Notas iniciais
ÚLTIMOS CAPÍTULOS Demorei um pouquinho, mas consegui escrever o capítulo. Aqui teremos uma interação um pouco mais forte entre Eros e Baron hehehe.

Meses Antes...

— Quando eu era criança, mamãe veio chorando para mim depois de uma viagem. Disse que o meu pai não podia ser mais necessário... eu na época nem entendi muito. A verdade era que eu passei a morar com ela em Gaia, fui impedido de ver o meu pai por bastante tempo. Quando fiquei adulto em 1988 vim para a Terra e fui procurar por ele. Para a minha surpresa, ele não era mais um político proeminente.

— E o que aconteceu a partir daí? — perguntou Eros numa sessão.

Rutherford ruborizou um pouco. Desde 2018 que ele lascivamente pensava em seu psicólogo particular. De fato, Eros tem estudo e era um psicólogo, mas não exercia a profissão. Aliás, ele usava a sua experiência para predar mulheres.

— Descobri que o meu pai foi preso e mantido num manicômio. Descobri que mamãe colocou-o lá por razões egoístas... usou a mesma tática para acabar com o pai de Belinda antes. Tive que aceitar a realidade. Estamos falando da condessa, da antiga imperatriz de Gaia. Não podia bater de frente com ela, nunca. Depois participei daquele plano de lobotomizar o William e fingi ser amigo de infância dele. Na verdade as memórias falsas implantadas no cérebro dele já diziam que eu era amigo de infância.

— Como se sentiu ao descobrir que a sua mãe arruinou a vida do seu pai?

Baron ficou por um momento de cabeça baixa e sorriu bastante. Seus olhos pretos ficaram cheios de lágrimas.

— Tentei dar uma chance a minha mãe. Perdoei ela. Já não tenho ressentimentos, pois morreu.

— E se ela te traísse outra vez? Se tivesse viva.

À essa pergunta Rutherford não teve resposta. Preferiu terminar a sessão ali mesmo. Eros foi embora sem olhar para trás.

...

CASTELO WINCHESTER, WILHELM

Os segundos foram tensos no momento que Abigail segurou a sua arma e carregou-a com as balas que estavam na caixinha. Seis balas e as seis usadas contra uma pessoa. Desirée levou meia dúzia de tiros contra o seu corpo. Sentiu seus olhos escurecerem e caiu na poça de sangue.

O grito assustado de Joanna ecoou naquele recinto. Foi segurada por um guarda real que havia entrado. Não conseguiu segurar o choro. Era um pesadelo ver Desirée morta. Agarrou Luuk e exigiu que ele fizesse algo, mas outra vez o guarda a segurou.

— O que você pensa que seu ex-namoradinho iria fazer? Ele agora está comigo por livre e espontânea vontade — aproximou-se dele e o beijou. Ver Luuk correspondendo ao carinho daquela mulher era nojento para Joanna. — Diga, Luuk ou Thanatos, o que achou de namorar a minha filhinha?

— Um saco. Um porre. Ela é apenas uma filhinha de papai que vivia chorando aos quatro cantos. Piorou depois que o pai dela morreu.

— Lu... Por que está fazendo isso?

Condessa gargalhou bastante e bateu palmas para a audácia do noivo. Realmente dessa vez pegou pesado e provou que havia virado a casaca.

— Olhe só para ela — ficou perto do corpo de Desirée. — Foram tantos anos no meu calo que até me surpreendi quando morreu. Tenho que me certificar disso.

Ela voltou a mexer na caixa a fim de buscar as balas, mas não havia uma. Dessa vez ela desistiu de dar mais um tiro em Desirée.

— Você não devia chorar, sabia? — disse enquanto era abraçada por Luuk. — Mamãe e o seu novo papai irão te educar perfeitamente. Mas como você está chorando pela defunta, terá um castigo. Mande-a para prisão...

— Não seria melhor na masmorra do castelo? — falou Luuk.

