Salém
20 Amor ou Poder! A Luz do sacrifício envolve Gaia
Notas iniciais
O satélite de monitoramento russo detectou a estranha movimentação numa base militar americana ao norte do Alaska. Imediatamente a notícia chegou aos ouvidos dos generais e do ministro da defesa russo. Este avisou ao presidente sobre a ameaça nuclear evidente, além de pedir explicações ao embaixador dos EUA em Moscou.
A maior das preocupações estava para se concretizar. Os russos até acreditariam que um "hacker" era oculpado de mexer nos mísseis nucleares, no entanto eles se prepararam para o revide. Cerca de cinquenta mísseis interceptadores e outros nucleares ficaram apontados para a América do Norte.
O congresso americano quis respostas imediatas sobre o ocorrido.
O Air Force One sobrevoava o Arizona com a presidente e a sua família. Os acessores da presidente estranharam a estranha viagem da comandante suprema para uma instalação militar. Logo associaram ao caso dos mísseis prestes a serem lançados na Rússia. Belinda explicou aos congressistas que havia recebido uma notificação do Pentágono sobre os mísseis, por isso a saída de Washington. A explicação pouco convenceu os políticos, incluindo do próprio partido.
O avião azul pousou na base secreta e assim todos ali se protegeram no bunker.
...
CASTELO DE WINCHESTER
WILHELM, WINCHESTER
Os convidados do jantar de gala correram para fora das portas do castelo depois que as bruxas invadiram. Foram dezenas aos atropelos assim que Desirée revelou-se.
— Daquela distância até um leão morreria. Diga-me, como sobreviveu?
— Isso quer dizer que sou mais forte do que uma leoa. Pois bem, não darei a explicação exata, apenas saiba que sobrevivi e estou aqui para destroná-la definitivamente.
O semblante de Abigail ficou o mais impassível mesmo vendo a chave roubada de suas mãos. Ela sempre demonstrou estar um passo à frente de todos, e não será diferente agora.
— Leoa? Está mais para um verme... aqueles que a gente corta no meio e nascem dois. Destronar a mim?
Lucie deu uma risadinha. Confessou para a irmã sobre a ilha Walking e o selo ter sido destruído.
— Nunca pensei que as bruxas conseguiriam destruir o selo. E agora?
Ela olhou bem para o Lucie e riu. Explicou que naquele momento nada poderia ser feito, mas que era tarde demais para as bruxas se rebelarem.
— Elas roubaram a chave.
— Que chave?
— Uau! A chave! — Afrodine viu o objeto virar areia na sua mão.
— Esta chave? — Mostrou em sua mão. — Eu fiz cópias autênticas com magia. Não adianta me roubar uma ou duas. Possuo mais de duzentas cópias de chaves.
Puxando a espada da sua cintura, Desirée chamou a condessa para um confronto direto. Passaram-se tantos anos, ela sempre evitou enfrentar a megera, mas agora era diferente.
— Pelos meus pais, pelo vilarejo de Salém que foi destruído, pelo meu clã queimado na fogueira, por Gaia, juro que verei você morrendo. Eu te desafio, Condessa!
Os guardas invadirem o castelo. Younnan, Scar e os elfos guerreiros deram cobertura ao trio de mulheres.
— Vai lá, madrinha.
— Obrigada, pessoal. Chegou a hora do acerto de contas.
A Suprema voou pra cima da Condessa. As duas utilizaram magia e assim se enfrentaram. Já Lilith tinha apenas uma meta: destruir Lucie definitivamente. Ele desceu os poucos degraus do altar e se aproximou dela.
— Mamãezinha... — um arranhão apareceu em seu rosto depois de um rápido movimento da bruxa. O ferimento cicatrizou quase instantaneamente. — Nem deixou eu me explicar. Quanta agressividade.
— Por minhas filhas que foram sacrificadas, por Sky morto, juro que te levarei para o inferno.
— É?
O imperador mudou de forma, transformando-se em um poderoso dragão negro. Logo Lilith foi jogada para fora do castelo e a frente foi totalmente destruída pelo monstro.
— Melhor fugirem — avisou ela para Scar e Younnan. Não era para menos já que um dragão de quinze metros cuspia fogo contra eles.
