Samantha Roberts - O Infiltrado
7 Chalé da Hello Kitty
Notas iniciais
Naquela noite eu tive um sonho diferente, isso se aquilo poderia ser chamado de sonho. Era mais um pesadelo, uma visão. Essa era uma das partes mais chatas de ser um semideus. Não sonhamos. Quando estamos em perigo, em guerra ou missão, não conseguimos dormir direito.
Em meu sonho eu estava no... nada. Digo, nada mesmo. Era um lugar escuro, olhei para baixo e o chão era preto. O céu era preto. O lugar não tinha fim. Decidi andar para investigar. Andei milhas e milhas. Não dormi, não comi, não falei com ninguém e o lugar não chegava ao fim. Depois de eu sentir o quanto eu estava desidratada, meus joelhos desabaram no chão. Eu estava prestes a chorar, quando algo me motivou a levantar. Era a voz dele, o motivador disso tudo.
Corri na direção da voz. Melhor, manquei na direção da voz dele. Uma faixa de luz iluminava seu rosto, mas ainda estava muito sombrio. Gritei para meu colar e ele apareceu em minha mão minha espada e arranjei forças para correr em sua direção. De repente bati com a cara em algo e voei para traz. Levantei-me, dolorida, e fui em direção a Sócrates mais devagar agora. Levei minhas mãos a frente e senti um tipo de parede invisível nos separando. Gritei de frustação e dei um chute nela. Sócrates pareceu ter ouvido apenas pouca coisa e depois se voltou para frente. Prestei mais atenção em seus lábios. Ele estava falando com alguém, ainda escondido pela escuridão do lugar.
Pus meus ouvidos contra a parede invisível, na esperança de ouvir algo. Consegui.
- Vocês terão mais chances agora que a garota irá para a missão. – Sócrates falou. — E você terá responsabilidade maior por seu irmão. Creio que ele não irá consegui fazer isso. Tive que por suas mais valiosas coisas na mesa para ele aceitar. Ele não é tão forte para isso.
- Certo, meu senhor. Vou convencê-lo a fazer o certo. O certo para vencermos. – Disse uma garota.
De onde eu conhecia aquela voz? Me era ... familiar. Essa era a infiltrada? Mas espere. Seu irmão? Vocês? Existiam mais espiões! Ai deuses, seria mais difícil agora. Eles teriam mais chances quando formos para a missão, quer dizer que eles teriam a área limpa para trazer mais semideuses para o território inimigo. Então a Queen não era a espiã? Não ... pelo jeito que ele falou, havia pelo menos mais um. Três. Três infiltrados. Ele era muito esperto. Caso prendêssemos um, haveria outros continuando o trabalho. Continuarei com meu plano.
- Mas se ela conseguir trazer as Caçadoras, senhor? A probabilidade de perdemos semideuses quando atacarmos será maior do que a deles. Talvez não seja seguro.
- Quem é o cérebro aqui? – Ele perguntou arrogantemente. – Fique calma. Cuidarei de que ela nem ponha os pés em terra novamente.
- Como?
- Não te interessa. – Ele fez uma pausa. – Agora acorde, garota. Estamos sendo observados.
Tirei o ouvido da parede e vi que Sócrates me encarava. Recuei para trás e comecei a correr para o nada de novo.
Acordei com um grito. Eu estava toda suada e com taquicardia. Levei minhas mãos às cabeças. Só mais um sonho, pensei. Levantei da cama e me troquei. Todos meus irmãos acordaram no pulo também, deve ser por causa do grito. Ei... quem será que gritou? Ah, eu sei quem gritou. E só tem um motivo para isso. Alex!
Corri na frente de todos meus irmãos e fui correndo para o chalé 13. Só tenho uma coisa a acrescentar: foram os cinco dracmas mais bem-pagos de toda a minha vida. Queen saiu correndo de seu chalé, ainda de pijama. Ela estava toda descabelada e literalmente vermelha de raiva.
- Cadê aquela infeliz? Eu vou mata-la! Apareça Alexandra! Vou te mostrar como é o Tártaro! – Queen gritava
Alex teve a infelicidade de aparecer para ver a cara de Queen e se seu trabalho ficou bom. Conclui duas coisas: Queen tem o sono pesado e Alex tem os pés tão leves quanto penas. Queen avistou Alex e correu na direção dela.
- Você! Volte aqui pequena corredora! Eu vou te mostrar a ira do Hades! Volte! Eu estou mandando! Volte! Ei! Aaargh!
