Salve-me
6 Capítulo 6 - Camélia Vermelha
Notas iniciais
Depois de um tempo, todos estavam em Konoha novamente. Tsubaki olhava assustada para todo o lado, como se fosse ser atacada a qualquer momento. Claro que estaria assim. Passou por muita coisa difícil desde o dia em que sua família e ela foram atacados. Mas, uma coisa ainda intrigava Konohamaru. O que havia naquele pergaminho que encontrou na casa abandonada de Tsubaki? Para ter acontecido isso, era algo extremamente valioso.
Decidiu pensar nisso mais tarde. Por hora, passou um de seus braços sobre os ombros da moça, tentando acalmá-la um pouco. Ambos coraram com isso, mas tentaram disfarçar.
Boruto, que gosta de tirar sarro da cara de Konohamaru, percebeu todo o gesto. Com isso, começou a provocar.
— Hey, Konohamaru-nii-chan, você gosta mesmo dela, não é? — Boruto questionou em tom debochado.
— B-Boruto! É sensei! E… Falamos disso mais tarde kore. — O moreno respondeu sem graça.
— Agora ele está normal, galera! Até voltou a falar “kore”! — O loiro falou rindo.
— Boruto! — Konohamaru chamou-lhe a atenção.
— Você não tem jeito mesmo, não é? Vamos fazer o relatório da missão para o Hokage logo. — Sarada falou, puxando Boruto pela orelha.
— É… Esses dois formam um belo casal. — Mitsuki comentou sorrindo.
— Nada haver! — Os dois exclamaram juntos e corados.
— Seu time é divertido, Konohamaru-kun…! — Tsubaki falou, rindo da situação.
— Eles são bons ninjas. Também trabalham muito bem em equipe. — O moreno falou, sorrindo para os três.
Chegando no escritório Hokage, todos ficaram em silêncio. Entraram na sala junto com Tsubaki, que estava um pouco nervosa. Naruto, como sempre, estava envolto de vários papéis, mas parou de assiná-los assim que viu o grupo entrar.
Sorriu ao ver a garota sã e salva. Sabia que, enviando aquele time, conseguiria fazer a moça desistir de se matar.
— Olá, Tsubaki. — Naruto a cumprimentou sorrindo.
— O-olá… — A moça respondeu, encarando o chão.
— Vejo que conseguiram concluir a missão. Estão de parabéns. — Naruto falou.
— Hokage-sama, posso fazer uma pergunta? — Tsubaki falou, reunindo coragem para fazê-la.
— Pois não? — Naruto permitiu.
— Quem solicitou a missão? — Tsubaki perguntou aflita.
— A missão não tem um remetente. Eu a recebi de um pássaro. Até pensei que seria um relatório do Sasuke, mas o pássaro era diferente. — Naruto respondeu.
— Um pássaro…? — Tsubaki questionou.
De repente, o pássaro que Tsubaki treinou para enviar as cartas à Konohamaru pousou na janela do escritório. Naruto foi até ele e pegou um papel preso a perna dele.
— “Obrigado.” — Naruto leu o papel em voz alta.
— M-mas… Quem…? — Tsubaki questionou assustada.
— Acho que não teremos a resposta tão cedo… Por enquanto, é melhor irem para casa descansar. O deserto fica longe daqui. Devem estar exaustos. — O loiro falou, dispensando o grupo.
— Hey pai, hoje você vem pra casa, não é? — Boruto questionou emburrado.
— Não me chame de pai aqui, Boruto. Me chame de Hokage. E hoje… Bom, farei meu melhor para estar em casa na hora da janta. — Naruto respondeu.
— Ok… — Boruto resmungou, saindo da sala.
— Vamos pra casa também? — Konohamaru dirigiu-se à Tsubaki, sorrindo.
— T-tudo bem mesmo…? — A moça questionou um pouco nervosa.
— Claro que sim! Não se preocupe, a casa é bem arrumada, apesar de só eu morar lá. — O moreno brincou.
— N-não é isso…! — Tsubaki falou sem graça.
