Adam esticou as pernas e colocou os braços atrás da nuca enquanto esboçava seu melhor sorriso. Nos sentamos em uma fileira no coração da sala, que estava completamente vazia, exceto por nós. Os trailers já estavam quase acabando e eu estava começando a me perguntar se não chegaria mais alguém quando um homem adentrou a sala. Pude dizer que era um homem por causa do seu tamanho. Ele subiu as escadas pulando os degraus de dois em dois, então parou bem perto de mim e sorriu. Era o homem estranho da bilheteria. Franzi a testa numa careta enquanto acompanhava com os olhos ele fazendo seu caminho até uma porta quase oculta por ter a mesma cor que a parede no fundo da sala. Me virei para frente novamente enquanto começava o filme. E se ele fosse um serial killer? Eu estava sozinha com o Adam daquela sala imensa e escura, e apesar de amar meu melhor amigo ele não era exatamente o tipo que usa a força bruta. Já podia até imaginar o homem nos atacando com uma máscara do pânico e um facão e o Adam lhe jogando notas de cinquenta reais para nos defender.
— Você está me encarando. Por que você está me encarando, Lorena? — Perguntou Adam me lançando um olhar estranho.
Só então eu reparei que eu realmente estava encarando. Minha mão estava afundada no balde de pipoca e eu me sentia meio entorpecida e fora da realidade. Eu sempre fazia isso, era como um botão de liga e desliga, quando estava ligado eu entrava em modo zumbi.
— Desculpa. Modo zumbi. — Expliquei.
Ele acenou compreensivamente com a cabeça e sorriu. Enfiei um punhado de pipoca na boca resolvendo assistir ao filme e parar de ser paranoica.
Katniss ainda estava nos preparativos para entrar na Arena e a nossa pipoca já havia acabado. Eu me sentia satisfeita e feliz por ter aceitado o convite de Adam. Foi legal sair de casa, para variar. Ultimamente eu estava lendo mais que o normal, como se quisesse fugir da minha realidade. De certa forma isso me acalmava por algumas horas enquanto eu estava com um livro aberto e completamente imersa em uma dimensão paralela, onde eu poderia ser quem eu quisesse, fazer o que eu quisesse e ser feliz. Não quero soar ingrata, mas minha vida era um saco. Na maioria das vezes tinha que baixar livros em pdf da internet para ler, o dinheiro era para os livros chatos, aqueles de vestibular. O emprego na loja de perfumes ajudava, mas não era suficiente. E definitivamente ficar atrás de um balcão atendendo pessoas esnobes não era o sonho da minha vida. A vida era injusta e não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso. Não havia escapatória.
— O que está havendo com a tela? — Perguntou Adam com uma voz esganiçada.
— Eu não... O que diabos... — Levantei-me da cadeira de couro vermelho e olhei diretamente para a porta onde o homem da bilheteria havia entrado. — EI! — Gritei. Então percebi que uma fumaça branca saia da minha boca quando eu falava. O ar estava congelante. Tremi violentamente quando me dei conta.
Um vento frio vinha do fundo da sala, como se estivesse atravessando as paredes, e foi aumentando a intensidade a cada segundo. Adam havia se levantado e me encarava com um olhar assustado. Eu nunca havia o visto com esse olhar. Me segurei no encosto da cadeira para não voar e gritei involuntariamente quando meus pés literalmente saíram do chão. Era como se uma mão invisível estivesse me puxando para dentro da tela gigantesca congelada na cena da Katniss fugindo na Arena. Meus olhos lacrimejavam.
— Adam, se segura! — Berrei.
Não estava certa de que ele me ouviria através do rugido do vento. Minhas unhas estavam quebradas e sangrando devido a força que eu fazia para segurar na poltrona que estava se rasgando. Não tinha mais força nos braços e o vento conseguiu me arrastar para longe. Meu grito agudo ecoou pelas paredes e me fez fazer uma careta. Fechei os olhos bem apertados quando uma luz me cegou e a última coisa que ouvi foi Adam gritar meu nome.
