Same Mistake
6 Falling Too Fast
Outubro de 2015
A felicidade não desaparece de uma vez.
Ela não se quebra em um único momento, não desmorona com um único erro, não grita antes de ir embora. A felicidade… se transforma. Se dilui. Se ajusta silenciosamente até que aquilo que antes era leve comece, pouco a pouco, a pesar.
Bella Swan não percebeu quando isso começou.
Para ela, tudo ainda era perfeito ou quase.
As manhãs continuavam tranquilas, com a luz suave atravessando as janelas amplas da casa que agora dividia com Edward. O som da cafeteira, o cheiro de café fresco, os passos dele pelo ambiente, tudo parecia encaixado, harmônico, como se finalmente tivesse encontrado o lugar exato onde deveria estar.
— Você acordou cedo — disse Bella, encostada no balcão da cozinha, observando Edward organizar algumas pastas sobre a mesa.
Ele não levantou o olhar imediatamente.
— Algumas coisas não podem esperar — respondeu, com naturalidade.
Bella se aproximou, apoiando as mãos na superfície de mármore.
— Trabalho?
— Sempre — ele respondeu, fechando uma das pastas antes de finalmente encará-la — Mas nada que eu não resolva rápido.
Ela sorriu.
— Você não para nunca.
— Alguém tem que garantir que tudo continue funcionando — disse ele, a voz calma, mas carregada de algo que Bella não soube identificar completamente.
— A gente sempre deu conta — respondeu ela, com leveza.
Edward inclinou levemente a cabeça.
— E vai continuar dando… só que melhor.
Bella assentiu, aceitando aquilo sem questionar.
Porque fazia sentido.
Porque era Edward e confiar nele já não era mais uma escolha consciente.
Era automático.
No escritório da Swan Grand Hotels, o movimento seguia intenso como sempre. Funcionários iam e vinham, decisões eram tomadas, reuniões se sucediam… mas havia algo diferente.
Sutil.
Quase imperceptível.
Mas presente.
Edward agora estava em todos os lugares.
— Eu já revisei esses contratos — disse ele, antes mesmo que Bella terminasse de folhear os documentos durante uma reunião com a diretoria.
Bella levantou o olhar, surpresa por um segundo.
— Já?
— Sim — respondeu ele, apoiando as mãos na mesa — e fiz alguns ajustes. Nada grande… só otimizações.
Os executivos trocaram olhares discretos.
Bella hesitou.
Por um instante.
— Você pode me mostrar depois? — perguntou ela.
Edward assentiu, sem se incomodar.
— Claro.
Mas não mostrou.
Porque, ao final da reunião, já havia outro assunto, outra prioridade, outro momento… e aquilo simplesmente passou.
Como pequenas coisas costumam passar.
Alice percebeu primeiro.
Não foi algo específico, não foi um evento isolado. Foi um conjunto de sensações, de detalhes que não se encaixavam completamente.
Ela estava sentada na sala de Bella, observando enquanto a prima assinava mais um conjunto de documentos com rapidez.
— Bella… — começou Alice, apoiando o cotovelo na mesa — Você leu isso?
Bella nem levantou o olhar.
— É coisa do Edward.
Alice franziu levemente o cenho.
— Eu sei… mas você leu?
Bella parou por um segundo, levantando os olhos.
— Eu confio nele, Alice.
A resposta veio fácil.
Simples.
Definitiva.
Alice sustentou o olhar dela por alguns segundos.
— Eu também confiava em algumas coisas que depois não fizeram sentido — disse ela, com cuidado.
Bella soltou uma pequena risada, balançando a cabeça.
— Você está pensando demais.
— Eu sempre penso — respondeu Alice — É por isso que eu normalmente estou certa.
O silêncio que se seguiu foi leve… mas não completamente confortável.
Bella voltou a olhar os papéis.
— Está tudo sob controle — disse ela.
Alice não respondeu.
Mas também não acreditou completamente.
Emmett não foi sutil, ele nunca era.
— Eu não gosto dele.- disse seco e direto.
A frase veio direta, sem rodeios, sem suavização, no meio de um jantar aparentemente tranquilo na casa de Carlisle e Esme.
Bella ergueu o olhar imediatamente.
— Emmett...
— Eu tô falando sério, Bells — continuou ele, apoiando os cotovelos na mesa — Tem alguma coisa errada nesse cara.
— Ele é meu marido, Emm — respondeu Bella, o tom mais firme agora.
