Salém

19 O Grande Selo - Parte II


Notas iniciais
ANTEPENÚLTIMO CAPÍTULO Yo. Há quanto tempo, minha gente. Desculpa a demora e o tamanho do capítulo. Aproveitem a leitura. Vai ter muita luta e muita revelação.

ATLÂNTIDA — 10.000 A.C

A ilha de Atlântida, conhecida como terra do gelo do sul, localizava-se no Atlântico Norte ao sul da atual Groenlândia. Seus habitantes eram antigos nômades que se instalaram na ilha 500 anos antes quando era caçadores vindos do norte. Desde então o "continente" de 100 mil quilômetros quadrados foi povoado, tornando-se uma civilização moderna para o seu tempo. Mais de cinquenta mil pessoas viviam basicamente da agricultura e da pesca.

Um dia, o céu ensolarado do verão do hemisfério norte ficou potencialmente cinza e carregado de pesadas nuvens de tempestade. Uma forte nevasca caiu sobre todo o país. Nada como antes fora visto. Uma camada de dois metros de neve cobria as casas, obrigando os habitantes a usarem peles de animais para se protegerem.

Iniciara um período glacial violento na Terra. A temperatura diminuiu drasticamente e alguns mares congelaram por completo.

A ilha entrou em desgraça. A criatura da destruição, a besta do juízo final, que de tempos em tempos renasce, chegou na ilha já assolada pela neve. A sombra gigantesca assombrou os moradores. Nada poderia salvá-los da extinção em massa. O monstro possuía uns duzentos metros de altura, um dragão de gelo e várias cabeças. Onde pisava, o solo empobrecia. A ilha de Atlântida, bela e desenvolvida, afundou-se no Oceano Atlântico.

TERRAS DE LILUK, GAIA

No mesmo ano em que a Terra era devastada pelo gelo da grande besta, os bruxos e anciãos da magia preparavam uma prisão definitiva para a horrenda criatura. Precisariam se sacrificar, dezenas deles, a fim de conterem o poder destrutivo do monstro.

Liluk era uma vasta terra próspera, mas que pouco tempo atrás dali nascera a besta. A Besta de Liluk. O monstro do apocalipse. Esse ser era responsável pelas inúmeras eras glaciais desde milhões de anos. Suas aparições se tornaram mais constantes em detrimento dos seus poderes, a cada período suprimidos. E por causa de ter renascido em Liluk, o país de Gaia encarou dez anos seguidos de neves e chuvas. Os habitantes tiveram que lutar para sobreviverem sem a luz do sol.

A Besta Liluk apareceu no oceano ao sul de Liluk. Ela causou uma onda de dez metros que arrasou a costa das comunidades e cidades. Muitas pessoas morreram só com isso, mas o animal irracional não se satisfez apenas com isso. Suas três cabeças saíram do oceano e revelou todo o imenso corpo. Logo destruiu todas as cidades costeiras do país com gelo e um poder desconhecido.

A população que não foi esmagada imediatamente, viveu segundos de horror antes da morte. Ao redor do corpo da besta a gravidade era nula. O povo flutuava a uns cinquenta metros.

Os 81 anciãos mais poderosos de Gaia enfrentaram-na. Selaram para sempre a sua condição de besta, diluindo o seu poder, mas facilitando o seu retorno mais rapidamente. 80 deles deram as suas vidas para fazer o dragão de gelo desaparecer e voltar ao submundo.

... apenas 1 sobreviveu.

...

ILHA WALKING — 1800

Condessa retirou de um recipiente de ouro vermelho uma pedra lapidada em forma oval. Mostrou aos bruxos e feiticeiros negros.

— Por causa do grande selo, os nossos poderes também foram selados. No entanto, esta pedra tem poder para superar o poder do selo. A pedra Liluk. Tirada de uma escama do poderoso dragão de gelo, a Besta Liluk.

Os membros de Hades nunca viram a pedra antes, sequer viram algum outro pedaço do corpo da besta. A força mágica da criatura era enorme e mesmo sendo apenas uma ínfima parte dela, superava o Tratado de Netherland.

