Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO

A queda de Desirée foi amortecida pelo telhado velho da mansão Montgomery. Ela caiu dentro de um quarto velho e empoeirado, não viu o lugar exato da queda da Condessa. Deitada no chão, viu a forte luz no céu pelo buraco que fez. Ficou assim por algum tempo, mas não havia se machucado.

— Que idiota — referindo-se à Lilith.

Levantou do chão, retirou os entulhos e a poeira de cima. O seu primeiro vislumbre da sua antiga casa — até aqui ela desconhecia — foi o recinto sujo e velho. Algumas teias se formaram e os móveis ficaram estragados. Viu algo sobre a lareira que chamou bastante atenção: uma foto num quadro. A imagem mostrava os pais dela segurando-a ainda bebê. Reconheceu os rostos deles, também o dia em que foram mortos pela multidão em Salém. Tudo culpa da mulher mais perversa dos dois mundos, ela matou e manipulou muitas pessoas.

Sem pensar duas vezes pegou a moldura e retirou o retrato. O papel amarelado e empoeirado, passaram 300 anos, mas ainda era nítido. A fotografia era uma pintura — na época não existiam máquinas fotográficas em Gaia — realista da família Montgomery.

— Hehehe...

Ela olhou para a direção da porta assim que ouviu um riso de criança. Girou a maçaneta e saiu para o corredor.

— Hahaha...

— Desirée, não corra!

Uma mulher passou pela Desirée adulta no corredor. Ela era a Ranna, sua mãe e uma das pessoas na foto. A bruxa estranhou ver a sua mãe entrar no mesmo quarto empoeirado. Voltou para lá.

— Não se esconda. Vou te achar... Achei.

O quarto não era mais velho e sujo. Uma visão tomou conta dos olhos de Desirée ao ver a sua mãe jovem brincar com ela ainda criança. Ranna pegou a menininha debaixo da cama e fez cócegas. Um cachorro branco e peludo fez companhia para as duas. Naquele instante, Desirée chorou ao rever aquela cena. O que pode estar acontecendo? A casa fazia aquela visão? Para ela pouco importou, pois ver o passado era o suficiente.

— Vamos, seu pai chegou.

Seguindo as duas, Desirée foi exatamente para a cozinha onde pode ver o general Reno beijando-as ali depois de um dia de trabalho. Ranna também fazia parte do exército, mas ficou de licença por cuidar de sua pequena filha.

— Ele veio?

— Sim...

Um homem desconhecido entrou na mansão Montgomery. Ele vestia-se elegantemente, com uma roupa medieval nobre, uma capa vermelha e uma espada na cintura. Seu rosto era negro, irreconhecível. Desirée não entendeu o motivo daquela pessoa em questão, mas o casal pediu para a sua parte infantil que saísse da cozinha e deixassem os três a sós. O teor da conversa era um segredo. Nem mesmo lendo os lábios dos seus pais ela conseguiu adivinhar o que diziam.

A visão foi interrompida abruptamente assim que ela topou e caiu. A cozinha na vida eral era velha e destruída. Porém, o que chamou a atenção foi no objeto que havia topado: uma cabeça humana presa no chão. Literalmente havia uma cabeça humana, entalhada com a face para fora do chão. A pessoa estava de boca aberta, possivelmente gritou ali. Mas como uma pessoa foi parar ali?

As paredes, o chão e o teto estavam com cabeças grudadas e com a mesma expressão, apesar de serem pessoas diferentes. Agora sem o vislumbre do passado, Desirée explorou a antiga casa na realidade.

— Acordou. Pensei que eu teria que fazer algo para te tirar do transe — disse a Condessa em pé, no meio da sala que ficava de frente as escadas.

Sem dizer uma única palavra, Desirée desceu. Duas coisas chamaram a sua atenção: a própria Desirée e uma escultura enorme no meio da sala. A tal escultura era branca e como se várias pessoas de gesso tentassem fugir para os lados.

— Teve uma visão? Viu o passado? A pequena Desirée brincou muito com a mamãe? Que foi? Ah isso!

— O que são essas cabeças?

— Seres vivos. Especificamente bruxas e bruxos que se opuseram a mim. Mandei matar os líderes do reino Winchester e as suas famílias. Arranquei as suas cabeças e fiz taxidermia. Não são bonitas?

Aquele ambiente de morte chocou Desirée. Nunca viu algo tão aterrador como aquilo. Matar pessoas, arrancar as suas cabeças e grudá-las nas paredes. Algo extremamente bizarro só vindo da mente doentia daquela mulher.

