Samantha Roberts - O Infiltrado
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Notas iniciais
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E o sonho foi o mesmo. Meses para cá eu só venho sonhando com isso. Eu sei o que você está pensando, acredite, posso ler pensamentos. "Mas são só sonhos.". Mas quando você é um semideus eles nunca são somente sonhos. São mais que isso.
Eu estava no Tamalpais. Eu olhava para os lados desesperadamente. Nick não estava comigo. Jenny não estava comigo. Briana e nenhum de meus irmãos. Eu estava sozinha, ou melhor, eu me sentia sozinha. Corri para a ponta do desfiladeiro e olhei para baixo. Era lá que Nick havia caído ano passado.
Eu sentia uma angústia dentro de mim. Raiva, dor descomunal. Meus olhos estavam cheios de lágrimas. Eu queria pular.
– Isso mesmo, cara irmã. Pule.
Olhei para trás e encontrei Sócrates, meu irmão maquiavélico. Não consegui ataca-lo, pedir ajuda ou gritar Sofía para Sabedoria aparecer em minhas mãos. Simplesmente me virei e continuei a olhar para baixo. Sócrates continuou.
– Quantas decepções, não? Pessoas que você julgou amigas passaram para o lado vencedor. E você se recusa a ficar comigo. Então eu tenho que te fazer sofrer. E vejo que pelo seu rosto consegui. A dor é muita, não é? Acabe com isso de uma vez. Pule, Sam. Pule.
Acordei num sobressalto. Foi só outro sonho, pensei. Se acalme.
Me espreguicei. Nada me iria por para baixo hoje. Ultima prova do ano! Depois de mais uma semana chegariam as férias de verão. Eu iria ver Nick de novo! Ah, e meus outros irmãos, é claro. Mas eu iria ver Nick de novo! Olhei para a cômoda ao lado de minha cama. Lá havia um porta-retrato com uma foto nossa. Sim, aquela mesma foto que tiramos no quarto de Susana um ano atrás. Dei um beijo na foto de Nick.
Fui para a cozinha para tomar o café da manhã. Fiz um bom suco de laranja natural e torradas. Manteiga com sal. Tudo delicioso. Guardei tudo e lavei a louça. Isso mesmo: lavei a louça de livre e espontânea vontade. Eu estava felicíssima mesmo.
Fui me trocar e pus o uniforme do colégio – que a propósito era ridículo. Tentei dar mais uma lida no resumo que eu fiz para estudar para a prova, que era de história. Fácil. Quando passei pela sala me deparei com meu pai, assistindo TV e com os pés em cima da mesinha de centro.
– Hã, pai? É melhor o senhor tomar seu café, senão pode se atrasar. – O aconselhei.
– Relaxe, filha. Parece que estão treinando um novo professor lá na universidade. Ele pegou minhas aulas e me deram folga hoje. – Papai se levantou e deu aquele mesmo sorriso simpático de sempre.
Ele me deu um abraço de bom dia e pôs minha franja atrás da orelha, ele disse que rosto aparece mais assim. Soltei minha franja de novo.
– Eita, adolescente rebelde. – Ele riu. – É, eu tenho uma aborrecente em casa. Estou ficando velho.
– Está sim. Olhe esses cabelos grisalhos. – Eu disse e depois baguncei seu cabelo.
– Bancando a engraçadinha?
Dei ombros.
— Tempo demais com o Nick no último semestre.
Papai arrumou seu cabelo e o colarinho da camisa.
– Sei. Depois eu quero conhecer essa tal de Nicholas. Saiba que vocês terão de ter a minha aprovação para esse namoro.
– Sei que teremos. Porque você é um ótimo pai – Dei um beijo em sua bochecha. – e ele me faz muito feliz, e é com isso que o senhor se importa. Certo?
– Hmm, certo. Quer carona para a escola? – Papai perguntou.
– Ah, claro. Por que não?
Meu pai me deixou na porta da escola. Eu estava indo em direção em meu armário quando avistei Jenny falando com um menino. Ela deu tchau para ele, quem me parecei ser o Dylan, e pôs seus livros no armário. Corri e a abracei pelas costas.
– Socorro! – Jenny pediu ajuda. — Estuprador em ataque!
Ela se desvencilhou de mim.
– Que felicidade é essa? – Jenny perguntou.
– Sei lá. Eu sou feliz. O mundo é feliz!
– É, tô sabendo, garota apaixonada. Vamos que o sinal já vai bater.
Peguei meus livros no armário – que era ao lado do de Jenny. Ela se transferiu para o mesmo colégio que eu, para ficarmos juntas. Além disso, fazíamos as mesmas aulas. Todas mesmo. Eu arrastei-a para a iniciação de desenhos e ela para as aulas de músicas. Sim, éramos péssimas. Mas o importante é que nos divertíamos com o desastre da outra.