Nesse ínterim, Younnan virou lobo humano e dilacerou os soldados. Scar cortava os seus oponentes com a espada. Desirée, porém, sequer chegou perto da imperatriz.
— Você! Segure esta maleta um momento — entregou a um soldado.
Os olhos da condessa ficaram brancos, seus cabelos mexiam como serpentes e veias negras eram visíveis no seu rosto.
— Essa é a minha aparência quando estou com raiva e pretendo lutar a sério.
— Ou seja, vai vir com tudo pra cima?
Afrodine ajudava os rapazes a acabar com cada um dos soldados. Sônia deu um chute nas costas dela, fazendo a súcubo cair sobre um dos elfos.
— Olha quem resolveu dar as caras neste lugar. Pensei que o soco que eu dei fora suficiente, mas já vi que estava enganada.
— SÔNIA! A NOSSA DEUSA VAI NOS SALVAR! — gritaram os soldados se aglomerando ao redor dela e praticamente beijando os seus pés.
— É, temos contas a acertar. Só não estou mais com raiva por causa do... o meu cheque? Onde está?
Os soldados colocaram Sônia no chão. Logo a ministra retirou a parte de cima do uniforme, revelando o espartilho preto. A máscara de tiazinha no rosto e um chicote de BDSM surgiu em suas mãos.
— Que merda é essa?
— OH OH OH. Eu já te disse que sou a mais pervertida de todas e darei a minha prova — tentou chicotear Afrodine, mas esta esquivou. O chicote afundou o chão.
— Caramba.
— Vamos nos divertir.
Longe do castelo, Lilith era atingida pela cauda de Lucie. Caiu sobre um telhado de uma casa. Os moradores correram temerosos pelas suas vidas. O dragão cuspiu fogo, a casa explodiu. A bruxa parecia em um momento delicado.
Scar acertou Sniper e assim salvou Luuk e Joanna.
— Vamos, gente. Precisamos cair fora do castelo logo.
Os três correram pelo corredor. Empregados e outros trabalhadores sem serem soldados também fugiram.
Desirée caiu perto do altar do trono pela força da sua rival. Seus poderes ainda não eram suficientes para um embate contra Abigail rejuvenescida. A condessa apareceu imponente com o seu vestido branco longo contrastando com a sua aura negra ao redor do corpo.
— Como sempre é muito poderosa.
— Estou tão decepcionada com você, Desirée. Permiti todos esses anos que você pudesse acolher aquelas bruxas idiotas em Salém, e eu só ordenei que não se metesse nos meus assuntos. Você acolheu Liù naquela escola, casou ela com o William, e agora usa a Joanna para alcançar o seu objetivo.
— Não uso ninguém, Constance. Todos que estão aqui vieram por uma única razão.
— A que preço? Muitas pessoas morreram durante o processo. Vocês deviam ter aproveitado a vida, viajando, postando fotos nas redes sociais, namorando.
— Que piada. Tudo acabaria com o seu plano nuclear, não é?
O soldado que segurava a maleta ofereceu o pequeno baú com a pistola de antes. Ela segurou a arma e apontou para a suprema. Num movimento rápido, ela apontou para o lado e atirou. Joanna gritou desesperadamente ao ver Luuk levar um tiro no coração.
— FILHO!!! — gritou Desirée.
— Aguenta firme — implorou Joanna.
— Ele correu na frente ao escutar a sua voz e... — explicava Scar.
Luuk não respondia aos apelos das mulheres ao seu redor. Condessa ria ao ver o sofrimento alheio.
— Balas novas, comprei hoje. Desirée, pensou que me enganaria novamente com aquele truque barato? Eu sei da magia negra que faz outra pessoa ser ferida no seu lugar. Outrora Luuk fingiu matar Joanna, depois aquelas balas não fizeram efeito em você. Mas agora é diferente. A bala que o atingiu comprei hoje.
Foram poucos segundos até o jovem Montgomery morrer nos braços da amada. Sua mãe chorou depois de tantos anos sem derramar uma lágrima e se levantou disposta a matar Constance.
— Desirée...
— Scar, tire Joanna daqui.
