Samantha Roberts - Guerra Fria

17 Curtindo o acampamento de férias


Cavar um buraco. Fincar a estaca. Martelar até afundar.

Meu cérebro estava programado para executar apenas essas tarefas durante aquela manhã. Sem desvios. Era um série de repetições totalmente robóticas. Eu me sentia como Charles Chaplin em Tempos Modernos. Nada de conversas ou pausas demoradas. Só trabalho.

Cavar um buraco. Fincar a estaca. Martelar até afundar.

Acordamos e nem eram seis e meia da manhã. Mal engolimos o café da manhã e já começamos nosso serviço. Agora que já havíamos escolhido o local ideal, uma clareira a uma distância pequena da outra margem do grande lago, estava na hora de montar o acampamento todo. O plano era levantar pelo menos um quarto das barracas até o sol atingir seu ponto mais alto, então três pessoas sairiam em outra viagem de espionagem.

Era difícil cravar as estacas no chão. Debaixo da grossa camada de neve eu ainda encontrava um pouco de terra congelada. O lençol freático que ficava debaixo de nós deixava o solo bem úmido e aquela água toda cedia à temperatura baixíssima do local. Exigia força para conseguir perfurar o gelo.

Martelei a estaca mais três vezes e a pedra que eu estava usando como ferramenta escapou de minha mão. Soltei um palavrão quando senti uma ardência. Abri a palma da mão e me deparei com alguns calos e, bem no meio dela, um pequeno corte.

— Droga. — resmunguei.

Thais, que estava montando aquela barraca comigo, puxou a corda que passava pela lona e veio até a estaca que finquei para amarrá-la. Ela deu um nó de escoteiro que eu lembrava ter aprendido com meu pai quando era pequena. Nó Direito, papai disse. Não dá para ir para a selva sem saber esse.

— Tudo bem aí?

Assenti e peguei um pouco de neve para apertar contra o machucado. Ela levantou-se e foi para o outro canto da barraca para puxar a ponta da corda que estava solta. Com o movimento, a barraca ficou de pé e em seu estado final. Thais esticou bem a corda antes de dar o último nó. E, assim, a terceira barraca que usaríamos como enfermaria ficou pronta.

— Jenny está melhor? — perguntou Thais depois de uns segundos.

Esfreguei uma mão na outra e limpei toda a neve.

— Problemas com coração. — eu disse. — Ela consegue levar.

— Hm. Que bom. — ela balançou a barraca algumas vezes para testar se estava bem firme. — Mas Jenny não parece ser a única com problemas de coração aqui.

Peguei a caixa de estacas e me dirigi à próxima barraca. Agachei-me ao lado da lona que cobria o chão e comecei a cavar um pequeno buraquinho onde iria colocar a estaca. Thais me seguiu e veio se ajoelhar no outro vértice da barraca, depois começou a passar as hastes de sustentação pela lona.

Ela olhou para mim, esperando que eu dissesse algo. Eu lutava contra a vontade de começar a falar tudo para ela enquanto afogava minhas mágoas com um quilo de M&Ms. Até onde eu sabia, era muito capaz dela estar provocando essa vontade em mim. Enfiei a estaca com força no chão. Eu me recusava a cair em um desses truquezinhos.

Ao mesmo eu achava que seria falta de educação de minha parte não responder nada a ela que vinha sendo tão legal comigo. Bufei, sabendo que fui vencida, e me limitei a dizer:

— É complicado. Só vou poder sair do lugar quando isso tudo acabar.

A resposta foi suficiente vaga para ela não saber se eu estava me referindo a Ned ou Nicholas — acho que nem eu sabia direito qual era meu maior problema. Thais pareceu não ficar satisfeita com o que eu disse, mas não faz mais perguntas. Apenas meneou levemente a cabeça e voltou a baixar os olhos para o amontoado de hastes.


Após o almoço, Jenny, Queen e Alex saíram para espionar. Todos concordamos que, juntas, elas formavam a combinação mais sorrateira que tínhamos em mão. As três ficariam à espreita o dia inteiro, só a espera de uma movimentação curiosa vinda do outro lado. Qualquer nova informação representava uma vantagem.

