Notas iniciais
Em breve teremos o dreamcast do elenco principal. Acontece que muitos personagens vieram de outras fics e lá foram utilizados modelos reais, portanto não faz sentido eu não colocar aqui. Quero agradecer a quem está lendo.

SALÉM, MASSACHUSETS, 1691

A caravela atracou no porto por volta das 16 horas. Um dos passageiros era o padre britânico Donald Scofield, que resolveu sair não-oficialmente da igreja Católica por conta das perseguições por grupos que o Papa Inocêncio XII ajudava. Pessoas que foram mortas simplesmente por discordarem da igreja na Europa.

A Grã-Bretanha, por discordância de Roma, começou a adotar cada vez mais o Anglicanismo. E nesse ínterim, muitos padres viajaram para outras partes do mundo, como para a Índia ou América.

Scofield era um sujeito com grande senso de justiça e humildade. Aos 42 anos, destacou-se quando discutiu com um arcebispo em Roma, e fugiu para não ser morto. Depois disso foi excomungado e passou a financiar a sua própria igreja.

— Aqui a carruagem, senhor.

— Obrigado — entrou na carruagem.

Instalou-se em Salém.

Apesar de ser obeso para a sua estatura de 160 centímetros, o padre gostava de caminhar e pregar o ministério de Jesus aos povoados. Soube, nessas andanças, sobre a comunidade recém chegada em que uma família inteira vivia nos confins da floresta. Decidiu ir até eles, mesmo com as palavras de precaução dos moradores da cidade.

O clã Montgomery chegou em Essex por volta de 1690 de uma maneira misteriosa. Donald foi ganhando a confiança de cada um deles até ver o milagre de uma criança curar a ferida fatal de um cervo.

— Qual o seu nome, mocinha?

— Lilith... — ela olhou curiosa com seus olhos azuis vibrantes. Era uma bonequinha de cabelos pretos.

— Quantos anos?

— Treze.

Repreendeu os "pais" da menina por ter dado o nome de um demônio sexual para uma criança inocente. O pai, Reno, e a mãe, Ranna, revelaram que ela não era sua filha biológica, que a irmã de Ranna havia engravidado Lilith e escolhido esse nome por causa do pacto que fizera para que Lilith vivesse em troca de sua vida.

— A garota tinha uma doença fatal e estava morrendo com uma semana de vida. Minha irmã invocou o submundo para trocar sua vida pela dela e assim dar o nome de Lilith.

Scofield fez o sinal da cruz. Era um absurdo ouvir toda aquela infâmia. Durante o momento em que conversavam, a garotinha loira de cabelos ondulados apareceu, bocejando e ainda de pijama.

— O senhor ainda não viu. Quero que conheça a nossa filha, Desirée.

Um ano depois, quase todo o clã foi dizimado. Scofield resolveu colocar as duas garotas na paróquia.

— Vem me ajudar, Desirée — disse Lilith com um cesto de verduras pronta para vender de casa em casa.

— Já vou.

SALÉM, 1699

As duas primas saíram para o trabalho diário. Os moradores, acostumados com a dupla, compravam com poucos xelins as verduras e legumes que eram colhidos do terreno da igreja.

— Aqui está — a moradora entregou os xelins para as duas.

— Obrigada — agradeceu a jovem Desirée.

Ambas caminhavam pela ruela quando viram um cachorro com a pata quebrada no beco. Lilith correu para acudi-lo. Pela primeira vez na frente da prima, a morena usou o seu poder de cura para salvar o animal. Aquele ato foi visto por um morador que denunciou as crianças como bruxas.

O padre, acuado, resolveu ir embora da colônia americana e voltar para o reino com as duas meninas. Lá elas foram educadas melhor, mas nunca era o suficiente para as duas. Lilith era a que mais questionava, que tinha mágoa das pessoas de Salém por terem matado seu povo.

LONDRES, GRÃ-BRETANHA,1722

Passaram décadas desde que foram expulsas da América, mas seus corpos eram de pré-adolescentes. As herdeiras bruxas possuíam um envelhecimento muito vagaroso. Scofield, no entanto, era apenas um humano simples, portanto envelheceu e adoeceu.

Aos 72 anos, o padre morreu acamado na paróquia. As duas mocinhas foram as únicas que ficaram ao seu lado. Ele foi enterrado num cemitério público da cidade.