— Acho que não vai dar.
O som de batidas profundas do coração de Joanna foi ouvido por todos no recinto. O ar ao redor da moça ficou gelado.
— Começou o ressurgimento de Liluk — explicou Abigail.
Ainda segurando Luuk, ela destruiu todos os selos do seu corpo e libertando a besta Liluk. Sua alma foi posta de lado e o demônio gelado tomou conta. Um vendaval gélido pegou todos de surpresa.
— Vamos sair daqui — disse Scar, puxando a suprema.
Todos saíram do castelo. Joanna permaneceu. Uma onda de choque arrastou todos, exceto a condessa, que protegeu-se com o bracelete. O vento logo atingiu as casas, arrastou pessoas e objetos. Uma rachadura surgiu no chão ao redor do castelo.
— Quanto poder. Como eu nunca soube disso? — indagou Desirée incrédula.
A rachadura ficou cada vez maior, arrancando o terreno em torno do castelo. O poder avassalador de Joanna possuída pela besta foi tamanho que arrancou o castelo e o levantou no ar. Aquilo realmente assustou a bruxa suprema, pois nunca e nem mesmo a condessa teria esse tipo de poder. Logo a neve caiu em Wilhelm e por fim uma nevasca sobrenatural — fruto do poder de Liluk.
— Droga. Aquela garota está causando muito estrago — Lilith foi atingida pela cauda do dragão e parou longe.
Lucie retornou à forma humana e voou para perto da irmã.
— Esse é o poder da besta que você tanto disse?
— Sim. Mas eu só descobri que ela era o receptáculo do monstro quando fui para o submundo e nosso pai me revelou. Parece que o destino quis que eu me aproximasse dessa garota como mãe adotiva.
Milhares de moradores correram para longe do centro da cidade onde ficava o epicentro da luta. Dentro do castelo, Joanna permanecia com os olhos brancos, pele azulada e irradiando mais e mais poder enquanto segurava o corpo de Luuk. Naquele momento ela não tinha consciência humana, mas por um fato desconhecido continuou perto do amado.
— O quê? É loucura chegar perto desse jeito. Ela pode te matar — falou Younnan.
— É o único jeito de salvar Joanna. Este cetro pode levá-la para a morte ou mudar o nosso destino.
A neve subiu dois metros em toda a cidade. Na sequência o ar ficou rarefeito, muitos moradores desmaiaram. E por fim a gravidade ficou zero. Milhares de pessoas flutuaram.
Afrodine teve o pescoço envolvido pelo chicote de Sônia. As duas continuavam a lutar mesmo com a ameaça de Joanna.
— Preciso ir agora.
Voando para o céu, Desirée entrou no castelo e viu Joanna completamente indiferente. Tentou se aproximar, porém um vento gelado a impediu.
— Joanna, deixe-me falar contigo.
O cetro mágico brilhou, aumentando de tamanho. Permitiu Desirée aguentar um pouco mais e se aproximar da moça.
— Aquela mulher entrou no castelo. O que vai fazer? O CETRO!
— O que tem o cetro, Abi?
Os dois irmãos sobrevoavam próximo o castelo.
O vento era praticamente na temperatura do zero absoluto. Desirée começou a fraquejar quando tocou com o cetro na cabeça de Joanna. Imediatamente o objeto saiu da mão dela e formou um vórtex poderoso que mais parecia um buraco negro.
— O bracelete! O anel! — exclamou condessa ao perceber que os dois objetos saíram de sua mão e foram sugados.
O vórtex puxou Joanna, Luuk e alguns objetos na sala. Em poucos segundos Desirée não viu mais ninguém, pois o cetro havia engolido os dois. Talvez o vórtex tenha levado a moça para a morte ou para um outro lugar.
O castelo e as pessoas despencaram do céu. Com a ausência da causadora daquilo tudo, a gravidade voltou ao normal. Os cidadãos caíram na neve fofa, mas alguns morreram ou se feriram gravemente caindo nos telhados ou em superfícies duras.
— Acabou? — indagou-se Desirée.
...