As três montaram em Podargo, Xantro e Lâmpon com certa ajudinha minha e subiram o lago. Mesmo usando toda minha capacidade, não consegui fazer com que Deino quisesse servir de montaria — ele era o mais veloz dos quatro. O cavalo ficou agitado e violento novamente, então decidimos não insistir e deixá-lo quieto.

Estipulamos meia hora de descanso antes de voltarmos a montar as barracas. Suspirei, entediada, procurando algo para fazer. Thais já havia recolhido a louça do almoço e Matt já fora ao lago pegar água para a gente. Cogitei voltar com as estacas, mas olhei minhas mãos cheias de ferimentos e logo deixei a ideia de lado.

Parei ao passar por Deino para acariciar seu focinho. Ele, aparentemente, respondia bem ao meu toque. Pelo menos não saía cuspindo fogo como quando Queen tentou monta-lo a força naquela manhã.

— Você dá muito trabalho, garotão. — reclamei.

Deino pareceu nem ligar para o que eu dizia.

— Pare de falar com cavalos. — Matt ralhou do outro lado da clareira. — Isso é estranho.

Mostrei a língua para ele.

— Estranho é o fato de sua mãe não ter te enfiado útero adentro quando você nasceu e ela viu o estrago.

— Quantos anos você tem?

— O suficiente para saber que falar com calma é uma forma de adestramento, coisa que você deve desconhecer.

— Ninguém quer saber sobre táticas de adestramento.

Dirigi-lhe um olhar espertalhão e sai a procura de um lugar para sentar.

— Você deveria querer saber mais depois do vexame de ontem.

— Eu!? Você que saiu correndo dos cavalos gritando socorro!

Revirei os olhos.

— Blá blá blá.

Sentei-me sobre algumas lenhas que serviriam de combustível para nossa fogueira mais tarde. Fiquei olhando para as minhas botas sujas de neve e terra revirada, começando a desgostar da ideia de ficar longe de Queen e Jenny. Preferia estar por perto em caso de algo inesperado acontecer.

Lembrei de quando sonhei com Nicholas, ou melhor, quando eu acidentalmente fundi nossos sonhos em um só. Inexplicavelmente, criei uma conexão entre nossas mentes, superando a distância de milhares de quilômetros. Conjecturei se conseguiria expandir meu alcance de influência daquele modo estando consciente. Quem sabe, assim, eu não me sentisse tão impotente se eu pudesse, em mente, estar com minhas amigas. Não somente nessa situação específica, mas em várias futuras outras.

Notei que, desde quando manipulei as emoções dos Indomáveis, eu vinha me sentindo meio estranha. Era como se eu tivesse transpassado uma enorme barreira e agora me deparasse com um belíssimo campo aberto repleto de possibilidades. Eu sentia uma insuportável comichão por usar meus poderes. Queria me desafiar mais, me superar. Queria explorar cada cantinho daquele campo.

Fitei alguns cascalhos no chão. O imagem da agada de Briana levitando em frente aos meus olhos voltou-me à cabeça. Quis brincar com aquilo novamente, dessa vez com mais um corpo ao mesmo tempo.

Não foi difícil levantar aquelas pequenas pedrinhas com a telecinese. Eram leves e manuseáveis. Quase que tangíveis para minha mente,

Eu ainda queria mais.

Olhei para os lados a procura de uma nova cobaia. Meus olhos pousaram sobre duas mochilas. Sorri em aprovação.

Era como se eu criasse um novo membro em meu corpo, só que era muito mais que isso. Era muito maior, muito mais complexo. Como se uma força cercasse a tudo e todos e como se ela estivesse suscetível a mim. Eu a moldava, comprimia e esticava. De alguma forma, eu envolvia o objeto em escolha com aquela força. Era fácil manipula-lo depois disso.

A primeira mochila levantou alguns centímetros do chão. Ela vacilava um pouco, mas eu não via a ameaça dela voltar a tocar o solo. Cerrei os olhos e me concentrei mais, pondo uma força adicional no movimento. Tentei manter a primeira mochila no ar, e passei para a segunda. Por um pequeno momento, as duas estavam juntas a vinte centímetros do chão.

