quase imperceptível.

Ele começava ficando alguns minutos a mais depois das reuniões. Depois, passou a sugerir cafés rápidos entre compromissos. Em seguida, jantares para discutir ideias com mais calma. E, quando Bella percebeu, ele já estava presente em momentos que não tinham absolutamente nada a ver com trabalho.

E o mais perigoso?

Ela não queria que fosse diferente.

— Você devia descansar mais — disse ele em uma noite, encostado no batente da porta da sala dela, enquanto Bella ainda revisava documentos.

— Eu descanso — respondeu ela, sem tirar os olhos dos papéis.

— Isso não conta — ele caminhou até a mesa, puxando delicadamente o documento da mão dela.

Bella franziu a testa.

— Ei! — ela protestou.

— Você já leu isso três vezes — disse ele, folheando rapidamente — e não vai mudar nada na quarta.

Ela cruzou os braços, encarando-o.

— E desde quando você decide isso?

— Desde que comecei a prestar atenção em você.

O silêncio que se seguiu foi curto… mas suficiente para mudar a temperatura do ambiente.

Bella desviou o olhar por um segundo.

— Você fala como se me conhecesse há anos.

— Não preciso de anos — respondeu ele — só de atenção.

Ela não soube responder e isso era raro.

27 de Março de 2015

Forks estava mergulhada na típica chuva fina quando Bella saiu do prédio naquela noite. O céu parecia baixo demais, pesado demais, como se refletisse algo que ela não conseguia nomear. Ela apertou o casaco contra o corpo, caminhando em direção ao estacionamento, o som da chuva preenchendo o silêncio ao redor.

— Você vai pegar chuva à toa.- A voz dele veio de trás, firme, calma.

Bella se virou.

Edward estava ali, alguns passos atrás, segurando um guarda-chuva fechado, como se já soubesse que iria encontrá-la.

— Eu achei que você já tivesse ido embora — disse ela, surpresa.

— Eu achei que você fosse embora mais cedo.

Ela sorriu de leve.

— Eu sempre acho isso também.

Ele se aproximou, abrindo o guarda-chuva e posicionando-o acima dos dois com um movimento natural, como se já tivesse feito aquilo antes.

Como se fosse… íntimo.

— Vem — disse ele.

Bella hesitou por um segundo.

Mas apenas por um segundo.

Eles começaram a caminhar juntos, lado a lado, próximos o suficiente para que ela sentisse o calor dele mesmo com o frio da noite.

— Você faz isso com todo mundo? — perguntou ela, olhando para frente.

— Isso o quê?

— Aparecer do nada, com respostas prontas, como se já soubesse exatamente o que a outra pessoa precisa.

Ele soltou uma leve respiração pelo nariz, quase um riso.

— Não.

— Então por que comigo?

Edward demorou um segundo.

Mais do que o normal.

— Porque você deixa.

Bella parou.

Ele também.

A chuva continuava caindo ao redor, suave, constante, quase como um pano de fundo perfeito para o momento que se formava entre eles.

— Isso não responde — disse ela, virando-se para encará-lo.

Edward deu um passo mais próximo.

— Responde mais do que você quer admitir.

O coração dela acelerou.

Ela podia ouvir.

Sentir.

Quase ver.

— Você é sempre assim? — perguntou ela, a voz mais baixa agora.

— Assim como?

— Difícil de entender.

Ele a observou por um longo segundo.

— Só quando vale a pena ser entendido.

O ar entre eles ficou mais denso.

Mais quente.

Mais… inevitável.

Bella respirou fundo, tentando manter o controle que sempre teve, o controle que sempre funcionou.

Mas não ali.

Não com ele.

— Isso é perigoso — murmurou ela.

— O quê?

— Isso… — ela gesticulou levemente entre os dois — Essa sensação.

Edward não se afastou, não recuou.

— Você tem medo?

Ela hesitou e isso já era resposta suficiente.

— Eu não gosto de perder o controle — disse ela.

— Então não perde — respondeu ele, a voz baixa, próxima — Escolhe.

O olhar dela vacilou.

— E se eu escolher errado?

