Salgadinho

1 Cebola e Alho


Notas iniciais
Namoralzinhaaaaaaa que saudades desse fandom

Vou aproveitar essas férias e rever kurobas pq eu amo sofrer rs


Eu só queria um maldito salgadinho. Um. Maldito. Salgadinho.


Aparentemente a vida não está ao meu favor hoje. Nem nunca. Acho que eu deveria começar a acreditar nesse negócio de horóscopo que o Midorima tanto fala, vai que minha sorte muda. Nunca se sabe.


Mas tudo bem, isso é coisa pra se pensar depois. Porque agora eu estou PRESO NUMA MALDITA MÁQUINA DE VENDAS. PUTA QUE ME PARIU.


Como eu disse, eu só queria um salgadinho. Coloquei a moeda na máquina e esperei, mas a embalagem não caiu. Ela ficou meio presa no arame e, por mais que eu chutasse essa merda, ela não caía nem fodendo. Então eu tomei o que foi a decisão mais idiota que eu já fiz na vida:
Enfiei minha maldita mão dentro da máquina pra pegar a porra do meu salgadinho e agora estou preso aqui que nem um filho da puta.


Acho que faz mais de uma hora que eu 'tô tentando tirar minha mão daqui de dentro, mas ela 'tá presa em alguma coisa. Isso 'tá parecendo aquela cena de Jogos Mortais.

Puta merda, vou ser raptado.


Calma, Aomine, calma. Não tem ninguém na rua agora. Isso é tanto bom quanto ruim; ao mesmo tempo que ninguém vê esse maldito mico, ninguém pode vir me ajudar. E, pra melhorar, acabou a bateria do meu celular e nem chamar o resgate eu posso.


Eu sou um filho de uma puta de um sortudo.


Suspiro pelo menos dez vezes. A rua está escura e deserta; merda, isso realmente 'tá parecendo uma cena de Jogos Mortais. É hoje que morro.


"EU. SÓ. QUERO. MEU. SALGADINHO. PORRA.", chuto a máquina mais algumas vezes, mas isso só faz com que minha mão fique mais apertada. "ME DÁ MEU SALGADINHO!".


Meu estômago dói de fome. Acho que vou morrer aqui.


Espera. Espera. Isso é um assovio? ALGUÉM 'TÁ VINDO!
Alguém passa rapidamente pela rua atrás de mim, assoviando uma música. Parece ser um cara; ele é alto e parece forte o suficiente pra quebrar essa merda e me tirar daqui.


"Ei! Ei, você!", grito, acenando com a mão livre. Puta merda, não brinca que ele 'tá de fones. Só pode ser o cúmulo. "EI! OU, MANO, AJUDA AQUI!".


Ele está indo embora. Rápido, Aomine, pensa. Pensa em alguma coisa, seu maldito. PENSA, FILHO DA PUTA, OU VOCÊ VAI FICAR PRESO AQUI ATÉ DE MANHÃ.


Avisto uma latinha de refrigerante perto da parede. Estico-me para alcançá-la; está cheia de formigas e eu juro que vi uma barata, mas foda-se. Lanço a lata na direção daquele cara. Ela rola até perto dos seus pés, fazendo com que ele pare e olhe para baixo. Ótimo, ganhei a atenção dele! Boa, Aomine!


O cara ergue a cabeça devagar e olha para o beco escuro em que estou. Aceno e grito de novo. Ele me viu!


Tenho vontade de erguer as mãos aos céus, mas uma delas está presa. Enfim, o cara vem vindo na minha direção. Ele carrega uma sacolinha de supermercado consigo, e o olhar dele vai se estreitando conforme vai chegando mais perto de mim.


"Puta, cara, me dá uma ajuda aqui. 'Tô preso faz quase uma hora", digo.


Ele me olha de cima a baixo algumas vezes, depois para a máquina, para o meu braço, para o salgadinho pendurado, para o meu braço de novo e finalmente para a minha cara.


"Você é idiota?"


Acho que fico com cara de besta, não é possível. Esse cara só pode estar me zoando. Eu sei que essa é uma situação embaraçosa, mas eu estou pedindo ajuda e esse viadinho vem me insultar?!


"Sou, sou idiota. Agora me tira daqui, fazendo o favor. Chama o resgate ou sei lá, eu só quero meu maldito salgadinho", quase choro de fome.