Desirée já passava e muito dos trinta anos, mas ainda tinha o físico e a mentalidade de uma garotinha de onze. Lilith passava dos quarenta, mas parecia uma adolescente de dezesseis. Esta última ficou cansada de ter medo do mundo afora e resolveu voltar para Salém. Desirée acompanhou a mais velha para a aventura numa caravela como intrusas. Roubaram comida, dinheiro, faziam brincadeiras com todo o tipo de passageiros.

— Chegamos em... Quem são vocês?

Elas desceram a rampa do navio com cobertores. Antes dos guardas perceberem, haviam fugido. Uma época boa que ambas jamais esquecerão.

ATUALIDADE

Lilith acordou na manhã seguinte. Sua casa ficava no topo da colina. Voltou para a caverna a fim de ver as duas filhas.

— Como são patéticas — Anjula e Madeleine estavam totalmente ensanguentadas, com as roupas rasgadas e feridas. O demônio-bode havia estuprado-as cruelmente.

A criatura desapareceu, dando lugar a apenas um boneco de cera de um homem bode no chão. Ela pegou o boneco e colocou sobre uma mesa perto.

— Mamãe tá aqui pra ajudar minhas filhotas — encostou suas duas mãos nas cabeças delas e começou a curá-las. A hemorragia, os hematomas e qualquer tipo de dor se foi. Até mesmo a virgindade delas foram restauradas.

Madeleine olhou para a mãe e começou a chorar. Anjula, irritada, pediu para sua mãe desamarrá-la dali. Lilith usou magia para soltá-las.

— Eu odeio esse monstro. Ele quase me quebrou no meio! — exclamou Madeleine.

— Mamãe, da próxima vez que mandar uma missão, mande eu fazer sozinha. É duro pagar pelo erro dessa comedora de McDonalds.

Lilithmon usou telecinésia para arrastá-las contra a parede.

— Vistam-se, parem de reclamar, ou da próxima vez eu chamo o homem-cavalo para vocês. Preciso sair. Cuidem da minha casa e de todo o resto — saiu, levando o boneco Belchior na mão.

...

TÓQUIO, JAPÃO

A mulher estava nua numa sala totalmente preta. Uma criatura masculina surgiu por trás e a abraçou. Sua aparência era demoníaca, um homem com pele vermelha, olhos negros, um chifre na testa, asas de morcego, e de suas costas saíam tentáculos que penetraram no órgão sexual da mulher. Durante dez minutos ela teve diversos orgasmos.

O demônio a abraçou e começou a lambê-la por todo o corpo. Trocaram de posições e agora ela fazia o serviço. Até que ele a satisfez por completo.

— Acabou o seu tempo — Eros retirou seus dedos da testa da moça que estava deitada num divã. O homem acordou a cliente e pediu o seu pagamento em dólar americano.

— Eu estou toda molhada! Eu queria mais, só que agora eu quero na vida real — tentou agarrá-lo, mas o íncubo enrigeceu o corpo da moça libidinosa.

— O pagamento, Hirono-chan. Depois é só ir embora e dar uma chupada no seu marido.

O homem chamado Eros era um dos humanos não-naturais que veio de Gaia juntamente com a sua irmã, Afrodine. Por ter sangue de gênio e demônio, ele herdou os poderes de manipulação sexual, liberando todo o prazer de quaisquer criaturas do gênero feminino. Afrodine, sua irmã gêmea, herdou a manipulação do gênero oposto, ou seja, manipulava quaisquer criaturas masculinas.

Tanto Eros quanto Afrodine eram conhecidos de longa data da Desirée. A mulher sendo amiga pessoal da Suprema, ele, porém, era menos amigável.

A morena passou pelos seguranças da boate e foi para o cômodo que seu irmão estava. Cerca de cinco mulheres bebiam com ele.

— A Desirée pede ajuda para encontrar o Bracelete do Rio Nilo e o vagabundo fica ganhando dinheiro à custa de vaginas.

— Boa noite pra você tambêm, irmã. Meninas, infelizmente o Eros-senpai vai ter que dispensá-las.

As japonesas foram embora, deixando os irmãos a sós.

