Salvação
1 C01. Capítulo Único - A minha luz no fim do túnel
Notas iniciais
“O amor é tão belo quanto uma rosa, mas tão perigoso como seus espinhos. É preciso ter cuidado. O amor dói, machuca e fere, faz você se perder em você mesmo, mas nada é tão puro e tão bom como ele. “
Ela estava encostada na porta de seu quarto, que estava trancada. Uma lâmina de barbear suja de sangue se encontrava perto de seus pés. Escorria sangue pelas suas mãos, mas ela já não se importava. Chorava como se aquele fosse o fim do mundo, e para ela era o mesmo que fosse. O celular ainda estava aberto, jogado no chão. Sua camisa estava molhada pelas lágrimas que derramava. Sua boca era só um traço fino. Seus olhos estavam fechados e frequentemente caiam lágrimas pelo canto. Pegou a lâmina de barbear novamente, fazendo vários cortes profundo em sua perna, enquanto apertava seus dentes de tanta dor. Mas não era a dor superficial que a incomodava, a dor física. Era a dor emocional que estava acabando com ela. Podia sentir que seu coração ia se desfazendo de pouco em pouco, assim como o seu mundo, que ia desabando lentamente. Só largou a lâmina quando não tinha mais forças para se cortar. Não tinha mais vontade nem de tornar a sua morte mais rápida. Que sofresse então. Mais um pouco não faria diferença. Podia escutar ao fundo, em sua mente , o refrão da música que ela tanto cantava: “You\'re my obsession, my fetish, my religion, my confusion, my confession, the one I want tonight. You\'re my obsession, the question and conclusion”. Cantarolava em meio as lágrimas o ritmo da música, com os olhos fechados, vendo a imagem do causador de seu sofrimento. Apertou suas unhas em seus braços, mordendo forte seus lábios. Respirou fundo e levantou-se. Cambaleou até seu banheiro. Sangue escorria por grande parte de seu corpo. Lavou seu rosto na pia, levantando o rosto para ver sua imagem no espelho. Sua mão foi de encontro ao vidro, estilhaçando-o. Cortou sua mão, mas não se importou. Foi até sua cômoda e abriu uma das gavetas, pegando bem ao fundo alguns comprimidos. Tomou todos de uma vez só, os sentido irritar sua garganta. Sentou em sua cama e fechou os olhos. Pode ver ainda uma imagem antes de perder a consciência. A de Nathaniel beijando outra garota.
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“De novo não, por favor, de novo não” Nathaniel pensava, enquanto dirigia seu volvo em direção ao hospital. Acabara de receber uma ligação de Kate, a melhor amiga de Jessica, dizendo que a amiga acabara de ser internada, novamente, devido a overdose. Só que, quando finalmente Nathaniel chegou ao hospital, percebeu que a situação era bem pior. Jessica não só havia sido internada por overdose, mas porque havia perdido sangue demais. Estava na UTI, em estado grave e instável. Kate tentava explicar a situação para Nathaniel como o médico havia explicado a ela, mas tudo o que o loiro fazia era pensar em quando tudo aquilo iria acabar. Ele estava preso a Jessica e já não agüentava mais. Era sempre a mesma coisa, sempre a mesma maldita coisa. Era só ele dizer algo, sem querer e Jessica entender errado que no outro dia a garota já aparecia com cortes. Era só ele “pisar na bola”, como sair com outra garota, que Jessica parava no hospital. Ele já não suportava mais aquilo. Queria fugir. Queria a liberdade que fora tomada dele desde que conhecera Jessica. Mas ele não podia. Não podia ser egoísta a ponto de se ver livre a troco da eterna depressão de outra pessoa. Ele tinha princípios. E nunca odiou tanto tê-los como odiava naqueles momentos em que Jessica tentava a morte. Ele estava preso a ela agora mais do que nunca, e não podia suportar aquilo. Não mais:
- Pode entrar, Nathaniel – Disse o dr. Rey, que já conhecia o loiro de longa data, devido as sempre “visitas” que Jessica fazia ao hospital.
- Obrigado – Ele disse, de cabeça baixa. Entrou na sala silenciosamente. Seus olhar encontrou o de Jessica. Seus olhos eram reprovadores. E Jessica percebeu.
- O que faz aqui? Vá se atracar com aquela garota do parque – Sussurrou, virando o rosto.
- Jessica, por favor.. – Sua voz era carregada. O silêncio permaneceu na sala – Quando você vai parar com isso?
O silêncio voltou a reinar. Nathaniel suspirou, cansado. Passou as mãos nos cabelos de Jessica.
- Quantas vezes eu vou ter de falar? Pare com isso! – Seus olhos estavam fechados. Ele não agüentaria encarar o olhar de Jessica. – Você precisa parar! – A mão de Jessica tocou a de Nathaniel.
- Desculpe-me – Sua voz não era mais que um sussurro. – Eu vou tentar parar.
- Quando? – Nathaniel alterou um pouco a voz. – Quando? Quando já não tiver mais saída? Eu estou cansado Jessica, cansado demais. Eu não aguento tudo isso. Você não poderia se manter sã e salva por um minuto? Isso está acabando comigo.. e com você.
Uma lágrima escorreu dos olhos de Jessica. Ela sabia que tudo aquilo era verdade. Sabia bem que aquilo estava matando os dois, mas ela simplesmente não conseguia parar. Era mais forte que ela. Jessica sussurrou seu pensamento, tão baixo quanto possível.
- Eu sinto muito – Ela fechou os olhos – Eu sinto muito mesmo. – Nathaniel beijou sua testa e foi embora. Seus olhos começaram a lacrimejar. Lágrimas traidoras começaram a escorrer pelo seu rosto. Jessica respirou fundo. Lá fora, os primeiros pingos de chuva começavam a cair.
O choro foi contido quando sua mãe veio conversar com ela, mas assim que a sra. Kazarre saiu, novas lágrimas trataram de acariciar o rosto de Jessica, deixando o gosto salgado em sua boa e molhando sua blusa. Ela olhou para os lados. Tirou os fios que estavam conectados a ela e tratou de sair daquele quarto claustrofóbico. Deu um jeito de ninguém vê-la, enquanto cambaleava para fora, já que não conseguia se manter sozinha em pé.
Chegou ao jardim e a chuva se intensificou. Olhou ao longe e viu alguém se aproximando. Tentou correr, mas suas pernas não conseguiam obedecê-la. Caiu, e pôs-se a chorar novamente. Alguém se aproximou. Não quis ver quem era. Apenas aceitou o abraço e o carinho nos cabelos, enquanto escutava seu nome ser sussurrado. Já estava completamente encharcada quando olhou para o lado e reconheceu quem a abraçava. Era Jake, seu melhor amigo que viajara a tempos para Austrália. Sorriu intensamente, quando foi surpreendida por um beijo em seus lábios, que durou pouco menos de alguns minutos. Olhou surpresa para Jake, que apenas sussurrou em seus ouvidos o quanto vazio ele ficara sem Jessica ao seu lado e que ele descobrira que amava a amiga e que este amor estava grande demais para ser guardado. Segredou também o quanto sentia a falta dela e como não poderia viver sem ela. Terminou dizendo próximo aos lábios da agora nova amante que nunca mais iria deixá-la, que apenas sussurrou em resposta, dando depois um beijo incansável nos lábios macios de Jake:
- Você é a minha luz no fim do túnel. Você é minha salvação.
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