— Isso me surpreendeu. Você é pior do que eu imaginava. Ai que loucura. Masmorra nela. A prisão seria mais confortável, porém não posso negar o pedido do meu amado.

A masmorra ficava no subterrâneo do castelo. Um lugar bastante úmido, cheio de ratos e outras pragas. Normalmente os presos eram acorrentados. Joanna foi jogada num dos quartos da masmorra, acorrentada nos tornozelos e trancada por uma porta de ferro com apenas um único buraco. A iluminação era precária, as paredes de pedra e sem nenhuma janela ou ventilação externa. O colchão era ridiculamente fino, sobre uma cama de cimento. Ela se encolheu no canto.

O corpo de Desirée foi mandado para o forno do necrotério longe do castelo imperial. Uma carruagem com os guardas partiu e foi para a periferia de Wilhelm, região cheia de casinhas pobres e criminalidade.

A escola para bruxos foi interditada e o governo fechou definitivamente qualquer uso dela por período indeterminado. A ministra da defesa de Gaia deixou Salém com os agentes e soldados enquanto retornava para o outro mundo.

Os dois irmãos não puderam ficar mais um segundo no vilarejo. Eros pegou a sua irmã e saiu de lá. Abriu rapidamente um portal para Gaia antes de serem pegos. A cidade que era o ponto de encontro das bruxas, Fortree, foi o destino de ambos.

— Acorda, Afrodine.

A moça acordou bastante histérica e soltando faíscas pelos olhos. Acordou do desmaio depois do soco que levou de uma mulher mais pervertida do que ela, por isso a sua revolta.

— Eu juro que mato aquela lá!

— Tá, tudo bem. Depois você elabora a sua vingança pessoal. Apenas vamos para Fortree antes que algum soldado pegue a gente.

Scar recepcionou os dois e levou Afrodine para a enfermaria para ser avaliada. A elfa enfermeira fez um breve exame de rotina e logo liberou a mulher. Explicou que o impacto apenas fez hematomas, mas isso era muito sério. Com apenas um soco Afrodine ser machucada assim era porque a adversária tinha muita força bruta.

— Soubemos da traição do Luuk. Sabia que ele se juntou à Condessa? — explicou Scar enquanto manejava a espada.

— Isso é inacreditável. Como essa mulher voltou à vida? — indagou Eros.

— Nossos espiões descobriram que ela forjou a própria morte para deixar Gaia com o novo imperador e fazer planos para conquistar a Terra. Só não sei por que aquele imbecil traiu a própria mãe.

— Ele já fingiu uma vez. Talvez ele esteja agora — deduziu Afrodine.

Os três conversavam do lado de fora da cidade.

— Pra mim ele está muito convencido. E também Desirée não soube de nada. É raro a Suprema ficar de fora de algum plano.

Afrodine deu um grito. Lembrou que tanto Desirée quanto Joanna foram levadas pelo próprio imperador. Era na verdade um plano da Condessa.

— Não pode ser...

— O que foi, irmã?

— A Condessa tem ódio da Desi. Ela vai matá-la.

Não se passou muito tempo até um dos espiões dar a fatídica notícia de que Desirée fora morta a tiros pela própria Condessa.

As pessoas entraram em desespero na cidade toda, haja vista Desirée era uma guardiã daquele lugar. Eros deixou a irmã chorar sozinha enquanto fumava um cigarro.

— O que está fazendo na floresta? Pensando em algo?

— Scar, já passou pela sua cabeça que você é o único que pode fazer a diferença... que pode iniciar a salvação do mundo, mas que para isso precisaria se sacrificar para que as demais etapas aconteçam?

O elfo guerreiro pediu um pouco do cigarro do íncubo.

— Todas as vezes que eu acordo. Eu luto todos os dias com essa ditadura desde moleque. Hoje com mais de 40 anos ainda sonho em ser uma peça-chave para o plano de acabar com esse governo. Mas por que pergunta?

Eros suspirou e agradeceu pela curta conversa que tiveram. Apesar de ambos terem formações diferentes, a luta era a mesma. Pediu licença e retornou para a cidade. Viu Afrodine se despedir dos moradores.