— Claro que eu usei magia negra para fazer a pedra apenas isentar magia negra do tratado. Estamos livres do selo. Aqui, Rainha do Vodu, guarde isso por aqui. Ninguém pode saber deste lugar.

Desde então o objeto espetacular ficou guardado na ilha Walking... até agora.

— E agora? Vai dar ouvidos a ela?

— Pode me entregar a pedra de Liluk agora, Lilith. Não quero chantagear a condessa, e sim destroná-la.

Sônia aplaudiu a audácia da loira, mas não esperou muito e puxou a sua espada, apontando para Desirée.

— Ninguém vai destruir a pedra, nem o selo. Entreguem-me ou eu matarei as duas.

Lilith também apontou a espada, mas dessa vez para Sônia.

— Tudo bem, confesso que a minha intenção inicial era ampliar os meus poderes com a pedra. Ouvi falar dela, mas nunca pensei que estivesse aqui. Você não se importria de eu ficar com ela, não é?

— Ah eu me importo sim. Eu sabia que você nunca mudaria, só que não pensei que o teatro acabasse tão rápido.

Sônia riu da cara de Desirée e por ter sido enganada. Não que Lilith não concordasse em acabar com a Condessa, mas pelo egoísmo. A pedra era muito forte, talvez Lilith se tornaria mais poderosa que a própria Condessa, e isso a Desirée jamais aceitará.

— King, vá e mate os outros que vieram com elas. Eu posso cuidar disso sozinha.

— Sim.

— Senhoras, entreguem-me a pedra.

Lilith foi a primeira a atacar. Com a espada golpeou do lado da Sônia e de Desirée, depois fugiu para fora do templo na direção das pedras. As duas brandiram as espadas, mas caçaram a morena com a pedra. Logo um combate em que a melhor ficaria com o objeto.

Minutos antes, Afrodine avisou ao seu irmão a localização exata de Walking. Sua situação piorou quando foi cercada por um grupo de zumbis ressuscitados pelos poderes negros de Vodu King.

— Era só o que me faltava. A ilha Walking tem zumbis.

Os monstros avançaram para cima dela. A habilidade da súcubo era esplêndia, apesar de não ter seus poderes. Golpeava os monstros zumbis com as suas pernas, desviou e pegou um pedaço de madeira do chão. Um zumbi que carregava uma lança quase acertou a mulher.

— Vou precisar dessa arma — sorriu.

Perto da ilha, acima das pesadas nuvens de tempestade, o balão viajava guiado por Eros. Este recebera a exata localização de Walking.

— Quem diria que esse velho sabe falar a nossa língua. Pensei que precisaria de um tradutor — brincou. — A propósito, o que esse cara faz aqui?

— Melhor não dirigir a palavra a mim — ralhou Younnan, sentado e de braços cruzados.

— Ele ainda está furioso porque eu dei aquelas boas-vindas à esposa.

— Chegamos — avisou Skywalker.

A silhueta da ilha logo apareceu. De longe ela parecia tão pequena, mas à medida que o balão descia e se aproximava, o pedaço de terra ficou maior. Pousaram numa colina perto da praia. A primeira coisa que viram ao porem os pês em terra foi o dirigível que trouxera os vilões.

— Temos que levar o velho para o símbolo. Deve ficar no centro da ilha — disse Eros com o binóculo e vendo o templo ao longe.

Sniper foi arrastado pelo brandir da espada. Tanto ele quanto Scar chegaram à praia e batalharam ali com suas armas afiadas. O campo de batalha era perto do dirigível, possibilitando o ministro ver a chegada de mais pessoas à ilha.

— Chamaram a cavalaria? Mais pessoas para a morte.

— Vocês desse governo corrupto é que morrerão! — continuaram a luta.

Perto da estação do trem escarlate, os elfos guerreiros conseguiram vencer os soldados de Sônia. No entanto, uma leva de zumbis apareceu e atacou os soldados derrotados. Logo eles avançaram para cima dos elfos.

