Samantha Roberts - O Infiltrado
23 Um banho alternativo
Você pode tentar dar qualquer outro exemplo, mas nada é pior do que a dor que eu estava sentindo.
Acordei com Mary dando tapinhas em mim. Minha mesa estava toda molhada, mas eu não queria me levantar. Eu não queria fazer nada. Queria ficar ali parada e esperando tudo melhorar. É, eu iria ficar parada por muito tempo.
Mary me entregou a adaga de Briana, fiquei a encarando. Ela me disse que era a hora das queimas das mortalhas, eu tinha que prestar essa homenagem a minha irmã. Eu tinha que ser forte para isso. Pus meu cinto e embainhei minha nova adaga nele, eu iria leva-la com orgulho.
O acampamento estava triste naquela manhã. Alguns campistas estavam chorando, eu os compreendia muito bem. Todos se reuniram para a cerimônia. Quíron estava falando algo para todos, mas não prestei muito atenção. Fiquei concentrada para descobrir quem eram os mortos.
Foram seis mortos naquela batalha: Miley, filha de Apolo; Pedro, filho de Íris; Jessica, filha de Ares; Thiago, filho de Hermes; Jay, filho de Deméter e Briana.
As mortalhas eram lindas. A de Miley parecia ser tecida em fios de ouro, uma lira era bordada. A de Pedro era colorida, com alguns fios dourados na ponta. A de Jessica era vermelho vivo, com um javali estampado. A de Thiago, com um caduceu. A de Jay era verde com flores desenhadas. Só que a de Briana era perfeita. Era prateada, refletia a luz do fogo logo atrás que até cegava meus olhos. Folhas de oliveira foram bordadas em suas extremidades, a estampa era de coruja.
Elas foram queimadas uma por uma. Alguns de seus irmãos e amigos subiram para dar algumas palavras, muitos choraram, muitos proferiram palavras marcantes, e todos queriam matar Sócrates. Mas ele é meu.
A mortalha de Briana foi a última a ser queimada. Mary, Clarck e Heitor subiram no palco para representar nosso chalé e falaram algumas coisas. Como amigos foram Jenny, algo que gostei nenhum pouco, aliás, ela era uma das culpadas por Briana ter morrido. Yan, que era filho de Afrodite, e Haley.
Era a minha vez. Todos estavam me olhando, esperando que eu falasse algo bonito. Não sou a melhor oradora do mundo, odeio fazer isso. Então procurei me lembrar de tudo o que passamos juntas. Das vezes que discutimos por coisas bobas, nossas brincadeiras infantis, peças mais espertas do que os dos filhos de Hermes com nossos irmãos, dos sermões que eu recebia quando eu ficava até de madrugada com Nick na floresta, de nossas cartas durante o ano letivo. Simplesmente as palavras fluíam depois disso.
– Briana significa muito para mim, muito mesmo. – Comecei. – Foi uma de minhas primeiras amigas no acampamento. Ela sempre foi uma fonte de inspiração para mim, sempre quis ser como ela. Ela era linda, forte, corajosa, muito inteligente, sábia, a melhor guerreira que eu já vi em minha vida – Pus a mão na adaga em minha cintura -, sem medo. Briana era destemida. Era minha mãezona aqui, bem chata. Mas quer saber? Eu a amava demais. Amava, não. Ainda amo. Briana vai ficar para todo o sempre em meu coração, sempre irá ser lembrada. – Fiz uma longa pausa. Eu estava quase chorando, eu tinha que segurar. Fechei os olhos e respirei fundo. Eu queria estar em qualquer lugar do mundo, mas não fazendo isso. Também me sentia culpada. – Briana veio ao meu socorro nessa batalha, quando eu não tinha mais forças para lutar. Eu simplesmente a larguei lutando contra Sócrates. Ele matou minha irmã, ela nunca mais vai voltar. Mas vai ter volta. Guardem bem essas palavras: Eu. Vou. Vingar. Minha. Irmã.