Os olhos da moça abriram, mas a sua visão ainda era turva. Levantou-se de algo que parecia uma cama aconchegante, um quarto simples e uma janela com a luz solar a entrar no recinto. Certamente a garota não se lembrava da sua transformação na besta, apenas no ocorrido antes disso: a morte de Luuk. No mesmo instante se levantou, chamou pelo namorado e segurou o trinco da porta. Uma mulher entrou.
— Ah, acordou mais cedo do que pensava. Como está?
— Quem é você? Onde estou?
— Imaginei que perguntaria isso. Venha cá. Olhe para fora da janela — as duas viram um grande campo verde com muitas flores e pessoas brincando. — Aqui é o paraíso, Éden, Elísio ou qualquer outra denominação religiosa para esse lugar. Aqui vivem os espíritos bondosos depois que morrem.
Joanna tentou identificar as almas, contudo elas não tinham silhueta, eram pessoas totalmente brancas. A mulher misteriosa explicou que o motivo dela não ver os mortos era porque não estava morta.
— Esta casa faz parte do purgatório. Pessoas que nem vão para o céu ou inferno são mandadas aqui. Oh! Não se preocupe, o cetro mágico te sugou para esta dimensão, mas continua viva.
— Luuk?
Ela pegou Joanna pelo braço e a levou para fora do quarto. O ambiente fora assemelhava-se a Wilhelm séculos atrás.
— Voltamos?
— Não, isso é uma ilusão. Quero que conheça a história do seu povo e da sua família.
O lugar mudou de forma e apareceu a destruição de Liluk pela besta, os anciãos, a fundação de Winchester, o clã Winchester e o seu passado com a marca da besta, a ascenção de Regullus, avô de Joanna, o nascimento de Liùseidh, a aparição de Abigail, o golpe de estado, a ascenção da Condessa, o sofrimento do clã Montgomery, o selo de Netherland, a retirada do selo na Terra, a ida de Liùseidh para Salém, conhece William Bates, os dois se casam e nasce Joanna...
— Essa mulher é a minha mãe. Você?
Liùseidh assentiu. Pediu que ela continuasse vendo as ilusões. Condessa matando-a, mudando as memórias de William, casando e tomando a família da sua antiga rival. Preparou terreno para fazê-lo presidente dos Estados Unidos, mandou Sniper matá-lo e todas as cenas até quando ela virou Liluk recentementemente. Por fim apareceu uma cena final: Joanna conhecendo Luuk pela primeira vez na escola do Mississipi.
— Venha.
Liù andou por uma sala totalmente escura e apareceu o corpo de Luuk deitado numa estrutura de mármore. O lugar clareou, revelando ser uma cripta.
— Ele está morto?
— Sim, a sua alma está pronta para ir em paz — uma imagem surgiu num chafariz de pedra calcária. A alma de Luuk antes de entrar para o portão do paraíso.
— Ele... ele não pode ir!
— Você quer tê-lo de volta?
— Sim.
— Você tem duas escolhas. A primeira é passar por aquela porta esquerda e voltar no tempo antes da Condessa dar o golpe de Estado. Se escolher essa opção, será a bruxa mais poderosa de Gaia e será venerada por toda a eternidade. Até mesmo os governos da Terra reconhecerão a sua soberania e o terror causado por Condessa não existirá.
— Poder? — Ela se viu na imagem liderando um exército de milhares. A rainha Joanna.
— Mas as pessoas que você conheceu não existirão. A sua vida como você conhece hoje não existirá, apesar de se lembrar. Você será a única que se lembrará da sua vida passada. A porta da direita vai te levar direto para Wilhelm, no exato momento que saiu, onde a Condessa está. O seu namorado vai ressuscitar.
— Mas?
— Todos os seus poderes serão extinguidos. Não só a sua condição de receptáculo da besta, mas a sua bruxaria. Será totalmente humana.
A escolha não era fácil. Joanna passou meses para aprimorar os poderes com Dai Kaminari.
— Filha, pense bem. O cetro deu uma chance em um milhão de continuar viva. Escolher a porta esquerda é a escolha mais inteligente, porque a direita não vai dar garantia de que ganharão aquela guerra.
— Mas o Luuk nunca vai existir. Não posso escolher a esquerda.