— Vamos recuar, pessoal. Esses monstros devem ser frutos de magia negra.
Enquanto isso, Afrodine utilizou da lança para atacar os zumbis ao seu redor. Mesmo sem os seus poderes imprescindíveis ela conseguiu sobrepujar aquela horda de mortos-vivos. Despedaçou um número de trinta zumbis apenas com a lança.

— Eu sabia...

O que ela não contava era que os pedaços deles se juntavam sozinhos. A magia negra de Vodu King era poderosa o suficiente para fazer os monstros montarem seus corpos como mágica. Afrodine, claro, pensou que teria muito trabalho naquela batalha.

A pedra Liluk foi tomada por Desirée durante a sua batalha contra Lilith; Sônia perseguiu a suprema, derrubou-a no chão e tomou a pedra; Lilith não se deu por vencida e reiniciou uma batalha contra a ministra. E assim foi uma luta entre três mulheres com desejos diferentes por um objeto poderoso: Sônia queria recuperar a pedra e assim manter o domínio da condessa seguro; Desirée tentará destruir a pedra e assim todos, inclusive a condessa, ficarão sem poderes; Lilith não se importa com a megera de Winchester, mas quer a pedra para ampliar os seus poderes. Cada uma fez suas escolhas individuais. Num momento propício, Desirée tomou a pedra da mão da morena, chutou as duas e fugiu para a praia ao noroeste.

Skywalker, Eros e Younnan serviram de guardas contra os zumbis que não paravam de surgir.

Nina e Zoe abriram o Artes Secretas numa página de um feitiço para Kaminari extinguir os zumbis. Vodu King apareceu, flutuando com o seu poder das trevas. Com o bruxo negro para atrapalhar, não havia como fazer mágica.

— Oh. Esse é o livro da Condessa roubado e o cetro mágico. Terei que reaver os dois.

Nina deixou o livro com o velho Dai e se voluntariou para tentar atrasar o inimigo. Zoe acompanhou.

— Como faremos sem magia? — perguntou Zoe.

— O senhor nos empresta o cetro?

Dai assentiu. As duas com o cetro versus o rei do vodu.

Na corrida para a conquista da pedra, Lilith e Sônia foram juntas atrás da Desirée. Logo a suprema fugia pelas pedras na praia do noroeste, viu um farol, arrombou a porta e subiu as escadas. As demais foram no encalço e alcançaram a loira no topo do farol. Duas contra uma. Montgomery tentou de tudo, mas largou a pedra e foi chutada por Sônia, caindo da varanda. Rolou pelo telhado de um casebre abandonado ao lado e caiu na areia.

— Conseguimos.

— Não esqueceu de alguma coisa? — indagou Sônia.

— Ah é. Somos inimigas. — E voltaram a duelar.
Quem não ficou contente foi a suprema. Prometeu matar Lilith por tê-la traído.

— Vacas malditas... — Parou de praguejar ao ver enterrado na areia algo como uma garra afiada enorme saindo das pedras. Apalpou as rochas e constatou que eram quase macias. Enfiou um pouco a espada.

Sônia conseguiu a pedra, mas sofreu com o terremoto no farol. Um crocodilo de trinta metros surgiu de dentro da areia, suas escamas eram as pedras da praia e nas suas costas o farol. Ambas que lutavam caíram fora e rolaram pelo telhado do casebre. Já Desirée segurou numa escama e subiu.

— Que merda é essa? O chão se mexe.

— É um leviatã — respondeu Lilith para Sônia.

— Nunca imaginei um leviatã numa ilha assim. Mas não me importo. Você há de me dar essa pedra de qualquer jeito.

— Vem pegar.

A luta de Desirée era de se manter segura na tentativa de subir nas costas do animal, porque o leviatã se mexia bruscamente e acordou irritado depois de décadas hibernando. Passou ao lado do templo, derrubando as árvores da floresta de palmeiras.

Derrotadas, Zoe e Nina sentiram na pele os poderes das agulhadas do vodu. Foi muito sofrimento.