— Di Immortales, Sam! — Ned exclamou ao meu lado. — Você está suando!

Com o susto, deixei as mochilas caírem no chão. Minha pressão pareceu cair do mesmo jeito. Senti um frio dilacerante, minha visão escureceu. Meu corpo pendeu para o lado, mas Ned me aparou antes que algo acontecesse.

— As mochilas. — ele disse. — Era você?

Assenti, o que foi o suficiente para minha cabeça começar a girar.

— Deuses, Sam. Deuses! Você ficou desfigurada em apenas alguns segundos.

Eu teria dito Obrigada, isso foi realmente muito galanteador, mas o que provavelmente eu não emitiria nada além de um gemido.

— Não faça isso de novo.

Respirei fundo e tentei me recompor. Ah, mas era claro que eu faria de novo. Fechei os olhos com força até a sensação de tontura parar. Abri os olhos e vi o mundo ganhar cores aos poucos. O frio não melhorou em nada — do contrário, só piorou —, mas eu já me sentia um pouco melhor do que instantes antes.

— Obrigada. — eu disse a Ned com certo esforço.

Esfreguei o rosto e vi que era verdade o que Ned dissera sobre eu estar suando. Eu nem sabia como era possível realizar tal proeza numa temperatura subzero. Uma veia perto de minha têmpora esquerda começou a latejar — sinal muito comum de que eu tinha abusado e que em pouco tempo ganharia uma dor de cabeça como recompensa.

Mas os efeitos colaterais de minha frustrada tentativa de levitar as mochilas não duraram muito. Ned pôs levemente sua mão em meu ombro. Imediatamente, uma onda de calor percorreu meu corpo. Ela substitui toda e qualquer sensação ruim que eu estava sentindo. A veia em minha cabeça parou de latejar e o frio foi diminuindo até praticamente inexistir. A sensação de fraqueza foi embora e eu fiquei tão desperta que deu vontade de correr pela floresta.

Surpresa, arqueei uma sobrancelha para Ned, que me deu um rápido sorriso.

— Só pra você se sentir melhor. — foi o que ele disse. — Precisamos de você inteira.

— Impressionante.

Ned me deu a mão e me ajudou a me levantar.

— Não consigo fazer isso com muita frequência. Talvez eu devesse treinar um pouquinho mais.

Apesar de ele ostentar aquela pose de que tudo estava bem, era visível em seu rosto o cansaço por causa do esforço. Os ombros caíram e ele parecia se esforçar para manter os olhos abertos. Senti-me um pouco culpada ao vê-lo assim.

Por cima do ombro dele, vi Matt se colocar em posição de alerta num movimento brusco. Instintivamente ele pôs a mão no punho da espada que carregava embainhada. Thais, que estava mexendo em algumas mochilas, também ficou estática.

Prendi a respiração, evitando que até mesmo o som do ar sendo inalado e exalado atrapalhasse minha percepção de perigo. Senti a tensão entre nós quatro, a atmosfera ficando cada vez mais densa.

Pés preguiçosos arrastavam a neve em algum lugar atrás de mim. Não um só par deles, mas vários. Frustrei-me por não conseguir distinguir quantos eram.

— É por aqui. — ouvi uma voz dizer. Era de um timbre grave, mas eu podia jurar que era uma voz feminina. — Eu sinto o cheiro.

Silenciosamente, andei até onde estava minha mochila, três barracas abaixo. Peguei minha adaga na redinha lateral e a coloquei no bolso de meu casaco. Matt e Thais já estavam em posição de defesa quando voltei ao centro da clareira. Ned também empunhava uma adaga e se colocava na frente dos dois.

Cinco vultos altos e volumosos andavam entre os pinheiros. Conforme eles se aproximavam, o som dos pesados passos ficavam assustadoramente altos. Thais colocou uma flecha no arco, puxando sua parte posterior até a corda estar bem flexionada.