Ainda estava gritando quando senti uma dor esmagadora nos ombros e nas pernas. Cai no chão e arfei, tentando não desmaiar enquanto minha vista ficava escura aos poucos. Soquei o chão decidida e me manter acordada, mas sentia um liquido escorrendo pelo meu rosto. Estava chovendo? Virei de barriga para o chão e fiz algum esforço para ficar de quatro e engatinhar até uma árvore na intenção de me escorar e eu poder ficar em pé. Aos poucos fui abrindo os olhos, até eles se acostumarem com a luz do sol que atravessava os galhos das árvores. Consegui me por de pé, apesar de ainda estar cambaleando, então pude dar uma olhada em volta. ADAM! Onde estava ele? Olhei em volta desesperadamente e senti meu coração pular como se quisesse sair pela minha boca. Então veio a enxurrada de perguntas... ONDE DIABOS EU ESTAVA?
— Quem é você? — Indagou uma voz feminina.
Me virei lentamente e peguei uma garota de cabelos castanhos e trançados me encarando. Ela parecia assustada, horrorizada, surpresa e ameaçadora ao mesmo tempo.
Pisquei os olhos algumas vezes para ter certeza de que eu estava acordada, mas com certeza eu não estava. Provavelmente aquela tela do cinema me estraçalhara e eu a) estava no hospital em coma tendo um sonho muito louco ou b) eu havia morrido. As duas opções eram bem ruins, mas eram as explicações mais lógicas para eu estar vendo a Jennifer Lawrence na minha frente.
— Nunca pensei que quando eu morresse viria parar no set de Jogos Vorazes! — Comentei com ninguém em particular enquanto tirava folhas do meu cabelo.
Olhei em volta para ter certeza de onde estava. Realmente eu estava na Arena. Por que eu estava nessa Arena? A do segundo livro era bem mais legal e tinha uma praia, eu adorava praia. E também tinha o gostoso do Finnick Odair. Mas eu ainda não havia avistado o Adam, e se ele morreu com certeza estaria aqui.
— Você tem água aí? Morrer dá sede! — Indaguei.
A garota me fitava como se eu fosse de outro mundo e não se mexeu quando falei com ela. Aos poucos, ela foi se levantando, como se estivesse próxima à um bicho selvagem e não quisesse assustá-lo, só então me dei conta de que eu sentia tantas dores porque havia trombado nela.
— Ei! Essa não é a parte que vocês acabaram de sair da Cornucópia? Pelos meus cálculos a Foxface vai passar correndo aqui em cinco...
Nem consegui completar minha frase quando uma garota ruiva passou correndo tão rápido de encontro a mim que me mandou voando para cima da Jennifer. Aterrissei diretamente em cima da Garota em Chamas, o que amorteceu minha queda, mas fez ela ficar realmente brava. Rolei para o chão e tentei tirar a terra e as folhas das roupas, mas já estavam rasgadas e sujas. Se minha mãe visse isso ela iria surtar.
— Desculpe por isso! — Murmurei para Jennifer, que se levantava do chão. — É melhor você continuar correndo. — Aconselhei a ruivinha.
Não queria arruinar a atuação delas, mas achei estranho o fato de não terem gritado “Corta!” quando eu apareci. Na verdade, pensei melhor e achei possível que eu estivesse de verdade na Arena, afinal, se era um sonho eu gostaria do local real, não um de mentira cheio de atores.
A menina disparou para o lado oposto como um raio. Um barulho de passos apressados vindos em nossa direção me fez ficar completamente desperta. Se eu estava na Arena e ambas podiam me ver, isso significava que os outros tributos também podiam. Que merda!
— Katniss, a gente tem que correr! — Minha voz era urgente.