Depois de discutirem sobre o assunto, os dois foram pra casa de Konohamaru. Chegando lá, ela constatou que ele tinha razão. Apesar de morar sozinho, a casa era bem arrumada.
— E então? Diferente do que imaginou? — Konohamaru perguntou brincalhão.
— Com certeza! Vejo que é bem organizado! — Tsubaki exclamou, entrando na brincadeira.
— Sim! Acha que eu consigo me casar sendo assim? — O moreno perguntou brincando.
— C-casar…? B-bom, acho que daria um ótimo marido… — A moça engasgou em suas palavras.
— Ahn… Desculpe pela brincadeira kore…! — O moço falou sem graça.
— T-tudo bem! Não se preocupe com isso! — Tsubaki logo falou. Não queria que Konohamaru ficasse daquele jeito.
— B-bom, mudando de assunto… Quando fui até sua casa, para ver se encontrava pistas de onde você poderia estar, eu encontrei um pergaminho protegido por uma barreira. Eu consegui desfazê-la e o trouxe para cá. Você faz ideia do que tenha aqui dentro? — Konohamaru questionou, pegando o pergaminho que havia escondido.
— Ah… Esse pergaminho… — Tsubaki falou tristemente, o pegando das mãos de Konohamaru.
— O que tem dentro dele? — O moço perguntou seriamente.
— B-bom… Minha família tem uma tradição antiga já. Esse pergaminho contém um jutsu secreto que guia o destino das mulheres da família… — Tsubaki falou.
— J-jutsu que guia o destino? Como assim? — O ninja indagou visivelmente nervoso.
— É um jutsu que revela com quem a mulher da família irá se casar. Os bandidos estavam atrás desse jutsu… Não… Os bandidos estavam atrás de mim, na verdade. — Tsubaki revelou aflita.
— Mas estavam atrás de você por que? — O moreno questionou. Não estava entendendo nada.
— Eles estavam atrás de mim e do pergaminho, para que o jutsu selasse a união entre mim e o líder do grupo. — A morena falou, fechando seus olhos fortemente.
— Queriam te fazer casar à força, então? — Konohamaru falou, vendo a condição da garota a sua frente.
— Sim… Mas, como não conseguiram desfazer a barreira, eles… Eles… — Tsubaki não conseguia completar a frase. Aquilo foi muito pra ela.
— Foram uns covardes, isso sim. Tsubaki, você consegue descrevê-los para mim? — O moço perguntou seriamente.
— N-não me lembro de como ele era… Foi tudo tão aterrorizante, que não me lembro… — A moça respondeu, envolvendo-se com seus próprios braços e caindo sentada no chão.
— Não se preocupe. A essa altura, eles já devem saber que você voltou. Então, se tentarem alguma coisa, eu irei intervir. Não se preocupe. — Konohamaru falou, abraçando a moça.
— Obrigada… — Tsubaki falou. Conseguiu se acalmar nos braços do moreno. Seu abraço era aconchegante. Por ela, ficaria assim pra sempre.
— Vamos, você precisa descansar. Tome um banho enquanto eu arrumo a cama pra você dormir um pouco. — Konohamaru falou.
— M-mas…! — Tsubaki falou envergonhada.
— O que foi? — O moço perguntou confuso.
— É que… Eu… Só tenho essas roupas… — Tsubaki falou olhando pra baixo envergonhada.
— Hm… Isso é um problema… Bom, use uma camiseta minha. Amanhã a gente resolve isso. — Konohamaru falou, enquanto se dirigia em direção ao guarda roupas.
— N-não vai ficar estranho? — A garota questionou envergonhada.
— Claro que não. Será só por essa noite. O que tem demais? — Ele questionou confuso.
— B-bom… Acho que nada, não é…? — Ela respondeu timidamente. Na cabeça dela, ele havia esquecido o que ela escreveu na carta de despedida mais cedo.
— Aqui está. Uma toalha, uma camiseta, tudo o que precisa. Vou dar uma saída rápida, ok? — Konohamaru falou, entregando as coisas para ela.
— O-onde vai? — Ela perguntou.
— Preciso fazer uma coisa. Mas será rápido, prometo! — O moreno falou sorrindo. Logo depois, sumiu.