— Vai aonde?

— Não está vendo? Vou invadir Wilhelm e matar aquela mulher de verdade.

Eros abraçou a irmã. Aquele ato foi tão inesperado, porque não combinava em nada com ele.

— Eu também fiquei arrasado pela morte da Desirée. Eu ficarei mais ainda com a sua. Não vá.

— Eros... o que significa isso?

Ele suspirou.

— Tomei uma atitude. Farei qualquer coisa para convencer Rutherford a me dizer algo. Se preciso, eu farei sexo e sexo passivo. Mas não vá. Aqui em Gaia não temos poderes, enquanto Condessa é imortal. Se nem mesmo a nossa amiga conseguiu derrotá-la, sequer nós conseguiremos.

O íncubo afirmou que fará de tudo para fazer aquele homem abrir a boca.

...

Baron tentou pela terceira vez ligar para o número pessoal da sua irmã, mas a ligação era interceptada pelo serviço secreto e logo desligava. Tentou ligar para o escritório da Casa Branca, mas nenhum funcionário o atendia. Meses depois da sua posse como presidente, Belinda ficou reticente com o irmão, logo depois deixou de falar com ele. E ela sabia do plano da mãe, deixando o Rutherford de fora dos planos.

— Maldita — bebeu mais uísque. Já era noite quando a campainha tocou. Nenhum empregado foi atender, obrigando-o a fazer isso.

— Posso entrar?

Eros apareceu diante dele. O íncubo havia raspado os cabelos loiros.

— Pode. Cadê os seus cabelos? Adorava eles — disse o anfitrião andando pela sala.

O gênio se teletransportou na frente do outro e o agarrou. Num movimento súbito beijou-o na boca e fez movimentos lascivos com as mãos. Baron tentou entender o motivo daquilo, mas deixou-se levar pelas carícias.

— Hoje mais cedo você me rejeitou. Agora tá fazendo isso? Há algum interesse nisso?

— Não vai continuar? Bom, já vou então...

— Espera — puxou-o pelo braço. O sorriso de Rutherford era de ponta a ponta.

Logo os dois homens entraram na suíte e continuaram o romance lá. Baron empurrou o gênio para que ele se deitasse na cma e foi logo desfivelando o cinto e a calça dele. Eros sentiu uma parte do seu corpo ser abocanhada. Ambos estavam iniciando o sexo perto da grande lareira que ficava defronte para a cama de casal do anfitrião.

— Odiei ter cortado o cabelo. Você é um garoto mau.

— A puta que o pariu que eu ia deixar você puxar o meu cabelo como se eu fosse uma puta. Sei disso pois faço isso com as mulheres que transo.

— Então se deita e xiu, porque o papai precisa continuar o trabalho nesse corpo gostoso.

Eros gargalhou quando o homem passou a chupar os seus mamilos, mas depois reclamou das marcas de chupões que recebeu na pele.

— Ownt. O bebezinho tá mamando nos meus peitos? Tá gostoso? Mas vou logo avisar que o leite paterno não sai daí, sai ali de baixo hehe.

Baron fez cara de raiva e virou Eros rapidamente.

— Mas já vai enfiar esse trem?

— Vou te preparar.

Minutos... muitos minutos depois, eles já haviam terminado o sexo. Rutherford viu a hora no relógio e já era madrugada.

Ficou por um momento observando Eros dormir tranquilamente ao seu lado. Passou a mão na cabeça. Não sabia o que fazer a partir dali. Pensou na traição das únicas mulheres que amava. Um filme passou na sua cabeça.

— Tá pensando em quê?

— Nada — levantou.

— Merda. Essa merda dói muito. Não sei como os gays aguentam essa porra. Você devia ter nascido com um canudo aí em baixo. Olá?

Baron surpreendeu Eros ao apontar uma pistola no meio da sua testa. O loiro levou um susto e escorou as costas na cabeceira da cama. Nunca cogitou que o anfitrião seria capaz daquilo depois do sexo.