— Você é doente.

— Não, sou muito sã. Não faço nada sem que eu planeje antes. Por exemplo, resolvi transformar a sua antiga casa num cemitério daqueles que tentaram me desafiar. Isso inclui os seus pais.

— Ainda não me esqueci deles morrendo queimados. Graças a um padre, estou viva até hoje. Mesmo todas as bruxas sendo pagãs, aquele homem nos ajudou.

— É por isso que você quer me destruir? Vingança?

Quando Desirée olhou mais de perto a escultura, viu várias crianças taxidermizadas e engessadas. Eram meninos e meninas com, talvez oito anos. Aquilo chocou mais do que o resto.

— Não me diga que essa escultura...

— Crianças. Os filhos e netos dos generais e nobres do reino. Todas da raça bruxa. Elas não são lindas?

Desirée tentou avançar para cima da Condessa, mas esta empurrou a bruxa com o seu poder psíquico. As paredes internas da casa foram destruídas com o golpe.

— Você me dá nojo. — Ela fez o ambiente ficar muito quente. Seus cabelos loiros viraram fogo. Jogou uma energia de chamas vermelhas na direção da imperatriz. Metade da casa desabou com a explosão. — Eu tenho que destruir essa casa...

Abigail passou pelo fogo, aproximou-se da bruxa e deu-lhe uma bofetada.

— Essa sua insolência custará caro. Típico das bruxas, não é? Ô raça!

— Tenho muito orgulho de ser quem eu sou, uma bruxa. Isso você nunca poderá mudar — cuspiu um pouco de sangue.

— Você vem dizer a mim que tem orgulho de ser o que é? Acho que essas são as palavras mais verdadeiras que uma bastarda poderia falar.

— O que disse?

A Condessa sorriu.

Os soldados foram derrotados um por um em Wilhelm pelos bruxos exilados. A grande multidão entrou na cidade alegremente. Mulheres, homens e crianças apostaram as suas esperanças depois do sacrifício de Lilith.

No centro, Afrodine e Younnan amarraram os soldados juntamente com Sônia. A súcubo deu um soco na parede, assustando o homem lobo.

— E o que foi agora?

— Eu vou matar... juro que mato ele...

A mulher ficou assustadora. Algo deixou Afrodine muito irritada, não foi a Sônia. Younnan preferiu nem perguntar.

Pouco antes, Joanna correu para a cidade na direção da explosão. Ela viu as duas caírem em algum lugar distante. Luuk, agora curado, pediu para que ela esperasse. Viu um cavalo numa carruagem.

— Aqui, senhorita — disse montado no cavalo. Pegou Joanna e foram para a mansão Montgomery.

— Não sabia que andava a cavalo.

— Ué? Quando você me conheceu eu era um cavaleiro, não? Mas aprendi em Salém, montando nos cavalos lá de casa. Isso me ajudou a disfarçar na época quando entrei para a Hunter.

Joanna parou de conversar e unicamente ficou abraçando o namorado por trás. Aquele momento em que sentiu o calor do corpo dele foi o melhor desde que voltou.

A mansão Montgomery ficava um tanto mais afastada, num bairro ao norte do castelo. Um lugar cheio de mansões e jardins. Os patrícios do antigo reino moravam no bairro, mas depois quem morou ali foram os patrícios da Condessa. Inclusive Sniper e Sônia que adquiriram uma mansão cada depois de virarem ministros.

— Chegamos — disse ele.

A única casa que não foi restaurada, Montgomery's House. Por ordem de Constance, aquilo seria um mausoléu para os inimigos. No momento, a casa pegava fogo.

— Tenho certeza que ela caiu lá.

Os dois pularam o muro e correram pelo gramado alto até a entrada. Joanna viu Condessa e Desirée do lado de fora.

— Desirée! Desirée, olha.

A bruxa viu tanto o filho quanto a moça. Mas o seu semblante era de choque.

— O que houve?

— Nada. O que fazem aqui? É perigoso.

— Salvei o Luuk e derrotei o homem que matou o meu pai.

— Filho. Que bom que está vivo.

— Mamãe.

Palmas foi o que a Condessa fez ao ver o reencontro em família dos três. Foi o que ela quis, os três personagens que queria tanto eliminar na sua frente. A bruxa que causou tudo isso, o traidor e a filha da sua inimiga.

— Pare, Condessa. Acabou o seu império. A cidade está tomada por bruxas que querem matá-la — avisou Luuk.

— Você... se tem um pingo de apreço pela sua vida, fuja.