Queen arrancou atrás de Alex. Muitas risadas e gargalhadas, principalmente do chalé 11. O chalé estava... lindo! Dei outra gargalhada. Por fora eles pintaram o chalé de rosa, com até faixas decorativas e flores. Se eu me contentei em ver o chalé só de fora? Não. Peguei a mão de Jenny, que estava na multidão de campistas, e a puxei para dentro do chalé comigo.
Quatro palavras: eu amo a Alex! O chalé também estava pintado por dentro. Peguei uma lata de tinta no canto. Do tipo seca-rápido e sem cheiro. A decoração de Hello Kitty estava linda. Abajur de Hello Kitty, pôsteres da Hello Kitty, DVD’s da Hello Kitty e até jogaram um lençol de Hello Kitty por cima da Queen, que estava jogado na cama. Em cima da cabeceira da cama havia um pôster escrito ‘’ Eu ♥ Unicórnios ‘’. Tampei minha boca com as mãos para não da outra risada.
- O quanto você está metida nisso? – Jenny me perguntou.
- Um pouquinho só. – Jenny levantou uma sobrancelha desconfiada. – Ok, grande em parte sou eu. Mas eu mereço um pouco de diversão, não é?
Ela riu um pouco e se sentou na cama. Sentei-me ao seu lado.
- Ela vai te matar, Sam. Literalmente. – Jenny olhou para mim. – Está com olheiras. Há quanto tempo você não dorme direito? Teve outro pesadelo?
- Nem lembro direito quando eu sonhei ou tive uma noite tranquila. Acordo uma ou duas vezes por noite todos os dias. Hoje não foi muito diferente...
Contei a ela o meu sonho. Ela ficou quieta e não me interrompeu até que eu chegasse ao final. Assim que acabei, ela expirou e levou as mãos ao rosto.
- Como assim não reconheceu mesmo a voz da garota? Você é surda!
Balancei minha cabeça negativamente.
- E você é chata demais. – Devolvi. – Eu conheço sei lá quantas pessoas no acampamento. Ela não tem a voz de uma amiga minha, senão eu a reconheceria. Conhecida. Essa é a palavra.
Fomos interrompidas quando Queen apareceu. Eu havia me esquecido de que eu estava no chalé treze ainda.
- O que vocês estão fazendo aqui? – Ela nos perguntou.
Levantei com tudo e comecei a dobrar o lençol da Hello Kitty rapidamente.
- O que você acha o que estamos fazendo aqui? – Perguntei indiferente. – Vamos guardar tudo isso. Essa Alex não tem jeito mesmo.
Jenny segurou o riso. Parei um pouco para pensar.
- Queen, onde está a Alex? – Perguntei com medo.
Queen deu um sorriso malicioso.
- Spike foi passear com ela. – Queen respondeu. – Na Tanzânia. – Ela pensou depois.
Certo. Agora eu posso admitir que eu fiquei com um pouco de medo daquele ser por um segundo sequer. Antes que eu fizesse algo, Nick apareceu na porta do chalé. Ele sorriu ao ver a decoração, olhando para mim. Mas depois ficou sério quando viu que Queen estava no chalé. Ele estava com uma mochila nos ombro e estava sem a roupa do acampamento. Somente sua básica camiseta azul escuro, jeans e All Star preto.
- Façam suas mochilas para a missão, meninas. – Nick disse. – Depois do Olimpo, vamos para a Grécia.
Depois de nos despedir de todo mundo, fui arrumar minha mochila. Pus tudo de necessário para a missão. Aquelas mesmas coisas – Néctar, Ambrosia, primeiros socorros, prismas, dracmas e dinheiro mortal, roupas, meu MP3 e um livros em grego antigo para eu me entreter. Fui pegar algumas coisas a mais em meu baú. Vi meu casaco lá dentro. O traga para a missão, minha mãe disse na minha cabeça. Abri a janela e olhei para fora do chalé. Nuvens Nimbos estavam circulando o acampamento. Estava chovendo lá fora, boa desculpa para usar meu casaco. Vesti meu casaco e pus minha mochila da Nike rosa nos ombros. Corri para o topo da Colina Meio–Sangue.
Todos estavam lá – Nick, Jenny, a gótica e Argos. Dei um beijo na bochecha de Nick e abracei Jenny. Cumprimentei Argos e Queen com a cabeça. Eu gostava mais do Argos do que da Queen, só um comentário. Olhei para um céu, raios tocaram o chão fora dos domínios do acampamento. Ótimo, pensei. Vamos pegar Zeus de TPM.