Uma figura magra saiu detrás da árvore mais próxima e quase me fez desmaiar. Era o Adam. Corri para ele, abraçando-o tão fortemente que ele quase caiu. Me afastei para olhar para o seu rosto familiar e me peguei agradecendo a Deus mentalmente por ele estar bem e aqui comigo. Assim como eu, ele estava sujo de terra e folhas. O cabelo castanho escuro parecia intacto. Sorri querendo chorar e ele retribuiu. Então ele a viu. Seu aperto no meu ombro foi se afrouxando enquanto ele a fitava como se estivesse encarando um baú cheio de tesouros.
— Katniss Everdeen! — Sussurrou.
— O Presidente Snow mandou vocês? De onde vocês vieram? — Perguntou a menina exasperada. Primeiro ela nos encarava, depois começou a olhar em volta e para cima. Então começou a discutir com um alguém invisível.
— Somos de outra dimensão, Garota em Chamas. Viemos para te ajudar. — O tom dele era sério, como se ele tivesse esperado a vida toda para falar isso.
— Gente, não estou querendo estragar o clima, mas é melhor corrermos! — Foi tudo o que eu disse antes de correr como o Flash para longe do barulho de passos.
Não sabia se eles estavam me seguindo, mas eu precisava ir para um lugar seguro.... Pelo menos tão seguro quanto um lugar poderia ser em um reality show em que as pessoas se matam. Meus pulmões estavam gritando socorro e eu precisava de água, mas só a Katniss saberia onde era o caminho. Esse era o mundo dela e tudo deu certo sem a nossa interferência. Ela tinha que liderar o caminho.
— Aqui! — Gritou Adam.
Meus pés derraparam na terra quando parei para olhá-lo. Alguns metros abaixo havia um rio. Água. Estava tão ansiosa pela água que sai correndo em direção a ela sem nem notar que a garota não nos seguia. Agachei próxima a beirada do rio e com as mãos juntas em forma de conchas bebi água até estar pesada.
— Lori, cadê ela? — Adam soava decepcionado.
— Eu não sei! Mas ela sabe para onde deve ir, esse é o mundo dela, Adam. A gente morreu, encare os fatos. — Não sabia se minha voz transparecia mágoa ou raiva.
— Lorena, nós não estamos mortos! — Ele parecia indignado com a possibilidade de estarmos realmente mortos.
— Então me explica por quê diabos estamos aqui, por favor. Parece bem real para mim. — Eu já havia me levantando e estava gesticulando enquanto falava, o que normalmente fazia quando estava nervosa.
— Eu resisti a força do vento por mais alguns minutos depois que você foi engolida e eu vi que havia uma espécie de portal na tela do cinema, Lori. Era roxo e estava rodando, como um furacão e aquilo nos engoliu.
Estava bem claro para mim que aquilo era insanidade pura. Levei as mãos até os cabelos tentando não os arrancar de nervosismo. Não conseguia parar de me perguntar o que diabos estava acontecendo e como a gente acabou entrando literalmente dentro do filme. Mas uma pequena chama dentro de mim estava queimando intensamente. Eu estava feliz. Mesmo que aquilo fosse um sonho – estranhamente real, devo acrescentar – eu estava em outro mundo, em outro lugar, algo familiar para mim.
— Ok... — Murmurei pensativamente. — Vamos supor que isso é real... Como vamos voltar para o nosso mundo? — Indaguei. — Ah, e não ouse sugerir que fiquemos aqui, porque se não vamos ter que matar todo mundo e seremos os próximos “amantes desafortunados”, o que, você e eu sabemos perfeitamente, não vai acabar bem, principalmente no próximo filme. — Apontava o dedo acusadoramente para o meu amigo tapado.
— Você precisa parar de ler minha mente! — Resmungou. Não pude deixar de rir. — Ei, vamos nos esconder naquela caverna onde a Katniss e o Peeta se escondem quando ela o encontra! — Sugeriu.
— É uma ótima ideia, de fato! Mas onde fica?
Ele me lançou um olhar desafiador e fez sinal para que eu o seguisse.