O resto do dia foi ... bom, isso é escola. A prova era só no quarto tempo. O professor entregou-nos a prova. Fixei meus olhos nelas. As letras se embaralharam e ficou uma confusão só. O que está escrito aqui? Joguei meu lápis em cima da mesa de tanta frustação. ‘’ Acalme-se, Sam. ‘’, disse a voz de minha mãe. Eu não falava com ela desde a última vez que fui ao Olimpo. Olhei de novo para as alternativas, as letras voltaram para o lugar. Obrigada, mãe. Essa eu sabia. Já estudei sobre essa. Muito fácil. Fui a primeira a entregar a prova. Jenny olhou para mim e disse com os olhos: Que mágica você fez? Ah, em seguida disse: Me passa cola?
– Nenhuma mágica. E não vou te passar cola, pela bilionésima vez! – Respondi em sua mente.
Logo bateu o sinal e todos entregaram as provas. A próxima aula era de biologia. Sentei lá no fundo com Jenny. A aula dele estava bem chata. Por mais que eu quisesse, não consegui me concentrar. Peguei meu celular — Sim, celular. Convenci meu pai que agora eram os monstros que tinham que ter medo de mim. – e pus música para tocar. Escondi os fones de ouvido com meu cabelo.
Tudo tranquilo, músicas gostosas de ouvir. Aí começa a tocar Crazier e eu me corroo de saudades. Fui para a galeria de meu celular. Fiquei vendo as fotos que Nick me mandara durante esse tempo. Nos mandávamos torpedos, fotos, cartas e bilhetinhos, M.I.’s e , quando os dracmas acabavam, nos arriscávamos a uma ligação para ouvir a voz do outro. Lógico que durava no máximo vinte minutos até um ser atacado por um monstro, mas valia o risco. Dia quatro de julho iriamos fazer um ano de namoro! Nick e eu construímos um amor inacabável. Apostaram no acampamento que duraríamos no máximo dois meses, acredita? Qual é minha frase mesmo? Na sua cara!
– Ai, que saudades. – Comentei em voz alta dessa vez.
Jenny, que estava sentada atrás de mim, pôs sua cabeça mais a frente e começou a ver as fotos também.
– E você ainda me mandava calar a boca quando eu os chamava de pombinhos. Cara, sou em quem faz as previsões nesse trio. – Jenny se gabou.
– Jenny
– O que foi? – Ela perguntou.
– Cala a boca. – Eu mandei e depois ri.
O professor bateu a mão em sua mesa e olhou para nós. Recolhi os fones de ouvido na hora.
– Com licença, Srta. Roberts e Srta. McGuire, mas minha aula está atrapalhando sua conversa? – O Sr. Howard perguntou
– Não, senhor. Nos desculpe. – Jenny pediu e voltou para sua carteira.
Depois disso o sinal logo bateu. Finalmente o dia de aula acabou. Recolhi todos meus livros e fui em direção ao meu armário junto com Jenny. Tudo certo até encontramos o clã de patricinhas que podemos dizer que é o nosso inimigo. As apelidamos de Skinnys, porque são um bando de magricelas que somente se importam com a aparência. Kimberly era meio que sua líder. Ela esbarrou em mim de propósito e deixou todos meus livros caírem.
– Ops! – Kimberly falou a pos sua mão na frente da boca. — Nossa, foi sem querer, Samara. Me desculpa.
– É Samantha! – A corrigi. Na falta de um Sr. D...
– E qual é a diferença das duas aberrações? – Kimberly perguntou.
– É isso aí Kim! – Uma de suas corrompidas seguidoras falou.
– Escute aqui sua... – Eu já iria fazer seu cérebro explodir, ou fazer com que ela arrancasse seu aplique contra vontade mas tive uma ideia melhor.
– Sam, o que você vai fazer? – Jenny perguntou ao ver minha expressão.
Fui para meu armário e procurei algo de meu trabalho para a colcha de retalhos. Achei. Tinta de tecido preta. Voltei para o campo de guerra onde Jenny estava tentando acalmar as coisas e respondendo à altura alguns insultos.
Jenny arregalou o olho ao ver o pote de tinta. Me virei para Kimberly.
– Está vendo isso? Você irá abrir o pote e jogar toda a tinta em si. – Eu a ordenei.
– O que? Esta ficando louca além de idiota?
– Você irá abrir o pote e jogar toda a tinta em si. – Repeti, dessa vez com mais vigor.
Eu bem que queria que esse meu poder fosse tão forte quanto o dos filhos de Afrodite. Eu tenho que repetir a ordem pra pessoa umas quinhentas vezes. Kimberly hesitou, mas arrancou o pote de tinta da minha mão e jogou a tinta em cima dela.