— Hahaha! Este é o famoso cetro que cria o poderoso vórtex sugador de poderes. Dizem que ele excede os poderes dos dois artefatos. Entregarei para a Condessa, claro.

O crocodilo adentrou a ilha, esmagando tudo pela frente. Pisou em cima dos zumbis, deixando-os despedaçados.

— Porra! O que diabos é isso?

— Afrodine, sobe aqui — disse Desirée sobre a cabeça do animal.

Antes havia pego a pedra com Sônia. Ela não foi seguida, porque a ministra decidiu matar Lilith primeiro para depois pegar de volta a pedra. E assim ambas continuaram lutando nas costas do leviatã.

— Eu não alcanço! Alcancei! Alcancei! Yahhhh — gritou ao segurar uma escama do rabo. O animal balançava muito.

Zoe e Nina perderam a luta contra Vodu King e foram aprisionadas pelo seu poder de magia negra vodu. O bruxo se divertia enquanto enfiava agulhas em bonecas e assim causando dor nas duas.

— Hehe... Este cetro é lindo e imponente. A minha senhora vai se alegrar quando eu entregá-lo.

Dai kaminari finalizou o feitiço e assim destruiu definitivamente todos os zumbis na ilha. Mesmo assim o bruxo negro não se intimidou e tentou usar o cetro, porém o objeto não respondia. Tentou outra vez e nada.

— O que está havendo com isto?

Um tremor chamou a atenção dos três, exceto de King que flutuava perto do chão. Logo a sombra do leviatã apareceu diante atrás dele. O crocodilo abocanhou e engoliu o bruxo, matando-o.

— Chegamos — disse Desirée com a pedra.

As bruxas comemoraram o retorno da suprema. No entanto, a felicidade passou quando um dragão surgiu no céu, desceu e revelou ser Lucie. Imediatamente Lilith parou de lutar.

— Como você soube da nossa localização? — indagou Desirée.

Sniper apareceu diante delas como o vencedor na luta de espadas. Havia, momentos antes, vencido Scar e ferindo-o no ombro.

— Sônia foi irresponsável por não avisar à ninguém. Talvez sua natureza beligerante subiu-lhe à cabeça.

O leviatã abriu a boca, mas foi atingido por um golpe de fogo azul de Lucie. O monstro obviamente morreu facilmente.

— A pedra não está a salvo nas mãos sujas de uma bruxa que deveria estar morta — telecinese e assim a pedra foi para mão dele. Desirée não soube o que fazer.

A única que quis enfrentar o imperador era a própria Lilith. O imperador riu da cara dela, mas se sentiu surpreso por vê-la viva quando sepensava que morrera em Tristão da Cunha.

— Não tenho muito tempo para vocês. Logo o fim da Terra vai começar. E só para me certificar de que nada de ruim aconteça, levarei o livro que o traidor roubou — retirou o livro das mãos de Kaminari. — Pois é, eu prendi o seu filho.

— Luuk? O que fez com ele?

— Conspiração contra mim e a minha irmã. Você pensava mesmo que esse plano patético iria vingar? Retirar o selo de Netherland sem o livro ou as três peças juntas será difícil.

Skywalker apareceu para perto de Lucie e resolveu desafiá-lo e assim vingar a sua tutora Lilith. Também vingar pelas mortes de Anjula e Madeleine. Lilith, porém, pediu ao homem que se contesse, pois o imperador era muito forte e imortal. A atitude imprudente do cavaleiro fez com que recebesse um golpe das trevas (ou mão intangível) em que Lucie enfia a mão dentro do coração da vítima e aperta até dar parada cardíaca. Nesse momento Lilith gritou ao ver o afilhado morrer diante dos seus olhos e sem poder fazer nada.

— Ele tinha um coração quente. Vamos. Não vale à pena perder tempo com esses perdedores.

Sônia segurou o livro e Sniper a perda. Lucie voltou a se transformar no dragão negro e deu carona aos dois. Com suas chamas explodiu tanto o dirigível quanto o balão.

Lilith abraçou Sky, mas não o pegou mais com vida. Será que o plano de Dai Kaminari fracassou?