Sem mais nenhuma palavra, nem minha, nem deles. Desci do palco, eu precisa esvaziar a cabeça. Mas para onde ir? A floresta? O píer? Não, todos me traziam lembranças. Eu precisava de algo que eu meu, só meu. Algum lugar que não era ligado a qualquer outra pessoa.
Então tive uma ideia. Enfiei as mãos no bolso e fui em direção ao Anfiteatro, o refúgio dos filhos de Apolo. Entrei despercebida. Por sorte, ninguém estava lá dentro. Só havia um amigo meu, um que nunca me faria mal algum. O piano Fritz Dobbert preto estava brilhando, a madeira deve ter sido polida há pouco tempo.
Como de costume, passei a mãos pelas teclas do piano delicadamente antes de me sentar. A piano estava aberto com uma partitura no apoio. Para mim, não havia melhor música nesse momento para ouvir. Era Iridescent, do Linkin Park. Era a música que eu mais gostava deles, a letra é linda. Fala que, quando estarmos desamparados, temos de pegar toda nossa tristeza e deixar ir embora.
Comecei a toca-la da forma mais intensa que eu conseguia. A música me faz bem de algum modo também. Ouvi passos pesados atrás de mim. Olhei para trás e avistei minha companheira de piano. Mas Queen não parecia nada feliz em estar no piano comigo. Ela cruzou os braços e ficou batendo, seu semblante era sério.
– Você pensava que eu era a infiltrada. – Ela finalmente disse. – Foi por isso que você me chamou para missão, não tinha nada dessa de me achar poderosa ou querer se aproximar de mim. Era tudo falso.
– Queen, eu...
– Isso não é verdade? – Ele me cortou.
Suspirei.
– É. Mas não é só isso. Eu não menti depois, eu...
– Ah, sei. No começo tudo era um plano, mas aí depois você esqueceu que tinha um plano e quis ser minha amiga de verdade. Faça-me um favor, Samantha. Isso é clichê nível máximo. Eu não acredito que eu acreditei nisso. Para mim foi real, ok? Fica toda ressentida por Jenny ter mentido para você, mas também faz isso. Só que ela fez isso por que te ama. Ela sabia que você não iria conseguir completar a missão nesse estado que você está agora, iria ficar nessa depressão aí. Se você não conseguiu lutar com Sócrates no seu estado normal, é lógico que seria morta do outro jeito. Agora, você mentiu para seu interesse.
Era verdade, era mesmo. Eu me senti culpada por ter mentindo no começo para Queen, ela não merecia. Quanto à Jenny, bom, era difícil perdoar. Ainda achava que se ela tivesse me contado, a batalha poderia ser evitada. O ponto de vista de Queen eu iria avaliar com o tempo.
Me levantei e olhei bem em seus olhos.
– Queen, eu sei que eu errei. Mas, sabe, é verdade. Desde aquele momento que eu arranquei seu fone de ouvido no avião, para mim, tudo era verdade.
– Não acredito em você. – Ela me disse e me deu às costas, saindo do anfiteatro.
Não pude evitar, fiquei desesperada. Eu não iria aguentar aquilo. Corri atrás de Queen e fiz uma coisa que, há duas semanas, nem morta faria. Dei um abraço nela, e apertei bastante.
– Por favor, Queen. Por favor. Eu não posso perder mais ninguém, eu não sei o que eu faria. Preciso de cada amigo agora e não estou mentindo quando estou falando isso.
E para minha surpresa, ela retribuiu o abraço.
– Está... está tudo bem. – Ela respirou fundo e suspirou. — Tá certo, eu te perdoo. Só não faça isso com mais ninguém.
– Obrigada.
Depois que nos soltamos, o clima ficou meio estranho. Tão estranho demais que começamos a rir. É, eu já estava bem melhor. Mas, como sempre, eu tenho que inventar de fazer algo que me deixe pior.
Fui tentar dormir, eu não queria fazer mais nada hoje. A próxima aula era de combate com hidras. E, vai por mim, ninguém nesse acampamento conhece uma hidra melhor do que eu. Eu tinha todo o direito de ter uma licença dessa aula.
