Salve-me
5 Capítulo 5 - Sino Azul
Notas iniciais
Izumi estava pendurada pelo pescoço por uma corda amarrada ao teto da caverna. Estava agonizando e tentando afrouxar a corda em vão. A expressão no rosto dela era de desespero e arrependimento. Provavelmente, não imaginou que seria tão difícil se matar.
Rapidamente, Konohamaru lançou uma kunai e cortou a corda. Logo em seguida, foi até Izumi e desfez o nó, libertando o pescoço da garota. A morena estava quase inconsciente. Não sabia quem estava ali, não sabia se era dia ou noite, não sabia se havia morrido mesmo. Estava com a respiração fraca. Sentia que iria partir desse mundo a qualquer momento.
Foi então que, em um ato de desespero, o moreno tentou reanimá-la com uma respiração boca a boca. Os três Gennins somente observavam. Não sabiam que a garota era tão importante assim para seu sensei. Então, sem demora, Sarada pegou um pouco d’água que levava consigo e despejou em um recipiente. Pegou também alguns medicamentos que sua mãe havia lhe entregado, caso precisassem no caminho.
— Pra quê tudo isso Sarada? — O loiro perguntou confuso. Se sentia impotente naquela situação.
— Para quando Konohamaru-sensei conseguir reanimá-la. Precisamos tratar dos cortes nos pulsos dela e da marca deixada pela corda em seu pescoço. Também precisamos hidratá-la, já que estamos em um deserto. — Sarada respondeu, enquanto deixava tudo pronto.
— Mas… Você acha que ela vai ficar bem…? — Boruto perguntou cabisbaixo.
— Ela vai. Felizmente, chegamos há tempo. Provavelmente ela tinha acabado de fazer isso, então conseguimos salvá-la na hora certa. — Sarada respondeu, ajeitando seus óculos.
— Precisa de mais alguma coisa? — Mitsuki perguntou.
— Seria bom se tivéssemos mais água e uma toalha… — Sarada falou pensativa.
— A água eu tenho. Pode ficar com ela. — Mitsuki falou sorrindo, entregando seu recipiente com água para Sarada.
— Não me pergunte o por que, mas eu tenho a toalha. — Boruto falou, entregando a toalha para Sarada.
— Inusitado, mas isso irá ajudar. Obrigada Mitsuki, Boruto…! — A morena falou sorrindo.
Enquanto isso, Izumi recuperava aos poucos sua consciência. Estava quente. O calor do deserto a estava fazendo ter alucinações, só pode. Quem é esse que está lhe beijando? O que estava acontecendo? Com o pouco de forças que ainda tinha, levantou-se rapidamente assustada.
Konohamaru olhou-a atentamente, para ver se estava tudo bem com ela. A garota só conseguia encará-lo atordoada. Pensou que iria morrer aquela tarde. Como aqueles ninjas a encontraram?
— K-Konohamaru-kun…? O que faz aqui…? C-como me encontraram…? — Izumi questionou surpresa.
— Seguimos seu pássaro. Depois que ele deixou a carta com a flor de Ervilha Doce, só tivemos que seguí-lo. — Sarada respondeu.
— M-mas… Como sabiam que eu estava no deserto? Quem contou à vocês? — Izumi questionou exaltada.
— Recebemos uma missão. Essa missão não tinha um remetente. Era só um pergaminho contendo o que precisávamos fazer. — Konohamaru falou.
— C-como assim? O Hokage aceitou esse tipo de missão, mesmo sem saber quem havia pedido? — A garota questionou incrédula.
— A pessoa parece se importar muito com você, Izumi-san. — Mitsuki falou.
— Não pode ser… Eu… Pensei que iria terminar com meu sofrimento aqui… — A garota falou, encarando tristemente o chão.
— Se você não morreu agora, é porque com certeza há algo para você fazer em sua vida ainda. — Boruto falou. Quando ele queria, conseguia falar algumas coisas inteligentes.
— Não tenho nada pra fazer. Só quero ir embora. — Izumi falou.
— Izumi Tsubaki. Pode me dizer por quanto tempo está guardando as coisas só para si? — Konohamaru questionou seriamente.
— T-Tsubaki? — Os três Gennins indagaram surpresos.
— Você não entenderia. Não gosto de preocupar os outros. — A garota respondeu, cerrando os punhos fortemente.
— Não faça isso. Os ferimentos em seus pulsos vão se abrir. — Sarada falou, indo até Tsubaki, com água e os medicamentos.
— Você me preocupou. Por que não conversou comigo? — O moreno questionou nervoso.
— Você estava sempre ocupado! Não queria atrapalhar! É só isso que eu faço na vida… Atrapalhar os outros… — Tsubaki falou, encarando o chão tristemente.