...

Algumas horas antes...

— Preciso voltar ao castelo.

— Toma cuidado. Sinto uma preocupação, uma angústia.

Luuk acalmou Joanna e disse para que não ficasse preocupada. Na mente dele as coisas sairiam conforme o planejado. Apressou-se e saiu da masmorra de volta para o castelo. Os guardas interceptaram o jovem e pediram para ele comparecer ao gabinete do imperador. Lucie aguardava-o ansiosamente com o curador e bibliotecário.

— O que tem a dizer em sua defesa?

— Acreditaria se eu dissesse que peguei o livro emprestado para uso pessoal?

Lucie desdenhou.

— Onde está o livro? — Pegou um copo com conhaque e bebeu. — Não fique calado, cunhado. Já sei onde o livro está e que uma certa pessoa que deveria estar morta, não está. Pena que Constance resolveu passar o dia na Terra e não ver o que seu noivo fez. Prendam o traidor.

Os guardas acataram e prenderam Luuk. O vampiro não se atreveu a reagir na frente de Lucie. Assim foi levado para outra parte do castelo, longe da masmorra.

— Este é o seu quarto de castigo — disse Lucie abrindo a porta de uma antiga adega. Os guardas empurraram Luuk, que caiu nos degraus daquele recinto.

— Qualquer movimento estranho, fogo nele.

— E a condessa?

— Ela odeia traição mais do que eu. Vai ser interessante atrapalhar os planos dessa corja de golpistas. Estou ansioso para ir àquela ilha.

...

Lilith fez um enterro para Skywalker. Sem os seus poderes de cura, não o reviveria. Aguardou o bruxo acabar com o selo. No entanto, Dai Kaminari revelou que Lucie usara um poder selador, ou seja, uma magia usada apenas pelos demônios que impede a pessoa que morreu de ser ressuscitada. Um baque tremendo para ela, haja vista não tinha mais ninguém no mundo. Desirée deu os pêsames, porém culpando-a por ter ambicionado a pedra Liluk em vez de se preocupar com outras coisas.

— Aquele cara era muito forte. Agora entendo o porquê de você não ter reagido quando ele foi para Salém — falou Eros.

— Eu vi aquela mulher de novo e não pude fazer nada. Como eu queria meter a mão na cara dela — o cheque caiu do bolso traseiro da calça dela. Eros pegou o papel e viu a quantia bilionária. Sem dizer para Afrodine, escondeu em seu bolso.

— Por favor, não é o momento para vaidades. O livro mágico foi levado e não tem como retirar o grande selo.

— (Falando em chinês)...

— Fala a nossa língua, velho filha da puta! — gritou Lilith.

— Disse que... há um jeito. Aqui — mostrou as páginas arrancadas da magia de reversão. Kaminari explicou que arrancou ainda quando produzia a magia para eliminar os zumbis.

— Peraí, o Dai fala a nossa língua? — indagou Desirée. — O que mais eu não sei?

— Deixe-me ver o grande selo — apalpou a bunda de Zoe, levando um cascudo na sequência.

— Velho tarado!

O grupo foi para o templo da magia negra e viram as enormes pedras como se fossem um jogo de dominó enfileiradas, formando assim um pentagrama invertido. No meio havia um pequeno altar. Dai colocou as cinco páginas no chão, sentou-se, pediu o silêncio para iniciar o processo e proferiu na língua lilukana, a língua mais antiga de Gaia.

— Como vai a Fiona? — perguntou a Younnan enquanto aguardava o processo.

— Ela tá bem. Ficou preocupada quando eu disse que sairia para te ajudar na luta final. Lamentou também por não ter vindo.

— Que louca. Com aquele barrigão e querendo bancar a heroína.

Do outro lado do templo, Lilith permaneceu sozinha, contando as horas para castigar Lucie. Seu ódio deixava um gosto amargo na boca, preferindo não ter contato com ninguém.