— E agora?

— Mesmo para um íncubo é impossível fugir de um tiro dessa distância. Fala agora. Você é amigo da Desirée?

— Sim, sou. Na verdade a minha irmã é amiga dela. Estou mais para conhecido. Nosso plano original era tentar descobrir algo, mas, das vezes que eu tentei entrar no seu sonho, não consegui. Satisfeito? Vai me matar?

Baron beijou Eros na boca e se sentou na beirada da cama. Acendeu um cigarro de maconha e ficou ali por um minuto, calado, apenas pensativo.

— Odeio aquela bruxa. Odeio as bruxas. Foi por esse ódio que virei o presidente da Hunter. Cacei muitas bruxas e ordenei execuções. Não sou uma pessoa boa, sabia?

— Cara, como se eu fosse uma. Matei a tua empregada pra te dar esse par de olhos pretos. Eu adoro transar nos sonhos com mulheres casadas. Será que foi por causa da minha natureza que você se apaixonou por mim?

— Acho que sim. Eu fui mimado esses anos todos e deixei meu pai morrer nas mãos da minha mãe, mas fui covarde. Todos esses anos eu nunca enfrentei a minha mãe, mesmo sabendo que custaria a minha vida. Teve um tempo que tapei os meus olhos e decidi que ela e Belinda eram as minhas musas, minhas paixões. Fui traído. Hoje admiro outra pessoa. Hoje posso falar que odeio a minha própria mãe e quero vê-la totalmente destruída. Isso vale também para a minha irmã.

Ele deu o cigarro para Eros continuar a fumar. Atrás de um quadro havia um cofre. Abriu e retirou uma pasta. Jogou sobre a cama.

— O que é isso? — Eros retirou fotos de símbolos de uma criptografia gaiana.

— Esses símbolos são parte de uma série de criptogramas dada aos membros da Hunter. São 8 fotos. Se juntas, saberá o endereço exato de onde o grande selo está.

— Cara... DO TRATADO DE NETHERLAND?!!!

— Isso. Cada Hunter carregava cada qual uma, mas a minha mãe pediu que eu recolhesse. Fiz isso.

— Isso é um prato cheio para acabar com o selo. Droga! Esqueci que a Desirée morreu.

— Morreu? Não lamento, mas não posso ficar alegre. A minha mãe tem muita sorte. Mas espera um pouco, Eros.

— O que foi?

— São nove criptogramas. Porém um foi destruído.

— Por quem?

— Dos hunters, apenas um não precisou dessa foto. Ele tem uma memória fotográfica extrema e inteligência acima de 200 pontos. Um cara chamado Sniper. Ele quem matou o Bates e hoje é ministro da justiça. É o único hunter que memorizou com detalhes cada símbolo. Você acha que pode fazer com que a sua irmã entre no seu sonho?

— Sim.

— Acho impossível. Ele não demonstra muitas emoções. É um sádico. E ele podia ser sádico já que é filho adotivo de um duque que financia o governo. Ele tem tanta liberdade que só atendia aos pedidos da Condessa, mesmo eu sendo o chefe dele. Nunca o confrontei, porque eu sabia que me mataria sem remorso.

Eros sentiu uma leve desmotivação. Agradeceu ao ato de Baron por dar toda a informação e as oito fotografias dos símbolos. Apenas uma sequência de símbolos que se juntadas revelaria o local do selo.

O anfitrião pegou uma caneta e anotou algo num papel. Deu na palma da mão de Eros.

— O que é isto?

— Em breve vou derrubar a minha irmã e para isso terei que revelar toda a verdade por trás da Politec. Todos os anos de corrupção da nossa família serão revelados em breve. Se eu ficar na Terra, serei preso pelo FBI. Vou amanhã para Gaia e nunca mais voltarei. Nesse papel está o endereço da minha nova casa em Gaia. Você é o único no mundo que sabe.

— Deixar comigo algo muito importante, além de me dar o seu endereço...

— Se quiser você pode me visitar para conversarmos ou outras coisas. Amigos de sexo ou amantes.