Ele se aproximou mais um passo.

Agora não havia mais espaço entre eles.

— Então a gente erra junto.

A frase caiu como uma confissão ou como uma promessa.

Bella não soube dizer, só soube que, naquele instante, tudo dentro dela parecia apontar na mesma direção.

Ele.

Edward levantou a mão devagar, como se desse a ela tempo para recuar.

Ela não recuou.

Os dedos dele tocaram o rosto dela com uma delicadeza inesperada, quase contraditória com tudo que ele representava.

E então…

o mundo pareceu parar.

O beijo começou lento.

Quase cuidadoso.

Como se ambos estivessem testando algo que já sabiam que não teria volta.

Mas, em poucos segundos, aquilo mudou.

A intensidade cresceu.

A proximidade se tornou inevitável.

A respiração falhou.

Bella segurou levemente o casaco dele, como se precisasse de algo para se manter ali ou para não se perder completamente.

E Edward…pela primeira vez em muito tempo…não estava completamente no controle.

Havia algo naquele momento que não era cálculo.

Não era estratégia.

Era real.

E isso o desestabilizou por um segundo.

Mas apenas por um segundo.

Quando se afastaram, a respiração dos dois estava irregular, o silêncio entre eles mais carregado do que qualquer palavra poderia ser.

Bella abriu os olhos devagar, ainda próxima demais.

— Isso… — ela começou, sem terminar.

Edward encostou a testa na dela.

— Eu sei.

Mas ele não sabia.

Não completamente e era exatamente isso que tornava tudo ainda mais perigoso. Então ele a beijou novamente...

13 de Abril de 2015

Depois daquele beijo, nada voltou ao que era antes.

E, ao mesmo tempo…tudo pareceu se encaixar perfeitamente.

Edward passou a fazer parte da vida de Bella de forma definitiva. Não apenas nos negócios, mas nos espaços pessoais, nos momentos silenciosos, nas decisões pequenas e nas grandes.

Ele estava sempre ali.

Sempre disponível.

Sempre… certo.

Jantares se tornaram rotina.

Conversas se tornaram mais profundas.

Risos mais frequentes.

E, aos poucos…

Bella começou a se apoiar nele de uma forma que não percebia.

— Você confia em mim? — perguntou ele certa noite, os dois sentados no sofá da casa dela, o clima tranquilo, quase íntimo demais.

Bella não hesitou.

— Confio.

A resposta veio fácil.

Natural.

Perigosa.

Edward a observou em silêncio e, por um breve instante…algo passou pelo olhar dele.

Algo que ele rapidamente escondeu.

— Então deixa eu te ajudar com tudo isso — disse ele, a voz mais suave.

Bella assentiu.

E, naquele gesto simples…

ela entregou mais do que imaginava.

O tempo passou rápido, rápido demais.

Quatro meses pareceram semanas e, quando Bella percebeu…

Edward já não era apenas parte da vida dela.Ele era… essencial.

18 de Agosto de 2015

— Isso é loucura — disse Alice, sorrindo enquanto ajustava o vestido de Bella diante do espelho.

— Eu sei — respondeu Bella, com um sorriso que não escondia a emoção.

— Mas é uma loucura boa.- Alice brincou

— Eu nunca tive tanta certeza de algo.- Bella respirou fundo, olhando para o próprio reflexo.

Alice a encarou pelo espelho, os olhos brilhando.

— Ele te faz feliz.- A baixinha disse sorrindo para a amiga.

Bella assentiu.

— Ele me faz sentir… segura.- Bella confessou sorrindo.

E isso…era tudo que ela precisava ou acreditava que era.

Do outro lado, Edward ajustava o terno em silêncio.

O reflexo no espelho mostrava um homem no controle.

Sempre. Mas, lá no fundo…havia algo diferente.

Algo que ele não havia previsto.

Algo que ele não sabia se queria enfrentar.

Ele fechou os olhos por um segundo e então abriu.

Frio novamente.

Controlado novamente.

Pronto.

Porque amar Bella Swan…nunca fez parte do plano.

Mas casar com ela…sim.