— As forças inimigas começaram a atacar. Duas semanas atrás houve um ataque ao presidente americano, a filha dele quase morreu com o ataque da Lilith e eu temo que os caçadores de bruxas estão por trás disso — sentou-se no divã.

— Calma, maninha do meu coração — ostentava um terno todo preto. Eros era extremamente narcisista por causa da sua beleza ímpar e do seu poder de controlar as humanas.

— Conseguiu algo?

— Sim — pegou uma foto de um templo xintoísta. — O bracelete está aqui.

— E por que você não foi só?

— Aí é que está o problema — balançou seus cabelos loiros. — Existe um guardião assombrado neste lugar. O templo é abandonado. Eu fui lá, mas um monstro chamado Ushi Oni é mais forte do que eu.

— Eu já ouvi falar dele. É difícil de engolir que os japoneses simplesmente invocaram um demônio para proteger um templo religioso... Eros? — uma mulher fazia sexo oral nele bem ao lado da irmã. — Ahhh! Como esse pervertido... peraí, eu também sou perva. Mas como surgiu essa mulher aqui do meu lado, gente?

...

STRELTH, REINO DE GOA, GAIA

Gaia era o planeta habitado pelas criaturas não humanas ou popularmente conhecidas como humanos não-naturais. Diferente da Terra, Gaia era dividida em oito reinos principais.

REINO DE GOA: LIDERADO PELOS ORCS E ANTROPOMÓRFICOS;

REINO DE PATMOS: LIDERADO PELOS GIGANTES;

REINO DE WINCHESTER: LIDERADO PELAS BRUXAS, MAGOS E FEITICEIROS;

REINO DE VIRIZION: LIDERADO POR FADAS, GNOMOS E CRIATURAS DA FLORESTA;

REINO DE ARMAGEDDON: LIDERADO POR VAMPIROS, DEMÔNIOS DESERTORES E OUTRAS CRIATURAS QUE SAÍRAM DO SUBMUNDO;

REINO DE ATLANTIS: LIDERADO POR SEREIAS, TRITÕES E CRIATURAS AQUÁTICAS;

REINO DE SAINT GEORGE: LIDERADO POR DRAGÕES, REPTILIANOS E DRACONIANOS;

REINO DE NETHERLAND: LIDERADO PELOS ELFOS.

A Condessa, atual governante de todo o planeta, unificou seis reinos em um império. Apenas Atlantis e Saint George lutaram para se manterem independentes. Netherland era o nome do antigo reino dos elfos, mas que agora era a capital mundial e lar da Condessa.

Mesmo com a sua liderança inabalável, a megera conseguiu miríades de inimigos pelo mundo todo. Algumas cidades se tornaram refúgios para quem escapou do seu governo. Orcs, antros, até mesmo bruxas que se recusaram a ir para a Terra moravam nesses santuários. E como não eram ajudados pelo governo, tais cidades eram pobres, misturavam tecnologia com antiguidade. O visual steampunk dominava as periferias do mundo.

Joanna Bates seguia o misterioso Luuk para a entrada da cidade. Uma carruagem a vapor passou ao seu lado com o chocheiro com cara de buldogue. As pessoas caminhavam normalmente pelas calçadas sujas.

— Me dá uma moeda, senhorita. — O pedinte era um velho magro e pálido.

Luuk puxou a garota pelo braço e alertou que aquele homem era um vampiro e que costumava, na mocidade, atacar jovens bonitas e indefesas. Bates se irritou, afirmando que não era indefesa.

— Onde estou? Quem são essas pessoas?

Ao passar o arco do triunfo de ferro, ela viu dezenas de criaturas caminhando para lá e para cá. Era uma feira das sobras da comida de Netherland, e muitos orcs aproveitavam as ofertas.

— Não fique com medo, senhorita. A maioria são feios, mas são inofensivos. Atualmente seus inimigos são mais normais do que você imagina.

Eles passaram pelas pessoas e foram para um beco onde havia uma única porta no final. A filha do presidente parou e cruzou os braços. Sua irritação foi Luuk nunca explicar o porquê de levá-la a um lugar como aquele.

— Não confia em mim?

— Não quero entrar na casa de uma pessoa que desconheço.

— Tudo bem. Eu te acertei na nuca no ginásio da escola e assim salvá-la das bruxas malignas de Lilith.

