Notas iniciais
Sejam bem-vindos! A ideia me veio assim que descobri sobre o cancelamento da série. Mas, como podem ver, demorei meses para decidir criar algo que desse continuidade aos maravilhosos episódios da série tão divertida que tanto me alegrou.Espero que gostem!

–Vamos, Sam! Vai ser divertido!- A ruiva pediu pela enésima vez na semana. Havia marcado uma consulta com a psicóloga de seu irmão, e agora tentava convencer a amiga a lhe acompanhar.

–Não é divertido passar horas olhando pra cara de uma mulher que acha que pode melhorar tudo.- A jovem retrucou, abocanhando o salame que estava em sua mão.- Eu já faço isso todos os dias...- Sam disse, mirando Cat sugestivamente.

–Como?- Perguntou a garota, inocente. Mais uma vez a amiga lhe lançou um olhar sugestivo.- Ah...- Sussurrou, depois de três minutos, quando finalmente entendeu que estava falando dela.- Mas, se você for- Cat continuou, mirando o alimento nas mãos de Sam- a gente pode passar naquele supermercado e comprar mais dois metros de salame...- A ruiva falou, em um tom cantarolado.

–Acha mesmo que vai me fazer ir em uma droga de psicóloga só em troca de salame?- Sam arqueou as sobrancelhas.

–Aham.

–Está totalmente certa, que horas é a consulta?- A loira por fim concordou, rendendo-se.

–Oba!- Cat comemorou, fazendo uma dança animada, até bater a cabeça no micro-ondas acidentalmente e cair no chão.- Ai!- Exclamou, meio tonta.

–Quer comprar um capacete antes?- Sam zombou, rindo.

–Aham.- A meiga garota falou mais uma vez, tentando levantar-se.

***

–Tô começando a ficar arrependida de ter vindo.- Sam resmungou, enquanto andava ao lado de Cat, observando as paredes brancas do consultório.

–Pense no salame...- A ruiva argumentou, levantando o braço em direção ao horizonte, como se mostrasse o sabor do alimento.- Olá!- Exclamou a jovem ao observar a recepcionista do local.

–Olá, bom dia, sejam bem-vindas. Querem café, suco, amoras, presunto, limonada ou alguma outra coisa? Aceitam se sentar?- A mulher levantou-se de seu assento, e parecia desesperada, como se não visse um único ser vivo há meses naquele consultório.

–Uou, relaxa.- Sam empurrou a mulher de volta para sua cadeira.

–Temos um encontro com a Doutora Pensamentos!- Cat disse, sorrindo docemente.

–Mas espera...- A loira a interrompeu.- A parte do presunto é verdadeira?

–Sam!- A amiga a repreendeu.- A Doutora Pensamentos já chegou?

–Sim, sim, sim. Ela sempre esteve aqui e sempre estará!- A recepcionista afirmou, gargalhando debilmente.

–Ok...- Sam assentiu, indiferente à loucura da mulher.- Onde ela tá?

–Segunda sala à direita.- A recepcionista disse.- Ou será à esquerda?... Ou será no segundo andar?- Questionava-se, confusa.

–Pode deixar, a gente acha.- Cat a acalmou, voltando a caminhar com Sam pelos corredores do hospital.- Ela é biruta, não é?

–É sim...- Sam concordou.- Mas você sabe onde ela guarda o presunto?

***

Depois de meia hora rondando o local, e descobrindo que todas as demais salas estavam vazias, as duas perceberam que só havia uma sala ocupada, onde a Doutora Pensamentos atendia, e que ficava no último andar.

–Din Don!- Cat cantarolou, já que não havia campainha, e abriu a porta do consultório. A visão que viram a seguir não era nada do que esperavam: a Doutora Pensamentos percorrendo a sala em círculos, seu cabelo castanho absolutamente bagunçado, os óculos redondos postos de maneira torta, e o jaleco branco do avesso.

–Erramos de sala.- Sam concluiu, ao mirar a psicóloga, no exato momento em que a médica ergueu a cabeça e as observou com um olhar possessivo.