Olhei para ela e fiz que não com a cabeça. Ela abaixou o arco, mas não soltou a flecha. Apontei para um banco de neve a pouco menos de sete metros da gente. Thais assentiu e foi até lá com passos ligeiros e silenciosos.

Entreguei minha adaga a Ned sem dizer nada. Desenhei um meio círculo com o dedo indicador de cada mão, fazendo eles se encontrarem quando formaram um círculo completo. Matt entendeu e balançou levemente a cabeça. Ele apontou para um lado, olhando para Ned, então seguiu para o oposto a este. Ned me deu um último olhar de apoio antes de obedecer a Matt e ir para onde ele indicou.

— Estou morrendo de fome. — um deles falou. Desta vez, a voz era mais masculina. — Vamos embora.

— Não! — a mulher insistiu. — Eu tenho certeza que...

Para acabar logo com a discussão, pigarreei.

As cinco formas pararam por um segundo, então vieram até mim, saindo da sombra dos pinheiros e revelando suas identidades. Eles eram mais altos do que eu pensei que fossem. A primeira vista, pareciam ogros. Grandes e musculosos, vestidos de trapos e meio humanóides. Todos eram marcados por tatuagens vermelhas e cicatrizes.

Quatro homens e apenas uma mulher — ou o mais próximo do que se pode chegar desse conceito. Todos olhavam para mim com olhos de predador, talvez decidindo se me queriam flambada ou assada para o jantar.

Eu sabia o que eles eram. Lestrigões da tribo do Norte. A mesma raça que matara os pais e o irmão de Mia. E eu sabia também que isso não iria passar impune.

— Semideusa. — o menor dos lestrigões disse, saboreando a palavra.

Engoli seco. Eram cinco gigantes contra mim. Os números eram totalmente desfavoráveis, mas eu tinha que ganhar tempo para Matt e Ned se posicionarem.

— Isso mesmo. — confirmei. — E vocês estão no meu território.

— Arrogante. — a mulher disparou. — Este é nosso território. E não gostamos de invasores.

Franzi o cenho.

— Posso ver a escritura?

Os cinco se entreolharam, confusos.

— Como?

— A escritura, oras. Vocês acabaram dizer que possuem este território. Se eu não ver a escritura, não vou sair daqui.

— Nós... Não deram nenhuma escritura para nós. — um lestrigão que usava dreadlocks falou. — Que história é essa? Somos os herdeiros desta terra.

— Vocês não estão sabendo? Os deuses estão redistribuindo todas as propriedades privadas do mundo. Está uma confusão só. Mas, como eu adoro fazer snowboard, logo reservei um lugar no Alasca. Tenho a autorização de Bóreas, o vento do Norte, inclusive. O contrato foi firmado pelo próprio Hermes. Posso até pegar, se vocês quiserem...

— Não fomos avisados de nada.

— É uma pena. Mas o que vocês estão fazendo aqui é invasão. Seria melhor se vocês dessem a volta e procurassem outro lugar para ficar. Soube que no Canadá o clima está ótimo. Tão congelante que dói. Vocês nem vão sentir a diferença.

A mulher deu um passo a frente.

— E nós não quisermos ir embora?

Dei ombros.

— Eu e meus amigos vamos acabar com vocês.

— O que você acha que—

— Ei! — Thais gritou atrás do banco de neve. — Tem um coisa na aí na sua cara!

A mulher estreitou os olhos para enxergar melhor de onde vinha a voz. Thais não perdeu tempo e disparou a primeira flecha. Ela voou e passou por mim com um zunido agudo, só parando quando atingiu a testa da grandalhona à minha frente. O urro da lestrigão fez com que meus ouvidos doessem. Icor dourado começou a escorrer da ferida e a sujar a neve branca.

— Sofia!

Quase não deu tempo da minha espada se materializar em minha mão antes de um dos lestrigões avançar em mim com seu antebraço quase coberto inteiramente por tatuagens tribais. Agachei-me e senti o vento resultante do movimento levantar meus cabelos.

Ned e Matt entraram em ação.