Tsubaki foi em direção ao banheiro. Estava super constrangida por precisar usar as roupas dele. Ela estava assustada. De manhã, quase conseguiu se matar. De tarde, estava voltando para Konoha e conversou com o Hokage. Por fim, de noite, estava tomando banho e usando as roupas da pessoa que amava. Ela estava realmente viva? Ou estava morta no paraíso?
A garota estava tão distraída com seus pensamentos, que não percebeu o barulho que vinha do cômodo ao lado. O barulho se repetiu mais uma vez, despertando a menina. Ficou em alerta. Não iria deixar ninguém tomá-la a força novamente. Com uma kunai em mãos, já estava pronta para atacar.
A pessoa abriu a porta do banheiro e foi surpreendida pela kunai da garota. Quando percebeu quem era, se arrependeu por ter feito aquilo. Konohamaru estava com o braço sangrando pelo ataque recebido.
— Droga, me desculpe Konohamaru-kun! — Tsubaki falou desesperada, se envolvendo na toalha.
— Não se preocupe com isso. Você está certa em se proteger. — Ele falou, tirando a kunai de seu braço.
— Me desculpe mesmo… É que estou tão assustada ainda… — Ela falou, olhando o chão.
— E deveria mesmo. — Depois de ouvir isso, sentiu uma pancada em seu pescoço. Tudo ficou escuro.
Quando Konohamaru chegou em casa, viu que estava tudo quieto. Estranhou isso, então começou a andar pela casa. Largou um buquê que tinha em mãos na mesa da sala e foi em direção aos outros cômodos da casa.
Ouviu uma agitação estranha vinda de seu quarto. Quando chegou lá, Tsubaki estava com as mãos amarradas para trás, totalmente sem roupas. A única coisa que a cobria era a toalha que ele havia entregado a ela mais cedo. Parecia estar desacordada.
— Resolveu voltar, espertalhão? — O homem, que tinha a aparência de Konohamaru questionou, com um sorriso cínico nos lábios.
— Ah, então você é o autor da tragédia da família dela, não é? — O moreno perguntou sorrindo igual ao homem a sua frente.
— E se eu for? — O homem devolveu a pergunta, dando de ombros.
— Bom, aí você facilita meu trabalho. — Konohamaru respondeu seriamente.
Em questão de segundos, o jovem ninja já estava frente a frente com o homem, desferindo-lhe um soco forte no estômago dele. O homem, mesmo sentindo dor, retribuiu jogando várias shurikens em direção a Konohamaru. O moreno desviou de todas. Isso era fácil pra ele. Observando bem, o homem não era tão forte, então foi com tudo pra cima dele. Rapidamente, fez um rasengan e acertou-o no rosto do homem, lançando-lhe longe, quebrando a parede de sua casa.
— Droga, vou precisar arrumar isso amanhã. Esse cara deve estar acompanhado, não é possível. Ele sozinho não conseguiria matar três pessoas do jeito que foram mortas. — Konohamaru falou, observando ao redor da casa.
— A-ai…! Onde estou? O que aconteceu aqui? — Tsubaki questionou confusa, ainda zonza.
— Tsubaki! — Konohamaru exclamou, indo em direção a garota, dando-lhe um abraço.
— K-Konohamaru-kun… O que aconteceu…? — Ela perguntou.
— Tentaram fazer alguma coisa com você de novo. — O moço respondeu, apertando mais o abraço.
— Entendo… Estou dando trabalho à você, não é…? — Ela falou em tom triste.
— Não é nada disso. Pare de pensar coisas assim. Eu me preocupo com você exatamente porque te amo. — O Jounin falou, olhando-a nos olhos.
— O-oi…? — Ela não acreditava no que ouvia. Seus sentimentos eram correspondidos?
— Isso o que você ouviu. Por mim, eu queimava aquele pergaminho e me casava com você o mais breve possível. — Konohamaru respondeu corando.
— O… Pergaminho… Espera, cadê ele? — Ela perguntou levantando-se.
— Por que quer ele agora? — Ele questionou confuso.