–Oh não, não! Vocês estão no lugar certo. O melhor lugar do mundo!- A Doutora Pensamentos deu passos largos em direção às garotas, sorrindo nervosamente.- SENTEM-SE!- Gritou desesperada, indicando as cadeiras de frente para a sua.

–Oba! O melhor lugar do mundo!- Os olhos de Cat brilharam.

–Só se o presunto estiver aqui.- Sam disse, revirando os olhos. As duas sentaram-se, enquanto a Doutora Pensamentos fazia a mesma coisa, movendo os pés sem parar.

–Então. O que as traz aqui? Problemas com a família? Problemas com os amigos? Problemas com o amor? Problemas com os estudos?- A mulher listou, batendo as mãos na mesa.

–Eu tenho problema em me levantar quando caio de cabeça na privada...- Cat murmurou, pensativa.

–Ela não consegue pensar.- Sam falou, indicando a amiga.- E provavelmente você também não.- Apontou para a Doutora Pensamentos.

–Oh não, não! Eu penso, penso muito... Penso sobre tudo. A vida é feita de pensamentos, e é por isso que meu sobrenome é esse! Pensamentos!- A médica riu compulsivamente, mas não recebeu acompanhamento das garotas.

–Você não devia estar ajudando a gente?- Cat indagou, um pouco indignada.

–Sim, sim, eu vou ajudar. Vou ajudar muito, vocês vão ver.- Doutora Pensamentos disse, cessando a gargalhada.- Me diga... Me fale sobre você!

–Bom...- Cat disse, dando uma longa pausa.- Eu gosto de ruivo. Por isso o meu cabelo é ruivo!

–Ela estava se referindo aos seus problemas.- Sam sussurrou para Cat.

–Ah...- A jovem entendeu.- Eu tenho um irmão problemático.

–Assim como você?- A Doutora Pensamentos questionou e Cat a olhou brava.- Digo... Fale mais!- Ela riu, tentando se redimir.

–A minha Nona está em um asilo.- A ruiva continuou.- E eu não sei fazer sopa, nem pipoca de micro-ondas, nem... Nada.- Ela disse, rindo um pouco de si mesma.- A minha amiga Sam gosta de colocar manteiga na meia e...- Cat apontou para a loira ao seu lado.

–Ah, então você prefere meia no lugar de pão para se misturar no café da manhã?- A Doutora Pensamentos a interrompeu, mirando Sam e anotando algo num bloco de notas.- Um caso crítico.

–O quê?- A garota perguntou, franzindo a testa.- Não, eu...

Mais uma interrupção surgiu, dessa vez por uma sirene policial.

–Sam, é o seu alarme?- Cat interrogou, e a amiga negou.

A Doutora Pensamentos apurou os ouvidos e ao escutar o som de sirene jogou o bloco de notas no ar e se atirou no chão, entrando em pânico.

–NÃO, NÃO, NÃO FUI EU! SOCORRO! MAMÃE! SOCORRO- A médica gritava, se debatendo.

–Vamos dar o fora daqui?- Sam sugeriu.

–Eu topo...- Cat murmurou, levantando-se e caminhando devagar, enquanto as duas observavam, confusas, a mulher.

***

Alguns minutos mais tarde, Sam e Cat descobriram que a Doutora Pensamentos não era na verdade doutora alguma. Ela era uma foragida, que enxotara todos os funcionários do hospital para se esconder da polícia.

No caminho de volta para casa, como combinado, as duas pararam no supermercado, e Cat aceitou comprar um salame de três metros, um metro a mais contrariando o que haviam dito pela manhã.

–Acho que nunca mais vou voltar num hospital.- Cat disse, desiludida.

–Ah, não fica assim...- Sam a consolou, tocando em seu ombro.- Enquanto os guardas prendiam a médica falsa, eu consegui achar o esconderijo do presunto.- A loira riu, retirando de debaixo da blusa algumas fatias.

Notas finais
Comentem, benzinhos.