Desiré e Luuk protestaram quando Joanna pediu para ela fugir. Mesmo a megera ter se esforçado em matá-la e ter matado o seu pai, ainda assim ficou grata por ter sido criada por ela. Assim sendo, a garota ainda tinha lembranças quando era cuidada por Abigail Bates, esposa do presidente William Bates. Obviamente Condessa gargalhou.

— Ai, garota. Você fez o meu dia ficar melhor com essa piada.

— Que loucura é essa, Joanna? Essa mulher precisa pagar pelos seus crimes. Ela matou crianças, sabia?

— É que se ela me criou por todo esse tempo, deve sentir algo por mim. Não é, mamãe?

A raiva que Abigil sentia por Joanna apenas aumentou. Interpretou as palavras da garota como deboche. Desirée prevendo o pior, puxou a moça e pediu para que os dois fossem embora.

— Essa luta é pessoal. Tenho que lutar pelos meus pais, pela minha família que foram mortos por ela. Não há espaço para arrependimentos.

— Falou uma verdade incontestável. Digo... o que você disse mesmo? Que vai lutar contra mim até o fim porque matei a sua família. Tem razão, Suprema Desirée. Pode se vingar, mas ainda preciso destruir a sua família antes. Não fiz isso ainda, fiz?

Condessa usou a magia para fazer várias raízes surgirem do chão e prenderem a bruxa. Mesmo tentando queimar os cipós, Desirée não conseguia. O próximo a ser preso foi Luuk. Joanna era a única a não ser atacada.

— Esse é o fim, filha de Liùseidh Winchester. Eu sabia que desde o início tinha que te matar, e errei depois que a deixei viver para virar Liluk. Mas vocês não têm nenhum dos objetos mágicos, pois foram destruídos naquele vórtex. E a pedra Liluk já não tem serventia. Não há nada que possam fazer para me destruírem.

— Não faça isso, Condessa! A garota que você cuidou por anos. Não sente nada por ela?

— Não, Desirée. Ajoelha.

A moça obedeceu a mãe adotiva e se ajoelhou. Ficou frente a frente com Abigail, que sorria de maneira psicótica. Fez surgir a famosa pistola de prata que havia atirado em Desirée e Luuk antes.

— Sabe, esse lance de ser a filha do próprio Anticristo é tão bom. Você governa um planeta, vive por mil anos, não morre por nada e possui poderes psíquicos formidáveis. Um desses poderes é materializar objetos, inclusive esta bala. Diferentemente daquelas que atirei em Desirée, ela está livre de magia — colocou a bala na arma e girou aleatoriamente. Começou um jogo de roleta-russa, segurou Joanna por trás.

Luuk ficou completamente desesperado. Pediu para que a mãe fizesse algo, mas a bruxa não se mexeu.

Apertando o gatilho, a bala não saiu. As duas tentativas seguintes também falharam. A sorte de Joanna continuou com o quarto disparo em vão.

— Você tem 50% de chance de sobreviver — beijava Joanna no rosto. — Se eu errar, juro que te deixarei viva. Aqueles dois morrerão sem a mesma chance. Isso é o que eu chamo de amor de mãe. Diga-me, filha, quais são as suas últimas palavras?

A moça levantou o olhar para ver Desirée.

— Não terminou.

— Hum? Não entendi. Fale mais alto.

— O legado das bruxas não terminou.

Sem demorar Condessa puxou o gatilho, mas a bala não saiu.

— Você é muito sortuda. Agora está livre para recomeçar uma vida.

— Sério?

— Nah! Mentira! — empurrou Joanna no chão e preparou para matá-la com o tiro 100% certeiro, no entanto parou ao ver Desirée. A aparência jovem da bruxa mudou radicalmente. Os cabelos ficaram brancos e o rosto mais envelhecido.

— Perdeu, Condessa.

— Como? — Seis buracos se abriram no corpo dela e deles saíram muito sangue.

— Troquei 100 anos meus por sua imortalidade. E não é tudo. Os seis tiros que você me deu, todos foram direcionados a você. Luuk pegou um fio do seu cabelo, as seis balas e Lilith fez a maldição que transfere todos os danos a outra pessoa. As feridas ficaram dentro do seu corpo até ele ser mortal.

O sangue banhou o vestido branco, que agora ficou totalmente vermelho. Os fluídos saíram também pelos olhos, nariz e boca.

— Ele teve coragem. Aquele velho.

— Hã?

— Eu fiz uma contra-magia naquele livro. Diferentemente do Lucie, eu me assegurei que qualquer um que tirasse a minha imortalidade, também morresse. Se aquele velho tibetano foi o causador disso, sacrificou-se também.