— Os seus poderes! A sua vida como soberana de Winchester. A destruição da Condessa!
— Estou triste pois perderei os meus poderes, mas essa não é a minha vida. Aquilo que eu quero viver está intrínseco à minha realidade, e ela é da porta direita. Lá estão os meus amigos.
Liùseidh suspirou e deu boa sorte para a mais jovem. Pediu um abraço e logo saiu de perto da filha.
A porta da direita foi aberta e Joanna passou.
...
— Acorda! Joanna, acorda.
Ela abriu os olhos e viu o rosto de Luuk perto do seu. O rapaz não mais estava moreno. Seus cabelos voltaram a ser loiros e os olhos azulados. Imediatamente ela abraçou-o apertado.
— Estou tão feliz de ter você vivo e bem. Que foi?
— Acho que perdi os meus poderes de vampiro. Quando o meu selo saiu, fiquei moreno. Agora voltei a ser como era.
— Prefiro assim.
Só depois que perceberam a destruição do castelo e o gelo nas paredes. Intuitivamente a jovem Bates chegou à conclusão que aquilo tudo fora obra sua quando possessa.
— Vocês estão bem? Pensei que estavam mortos — disse Scar.
Os três saíram do castelo e viram o verdadeiro caos na cidade. A cena mais chocante, porém, foi Desirée caída aos pés da Condessa.
— Ela tentou e falhou. Assim como 100% das vezes em que as bruxas tentaram e falharam. Não sei como conseguiu sobreviver ao vórtex do cetro nem como trouxe esse traidor de volta do mundo dos mortos, mas sucumbirão como a Desirée.
A bruxa segurou na perna da condessa. Uma mecha do seu cabelo ficou branca, a magia de Kaminari iniciou mais cedo do que imaginava.
— Solte-me, Desirée. Bruxa tola!
— Eu nunca vou desistir do melhor para o meu país.
As duas se afastaram.
Enquanto isso, Afrodine foi jogada por cima do telhado de uma casa pelo chicote de Sônia.
— Súcubo maldita. É dura na queda.
— Claro que sou — respondeu já toda marcada pelo chicote.
Na frente do castelo, Scar levou um tiro no braço esquerdo por Sniper. O orc mais sanguinário de Gaia havia levado um golpe na cabeça, acordou, escondeu-se durante o ataque e achou uma pistola no chão.
— Esplêndido, Sniper. Só peço que mate Joanna e leve o Luuk de novo para o inferno.
— É claro, minha senhora. De joelho, os dois! Vamos!
A condessa ficou na frente de Desirée enquanto o seu ministro preparava a execução. O casal se ajoelhou perante o assassino.
— Matou o meu pai...
— Claro que matei. Foi apenas negócios. Pagaram para mim. Fui lá e puxei o gatilho. Queria que me visse hehehe. Matar o presidente da América foi uma satisfação, matar a filha dele e a besta será uma satisfação maior.
Sniper destravou a arma, encostou o cano na testa de Joanna e preparou para apertar a gatilho. Uma explosão ocorreu na torre do castelo. A caravela guiada por alguns elfos atirava. Foi o tempo suficiente para Scar pular e impedir o vilão de atirar contra Joanna. A pistola caiu longe.
— Ah, droga. Isso sempre acontece nas melhores horas. Aposto que esse era o seu planinho genial, não é, Desirée?
O dragão cuspia fogo pela cidade enquanto Lilith fugia. Num momento oportuno, a bruxa conseguiu escapar dele. Lucie voltou ao normal.
— Quanta covardia. Resolveu se esconder como uma ratazana — Lucie caminhou pelas ruas em chamas. Olhou para o céu e viu a caravela atacar o castelo.
Lilith fugiu daquela parte da cidade para voltar ao castelo. O objetivo maior era pegar a maleta nuclear e destruí-la. Um soldado perto da condessa foi golpeado por Lilith e teve o objeto roubado de suas mãos.
— Okay, vocês me deixaram irritada de verdade. Quando eu vencer a guerra, mandarei todos os meus soldados buscarem, no mundo todo, cada bruxa e simpatizante. Para cada bruxa eu pagarei um valor alto e para cada criança o dobro. Farei um festival de fogueira, todo mês mataremos dezenas de bruxas enquanto assistiremos no comes e bebes. Lilith, sua tola, juntou forças com a Desirée depois de todos esses anos?