Estávamos quase chegando ao Empire State. Nick sentou na frente com Argos e as garotas ficaram para trás. Botei Jenny entre mim e a gótica, antes que rolasse a 3ª Guerra Mundial. Olhei para a paisagem lá fora, se era uma paisagem. Um taxista bateu em um VW preto e estavam todos brigando. Uma moto passou por uma poça d’água e encharcou toda a janela do meu lado, me assustando. Me restou ficar olhando as gotas da janela, adivinhando qual chegaria primeiro até a parte inferior da janela.
Argos nos deixou quase na porta, por que o transito era enorme. Bem-vindo a Nova Iorque. Quando estamos no Acampamento Meio-Sangue, às vezes nos esquecemos de como é o mundo mortal. O mundo começou a cair bem nesse momento, que ótimo. Nada pior que chuva de verão. Peguei nossas mochilas no porta-malas e joguei para eles. Nick tirou seu casaco e cobriu minha cabeça, para que eu não me molhasse tanto. Todos nós corremos para dentro do Empire State.
- Você está todo molhado. – Disse para Nick enquanto eu tirava seu casaco e coloca nos ombros deles. – Idiota, eu poderia ter feito isso com o meu casaco e você não ficaria assim.
- Água para mim não é problema. – Ele disse.
- Isso por que você é um Cabeça de Bagre. – Nós rimos. Acho que só Queen não entendeu a piadinha interna.
Fomos falar com o velho porteiro. Como sempre, ele estava lendo sua revista e nem ligando para nossa existência.
Tirei a revista de sua mão e o encarei.
- Oi, lembra de mim? Acho que você vai fingir que não. Mas hoje sem enrolação certo? Estamos contra o tempo para salvar nossa casa. Agora você vai me enrolar até eu te ameaçar, aí você me da o cartãozinho de elevador. – Ele levantou os olhos para mim, progresso. – Tenho uma audiência marcada com Zeus. Samantha. Pode ver se meu nome está ai se quiser. Vamos!
Ele olhou para mim assustado e me entregou o cartão. Quando estávamos entrando no elevador o porteiro falar.
- A propósito, querida. Eu me lembro de você. Eu iria te dar o cartão, não precisava disso tudo.
Queen segurou a risada. Revirei os olhos e tentei não passar Sabedoria na sua cabeça. Nick segurou minha mão e me deu um beijo na bochecha. O que é bom por duas coisas: Queen estava vermelha de raiva e eu amava quando ele beijava minha bochecha.
Plim, o elevador abriu. E, como sempre, o Olimpo estava impecável. Queen estava meio verde.
- O que foi, Queen? – Nick perguntou.
- Err... Filha de Hades... Mundo Inferior. Não me faz bem ficar no lar dos deuses, uma vez que meu pai já não foi bem-vindo aqui.
Nota pessoal: arrastar Queen para toda reunião que eu tenho no Olimpo.
Seguimos o longo caminho até o Salão dos Deuses. Quando as portas se abriram, vimos três figuras: Zeus, Hera e Atena. O que minha mãe estava fazendo lá? Ela parecia estar em desarmonia com Zeus, acho que essa era a razão para o TPM dele.
Nós fomos até a frente de seus tronos e nos curvamos.
- Levantem-se. – Ordenou Zeus. Assim o fizemos. – Então, o que os traz aqui em meu reino?
Todos olharam para mim. Expirei e dei um passo a frente.
- Senhor Zeus, como deve saber, me foi dada uma missão para que eu traga as Caçadoras de Ártemis para a o Acampamento Meio-Sangue, para que nos ajudem nessa batalha contra Sócrates. A questão, senhor, é que o Oráculo disse que elas estão caçando na Grécia, no outro lado do oceano. Bom, o problema é que Nick é filho de Poseidon. – Minha revirou os olhos. É, estava demorando muito. –Teremos que utilizar de seu território para chegar à Grécia a tempo. Olhe, estamos fazendo isso para o bem do Olimpo. Tudo que rogamos é que nessa viajem tenhamos... segurança.
- Resumindo: sem acidentes aéreos. – Minha mãe disse em minha mente e sorriu para mim. Não sei por que o povo acha que ela é quadrada e chata. Minha mãe é super legal.
Zeus olhou para Hera para tentar chegar a um acordo. Minha mãe assentiu concordando também. Ele se esforçou muito para falar.
- Eu não vou pulverizar vocês durante a viagem, semideuses. – Zeus disse.
- Jura pelo Estige? – Perguntei.
- Juro... juro pelo Rio Estige. Agora vocês estão dispensados. Vocês tem que salvar nossa casa.
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