Salve Minha Mente, Proteja Minha Alma.
3 Capítulo Três.
Havia uma garrafa de vinho e dois copos ao lado da cama, o relógio despertou às sete da manhã — era hora de James ir embora. Annie o sacudiu até ele acordar.
– Huh... Que horas são? – Indagou o moreno, completamente nu embaixo dos lençóis.
– Sete da manhã. – Levantou-se primeiro, Annie também estava nua.
– Droga. – James reclamava à medida que esfregava os olhos, lutando para levantar da cama; exibindo seu corpo esguio que envergava-se um pouco na extensão dos ombros — o que era comum em homens altos e magros. Mas não imagine James Volker como um vara-pau, por praticar esportes sua massa muscular era bem distribuída por todo seu corpo: barriga, braços, panturrilhas. Porém o que mais atraia Annie em James era seus ombros, especialmente quando ele estava de costas para ela e tinha algumas áreas do corpo iluminado pelos filetes de luz que penetravam o apartamento. – Definitivamente, eu preciso de férias. – Reclamou antes de vestir a roupa.
– Não seja chorão, você acabou de começar nesse emprego e já está reclamando. – Retrucou a garota, puxando um cigarro de dentro do bolso da jaqueta em cima da mesa. Acendeu.
James se despediu com um beijo no rosto de Annie e partiu para mais um dia monótono – o que ele não sabia, era que a partir daquela terça-feira sua vida mudaria completamente, e que seria obrigado a dizer adeus àqueles dias comuns do qual ele tanto reclamava.
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[POV’s Trevor Cross]
Hoje é terça, dia de visitar meu irmão, eu nunca consigo dormir bem quando sei que tenho que visita-lo, não entendo a razão de toda essa ansiedade, mas às vezes penso que deve ser o medo de acabar junto com ele naquele lugar, ou talvez apenas seja porque ele é meu irmão, de qualquer forma, isso não tem importância agora.
[POV’s End]
08:00hrs da manhã de terça, em uma mesa na sala de visitas da Penitenciária Marion, Trevor Cross esperava pelo seu irmão mais velho, Eddie Cross.
– E ai, irmãozinho. – Cumprimentou o homem enroupado em um traje azul-marinho, sua presença era naturalmente assustadora, talvez devido à cicatriz horrenda que começava abaixo do seu olho esquerdo, cruzando toda sua bochecha até seu lábio superior. Sua voz era rouca e seus dentes amarelados, era um homem maltratado e sem um pingo de amor próprio.
– Como você vai? – Perguntou o irmão mais novo, distante.
– Na mesma... Mas e você?
Antes de respondê-lo, Trevor olhou profundamente nos olhos castanho-escuro do irmão mais velho. Não fora preciso palavras, Eddie conhecia seu irmão, sabia que ele estava com problemas.
Alguns minutos de conversa.
– E por que diabos você vai se meter numa furada dessas por causa de uma garota? – Questionou o presidiário, furioso. – Eu não quero você se metendo nessas porcarias Trevor, olhe pra mim, por acaso quer uma cicatriz igual a essa? Quer um “companheiro de quarto” que está sempre tentando te enrabar? Ou talvez você queira alguns filhos da puta fardados te assistindo cagar?!
– Ela é minha amiga, Eddie, a melhor de todas, e ela precisa de mim! Se ela me contou sua história, é porque precisa da minha ajuda. Então você, que está nessa porra dessa cadeia, deveria imaginar o quanto é horrível o que aconteceu com ela.
Eddie maneou a cabeça, convencido de que mesmo que passasse o dia inteiro argumentando com o irmão, nada mudaria sua decisão.
– Então, faça direito, pois se vier parar aqui por causa da sua amiga, eu mesmo te mato. – O mais velho levantou-se irritado, arremessando a cadeira para trás com o impulso.
Estava decidido do que faria e da forma que faria. Assim que Trevor deixou a Penitenciária, discou um número em seu telefone-celular, o nome “James bundão” apareceu na tela.
– Trevor! Seu filh... – Uma voz divertida atendeu ao telefone, entretanto, fora interrompida por uma rude.
– Preciso de você e da Annie na minha casa hoje à noite.
– Não dá. – Respondeu-lhe, dessa vez demonstrava seriedade.
– Como assim?
– Eu tenho que ver minha mãe hoje.
– Terça, parece que todo mundo tem que visitar alguém nas terças.
– É que ninguém quer fazer essas coisas na segunda. – Ironizou.
– Como Annie diz: Segundas só servem pra foder com a gente. – Ambos gargalharam ao lembrarem-se da primeira vez que Annie disse aquilo, completamente bêbada.
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[POV’s James Volker]
Agora que parei para pensar, Trevor disse algo interessante sobre terças, toda terça visito minha mãe, ele visita o irmão, mas e Annie? O que ela faz? Provavelmente deve dormir o dia inteiro, haha. Enfim, visito minha mãe todas as terças porque ela sofre de uma doença chamada osteoartrite, é uma doença degenerativa que atinge as articulações, eu não sei dizer bem quando foi que isso começou e nem sei explicar sobre ela, mas acabou com a vida da minha mãe, hoje ela mal consegue se levantar, já que a doença acabou com os joelhos dela, não é fácil vê-la dessa forma, já que sempre foi uma mulher batalhadora, cuidou de mim sozinha depois que meu pai nos abandonou, e agora, precisa de uma enfermeira-babá 24hrs por dia, às vezes sinto que sou um puto, um filho ingrato, eu era quem deveria estar cuidando dela, mas não consigo, não há uma vez sequer que não sinto vontade de chorar quando a vejo nesse estado, simplesmente não consigo vê-la tão dependente dos outros, tão fraca, e eu sei que se já é difícil para mim, para era deve ser como o inferno. Me perdoe mamãe, por ser um cara tão egoísta.
[POV’s End]
O telefone tocou assim que James chegou à casa da mãe, era Annie.
– Oi gatinha! – Atendeu sorrindo, mas logo desmanchou aquele sorriso quando se surpreendeu ao ouviu a voz fraca do outro lado da linha.
– Jam..es..
– Annie? Você está bem? – Interrompeu, assim que ouviu a fraqueza nas palavras da amiga.
– Você pode... vir aqui?
– Agora? Eu estou na casa da minha mãe. Sabe, é terça... então... – Tentava esconder a preocupação em sua voz.
– Preciso de você. Agora. – A ligação caiu.
O moreno tentou retornar, mas Annie não atendia. Enquanto isso, a voz de Annie ressoava em sua mente, ela não estava bêbada, disso tinha certeza; era outra coisa, algo que ele não conseguia distinguir. Até então.
A sacola de frutas desabou no chão quando James pôs-se a correr, agora ele sabia o que Annie fazia nas terças.
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Perdoe-me, mamãe.
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