Dai Kaminari leu a magia de reversão por mais de vinte vezes. Demorou até as pedras caírem uma em cima da outra como dominós. A marca do Tratado de Netherland surgiu em formato de uma luz intensa. Kaminari suou enquanto proferia o feitiço. A marca gigantesca subiu ao céu e explodiu em pontinhos brancos que viajaram o planeta inteiro. Gaia estava completamente livre do selo.

— Desde o final de 1600 que esse selo impediu das bruxas de usarem os seus poderes. Tudo ficou para trás. — Dentro do olho de Desirée surgiu um pequeno brilho. Sentiu como se o seu corpo ficasse mais quente e mais leve. O fogo corria em suas veias.

— Meu poder voltou — Lilith provocava pequenas faíscas.

Eros, Afrodine, Nina, Zoe e Kaminari também tiveram os seus poderes mágicos restabelecidos.

— Temos que voltar imediatamente para Wilhelm...

— ...

— Na nossa língua, velho imundo — praguejou Lilith.

— Esse é o respeito que tem com o seu tataravô? Pois bem, a próxima parte do plano é tirar a imortalidade da Condessa.

Todos, exceto Lilith, ficaram impressionados com a informação do bruxo tibetano. O desafio de derrotar a condessa seria grande, portanto, para enfrentá-la com pé de igualdade, teriam que retirar a sua condição imortal. Porém, não seria algo fácil. Kaminari colocou uma página extra do livro que arrancara, um pequeno frasco com uma gota de sangue e pôs o sangue numa parte da folha. O vermelho desapareceu, tornando-se uma fumaça.

— O sangue da Condessa que Luuk coletou — explicou Nina.

— Uma alma pela outra. A condição para isso é terrível e um verdadeiro sacrifício. Para tirar a imortalidade da alma da condessa é preciso alguém morrer no ritual ou doar um seculo de idade.

— 100 anos?! Que loucura.

— Nem olha pra mim, Desirée. Minha expectativa de vida é um pouco mais de duzentos anos. Se eu doar cem, fico igual a Baba Vanga de tão velha — arguiu Afrodine. Eros seguiu a linha de raciocínio de sua irmã.

Kaminari lamentou estar muito velho e não poder se sacrificar. Scar era apenas um elfo que terá uma expectativa de vida de 120 anos. Younnan era impossível, haja vista tinha a mesma dos seres humanos.

— Não concordo em doar meus anos, velho. A minha parte eu já fiz. Tenho mais o que fazer — disse Lilith saindo do templo.

— Que egoísta. Tudo bem, pode me usar como sacrifício.

Os demais pediram para Desirée não fazer isso. Perder cem anos de vida deixaria quase idosa.

— Ainda estarei viva, não é? E se for para acabar com a raça daquela vadia, eu faço e tudo. Pode me usar.

Kaminari pediu uma gota de sangue para colocar ao lado da marca do sangue da condessa. Da mesma forma, o sangue de Desirée evaporou e ficou uma marca. Agora o contrato havia selado. Os destinos de duas mulheres eram ficar sem a imortalidade e perder um século de vida. Segundo Kaminari, levará um tempo para a mudança acontecer, e quando ocorrer as duas mudarão no mesmo instante e simultaneamente.

— Precisamos voltar para o continente antes que a condessa use o botão nuclear...

Kaminari segurou o braço de Desirée, pedindo para esperar um pouco. O bruxo milenar revelou a ela um segredo assustador sobre Joanna. No século XVII, ele selou o corpo de Liùseidh com vários selos, dezenas deles.

— A linhagem da mãe da garota...

— Fala logo, Dai.

— Posso pegar no seu peito um instante?

— Se quiser morrer, velho pervertido. Diz logo!

— Já ouviu falar sobre a besta Liluk? Uma besta de gelo que ficou conhecida por afundar um país chamado Atlântida. Esse monstro renascia de tempos em tempos para destruir civilizações. Sempre que hibernava, escolhia Winchester. Antes aqui se chamava Terra Liluk e a língua nativa de Gaia era o lilukano. A besta foi aprisionada por 81 feiticeiros e os seus poderes suprimidos.