Baron agradeceu pela ajuda que teve do Eros durante esses vários meses. Mesmo sendo madrugada era indispensável ao empresário arrumar as suas coisas logo.

— Estou indo.

— Certo. Estarei muito ocupado nesta sexta-feira mesmo.

Esperou Eros sair para voltar a sua atenção ao escritório no andar inferior. Dentro de um armário, uma maleta metálica contendo os documentos sobre a sordidez da Hunter.

29 DE MARÇO DE 2019

Em Gaia, ainda era a noite do mesmo dia que Condessa se revelou. Na periferia de Wilhelm, a carruagem parou numa rua quase deserta. O cocheiro viu entulho na pista, desceu e foi verificar. Os dois guardas estranharam a demora do homem, desceram e foram abatidos de surpresa por Skywalker.

O caixão abriu, revelando Desirée viva, apesar da sua tosse repentina.

— Você deveria estar morto... — tocou no próprio corpo. Apesar da roupa ensanguentada, a bruxa sequer estava ferida.

Desirée saiu do caixão e saltou para fora da carruagem. Uma pessoa — que fazia companhia para Skywalker — apareceu diante dela.

Castelo Winchester

A masmorra foi ocupada por Joanna depois de um momento tenso que foi o reencontro com Luuk. Sentada no colchão úmido e nojento, ela continuou a chorar pela possível traição do namorado e a suposta morte da suprema. Além de todas essas desgraças, engoliu um sapo que era a notícia do casamento dele com a Condessa.

O tilintar na porta da cela fez com que a moça desse atenção. Abigail ficou observando a filha adotiva por um momento.

— O que veio fazer aqui? Esfregar na minha cara tudo o que roubou de mim? Minha mãe, meu pai, meu namorado e minha amiga.

— Só quero que sejamos uma boa família juntos. Luuk e eu seremos os seus pais de agora em diante. Agora tudo voltará como era antes.

Pela primeira vez Joanna deu uma leve risada.

— Essa merda nunca será como antes. Não enquanto você não for destruída.

A megera saiu dali e pediu ao guarda para que não desse água ou comida à presa.

— Aquela menina é um problema. Deveria tê-la prendido na prisão da periferia. Não entendo você. Insistiu que ela fosse presa no subsolo daqui. — Dentro do seu quarto Abigail conversava com Luuk. O rapaz lia um livro sentado numa poltrona.

— Já disse que quero vê-la sofrer. — Abraçou-a e beijou.

— Estou com vontade de fazer amor.

— Não. Voltarei ao meu quarto. Já falamos sobre isso, não? Sexo só depois do casamento. Enquanto isso tenho que dormir em outro quarto.

Apesar das investidas dela, Luuk foi irredutível. Deu um beijo breve e saiu do quarto. Trancou a sua porta, foi ao banheiro conjuntado para escovar os dentes. E ele escovou bastante os dentes.

Por volta das 22 horas do horário de Wilhelm, o futuro conde saiu do castelo. Vestido com um um sobretudo preto e uma capa da mesma cor, ele pegou um cavalo, montou e partiu para o caminho da Universidade Imperial, antigo lar de estudo das bruxas.

O casarão era bem grande, todo feito de pedra e com uma área externa vasta. Com seis hectares, ficava uns dois quilômetros do castelo. Parou, desceu do cavalo e se dirigiu ao portão do muro.

— É o conde. Deixe-o entrar — falou o guarda.

— Ainda não sou conde. — Passou caminhando. Aproveitou para beber o sangue de porco que trouxe numa garrafa de energético.

O curador do museu da universidade, e também bibliotecário, era um antropomórfico raposa velho, aliado do novo governo e já sabia da condessa viva.

— Pode me levar à biblioteca, por favor?

— Claro.

Já era bastante tarde, por isso os estudantes não estavam. O acervo de livros era grande o suficiente para lotar mais de cinquenta estantes grandes. Luuk pediu ao raposa que o levasse à seção que apenas o governo tinha acesso.