"Ok. Espera um pouco", ele deixa a sacola no chão e vem até o meu lado. "Isso tudo por um salgadinho de cebola e alho? É o pior sabor que existe".


Minha vontade era mandar o cara calar a porra da boca, mas convenhamos que não era a decisão mais sábia a se fazer. "Tanto faz, só me ajuda".


Ele ajoelha perto de mim e olha para o buraco em que minha mão está enfiada. Ele enfia a mão no buraco também, mexendo em alguma coisa. "Hm, qual seu nome, cara?", pergunta.


"Aomine. Por quê?"


"Bom, Aomine, isso vai doer."


"O QUÊ? COMO ASSIM, VOCÊ VAI QUEBRAR MINHA MÃO?"


"Relaxa, não vai quebrar. Só vai doer pouco, talvez muito. Por sinal, meu nome é Kagami. Só deixa a mão solta".


Esse tal de Kagami só pode estar de brincadeira. Só vai doer pouco, talvez muito??? Pro inferno!


Kagami vai até sua sacolinha do supermercado e tira de lá uma embalagem de óleo. "Vou passar isso na sua mão pra escorregar mais fácil", ele explica, jogando aquela coisa fedorenta nas próprias mãos. Ele as enfia no buraco da máquina e passa o óleo nos meus dedos e pulso. Ew, isso é nojento.


"Ok, agora vai doer".


Ele nem dá tempo pra que eu xingue alguma coisa antes de começar a virar minha mão para o lado, fazendo com que eu realmente me contorça ali. "PUTA QUE PARIU!", é tudo o que consigo falar. Ela continua puxando minha mão pela ponta dos dedos, fazendo com que meu dedão quase encoste no meu braço. "MANO, PARA! PARA! PA--"


Puf, minha mão sai da máquina sem muita cerimônia. Ela está toda preta e meio inchada, meu dedão dói como o inferno, mas estou livre. Poderia chorar de felicidade agora.


"Obrigado, cara. Sério. Faz uma hora que eu estou aqui tentando".


"Não tem de quê."


Levanto do chão, grato por poder ficar em pé de novo. Massageio minha mão enquanto dou uma olhada melhor no cara. Ele tem olhos e cabelos vermelhos, e é tão alto quanto eu.


"Você ainda não pegou seu salgadinho", ele comenta, apontando para a máquina de vendas e meu salgadinho pendurado. Chuto aquela boceta mais uma vez, só de raiva.


"Já desisti dele. Não valeu todo o esforço. Foda-se também", resmungo, pegando a mochila do chão.


"Hm...", Kagami olha para a máquina e dá um tapa na lateral dela. O salgadinho chacoalha. Com mais duas batidas, ele cai. "Não adianta chutar na frente, isso é vidro à prova de balas. Tem que bater dos lados. Toma", ele pega o salgadinho e o põe na minha mão.


Estou besta.


"Eu sou muito burro."

"É sim."


Tenho vontade de cavar um buraco e me enterrar dentro, mas não vejo nenhuma pá por perto. Portanto, ao invés disso, somente abro o pacote e enfio algumas batatas na boca.


"Valeu, Kagami. Posso fazer alguma coisa pra compensar? Qualquer coisa, fala aí".


Ele cerra os olhos e me olha de cima a baixo mais algumas vezes, inclinando a cabeça. Ele está me averiguando? Isso é tão estranho.


Quero dizer, não que eu não tenha averiguado ele e... Nossa, ele tem uma bunda muito bonitinha. Gente. Que é isso. Ok, isso foi gay. Como sou viadinho, meu Deus.


Kagami ergue os olhos pro meu rosto e sorri um pouco, levantando as sobrancelhas.


"Um salgadinho". Ele percebe que eu fico com cara de idiota e ri da minha cara, "Tô zoando, pode ser um café mesmo".


Eu e ele concordamos então de nos encontrarmos naquele café do lado de casa amanhã. Depois disso, cada um seguiu seu caminho, mas eu não esqueci da preciosa lição do dia de hoje:


Nunca, jamais peça salgadinhos de cebola e alho.

Notas finais
"Isso tudo por um salgadinho de cebola e alho? É o pior sabor que existe"; Kagami falando a mais pura das verdades é isto
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!