— Espere e verá. — A moça falou sorrindo.
— Espera, deixa eu te desamarrar… — Ele falou, desatando os nós da corda.
— Ai…! — A morena gemeu. Os ferimentos nos pulsos ainda doíam.
— Não quer tratar dos ferimentos primeiro…? — Ele perguntou.
— Eu aguento. Eu aguentei fazê-los, não foi? E… Se importa de esperar lá fora? — Ela falou corando.
— Por quê? — Não entendendo nada, apenas perguntou.
— P-porque eu ainda estou de toalha só! — Tsubaki respondeu nervosa, expulsando o dono do próprio quarto.
— D-desculpa! Não tinha notado! — Konohamaru saiu correndo do quarto. Estava corado demais.
Depois de alguns minutos, Tsubaki apareceu vestindo a camiseta de Konohamaru. Estava corada por estar vestindo a roupa íntima e a camiseta do dono de seu coração.
A moça passou pelo moreno sem dizer nada. Somente pegou o pergaminho que estava em cima da mesa e o abriu, fazendo alguns sinais de mãos. Do pergaminho, surgiu o holograma de um senhor de cabelos brancos e longos. Seus olhos eram fechados e sua aparência era a de um velho de noventa anos.
— E então, conseguiu encontrar alguém digno de seu coração? — O velho perguntou a Tsubaki.
— Sim… Tive que passar por algumas situações horríveis, mas encontrei alguém que pode me ajudar a crescer. — Ela respondeu ao velho.
— E quem é essa pessoa? — O senhor perguntou.
— Ele… — A moça respondeu, apontando para Konohamaru.
— Hm… Ele parece forte fisicamente e espiritualmente. Você está certa de que é ele? — O velho questionou mais uma vez.
— Sim, é ele… — Tsubaki respondeu, abraçando o braço de Konohamaru, que estava ao seu lado tentando entender o que estava acontecendo.
— Entendo. Então, dou minha bênção para que sejam felizes. — O velho falou sorrindo. Aos poucos, foi desaparecendo.
— O-o que foi isso? — Konohamaru perguntou.
— Selaram o chakra de um antigo ancestral de nossa família no pergaminho. Enfim, sempre que ele aprova e abençoa uma união, ela dura para sempre. Quando acontece o contrário, o casal vive infeliz para sempre. — Ela explicou.
— Bom… Posso concluir que ele gostou de mim? — Ele perguntou receoso.
— Sim! Ele gosta de pessoas fortes tanto fisicamente quanto espiritualmente. E você possui as duas forças. — A garota falou sorrindo.
— Entendo… Então, acho que fiz certo em comprar isso…! — Konohamaru dirigiu-se a mesa da sala e pegou um buquê de Camélias Vermelhas.
— Camélias Vermelhas… — A garota resmungou com os olhos brilhando.
— Então… Ino falou que Camélias Vermelhas significam amor, então… — Ele não conseguiu terminar de falar. Foi surpreendido por doces lábios contra os seus. O beijo não durou muito, mas foi o melhor de todos.
— Obrigada, Konohamaru-kun…! — Ela exclamou feliz, com um grande sorriso nos lábios.
— Acho que precisamos compensar o tempo que ficamos separados. — O Jounin falou, tirando uma caixinha do meio das flores.
— Isso é o que estou pensando? — Ela questionou com um brilho nos olhos.
— Se estiver pensando em aliança de namoro, sim. — Ele respondeu brincalhão.
— É claro que aceito! Eu te amo, Konohamaru-kun! — Ela respondeu abraçando seu novo namorado.
— Também te amo, minha flor. Não vou deixar que nada de mal lhe aconteça de novo. E peço que você me conte tudo o que te aflige. Quero te ajudar, mas você precisa se abrir comigo. — Ele falou, retribuindo o abraço.
— Pode deixar! — Tsubaki respondeu e lhe deu um selinho nos lábios.
O que era para ser um dia triste, acabou sendo o mais feliz de sua vida. Prometeu para si mesma que iria conversar mais com ele, para que esses pensamentos de suicídio nunca mais passasse por sua cabeça.
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