— Não estou nem aí para ela. O meu problema é com o Lucie. Mas ele é forte demais para mim, por isso preciso desta maleta para atraí-lo.
— SUA ESTÚPIDA!!! Certo, eu te pagarei milhões se você matar Joanna e Luuk.
— Que tentador...
— E então?
— Não. Você permitiu que o crápula entrasse na minha vida, matou as minhas filhas e tenta destruir a Terra. Pensa que sou idiota?
O poder de Abigail fez com que a maleta saísse da mão de Lilith, mas Desirée segurou a tempo e entregou para a prima.
— Saia daqui, Lilith.
— Não quer ajuda? Não conseguirá bater de frente com ela com apenas um olho.
— Saia daqui. Deixe-me resolver com Abigail sozinha.
A Condessa desdenhou a determinação da Suprema, mas resolveu dar-lhe o prazer de enfrentá-la sozinha. O soldado que antes perdeu a maleta, perdeu a cabeça com um golpe de Lucie.
— Ela acabou de entrar no castelo.
— Posso simplesmente demolir com a minha telecinese.
— Nem tente. A maleta seria destruída.
Depois que Lucie entrou no castelo, Desirée pediu para Abigail segui-la. As duas voaram por Wilhelm e aterrissaram no convés da caravela. Alguns elfos apareceram, mas a bruxa pediu que todos saíssem e deixassem a sós.
— Pronto, Desirée Montgomery. Sozinhas e tão perto uma da outra. Será o máximo que conseguirá alcançar nessa sua vingança descabida. Anos em Salém, ensinando bruxas estúpidas, deixaram você louca. Talvez esperançosa, porém esperança aqui em Gaia é loucura.
Enquanto isso dentro do castelo, Sniper lutou contra Luuk e Joanna. Ele era um homem alto e muito forte, portanto nem o Luuk foi capaz de feri-lo facilmente. Joanna perdeu os poderes, no entanto continuou com o conhecimento em artes marciais aprendido no Tibet.
— A cadelinha vai atacar? Não passa de um rato feroz. Melhor ficar paradinha enquanto mato o seu namoradinho. Despeça-se dele novamente.
O orc pegou uma espada e preparou para furar o Luuk caído quando levou uma voadora no rosto por Joanna. Um filete de sangue saiu do canto de sua boca.
— É uma gata selvagem.
Ele iniciou uma luta contra a mulher. Joanna caiu no salão de dança, viu um escudo no chão e se protegeu dos golpes da lâmina.
— O que vai fazer, hã? Matei o seu papaizinho. O que pensa em fazer a respeito? Nada. Vou matá-la aqui.
A força de Sniper era tanta que conseguiu tirar o escudo dela e segurá-la pelo pescoço. Encostou-a contra a parede. Luuk pegou a espada e enfiou nas suas costas. Sniper se virou e deu um soco no rosto dele, pegou a espada ensanguentada e cortou a coxa do rapaz. O sangue vazou pela artéria da perna enquanto o dono urrava de dor. Joanna pulou nas costas do homenzarrão e mordeu-lhe a orelha e arrancando um pedaço, esguichando mais sangue. Os dois foram atingidos por uma explosão no andar superior e caíram da sacada de quinze metros — o salão de dança ficava sobre o salão do trono. Ela caiu sobre ele.
— Puta... — praguejou ferido pela queda.
Mesmo com uma concussão e uma perna deslocada, Bates pegou uma pedra com ponta afiada e esmagou o crânio de Sniper num só golpe. Vingou a morte do pai.
...
Os bruxos apareceram em Wilhelm depois que receberam a mensagem de Scar sobre o fim do Tratado de Netherland. Muitos viviam na marginalidade em cidades satélites do reino. Algumas bruxas conseguiam utilizar poderes contra os soldados do império, mas a maioria encontrava-se em estado de subnutrição, portanto seus corpos não produziam poderes.
