Sala de Leitura
3 Capítulo III
Notas iniciais
— Caprichou no visual hoje, hein! — comentou Cris, ao observar os óculos de leitura dela.
— Esse não foi o combinado? Então, vim preparada pra fazer o trabalho e tirar algumas fotos.
Se olham pela última vez no espelho do banheiro da biblioteca e, em seguida, saem para explorar os detalhes daquela construção histórica. Segundo alguns, o acervo, coleção de uma antiga livraria além-mar, foi comprado pelos antigos gestores. Atualmente, pertence ao público, pertence ao leitor.
As inúmeras prateleiras guardam milhares de livros, escritos por inúmeros autores. O acervo, além dos livros impressos, conserva também documentos manuscritos, compartilhando conhecimento construído ao longo dos séculos. Atraindo, por isso, muitos estudantes, pesquisadores e leitores.
— Já está pronta? — perguntou Vih, enquanto a amiga está terminando de arrumar o cabelo.
— Vamos! Só estava esperando você terminar. — respondeu e continuou: — Se já estiver pronta ...
Pra sorte das duas trevosas, os corredores não estão muito cheios nessa hora matinal, apesar dos inúmeros visitantes. Assim, ficaram a vontade pra clicar algumas fotos entre alguns quadros, esculturas... num ambiente sombrio, iluminado pelos vitrais, entre as belas artes. O visual, combinado por elas, completou as cenas.
Depois de alguns minutos, resolveram fazer uma pausa na sessão de fotos, porque ouviram alguns passos no corredor, próximo do local onde estão tirando as fotos. Não demorou muito para avistarem um grupo de estrangeiros apreciando e comentando sobre as belas artes. Vendo-os caminhando na direção delas, Cris diz:
— Essa é uma boa chance pra você praticar seu portunhol, não acha? — comentou baixinho, enquanto o grupo se aproxima delas.
— Se você praticar o seu inglês, — sussurrou e continuou: — Acho que tenho coragem de hablar un poco de portuñol con ellos.
O pequeno grupo de estrangeiros, estudantes e pesquisadores, liderados pelo guia da biblioteca, passam pelas duas trevosas. Elas presenciam a cena em silêncio, enquanto visualizam algumas fotos tiradas na galeria. O máximo trocado entre os grupos, foi um cumprimento, carregado de sotaque. Após percorrido todo o corredor, as duas quebram o silêncio.
— E, agora, o que aconteceu — disse Cris rindo da situação — perdeu a coragem pesquisadora?
— Você não praticou o seu inglês. Entonces, deje mi portunhol para otra oportunidad.
— Sei ...
— O que eles estavam olhando, quando ficaram um tempão parados ali, na frente daquele quadro.
— Não sei ...
— Vamos lá ver?
— Isso é ...
— É! — confirmou rindo, enquanto caminhavam na direção do quadro que o grupo estava apreciando.
Quando as duas amigas se aproximam do quadro, conseguem identificar os fatos socioculturais, retratado nas imagens daquela obra de arte, revelando a beleza e o encanto feminino, presentes na composição da maioria das obras, ornando o corredor do prédio.
As imagens conduziram-nas de volta ao labirinto da biblioteca. Como ainda têm um pouco de tempo antes do horário do ônibus, elas decidem retornar para biblioteca a fim de procurar sobre uma antiga publicação, utilizado durante tais eventos, retratados — em parte — nas obras artísticas deste espaço da biblioteca.
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