— Não, Dai Kaminari!

Na ilha, Dai morreu depois de tirar a imortalidade de Condessa. No livro, a contra-magia era explícita, mas o bruxo prosseguiu sem hesitar.

Condessa caiu morta sobre o seu próprio sangue. As raízes viraram pó. Luuk abraçou Joanna, Desirée lamentou a perda de um amigo.

...

Os bruxos entoaram cânticos depois da queda do império mundial. Os moradores de Wilhelm foram embora, a cidade foi tomada por direito.

— Eles chegaram — disse Younnan.

Joanna e Luuk ajudaram a suprema bruxa na locomoção, pois a idade atual a fez ficar mais fraca.

— Droga. Eu sabia que daria merda — disse Afrodine ao vê-la mais velha.

A bruxa riu da amiga e anunciou a morte de Condessa Abigail Constance. Gaia ficou livre depois de três décadas de um regime totalitário marcado por perseguições, mortes e uma quase guerra nuclear. As pesssoas se abraçavam de tamanha alegria.

O reino Winchester se desvencilhou do grande império. Os demais reinos também.

Dias depois...

Sônia e os soldados fiéis foram colocados em postes para serem queimados vivos. Uma tradição milenar quando se tratava de punição a traidores. Sônia foi a que teve mais destaque.

— Quais as últimas palavras? — perguntou Desirée.

Afrodine empurrou as testemunhas e se meteu na frente. Sem dar chance para Sônia, ela jogou um isqueiro aceso.

— Não deixou a condenada falar...

— Aquela vaca mereceu. Escuta aqui, Desirée. Você vai agora mesmo fazer uma magia de localização pra eu ir atrás daquele puto ladrão do Eros! Juro que eu o mato dessa vez.

— Muita calma. Estou no meio das execuções...

Mas Afrodine não quis saber. Puxou a bruxa para fazer a bendita magia localizadora.

E assim, a vida em Gaia voltou ao normal. O corpo da Condessa foi incinerado e as cinzas jogadas no rio. Os patrícios e ministros foram destituídos, presos e alguns fugiram. Um conselho de cinco bruxas formou o novo governo provisório. A cidade fora reconstruída.

Meses depois...

Salém, Reunião Especial das Bruxas

A última reunião foi um fiasco, mas com queda da imperatriz do mal, fizeram um encontro especial. O governo liberou o vilarejo de Salém e assim os seus moradores puderam voltar. Era festa, porque coincidiu com algo especial: o casamento de Younnan e Fiona. Apesar de estarem juntos por mais de um ano, nunca se casaram oficialmente. O local era a casa da suprema, escola de magia. Os convidados ficaram no jardim. Antropomórficos, bruxas, feiticeiros, elfos, orcs, vampiros, gênios, e outras raças de Gaia.

— Estou nervoso — disse Younnan para Desirée.

Fiona surgiu de branco. Fizeram os votos e trocaram alianças. Nos braços do pai de Fiona, o pequeno Albert Arthur, um bebê lobo humano.

— Que coisinha mais fofa. Nunca tive a experiência de engravidar e ter um bebê em meus braços. Luuk já andava quando adotei.

— Pois é, Desirée. Você já disse aí que pode rejuvenescer comum elixir... então porque não se casa e tem um filho? — disse Fiona.

Os convidados olharam para a bruxa. A verdade era que nunca Desirée se interessou em ter filhos biológicos, também nunca teve a oportunidade de formar uma família — Lilith matava os seus namorados.

— A mãe é quem cria. Tá aqui, criei, alimentei, cresceu... falta só tirar o cabaço — disse ela abraçando Luuk. Este por sinal ficou morrendo de vergonha.

E assim se foi a festa. Eros não compareceu, porque havia fugido com Rutherford. Afrodine não compareceu, porque caçava Eros que havia fugido com Rutherford.

As bruxas do conselho aproveitaram a festa para anunciar Desirée Montgomery como a nova rainha de Winchester. Como Joanna não era mais bruxa, apenas uma mulher poderosa podia tomar o cargo. Todos aplaudiram a suprema.

— Espera! Que merda de decisão foi essa? Eu não pedi pra ser rainha!

— Mas eu não posso, Desirée. Você é a única que merece isso. Todos concordamos.

— Eu, rainha? Passar a minha vida num castelo, assinar documentos, quebrar a cabeça com governo? Nem morta — deu um assovio.

Um dragão alado desceu das nuvens e pousou no gramado. O bicho tinha uns dez metros e ainda era um filhote.