Ela riu da cara dele. Nunca imaginou que o rapaz inventaria uma história tão absurda quanto aquela. Ele ficou sério e disse à moça para rir o quanto quisesse, mas que Strealth foi prova de que existiam criaturas além dos humanos. Ele destrancou e entrou na casa.

— Espera — ela desceu um lance de escadas e acabaram num tipo de porão que servia de casa improvisada.

— Não repara a humildade de onde eu moro. É que eu aluguei recentemente.

Havia três cômodos: banheiro, sala e uma cozinha. Luuk dormia num sofá-cama, além de ter uma televisão de 14 polegadas na sala.

— Não sou dessas patricinhas. Fique tranquilo. Agora me fala a verdade.

Ele pegou uma jarra de leite da geladeira, ofereceu à Joanna e ficou com outro copo

— Você é a escolhida para liderar um exército de milhares contra a tirania da Condessa.

— Verdade?!

— Mentira — ela caiu no chão. — Na verdade você faz parte de um clã do reino de Winchester, o reino das bruxas. Com o seu potencial você pode se tornar uma bruxa poderosa, por isso Lilith, a bruxa demoníaca, queria tanto te matar.

Ela se levantou do sofá e ficou andando para lá e para cá. Não sabia se acreditava ou não nas palavras dele.

— Estou com fome e preciso de um banho.

— Melhor mesmo. Ficarmos molhados pode ser ruim para nossa saúde. Vou sair por dez minutos e é tempo de tomar um banho rápido. Ficarei aqui fora esperando.

Dez minutos depois, Joanna abriu a porta e disse que havia acabado. Luuk fez o mesmo e colocou a moça para fora. Dez minutos, o infante estava com uma roupa parecida com uma farda da Alemanha do século XX.

— Uma espada de verdade — ela tocou a arma pendurada na parede. Luuk pegou o objeto e colocou pendurado na cintura. — Você é espadachim?

— Sou humano comum, por isso treinei para ficar mais forte.

Ambos foram para um restaurante da cidade. O ambiente era frequentado por criaturas diferentes, principalmente os orcs.

— O que vai querer, senhor? — perguntou o barman que era um orc baixinho e gordo.

— Quero hambúrguer, batata frita, suco de acerola. Pede o seu.

— O mesmo que ele.

— Podem se sentar à mesa 3. O pedido sai em alguns minutos.

Ela agradeceu e foi para uma mesa no canto, perto da parede. Luuk pediu para a moça aguardar sozinha enquanto ia no banheiro.

— Tudo bem.

O jovem infante esqueceu de fazer xixi em casa, por isso o aperto no restaurante.

Três orcs entraram no restaurante e iniciaram uma baderna no estabelecimento. O dono pediu que eles fossem embora e deixassem os clientes em paz. No entanto, o dono foi jogado para fora.

— Quem vocês pensam que são! — esbravejou Joanna.

O trio olhou para a moça e cogitaram violentá-la sexualmente. Joanna se arrependeu de ter provocado os monstros, andou para trás e caiu.

Luuk abriu o zíper da calça e fez no mictório.

— O que uma humana faz por esta bandas? E ela é bonita.

— Chefe, o senhor precisa saber como é trepar com ela.

— Chefe, se quiser eu como o cu dela enquanto o senhor arregaça a bocetinha dela. Yayayayahaha.

— Olá, senhorita.

Aqueles orcs, além de serem feios, fedorentos, gordos e nojentos, eram bocas sujas. A combinação mais horrível que uma garota de 18 anos poderia suportar.

Lavando as mãos, Luuk ouviu um grito feminino e saiu do banheiro. Deu de cara com o líder do bando tentando arrancar a calça da sua protegida.

...

ESCOLA PARA JOVENS BRUXOS

Cordelia foi apresentada para cada um dos estudantes da escola. Eram cerca de quinze alunos, com dez meninas e cinco meninos. Todos eram bruxos, oriundos de alguns lugares do planeta.

— Muita gente fugiu de Gaia e formou famílias mundo afora. Por isso muitas bruxas não sabem ainda que são bruxas — disse Desirée.

A novata cumprimentou seus colegas um por um. A futura colega de quarto era uma bruxa com síndrome de Asperger.