Os dois emergiram da floresta logo atrás dos monstros, um de cada lago. Matt apunhalou com sua espada a panturrilha do lestrigão mais próximo. Ned sacou as duas adagas que tinha em mãos, tomou impulso e saltou nas costas do maior deles. Cravou as armas na carne da fera com tamanha força que só os punhos de ambas ficaram amostra, e deixou com que seu peso as puxasse para baixo, criando um talho enorme. A criatura de desfez em poeira com um berro agoniante de dor.

— Petrus! — gritou a mulher.

Ela marchou, furiosa, até os pinheiros e arrancou o mais próximo do chão como se ele fosse um palito de dente. O tronco adquiriu uma tonalidade alaranjada e, em menos de dois segundos, estava começando a pegar fogo.

Praguejei.

Não tive como me preocupar com o que seria daquela árvore flamejante. Um lestrigão estava em pé a minha frente, irado, olhando para mim como se o próprio fato de eu existir fosse um insulto a ele. Apertei com força o punho de minha espada e esperei pelo próximo passo dele. O gigante era forte, mas eu era rápida.

Ele levantou seu grande pé e fez menção a me dar um grande pisão. Aproveitando a deixa, desferi um golpe com a espada na altura de seu tornozelo, o que somente o causou um corte superficial. Não contente, ele terminou o movimento e me acertou com a nojenta sola de seu pé. Voei e caí no chão a um metro de distância.

Ouvi Deino relinchar em algum lugar, mas ele estava fora de meu campo de visão. Desejei que ele fosse embora. Tê-lo agitado novamente seria apenas mais um problema.

A mulher lançou o tronco em direção de Thais. Felizmente, ela errou a mira e o pinheiro em chamas parou um pouco antes do banco da areia que a Caçadora usava como barricada. Por outro lado, o tronco acertou uma barraca já montada, destruindo-a com o impacto.

— Minhas estacas. — lamentei ao olhar a cena.

O meu lestrigão Calçado Número 57 se adiantou para me acertar novamente. Levantei-me apressadamente e cravei a espada no peito do pé dele. Retirei a lâmina de lá antes de ele dar trôpegos passos para trás, reclamando de dor. Finalizando nossa luta baixa, pus mais força no golpe da espada e decepei a perna direita inteira dele. O Pé Grande acompanhou Petrus e também se desfez em pó.

Sob uma chuva de flechas de Thais, Matt e Ned trabalhavam em sintonia para acabar com os outros dois lestrigões homens, que eram maiores e mais musculosos. Dirigi-me à mulher que estava se atrapalhando com as flechadas que recebia em áreas sensíveis. Ao chegar lá, Thais conseguira a proeza de lhe acertar uma flecha na garganta. A lestrigão começou a engasgar e a emitir sons grotescos, tentando desesperadamente arrancar a flecha dali.

O trabalho já estava feito, eu só tinha que dar o grand finale. Comecei a correr para pegar impulso. Saltei e, com a parte plana da espada, dei um tapa na flecha, fazendo com que ela penetrasse mais fundo ainda.

Pousei no chão com os joelhos flexionados. Ela caiu no chão e desapareceu ao meu lado.

Vendo que assumimos a vantagem, Thais saiu de seu esconderijo e começou a diminuir a distância para ganhar mais precisão nos projéteis. Juntei-me aos garotos com o resto do bando e ajudei a terminar com aquilo.

Pouco tempo depois o último deles também caiu.

Matt lançou a espada no chão, ofegante.

— Escritura? — ele perguntou para mim.

Dei ombros, também tentando recuperar o ar. Com medo e cruzando os dedos para que não estivesse pior do que eu pensava, olhei para trás para verificar o estado do pinheiro. A barraca atingida sucumbira às chamas. A brasa ainda era contida, mas mesmo assim poderia crescer a atingir as barracas ao lado.

— Vamos dar um jeito naquilo. — eu disse.

Enquanto jogávamos freneticamente neve no fogo, eu xingava Jenny e Queen. Aquela semana sozinhos no Alasca poderia ser qualquer coisa, menos uma acampamento de férias.