Já estava anoitecendo quando passamos pelo grupo do Cato e quase fomos pegos. Ele era tão gato! Quase sai correndo para agarrá-lo, mas o Sr. Adam-estraga-prazeres me lembrou que ele era o inimigo. Então tentei argumentar que o Peeta estava junto deles, mas concluímos que era perigoso demais e que o garoto Mellark encontraria seu caminho até nós. Eles falavam da Katniss e sobre matá-la. Se eu tivesse uma faca comigo e fosse boa de arremesso a Glimmer não estaria mais viva. Que vadia!
Continuamos a caminhar até não conseguirmos enxergar mais nada, no fim acabamos encontrando a caverna por acidente. Nos encolhemos lá dentro e Adam conseguiu fazer uma pequena fogueira com as suas habilidades de escoteiro-que-nunca-foi-escoteiro. Encostei-me na parede úmida e soltei um suspiro audível. Adam me olhou e sorriu.
— Continuo me perguntando se estão assistindo a gente na Capital e se estão tão cheios de dúvidas quanto nós! — Disse ele.
— Eu também! Bem que o Haymitch podia nos mandar alguma comida, cara. Se fosse para escolher um distrito, seria o 4, mas eu realmente gosto do Haymitch e da Effie. Ah, e do Cinna também, ele é incrível. — Eu soava como uma doida de pedra, mas era uma sensação incrível. — Sabe quem se daria muito bem com o Cinna? O Magnus Bane! — Adam e eu começamos a rir até a barriga doer.
Abri os olhos hesitante quando ouvi o barulho do despertador. Aos poucos fui me sentando e senti todas as minhas articulações gritarem. Minhas costas estavam doendo como nunca e eu ouvi vozes ao longe. Minha visão estava turva e tudo estava escuro, a não ser por uma luz opaca ao longe. Aos poucos tudo foi clareando, incluindo minhas ideias e meus sentidos, mas logo desejei que não tivesse acordado. Eu ainda estava na maldita caverna. Levantei-me rapidamente quando não avistei Adam por perto e fiz meu caminho até a entrada do local. Encontrei-o sentado numa rocha segurando um pássaro tostado nas mãos. A figura próxima a ele era Katniss. Ela tinha alguns arranhões nas bochechas, as roupas estavam sujas, mas afora isso parecia bem. Ela remexia nos restos de uma fogueira e não notou que me aproximei, mas Adam sim. Não consegui sorrir para ele, como sempre fazia, pois estava ocupada demais me sentindo nauseada com a situação toda. Algo ali estava totalmente errado.
— O que você está fazendo aqui, Katniss? — Minha voz era baixa e uniforme. Era estranho me dirigir a ela.
Lentamente ela ergueu o olhar em minha direção e inflou as narinas. Ela parecia estar com raiva, ou no mínimo ressentimento. Passei as mãos pelos meus braços distraidamente tentando evitar que ela notasse que eu tremia. A caverna estava úmida e fria.
— Eu poderia lhe fazer a mesma pergunta! — Respondeu. — Sabia que vocês foram vistos? Eles mataram o garoto do meu distrito. — Ela cuspiu as palavras.
Me senti entorpecida da cabeça aos pés. Como assim ele estava morto? Ele não morre! O que estava havendo? Peeta tinha que estar bem. Estava havendo algum engano. Corri o olhar para Adam, um silencioso pedido de socorro, mas ele parecia tão abalado quanto eu. Encarava o fogo apagado e não me olhou de volta. Engoli seco tentando fugir das palavras afiadas da garota.
— Sinto muito! — Foi tudo o que saiu da minha boca. — Isso não era para acontecer, eu juro. Não sei como viemos parar aqui ou como modificamos a história toda, mas eu sinto muito.
— Lançaram um desafio aos tributos sobreviventes, Lori. — Foi Adam quem falou dessa vez. — Disseram que quem nos matar vai ser o vencedor! — Ele escondeu o rosto nas mãos enquanto falava.