— E o que isso tem a ver com a Joanna ou a mãe dela?

— Um desses feiticeiros era ancestral da família dela. O único que sobreviveu, mas ficou com a marca da besta na testa. As gerações passaram, o Rei Regullus foi selado, depois Liù e por fim Joanna.

— Peraí. Então quer dizer que...

— Quando Liùseidh nasceu, encarreguei-me de colocar cerca de mil selos pelo seu corpo; e ainda assim a rainha ficou com poderes. Quando a jovem Joanna nasceu, os selos passaram de mãe para filha, mas reduzidos para cem.

— E você nunca me disse isso? Ainda por cima tirou o selo dela...

— Calma lá — alisou a longa barba branca. — O selo que eu tirei foi o que a Condessa pôs para impedir os seus poderes bruxos. Mas tenho as minhas suspeitas de que Abigail descobriu a verdadeira natureza da menina. Lembra que ela fingiu morrer? Ela foi ao inferno receber instruções do seu pai e aposto que o capiroto revelou tudo sobre a menina.

— Por isso ela não a matou. Quero dizer que antes ela quis matá-la, mas na época não sabia da condição da Joanna. Agora ela sabe.

— Mais uma coisa. O cetro é o único dos três objetos que na verdade foi feito para conter a besta. Ele cria um portal e leva a besta para lá. Se a garota for possuída pelo monstro dentro dela, você terá de usar o cetro e colocá-la dentro do vórtex.

O que Kaminari disse era o destino iminente de Joanna? Ser sacrificada? Desirée saiu com a promessa de Kaminari quanto ao pacto para drenar a imortalidade da condessa.

— Cadê a Lilith? — perguntou dentro do trem.

— Ela foi ver o velho — respondeu Afrodine.

Uma breve conversa entre Lilith e Dai Kaminari se desenrolou por cinco minutos. O teor da conversa...

— Que demora. Devia tê-la deixado para trás.

— Vamos embora rápido — falou Lilith enquanto sentava.

O trem escarlate saiu da estação abandonada de volta para o continente. Dentro da locomotiva, uma suprema feliz e angustiada; feliz por ter de volta os seus poderes e angustiada por causa do pacto, Luuk e de Joanna.

...

Joanna acordou do breve sono e sentiu o seu corpo emanar uma energia fria. Entendeu que o tratado havia extinguido. A porta da sua cela congelou, os guardas do lado de fora desmaiaram de frio. Com um chute, ela derrubou a porta e saiu congelando tudo.

A condessa se preparou para a noite do Apocalipse. Convidou a elite de Wilhelm para o jantar de gala que precederá o momento de disparar os mísseis nucleares contra a Rússia. Durante o tempo que ficou na Terra, conversou coma presidente Belinda. Esta foi para um bunker fora de Washington, levando a equipe da Casa Branca, seus filhos e netos. A Condessa descobriu a traição de Luuk, mas não quis perder tempo com ele.

Luuk continuou preso. Precisava sair dali antes que algo mais sério acontecesse.

Já Lucie se preparou para aquela noite. Vestiu uma armadura peta, cheia de esporões, uma capa da mesma cor e um capacete no formato da cabeça de um dragão. Apareceu diante do público da elite e deu as boas-vindas. Os ricaços aplaudiram e foram entrando um por um no castelo.

Perto de Wilhelm, no porto de uma cidade vizinha, o grupo de Desirée reuniu-se para pegar a caravela da suprema. O navio todo de madeira fora modificado para conseguir voar! Os personagens que decidiram ir foram: Desirée, Afrodine, Lilith, Younnan, Zoe, Nina, Scar e os demais elfos. Scar, por exemplo, chamou mais apoio.

— Por que você não quer vir?

— Não insista, Afrodine. Já disse que a minha parte eu fiz. Agora é com vocês. Não prometi participar dessa guerra entre a Desirée e a Condessa.

Montgomery se aproximou da amiga e pediu para ela não obrigar o irmão. Agradeceu pela ajuda.