— De onde saiu esse monstro? — perguntou Joanna.

— Este é o Chico, que veio do reino dos dragões. Como a Condessa caiu, o rei de lá me presenteou com esse carinha. Não é bonitinho? Ainda é filhote. Mas não posso ficar aqui e ser levada a força para Wilhelm. Isso nunca.

— Mãe, vai embora?

— Volto daqui uns anos. Preciso explorar Gaia e os outros lugares que eram proibidos.

A bruxa montou no Chico e saiu voando com ele pelo céu. Os dois desapareceram num portal para Gaia.

...

Meses depois.

Luuk ficou responsável pela escola das bruxas enquanto a sua mãe viajava pelo mundo. Convidou Joanna para morar com ele e os dois puderam oficialmente ser namorados — se é que me entende. Numa tarde ensolarada e bonita, uma boa nova: a renúncia da presidente Belinda Johnson. O congresso iniciou um impeachment, mas a filha da Condessa preferiu sair quando os políticos do seu próprio partido se voltaram contra ela. A história dos mísseis, os escândalos do governo e as revelações da Politec — que Rutherford meses antes havia entregado ao departamento de justiça — levaram ao desmoronamento total da presidente.

— Agora sim acabou.

— Nem me fale. Eu apertei a mão dessa mulher tantas vezes. Ela era a vice do meu pai e planejou a morte dele com a Condessa.

Um menino entrou na mansão e entregou uma carta da Desirée. Ele era um aluno novo, uma das crianças que passavam fome no exílio em Winchester.

— O que ela escreveu? — perguntou Joanna.

— É o que veremos.

Caros Luuk e Joanna

Deveria mandar um email ou utilizar os meios tecnológicos para me comunicar, afinal estamos em 2019. Mas usar o velho método da carta escrita a mão é emocionante (e parece final de filme).

Saiba que estou muito bem no lugar onde estou. Descobri lugares em Gaia que eu nunca havia visto, pois o império do mal da Condessa impedia da gente visitar. Queria que visse a terra dos dragões e dos tritões. Foi legal. Mas Gaia ainda possui um vasto território e vou explorar...

Gaia, Local desconhecido

— Mas Gaia ainda possui um vasto território e vou explorar um por um. Preciso ir atrás do elixir da juventude, o da lenda. Eu sei que vou achar. Amos vocês e cuidem de Salém com carinho. Prontinho. Hermes!

Um homem com asas de anjo surgiu na frente dela. Pediu que levasse a carta para o seu filho o quanto antes. O mensageiro prontamente foi embora. Desirée se espreguiçou e deu bom dia para Chico, que cresceu para 20 metros de lá pra cá.

— E Luuk, cuide bem da Joanna. Ela é importante para mim. Literalmente somos uma família. Com amor, Desirée Montgomery. Gostou desse final, Chico?

Lembrou das palavras da Condessa pouco antes de Joanna e Luuk aparecerem.

— Tenho muito orgulho de ser quem eu sou, uma bruxa. Isso você nunca poderá mudar.

— Você vem dizer a mim que tem orgulho de ser o que é? Acho que essas são as palavras mais verdadeiras que uma bastarda poderia falar.

— O que disse?

— Eu fiz uma investigação aprofundada e descobri que Reno Montgomery não é o seu pai biológico. Ranna sim era a sua mãe, mas o general era adotivo. O seu verdadeiro pai, e que você chamava de tio, foi o rei Regullus, pai de Liùseidh.

— Mentira!

— Não é mentira. Você tem sangue do rei nas veias. É meia-irmã de Liù. Tia de Joanna. Por isso vocês se deram tão bem, não? Enfim, o rei e Renna tiveram um caso extraconjugal, mas Reno perdoou a sua mãe e te deu o sobrenome. O rei ajudava e de vez em quando te visitava.

Agora sim Desirée viu sentido na visita daquele homem misterioso na sua visão. Era a tia de Joanna por parte de seu verdadeiro pai.

— Eu sempre soube disso. Quando adotei Joanna, fiz exatamente como Reno. Pegou uma bastarda e adotou.

Pouco depois Joanna e Luuk apareceram.

O vento bateu no rosto de Desirée. Com um tapa-olho e mais velha, a bruxa quase ficou irreconhecível.

— Vambora. Rumo ao elixir do tira rugas.

Ela ficou sentada sobre a cabeça do dragão. Chico estava pousado sobre a cabeça de uma tartaruga de 300 metros com um vulcão nas costas. O colosso urrou e caminhou pela floresta onde outros animais colossais viviam.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!