Me enfiei no meu beliche. Quando olho para a parte de cima, parece que as fotos de Nick e Briana se multiplicaram no estrado da cama de Mary, onde colei algumas fotos. Mas eu não estava a fim de rasgar mais fotos. Joguei meu lençol por cima de mim e apaguei.
...
Sonhei com quem eu não queria sonhar. Primeiramente, foi com Briana. Ela estava séria, em um tipo de canoa. Prestei muita atenção nas pessoas em sua volta, que na verdade não eram pessoas físicas, estavam mortas. Depois de um borrão nas imagens, consigui vê-la de novo, na frente de três sujeitos com capas longas e capuz. Supus que sejam os juízes, para determinar o lugar para qual Briana iria.
– Descobriu ser uma meio-sangue cedo, aos dez anos. – Falou um deles.
– Realizou quatro missões em benefício dos deuses. – Completou o outro.
– Morreu numa batalha para salva o Olimpo. Veio ao socorro do próximo. Morreu pela mão de seu próprio irmão. – Falou o terceiro juiz.
– Campos dos Elíseos. – Falaram os três ao mesmo tempo.
Mais um borrão. A vejo passar por um clarão, então Briana aparece em um lugar que mais parece o Éden. Ela sorri ao ver uma adolescente, não muito mais velha que eu. Também não muito diferente de mim, de modo que pensei que fossemos meio irmãs. Ela estava sentada embaixo de uma árvore, lendo um livro sobre uma toalha de piquenique xadrez.
– Emma. – Briana disse e foi andando até ela.
Depois disso o senário de meu sonho mudou. De repente, eu estava bem à frente de Nick, mas ele não estava me vendo. Olhei em volta. Parecia um quarto em um acampamento, só que era enorme e só havia uma cama grande de casal. O quarto era bem equipado com eletrônicos e móveis aparentemente confortáveis. Aliás, ele estava ouvindo música em seu IPhone.
Nick abriu uma gaveta e de lá tirou um papel. Levantei meu pescoço e vi que era uma foto, uma foto minha. Ele se jogou na cama e ficou olhando para a foto. Argh, eu queria abraça-lo. Depois de tudo que ele me fez, eu ainda queria dizer que está tudo bem e abraça-lo.
Ouvi passos e olhei para o lado. Susana entrou no quarto.
– Toc toc. Posso entrar? – Ela perguntou.
– Tanto faz. – Ele respondeu.
Ela foi até seu lado mancando e fez ele se sentar na cama.
– Sua namorada acabou comigo. – Ela riu.
– Ex-namorada. – Ele corrigiu, ainda com os olhos fixos na fotografia.
Susana apenas suspirou e deitou sua cabeça no ombro dele.
– Foi culpa minha. – Ela admitiu.
– Não, nada disso. A escolha de ficar com você foi minha. Sei que escolhi o lado certo. Sam é muito esperta, ela vai entender.
Não, eu não vou. E não pretendia. Ei, alguém pode me acordar agora? Onde está a Mary para me acordar para conversar sobre assuntos idiotas? Céus.
Susana agarrou Nick pelo pescoço e deu um croque nele.
– Então trate de se animar, maninho. – Ela mandou.
– Somos gêmeos.
Susana pigarreou.
– Sou quinze minutos mais velha. – Ela jogou o cabelo e eles deram risada. – Ei, o que você está ouvindo aí? – Ela perguntou e arrancou os fones de ouvido dele. – Hã, que música é essa? É que... sabe, a gente não ouve música quando estamos mortos. Eles também não disponibilizam Wi-Fi no Mundo Inferior para podermos baixar no ITunes.
Nick sorriu com o canto da boca.
– Digamos que é uma música especial.
Susana revirou os olhos.
– O que ela tem a ver com a Samantha? – Ela foi direta e perguntou.
– Primeiro beijo. – Nick se deitou na cama novamente. – Ela tem razão, ela sempre tem razão.
– Sobre?
– Sobre a gente poder tentar resolver isso juntos. – Ele respondeu e olhou bem para sua irmã. – Você lutaria contra seu mestre?
Susana parou um pouco, como se avalia-se a ideia.