— Esta é Violet, minha xodozinha.

— Muito... prazer.

A loira fez cara de quem não gostou. Ter que dividir um quarto com uma autista era um problema sério para a dondoca.

O quarto ficava na parte superior da mansão, perto da escada.

— Olha, garota, não me leve a mal, mas eu não suporto mongolóides. Não vou fingir aqui e pagar de amiga, porque isso não cola. Portanto, se vai surtar, surta pra lá. — Violet não deu ouvidos e ficou mexendo na mala da patricinha. — Oi? Não mexe no meu estojo de maquiagens! Puta merda.

Desceu imediatamente para pedir que Desirée trocasse Violet por outra companheira de quarto. Ao entrar no escritório viu a professora Donzel sentada no colo de Desirée e a beijando na boca. A dondoca ficou envergonhada e pediu por atenção.

— Pode parecer estranho, mas eu não sou lésbica — afirmou a diretora sentando na cadeira e colocando os pés sobre a mesa. — Acontece que eu vivi tanto que já peguei todo tipo de coisa que tem vida.

— Inclusive as que não têm. Lembra quando você transou com aquele Rolls-Royce do John Lennon?

— Bons tempos. A propósito, qual o seu problema?

— Quero que me tire daquele quarto!

— Não posso. Estão todos cheios.

— Então tira aquela maluca de lá! Ela fica mexendo nas minhas coisas sem pedir. Eu tento conversar, pedir para parar, só que ela me ignora.

— Cordelia, deveria ter mais paciência. Violet é uma garota especial. Possui autismo. Ela sempre dormia sozinha, mas agora tem uma companheira de quarto.

Bateu com as duas mãos sobre a mesa e encarou a Suprema.

— Não quero saber dos dramas da louca. Quero que tire ela de lá agora!

— Espera um pouco, garota, você devia ter mais respeito com Violet. Ela está há três anos aqui e é como da família — repreendeu Donzel.

A Suprema sentiu um calafrio, pediu para as duas ficarem em silêncio e abriu a janela. Uma presença maligna acabou de entrar no vilarejo de Salém e se aproximava cada vez mais.

— Aonde vai? E meu problema?

— Resolva com a professora Lavínia. Tenho que sair — pegou seu chapéu de cowgirl e saiu da escola a pé.

Os bruxos do vilarejo foram derrotados um por um pelos poderes de Lilith Montserrat. A diabólica bruxa adentrou pela rua principal, encontrando Desirée pelo caminho.

— Mais um passo e eu juro que te mato. O que você quer fazer aqui?

— Conversar com a minha priminha — ela usava um vestido preto provocante.

— O que tem para falar, fale aqui mesmo. Não quero me envolver com gente da sua laia.

— Calma, priminha. Está tão aborrecida por quê?

— Você sabe. Sabe muito bem os motivos de eu sempre estar contra qualquer coisa que você faz. Esqueceu?

A morena riu da cara da Suprema, pois foi algo que aconteceu há tanto tempo. Desirée nunca perdoou a prima.

— Os humanos precisavam pagar, priminha.

— Os que mataram nossos pais sim, mas havia se passado 30 anos, e você não poupou nem mesmo as crianças.

SALÉM, 1725

Em 1725, corpos de animais, crianças e idosos apareceram pelo condado de Essex. Lilith matava suas vítimas a sangue frio e dava como sacrifício ao Diabo para dar-lhe poderes além dos poderes de bruxa da cura.

Nesse ínterim, Desirée foi adotada sozinha por uma família caridosa. Naquele ano, todos foram mortos por Lilith.

Em 1756, Desirée adolescente vai embora de Salém e tentou formar uma família, ajudando crianças carentes e órfãos nas colônias britânicas. Como anteriormente, as crianças foram mortas.

Em 1792, um século após a morte do seu povo, Desirée se casou com um artista britânico. Nesse período as colônias viraram os Estados Unidos da América. Seria o período de renovação, mas cinco anos depois seu marido foi chamado para a Inglaterra a fim de combater numa pequena guerra por lá. Desirée descobriu que Lilith estava por trás disso.

— Chega, Lilith. Se acontecer mais outra vez de um ente querido morrer por suas mãos, juro que eu mesma te mato.

— Prima, você devia ter seguido os meus passos para a vingança contra a raça humana.