– Agora você irá atrapalhar o treino do time de futebol e gritar ‘’ eu sou uma Skinny!’’, certo? Agora tchau.
E com isso ela correu para o ginásio. Depois suas seguidoras foram atrás pra certificar se ela não estava pirando de vez. Jenny aplaudiu e depois fizemos nosso toque. Pegamos ele do seriado da Disney Hannah Montana. O mesmo que a Miley faz com a Lilly.
Peguei meus livros do chão e os guardei no armário.
– Genial, Sam! Eu amei. Deveria ter feito isso com elas há muito tempo!
Fechei a porta do armário.
– Serio? Nem sei por que fiz isso. Só sei que eu gostei. E aí? Ansiosa para voltar ao acampamento? – Perguntei.
– Logico, né. Não vejo Victor há muito tempo. Estou com tantas saudades quanto você. Nem te conto. Hoje eu sonhei com ele. Foi tão perfeito.
– Gostaria de ter essa sorte.
– Ei! O Victor é só meu, traíra. Vou contar pro Nick!
– Estou falando de sonhos, sua ciumenta idiota. Sonhar. Faz um bom tempo que eu não sonho.
– Ah, nesse caso retiro o que disse. Eu te amo, tá? Ainda vem tendo aqueles pesadelos?
– Sim... e não estou gostando disso.
Nesse momento algo me levou a desviar meu corpo para a direita. Uma lança passou por mim e atravessou o armário. Olhei para trás e vi as mulheres serpentes. Dracaenaes.
– Sofía! – Eu gritei. Sabedoria se materializou em minhas mãos.
Olhei para o lado e Jenny já estava com seu fiel arco nas mãos e flechas na aljava. Quando eu iria partir para o ataque tive uma surpresa.
– Ei, suas cobras! Deixem minha namorada! – A voz de Nick vinha do corredor mais a frente.
Daqui a pouco vejo um cara com tridente na mão e que tropeça ao partir para o ataque. Deuses, esse é o meu Nick!
– Oi, amor. – Ele disse. Nick me deu um selinho e foi para a luta.
Espere. Deixe-me raciocinar. Se não fosse meus instintos uma lança atravessaria minha barriga, dracaenaes atacam a escola e agora meu namorado, que deveria estar em Utah, aparece pronto para a batalha. Sonho?
– Sam! Você é muito distraída! – Jenny se queixou.
Depois dessa eu entrei na luta. Jenny acertou uma das dracaenaes na garganta e ela se desintegrou. Uma tentou me dar um golpe na barriga. Girei meu corpo e bati com o punho de minha espada na mão da dracaenae, que deixou a espada cair. Depois lhe cortei pelo braço e ela também virou cinzas. Nick acertou duas dracaenae com os dentes de seu tridente.
– Jenny, abaixe! – Nick mandou.
Quando ela se jogou no chão uma dracaenae iria esfaqueá-la pelas costas. Nick atirou nela com o tridente. Deuses, minha melhor amiga quase morre!
Depois de algum tempo acabamos com todas as dracaenaes. Apertei a coruja de minha espada, ofegante, e ela voltou para meu pescoço. Nossa, essa foi difícil. Mas, espera aí. Nick está aqui!
– Nicholas! – Gritei e corri para abraça-lo.
Ele me deu um abraço apertado e me girou no ar.
– Srta. Wikipédia, quantas saudades! – Ele disse.
Depois disse eu o abracei pelo pescoço e lhe dei um beijo. Deuses, que saudades dos beijos de Nick. Não que a gente viva se beijando. Ah, você entendeu.
– Ah, como eu quero o meu Victor! Eu estou de vela aqui! – Jenny reclamou.
Nick deu risada.
– Ah, Jenny. Eu fiquei de vela um tempão enquanto Nick estava fora de área. Me deixe namorar um pouco. – Nós rimos. – Ei, Cabeça de Bagre, o que você está fazendo aqui? Não que esteja reclamando.
– Não é obvio? Vim te buscar na escola. Minhas aulas acabaram mais cedo, eu já iria para o acampamento. Mas decidi te ver primeiro. Eu estava morrendo de vontade de te ver. – Ele pôs minha franja para trás da orelha. Pus novamente no lugar.
– Ah, sei lá. Parecia que você sabia disso. – Percebi.
– Como eu iria saber? – Ele perguntou.
– Sabendo.
Peguei sua mão e fomos para fora. Andamos algumas quadras quando Nick parou de andar.
– Onde estamos indo? – Ele perguntou.
– Para a minha casa. Você tem que conhecer uma pessoa.
Jenny gargalhou imaginando a cena.
– Quem? – Ele perguntou.
– Meu pai.
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