– Não sei, Nick. Graças a ele, estou viva de novo e aqui com você. Eu devo a ele. E você também.
– Então o jeito agora é ser leal à causa. – Nick concluiu. – A rebelião começou.
Acordo com o som da concha de caranguejo. Dois sopros, isso significava reunião do Conselho de Guerra. Eu tinha que ir de qualquer jeito, o assunto obviamente sobre Sócrates. E como porta-voz do acampamento no Olimpo eu tenho que ir a todas essas reuniões.
Eu estava extremamente mal depois dessa. Tudo nesse sonho me incomodava. O jeito com Briana ficou feliz quando viu Emma, sei lá. Ela nunca ficou feliz assim em me ver. Acho que eu estava com ciúmes, o que não faz sentido já que Briana estava morta. Eu tinha que estar é feliz por ela ter ido ao lugar que merecia. Mas o fato dela ter ido para lá, quer dizer que nunca mais vai voltar. Eu nunca vou ter minha irmã de volta. Eu vivia repetindo isso para mim mesmo e nunca me conformava. Agora, Nick. Eu não estava forte o suficiente para vê-lo. E ele ainda pensava em mim, enquanto eu estava trabalhando para esquecê-lo. Mas, como ele disse, Nick já escolheu seu lado. Ele mesmo assumiu que me traiu.
Enquanto eu andava, olhava para o céu. Nuvens de chuva circulavam o acampamento. Sorte que eu abaixei o rosto a tempo de ver a coluna de sustentação da Casa Grande, senão eu iria ganhar um galo.
Todos nos sentamos em nossos lugares na mesa.
– Boa tarde, gente. – Quíron começou. – Bom, estamos aqui para duas coisas: nomear o novo conselheiro-chefe do Chalé 6, avaliar se a profecia do Oráculo foi totalmente completa ou nos resta mais alguma coisa a fazer, e tentar elaborar uma nova estratégia de guerra. E, Samantha, você foi nomeada pelos seus irmãos como a nova conselheira-chefe.
– O quê? – Quase gritei. – Isso quando?
– Quando você estava roncando. – Sr. D. me respondeu.
– Não é justo. Eu sou a mais nova no chalé! Clark é o mais experiente sem ser Briana.
– Foi uma decisão unânime. – Quíron disse. – E eu sei que Briana...
– Eu sei o que ela queria! – Eu disse, um tanto quanto arrogantemente. O que me fez sentir mal, já que Quíron era sempre tão legal comigo. – Desculpas, é que... Briana...
– Eu sei, filha. Eu sei que é difícil. Mas em tempos de guerra, os mais inteligentes sobrevivem. E é por isso que precisamos de você. Aceita essa responsabilidade?
Respirei bem fundo.
– Sim. – Respondi firme.
– Certo. – Sr. D. continuou. – Agora que Samara já foi nomeada, podemos pular para a outra parte e sair mais cedo daqui. Qual era a profecia mesmo?
– Viajarás para o leste, para o lugar de suas origens. Procurará as servas de Ártemis, a única esperança que ainda tens. Na casa da deusa as encontrará. Quem você achava que não seria, será. E a linha de sucessão continuará. – Jenny lembrou, o que era meio que sua obrigação como filha de Apolo.
– A primeira parte da profecia se cumpriu. – Disse Gabriel. – Ela foi para a Grécia e achou mesmo as Caçadoras.
– E esse ‘’ Quem você achava que não seria, será. ‘’? – Perguntou Austin, o conselheiro-chefe do chalé de Hefesto.
– É Nicholas. – Falei. – Eu sou burra demais de nunca ter pensando nisso. Eu nunca pensaria que ele faria isso comigo, me apunhalaria pelas costas. E a linha de sucessão... As duas teorias levantadas aqui foram horríveis. Sinceramente, não sei qual poderia me deixar pior. Como Sócrates disse, ele iria me deixar no chão de qualquer jeito.
– Vamos mudar de assunto, certo? – Quíron me interrompeu rápido. – Vamos falar de estratégia. É uma coisa que sempre te anima, não é Sam?