Olhei para Katniss em alerta e comecei a bolar uma estratégia. Eu poderia tentar correr junto com o Adam, nos esconder e rezar para não nos encontrarmos. Eu poderia lutar com a garota sentada em minha frente, mas sabia que não tinha chances. Ela ainda não estava com seu arco e flechas, mas sabia que ela possuía uma faca.
— Não vim matá-los. Vim alertá-los. — Sua voz cortou meus pensamentos como uma flecha. — É insanidade, mas acredito em vocês. Seu amigo me contou como vieram parar aqui e eu vi quando você saiu daquela árvore. É claro que tem noventa por cento de chances de isso ser um truque dos Idealizadores, mas não vou abaixar a guarda. — Ela parecia não estar ouvindo a si mesma enquanto falava, como se recusasse ouvir aquela loucura.
Não pude evitar solta um suspiro de alívio, eu realmente não queria me desentender com ela. Katniss Everdeen era uma das maiores heroínas literárias para mim, e a minha favorita... Depois da Hermione, da Emma Carstairs e da Tris, é claro. Com um pulo Adam estava ao meu lado e parecia intrigado, mas também aliviado.
— Como assim você viu ela sair de uma árvore? — Indagou.
Era a mesma pergunta que eu estava prestes a fazer.
Ela passou a língua nos lábios e suspirou, foi quase a mesma coisa que um grunhido. Ela pôs-se de pé e agarrou a alça da mochila que estava no chão colocando-a nos ombros.
— Não vou repetir essa maluquice. Vocês precisam ir embora agora. — Foi tudo o que ela disse antes de nos dar as costas e caminhar para longe.
O caminho de volta para a árvore/portal foi difícil. Clove lançou uma faca em mim, mas consegui desviar bem a tempo de ver nossa grande heroína atirando uma flecha certeira em sua testa. Não ficamos para observar a pequena víbora sangrando e nem queríamos. Todos nós estávamos perturbados por termos presenciado a morte de alguém, mas a pior era a Katniss. Ela parecia prestes a ter um ataque cardíaco. Adam tentou consolá-la, mas tudo que conseguiu foi ser ignorado. Tivemos que correr literalmente como se nossas vidas dependessem disso quando Cato e bando dele começou a nos seguir. A desgraçada da Glimmer atirou uma flecha em mim, mas só pegou de raspão no meu braço esquerdo, que agora sangrava ensopando o que restara do meu casaco. Adam e eu não possuíamos nenhuma arma, então peguei um galho quebrado ao meio de improviso, como uma estaca. Chegamos até a árvore e hesitei ao atravessá-la. Era estranho. Era como uma plataforma 9 ¾ no meio da floresta. E se não desse certo?
— Adam, vai primeiro. — Disse, por fim. — Por favor, eu vou ficar mais tranquila. Vou logo em seguida.
Ele olhou pesaroso para Katniss, então avançou para perto da árvore cedendo ao meu empurrão sutil. No último minuto ele hesitou e correu de volta para a garota, então a beijou. Meu queixo quase caiu no chão. O beijo não durou nem três segundos antes de ela empurrá-lo para longe e chamá-lo de louco enquanto empunhava uma faca ameaçadoramente. Mas nós sabíamos que ela não faria nada. Finalmente ele olhou para árvore, fechou os olhos e... Atravessou.
Ela estava certa sobre o portal, afinal.
— Katniss, quando eu atravessar eles vão estar muito perto de você. Eu sei como tudo isso acaba, apesar de não ter mais tanta certeza agora. — Mordi o lábio inferior e sorri fracamente. — Suba na árvore mais próxima e permaneça lá. Acho que quando eu me for as coisas podem voltar parcialmente ao normal e um anjinho irá salvá-la. Não deixe ela sozinha. — Eu precisava alertá-la, já que ela havia nos ajudado.
Virei-me de costas para ela e avancei para a árvore, lançando um último olhar por cima dos ombros.
— Mantenha o Gale longe de explosivos. — Sussurrei.
Não vi sua expressão ou ouvi sua resposta, apenas dei um passo para dentro da escuridão, que me envolveu como um abraço de urso.
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