— A vingança que desejo é exclusivamente para a maldita da Condessa! Por culpa dela todos foram expulsos do reino.

E foi assim que a inimizade histórica das duas primas iniciou. Desirée gastou muito do seu tempo para ajudar pessoas, enquanto Lilith se envolvia nos conflitos políticos do mundo. Ela se gabava de ter convencido Harry Truman a lançar as duas bombas no Japão.

— Isso faz muito tempo! Eu me aposentei disso... e nem me lembrava mais.

— Então o que você quer aqui?

— Vim para avisar que eu também virei para a convenção das bruxas. E ai daquele bruxo ou bruxa que me impedir. Também dizer que a filha do presidente sumiu repentinamente com uma pessoa desconhecida e recentemente descobri que estão em Gaia. Você sabia disso?

Como Lilith imaginava, a prima mais nova desconheceu a informação.

Violet mexia no estojo de maquiagem quando uma sombra apareceu na entrada do quarto. Cordelia foi a única a subir para o andar superior quando viu um espectro entrar no quarto. Ao olhar o que havia entrado, testemunhou um homem enorme, com cabeça de bode, estuprando Violet. No começo apenas ficou com medo, mas logo sorriu, pensando que aquele era o único jeito de se livrar da menina.

Crisantemo sentiu a energia maligna quando lia um livro no jardim da escola. Viu um corpo rolar pela escada.

— Violet! — ao acudir a moça, viu muito sangue.

Os outros alunos correram para fora da escola. Donzel e Crisantemo enfrentaram Belchior, mas este desapareceu na parede.

Desirée sentiu o perigo e deixou Lilith sozinha no meio da rua. Chegou na escola, viu Violet morta e com bastante hemorragia.

— Quem fez isso?

— Um demônio. Alguém o trouxe para cá enquanto você estava fora.

A Suprema sentiu a apresença do monstro e foi até ele pessoalmente. Desceu as escadas do porão e viu os dois olhos vermelhos na sombra.

Lilith não perdeu a oportunidade de ir ao cyber café do vilarejo para tomar o famoso capuccino do local. O antendente era um elfo.

Um objeto foi lançado da rua, quebrou a vidraça do estabelecimento e rolou perto de onde Lilith estava. A cabeça decepada de Belchior. A bruxa maligna apenas sorriu e continuou a beber.

...

AOKIGAHARA, JAPÃO

Na floresta dos suicidas, um templo xintoísta foi abandonado por causa das supostas aparições de espíritos das pessoas que morreram de suicídio. O Bracelete do Nilo aparentemente estava dentro do templo.

Para fácil compreensão: existem 3 objetos construídos por bruxos no passado. O Anel de Nibelungo foi criado por bruxos da Escandinávia. O Bracelete do Nilo foi criado por magos do antigo Egito. O Cetro do Olimpo foi criado por bruxas gregas. Todos foram construídos em épocas antes do governo da Condessa quando as criaturas de Gaia passava pelos dois mundos livremente.

Eros fez um rápido aquecimento. Afrodine tentou entrar no templo, mas Ushi Oni impediu. O monstro com o corpo de aranha e cabeça de touro surgiu de dentro de um vaso de ouro na entrada.

— Eu disse que não seria fácil.

— Cala a boca e me ajuda.

Os dois irmãos eram fortes o suficente para subjugarem o monstro. O íncubo teve o estômago perfurado por um dos tentáculos da criatura, dando oportunidade para a irmã entrar e pegar o objeto.

— Peguei.

Eros se recuperou da ferida, utilizou uma faca para cortar Ushi Oni em vários pedaços.

Depois da luta...

— Meu terno está todo rasgado. Nunca mais enfrentei uma criatura tão forte.

— O problema é que ele não foi invocado pelos japoneses.

— Como?

— Quando entrei, vi papéis escritos no idioma de Netherland. Isso quer dizer que a Condessa estava interessada neste objeto. Melhor voltarmos pra Salém.

...

NETHERLAND, A CAPITAL DE GAIA

A ilha cheia de prédios era o lugar mais rico do planeta. Sede do atual governo liderado pela Condessa. As pessoas se vestiam como humanos no século XIX, mas havia carros, tecnologia de ponta, contrastando com as vestimentas conservadoras dos habitantes.