— Eu sei exatamente quem ele é — disse Emmett — E é por isso que eu estou falando isso.
O clima na mesa mudou.
Carlisle observava em silêncio.
Esme parecia desconfortável.
Alice… atenta.
— Você está exagerando — disse Bella, cruzando os braços.
— Não estou — respondeu Emmett — Você tá entregando tudo na mão dele.
A frase caiu pesada.
Bella respirou fundo, sentindo algo dentro dela reagir — não dúvida, mas defesa.
— Eu confio nele — repetiu ela.
— E se isso for um erro?- insistiu Emmett
— Não é.- disse Bella aborrecida.
— Como você tem tanta certeza?
Bella olhou diretamente para ele.
— Porque eu conheço o Edward.
Emmett sustentou o olhar por um longo segundo.
— Você acha que conhece.
O silêncio que se seguiu foi mais forte do que qualquer discussão.
Novembro de 2015
Edward estava no controle.
Ou, pelo menos, era isso que ele dizia a si mesmo.
— Já está quase tudo no seu nome — disse Jasper Hale, encostado na mesa do escritório particular que Edward agora ocupava dentro da empresa.
Edward observava os documentos à sua frente, a expressão neutra.
— Falta pouco.
— Mais do que o esperado — comentou Jasper.
— Eu prefiro precisão do que velocidade.
Jasper cruzou os braços, analisando-o.
— E ela?
A pergunta veio sem peso.
Mas não era leve.
Edward demorou um segundo.
Curto.
Mas perceptível.
— Está tranquila — respondeu ele.
— Tranquila ou cega?
Edward levantou o olhar, frio.
— Não começa.
Jasper ergueu as mãos levemente.
— Eu não estou julgando. Só estou perguntando.
O silêncio se instalou por alguns segundos.
— Ela confia em mim — disse Edward, por fim.
Jasper assentiu devagar.
— É… isso eu percebi.
Mais um silêncio.
— Só não esquece que confiança… quando quebra… não volta igual.
Edward não respondeu.
Porque ele sabia.
E, mesmo assim…
continuava.
À noite, a casa estava silenciosa.
Bella estava sentada no sofá, com os pés recolhidos, observando Edward trabalhar no laptop à sua frente. A luz da tela refletia no rosto dele, destacando a concentração, a seriedade… a distância.
— Você está distante hoje — comentou ela, suavemente.
Edward não respondeu imediatamente.
— Só cansado.- Mentiu
Bella inclinou a cabeça.
— Você anda cansado há dias.
Ele fechou o laptop, apoiando-o na mesa, e se aproximou dela.
— Eu só estou tentando garantir que tudo fique bem.
— Já está — disse ela, tocando o braço dele — Você não precisa fazer tudo sozinho.
Ele a observou e, por um instante…algo passou pelo olhar dele.Algo que não era cálculo.
— Eu faço porque quero — disse ele.
Bella sorriu, apoiando a cabeça no ombro dele.
— Eu sei.
Silêncio.
Confortável.
Mas com algo escondido por baixo.
— Eu estava pensando… — começou Bella, a voz leve — Na gente.
Edward olhou para ela.
— Sobre?
— Futuro… — respondeu ela — uma casa maior, filhos...Talvez um cachorro...
Ela sorriu imaginando tudo isso e ele ficou em silêncio por um segundo.
— Você quer isso?- perguntou
Bella ergueu o olhar.
— Quero muito.
Simples.
Direto.
Verdadeiro.
Edward passou a mão pelo cabelo dela, pensativo.
— Então a gente vai ter tudo que sempre quisemos... Podemos começar agora, o que acha?
Ela sorriu.
Sem perceber que, naquele momento…ele não estava falando do mesmo futuro que ela imaginava.
Os dias continuaram.
As assinaturas também ecada papel assinado era um passo a mais.
Mais controle.
Mais poder.
Mais proximidade do fim.
Bella não via ou não queria ver, porque confiar era mais fácil do que duvidar.
Porque amar era mais simples do que questionar.
Porque Edward…ainda era o homem que ela escolheu.
E, enquanto tudo parecia perfeitamente alinhado…o perigo já não era mais uma possibilidade.
Era uma certeza silenciosa, inevitável e cada vez mais próxima.
Porque Bella Swan ainda acreditava que estava segura…sem perceber que já não tinha mais nada que realmente fosse dela.
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