Cinco minutos depois, a caravela voou do porto e foi em direção à Wilhelm. Os moradores acenaram. Eros riu quando voltou a ver o cheque de 2,7 bilhões de dólares. Era talvez o cara mais rico daquelas bandas.

— O que farei com esse cheque? Como posso tirar o dinheiro? — bateu cabeça para pensar numa solução, mas daí veio a ideia menos racional que ele já pensou.

Eros retirou o endereço de Rutherford do bolso. Ficou pensativo. Dane-se, ele decidiu ir atrás do cara que o comeu para pedir ajuda a fim de sacar toda aquela grana. Mas será mesmo que Rutherford fará tudo isso de graça? Enfim, fica para a imaginação.

...

A Condessa pegou uma taça de cristal e pediu a todos para se reunirem no salão do trono. A mensagem era clara: a destruição dos países da Terra por meio de uma guerra nuclear. Um guarda levou a maleta nuclear na frente dela e de Lucie.

— Aqui está. Usada pelos presidentes americanos.

Um mapa de satélite mostrou os pontos onde as bombas atômicas estavam. O alvo de cada uma delas. Explicou que a Rússia poderá se defender, mas que também lançará seu arsenal.

A caravela voadora ficou uns quintentos metros acima de Wilhelm. Desirée e Lilith levaram os membros do grupo para o centro e assim enfrentarem os soldados do império.

Enquanto as coisas desenrolavam no castelo e na cidade, Sniper e Sônia lideravam os guardas durante a noite. Qualquer insurgência, deveriam prender ou matar os insurgentes.

O grupo caminhou, cada qual usando capas. Um policial identificou o rosto da suprema e pediu que todos levantassem as mãos. Ela fez o homem dormir com seu poder. Logo a rua foi tomada por policiais em cavalos, guardas e mercenários.

— Vamos com tudo — disse Desirée, tirando a capa. Todos se revelaram.

Luuk chutou a porta várias vezes, mas não conseguiu abrir. Joanna apareceu para a sua surpresa.

— Você foi descoberto?

— Sim.

— Afaste-se — arrancou a porta como seu poder telecinético. Os dois se abraçaram e se beijaram.

— Precisamos sair do castelo. Se a minha mãe conseguiu desfazer o tratado que impedia os poderes bruxos, quer dizer que já vão invadir.

No entanto, um dardo atingiu o braço dele. Sniper apareceu repentinamente e revelando ser o assassino do presidente Bates. Luuk desmaiou brevemente, causando revolta na bruxa de gelo.

— Vai me matar? — desdenhou o homem.

— Acho que não, mocinha — disse Sônia, paralizando-a momentaneamente com sua poderosa força das mãos (ela usou a mão para pressinar a coluna da garota, fazendo-a fraquejar as pernas).

Os dois ministros levaram o casal.

No centro da cidade, os oponentes randômicos foram derrotados. O próximo alvo era o castelo.

— Apreciem o fim da humanidade. — abriu a maleta, digitou a senha, girou as quatro chaves antes da última. Dois guardas foram jogados aos pés dos convidados.

— O que significa isso? — perguntou Lucie.

— Que chegamos para a festa — apareceu Desirée.

Afrodine surgiu como fumaça por trás da condessa e roubou a chave.

— Quer dizer que ainda sobreviveu. Como? Seis tiros que eu dei à queima-roupa seriam suficientes para matar até um leão.

— Isso quer dizer que sou mais forte do que uma leoa.

Notas finais
Os capítulos 18 e 19 (especialmente o 19) foram os mais dispendiosos que eu já fiz. Não só porque foram os 2 maiores mas também pelo fato de ter muita luta e acontecimentos diversos. Detalhes que eu não poderia deixar de fora ou a história ficaria com pontas soltas no final (e sabemos que ela vai até o 21). Desculpem mais uma vez a demora. Deu um pequeno bloqueio criativo. Tive que assistir à filmes de ação pra emular as cenas de lutas. Outras cenas tive que reescrever, pois a primeira versão ficava nada a ver. Foi osso. Mas o resultado é esse. Até mais. Só em maio que terminarei a fic.