— Você sabe que nunca me atrapalha. E sabe que gosto de você. — Konohamaru falou, corando um pouco.
— É claro, somos amigos… É muita prepotência minha achar que seríamos algo a mais algum dia. Não sei porque escrevi aquilo na carta. — A morena falou, sorrindo fraco enquanto batia de leve em sua testa.
— Tsubaki-san, estenda seus pulsos, por favor. — Sarada falou, pegando um dos medicamentos.
— Tsubaki, acha mesmo que, depois de todo esse tempo juntos, eu te veria somente como uma amiga? — Konohamaru falou seriamente. Estava um pouco mais corado.
— Ai! — A garota grunhiu de dor. Seus cortes ainda a incomodavam.
— Você realmente fez de tudo para se matar, hein…? — Sarada falou, enquanto enfaixava os pulsos da garota com as tiras da toalha de Boruto.
— Minha mãe vai me matar, minha mãe vai me matar, minha mãe vai me matar…! — O loiro não parava de falar isso, enquanto andava de um lado a outro da caverna.
— Diga a ela que foi por uma boa causa. — Mitsuki disse sorrindo.
— Acho que vamos ter que conversar quando chegarmos em Konoha… — O moreno falou, vencido pelas conversas paralelas.
— Konoha…? Eu não vou voltar pra lá. — Tsubaki falou.
— Por que não? — Boruto questionou mais rápido que seu sensei.
— N-não tenho boas lembranças de lá. — Tsubaki respondeu, fechando fortemente seus olhos.
— Você precisa voltar. Tem algo que quero que você me explique. E algo que só você pode abrir. — Konohamaru falou, encarando-a seriamente.
— Mesmo se eu voltar, não tenho onde ficar mais. Minha casa, para mim, já não existe mais. — Tsubaki respondeu.
— Você ficará comigo até resolver para onde irá. Mas, por favor, vamos voltar para casa. — O moreno falou, estendendo uma das mão para Tsubaki.
— Não sei se tenho coragem pra isso… — Tsubaki respondeu tristemente.
— Nunca saberá se tem coragem se não tentar. — Boruto falou, encarando a moça.
— Aqui, deixe-me passar uma pomada no seu pescoço também… — Sarada falou, passando o medicamento no local.
— T-tudo bem… Mas, se eu não conseguir ficar por lá, irei embora novamente. — Izumi respondeu, aceitando a mão estendida do moreno.
— Ok! Missão cumprida! Agora, vamos voltar! — Boruto exclamou, com o típico sorriso no rosto.
— Boruto, pare de fazer escândalo! — Sarada falou, guardando os medicamentos.
— Aqui, beba um pouco d’água. — Konohamaru estendeu um recipiente para Tsubaki.
— O-obrigada. — A morena agradeceu, bebendo um pouco do líquido.
Quando saíram da caverna, olharam para o céu limpo do deserto. Sem nenhuma nuvem, somente com o pássaro de Tsubaki sobrevoando a área. Quando os avistou, o pássaro voou em direção a eles. Com ele, havia uma flor de sino azul em seu bico.
Pousando no braço de Konohamaru, o pássaro apenas lhe entregou a flor e voltou a voar para acompanhá-los. O moreno estranhou aquilo. Não era um perito no significado das flores, então ficou encarando a linda flor azul em suas mãos.
— Sabe o que significa a flor de sino azul? — Tsubaki questionou, sorrindo fraco.
— Sinceramente, não faço ideia. — Konohamaru respondeu, ainda olhando a flor.
— Significa gratidão. — A moça respondeu sorrindo.
— Gratidão… — O moreno repetiu, sorrindo para a flor.
— Acho que o pássaro também não queria que você morresse. — Mitsuki comentou.
— Ora, isso é bobagem! Desde quando pássaros entendem sobre essas coisas complicadas? — Boruto questionou. Logo em seguida, sentiu algo molhado caindo em sua cabeça.
— É, acho que eles entendem melhor do que você, baka. — Sarada falou, olhando o que o pássaro havia soltado em cima da cabeça do loiro.
— Esse molhado não é o que eu penso que é, né? — Boruto perguntou com cara de nojo.
— Acho que você acertou em cheio. — Mitsuki comentou sorrindo.
— Ah não! O pássaro cagou na minha cabeça! — O loiro começou a fazer escândalo.
— Havia me esquecido do quão divertido era ficar com o time 7! — Tsubaki comentou, rindo do garoto desesperado.
— Viu…? Tudo ficará bem, ok? — Konohamaru falou, dando um abraço involuntário na garota.
— … — Tsubaki se assustou, mas retribuiu o abraço mesmo assim.
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