Trombetas soaram, avisando a todos os habitantes para que parassem quaisquer atividades para ver a governadora anunciar a execução de desertores.

Um castelo da idade média era o contraste no meio da tecnologia. Da sacada surgiu a figura da Condessa.

Soldados elfos pegaram prisioneiros ou escravos e iniciaram uma sessão sangrenta de empalamento. As estacas eram enfiadas no ânus de cada um e estocadas até que saíssem pela boca. O sangue e fezes derramavam pelo chão da ágora que ficava na frente do castelo.

A população assistia as torturas aterrorizantes. Nenhum habitante sequer cogitava se rebelar contra a Condessa.

STREALTH

As torturas apareciam também nas TVs dos habitantes dessa cidade. Os únicos, porém, que não se preocupavam com isso eram Luuk e Joanna.

— Dói — resmungou quando Luuk passou o algodão na sua sobrancelha. Os orcs haviam agredido fisicamente no seu rosto.

— Se se mexer demais não vou conseguir terminar e vai doer mais ainda. Pronto.

— Obrigada. Obrigada por tudo e por ser tão gentil.

— Acho que é a primeira vez que você me agradece por ter te salvado. Melhor descansar.

— Luuk, é sério, você é o primeiro cara legal que eu conheci. Já namorei dois meninos e cada um deles me traiu. O pior que sou a filha do presidente e todos os holofotes estão sobre mim.

O loiro deu um beijo na testa da moça e pediu que ela dormisse bem. Joanna sentiu algo intenso pela primeira vez perto do seu salvador.

...

Quando Violet foi assassinada por Belchior, Cordelia sentiu-se livre por ter o quarto só para si. Ficou deitada na cama, ouvindo itunes quando uma das alunas a chamou.

Desirée fez uma cerimônia fúnebre para Violet. O corpo da moça ficou sobre uma mesa de madeira enquanto o caixão não vinha. Crisantemo embalsamou o seu corpo e vestiu num lindo vestido branco.

— Afrodine e Eros ligaram. Estão trazendo o bracelete.

— Donzel, não posso me ausentar por tanto tempo desta escola. Houve uma época em que passei anos sem pisar aqui, mas ultimamente nossos inimigos estão implacáveis. Ir atrás do cetro vai ser inviável para mim.

— O que pretende?

A patricinha ficou entediada com a cerimônia. Bocejou e colocou o fone nas orelhas.

— Aquela gata pentelhuda é de um desrespeito atroz.

— Calma, Donzel. Eu tive até uma ideia. Já sei quem vai me ajudar na busca do cetro antes que caia nas mãos erradas.

Desirée pediu para conversar com Cordelia em sua sala a portas fechadas.

— Pra que esse mistério?

— Eu ainda te acho uma péssima pessoa, garota. No entanto, preciso que você interaja mais com seus iguais. Se a morte de Violet não te emocionou, talvez visitar seu povo a faça ficar melhor.

— Ai, fala logo, Desi.

— A ilha com as pessoas da sua raça... pensei muito e vou levá-la junto. Mas é o seguinte, aquelas pessoas são humildes, foram atacadas recentemente por piratas, portanto estão desconfiadas. Mesmo que você seja da mesma raça que elas, não é garantia, pois o pirata era um lobo branco.

— Entendi. Preciso ser boazinha com os jecas... quer dizer, com o povo dessa ilha.

— E também há um guardião naquele lugar. Um homem lobo — Cordelia imaginou um feroz lobisomem.

— Tomara que ele não me coma.

— Younnan? Imagina. Aquele meu afilhado é mais gentil que uma flor. Agora que vai ser pai, está mais molenga do que antes.

— Younnan? Que nome ridículo.

— Fui eu que dei a ele. Mais respeito!

No Atlântico Sul, numa remota ilha chamada Tristão da Cunha, um povo popularmente chamado freaks vivia isolado. Dentre eles um homem, um guardião, um lobo. Younnan Russell era a aposta de Desirée para a missão de procurar o Cetro do Olimpo.

Notas finais
Essa Cordelia... ai ai. Pra conhecer mais os irmãos Eros e Afrodine: https://fanfiction.com.br/historia/746008/Um_Aluno_de_Sorte/