Balancei a cabeça negativamente.
– Desculpa, gente. Não estou com cabeça para isso agora. – Me levantei e andei até o Sr. D. – Pode me fazer um favor?
– Depende, se eu não tive que fazer esforço algum. – Ele respondeu.
– Não, acho que não. Está chovendo fora do acampamento. Eu queria... queria que essa chuva entrasse em nossos domínios, por favor. Além disso, todos estão repousando da batalha mesmo. Não irá atrapalhar nossas atividades.
– Por que isso?
– Quero pensar, ficar sozinha. É difícil explicar. Só faça isso, por favor.
– Está... bem. – Ele respondeu.
Então virei as costas para o conselho e fui embora.
Se eu tinha que pensar numa estratégia, faria aquilo sozinha. Não em meio as brigas e debates que sempre ocorrem em uma reunião do conselho. Fui para um lugar que ninguém ia, e quem ia não está mais aqui. Fui passear beira d’agua na praia.
Um trovão pareceu até sacudir a terra. Comecei a sentir as gotículas de chuva caírem sobre meu rosto. Minha blusa estava ficando toda molhada, ainda bem que a do acampamento não ficava transparente. Mesmo que ficasse, eu não me importava. Nada melhor que tomar um banho de chuva. É o tipo de banho que lava a alma, não o corpo.
Me sentei na água e fiquei olhando os raios caírem.
Eu tinha que pensar numa maneira eficiente para derrotar Sócrates. Tinha que descobrir para onde eles foram e quando eles vão voltar. Eu tinha que pensar como ele. Onde eu iria para buscar refúgio e treinar minhas tropas? Um lugar longe daqui, um lugar grande, onde eu possa me passar por despercebida. Esse lugar existe?
Argh. Era difícil ser como ele. Sócrates é inteligente demais para mim, eu nunca iria conseguir vencê-lo assim. Ele conseguia fazer com que eu me sentisse totalmente inferior. O odeio. Ele tirou minha irmã de mim, tirou meu namorado, fez com que eu guardasse rancor de minha melhor amiga, mesmo tentando esquecer agora.
Havia uma angústia tão enorme dentre de mim. Eu queria solta-la de meu peito, eu queria gritar. E foi o que eu fiz. Soltei toda a minha raiva e gritei bem alto, um grito que se espalhou pela praia inteira. Abracei minhas pernas e apoiei meu queixo em meus joelhos, enquanto lágrimas desciam de meus olhos.
A tempestade piorou e a chuva começou a engrossar. Se eu não soubesse que estava tudo bem, pelo menos no Olimpo, falaria que Poseidon e Zeus estavam brigando, de novo. Os raios tocavam o mar e o céu ficava num clarão, as ondas aumentaram e o mar puxava com mais força.
– Sam! Sam! – Olhei para trás e vi Zack correndo até mim, ao lado de Queen. – Você está bem? Alguém atacou você? A gente te ouviu de longe.
– Não, Zack. – Respondi. – Nesses últimos dias eu realmente estou péssima. Mas não aconteceu nada comigo, podem ir embora.
– Desde quando você manda em mim, Roberts? – Queen perguntou. – Vamos ficar com você.
Então Queen sentou-se ao meu lado, de birra. Zack fez a mesma coisa.
– Vocês podem ficar gripados. – Tentei persuadi-los a voltarem.
– Que pena. – Zack disse.
Olhei para os dois, que sorriam enquanto olhavam o mar comigo. Foi aí que eu percebi que eu não estava completamente perdida. Ainda tinha meus amigos para sentar comigo sob uma tempestade. Sorri também com o canto da boca.
– Então, nerd, algum plano genial? – Queen perguntou.
Olhei bem para o horizonte. Pensei em tudo o que eu passei, e como eu queria que ele sentisse o mesmo.
– Tenho. Vou propor essa estratégia na próxima reunião. Eu pensei em algo bem assim.
Ficamos mais meia hora na praia, eu contei tudo a eles. Um plano que eu esperava que parasse Sócrates antes que ele nos parasse.
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