— Não posso. Nem mesmo o senhor tem permissão.

O jovem deu um sorriso e mostrou as duas presas para o curador. Aquilo foi o suficiente para o velho ter medo e deixá-lo entrar na sala restrita.

— Estou em busca de um livro.

— Que li-livro?

— Sabe de que livro falo.

O tal livro era a famosa enciclopédia de magia bruxa. Dentro dessas magias havia pelo menos uma que interessava-o.

— Senhor, terei que ficar com ele. E melhor que você durma. — Luuk mordeu o pescoço do homem, amarrou-o e trancou-o num armário. — Em dois dias você recobra a consciência, mas não se preocupe, não virará vampiro. Isso é lenda.

...

CIDADE DE FORTREE

Afrodine aguardou ansiosamente o retorno do seu irmão. Foi por volta da manhã — horário local de Goa — que Eros retornou da Terra. O íncubo colocou o documento sobre a mesa da casa de Scar, que servia de quartel general, e avisou que as fotos eram de símbolos e que se as sequências de símbolos forem reunidas e lidas juntas, o local exato do grande selo de Netherland seria encontrado.

— Como foi o seu encontro com o daddy?

— Nem me lembre. Podemos manter o foco?

Uma criança apareceu, revelando algo surpreendente. Todos saíram da casa e viram uma carruagem chegar. Desirée saiu do transporte, assustando todos.

— Calma, gente. Até parece que viram um fantasma.

Afrodine, emocionada, abraçou a amiga. Eros bufou por causa da falsa morte e por ter transado com outro homem. Scar comemorou.

— Eu dei a minha bunda pensando que você havia morrido!

— Desculpa qualquer coisa, Eros. Eu pensei que havia morrido de verdade. Cheguei a desmaiar e ficar inconsciente. Só que alguém havia manipulado todos os fatos.

SEDE DA POLITEC — BOSTON

Baron agradeceu à secretária e arrumou as suas coisas. Não quis se despedir dos outros acionistas, nem mesmo os demais empregados. Desceu para o restaurante da empresa onde almoçou com um amigo seu que trabalhava em Washington.

— Aqui está a maleta com todos os papéis. Quero que entregue para esta pessoa em Washington. Ela é do Departamento de Justiça e é totalmente imparcial.

— Você pediu demissão?

— Não. Eu vou sair do país por tempo indeterminado. Não me demiti, porque isso chamaria a atenção da Belinda e consequentemente ela obstruiria a justiça.

— Sabe que o FBI e a Interpol vão te caçar. Sabe disso.

— Nunca vão me prender. Aonde irei, eles não terão jurisdição. Obrigado por tudo, Crawford. Você é um bom amigo.

Crawford pegou a maleta e se depediu de Baron. Ambos eram da mesma idade e há duas décadas foram namorados. Rutherford saiu da empresa e deu uma banana para todos. Entrou na limusine.

— Próxima parada... o futuro.

O carro se foi, levando Baron para algum lugar perto de um portal para Gaia. Durante dias o empresário sofreu com a cegueira ao mesmo tempo que ganhara a dádiva de prever o futuro. Uma dessas previsões era de que uma pessoa salvaria a humanidade da guerra nuclear e, posteriormente, da ascenção de um governo mundial encabeçado pela Condessa. O homem viu o seu próprio futuro.

FORTREE

Desirée reapareceu diante dos seus amigos. Eros apresentou as fotos para a bruxa e pediu a ela que liderasse a vingança contra a Condessa.

— Acho que essa competência será de outra pessoa. Se não fosse por ela, eu estaria morta e o futuro dos dois mundos em jogo.

Skywalker desceu da boleia e foi abrir a outra porta da carruagem. De lá desceu uma pessoa.

— E então? Estão prontos para receberem as minhas ordens? — perguntou Lilith enquanto expunha o seu braço mecânico.

Notas finais
Gostram? Informar que Baron di Rutherford foi o 2° personagem recorrente a terminar a sua participação na história. Tá acabando. Aos poucos o elenco vai diminuindo.