Nas ruas da capital, na neve e no fogo que ardia as casas, a guerra travada entre a resistência e a força militar da Condessa iniciou. Dentre essas pessoas, Afrodine e Younnan se destacaram. O rapaz por ajudar os elfos e as bruxas, na forma lobo humano, a derrotar os capangas. A mulher por lutar exclusivamente contra a última remanescente da Hunter.
— Não há como me derrotar, colega. Desista. A minha força consegui como fruto da magia negra do próprio Vodu King. E mesmo que tenha morrido, sua magia não pode ser desfeita.
O chicote de couro enrolou no pescoço da súcubo e a enforcava. Sônia deleitava-se com o sofrimento da sua oponente quando os guardas imperiais retrocederam.
— O que houve?
— Senhora, eles são muitos.
— Que vergonha. Assim vocês não me agradam. Não tolero covardes no exército. Se falam dos bruxos, que apareçam em miríades. Derrota-lo-emos com a nossa força superior.
Repentinamente centenas ou talvez milhares de bruxos surgiram. Uma grande multidão que surpreendeu a ministra da defesa. Afrodine sorriu e explicou que a queda do governo ditatorial de Gaia começou.
— Calada, vaca. O que um bando de mengigos mortos de fome farão, hã? Deviam ter continuado a comerem carniça no lixão da cidade onde moram. Mas não tem volta. Eu me encarregarei de atirar em suas cabeças amanhã pela manhã.
Os mais fracos e velhos ficaram na frente. Os guardas ameaçaram atirar.
— O quê? Essa sensação... ESPEREM! PAREM! Não usem esse tipo de magia suicida — alertou a súcubo.
Os idosos bruxos e aqueles que viviam de esperanças vagas deram as mão e fizeram uma corrente humana. Brilharam e desapareceram. Existe uma magia final que permite o bruxo ou bruxa virarem luz e morrerem de forma digna.
— Que foi isso? Olha, gente, eles viraram estrelas hohohohoho. Eram tão fracos que a única serventia era causar uma boa impressão. Lamentável vindo de uma raça inferior como as bruxas.
A ministra zombou do sacrifício dos velhos, os guardas riram. No entanto, mal sabiam que a energia entrou diretamente no corpo de Afrodine, Younnan e todos que lutavam. A partir daí a força da súcubo só aumentou a ponto de romper o chicote.
— Não ria do sacrifício alheio.
— Ficou mais forte? Vocês, atirem nela! — ordenou que os guardas fuzilassem Afrodine. Eles adormeceram, entretanto. Sônia recebeu um poderoso ataque, que rasgou as suas roupas e a deixou nua.
— Venci.
— Sua... sua pervertida. Isso não é jeito de lutar. Deixar a sua oponente nua diante de olhos masculinos...
— E todas as garotas que você traficava, hã? Pois saiba que eu sou a mais pervertida, já fiz sexo com um ciclope da ilha de Patmos.
— Isso é mentira! Os ciclopes são homens de cinco metros de altura. É impossível mesmo para uma súcubo.
— Ah é... e esta foto aqui que eu tirei no meu ménage com os gigantes?
Afrodine mostrou a fotografia para Sônia. Esta surtou e desmaiou de tanto tesão.
— Agora é com vocês, Desirée e Lilith.
...
Dentro do castelo, Lucie explodia as paredes na tentativa de encontrar Lilith escondida. Uma dessas explosões atingiu o salão de festas no andar inferior e abriu um buraco no teto.
— Apareça, Lilith. Entregue a maleta e vamos conversar. Não precisava ter unido forças com a Montgomery só porque matei aquele soldado.
O imperador de Gaia virou dragão e explodiu a torre do castelo. Em baixo, Luuk e Joanna fugiam dos escombros, mas o rapaz não aguentou correr com a perna ferida.
— Excelente — Lucie se preparou para atacar os dois quando levou um raio elétrico nas costas. A bruxa sobrevoava ainda segurando a maleta. O golpe deixou o demônio muito furioso e voou pra cima dela. Ambos foram para dentro da caravela voadora.
O impacto causou um tremor no convés durante a luta entre as supremas.
Elfos que ainda estavam na embarcação desceram e viram o buraco. Pegaram os arcos e flecharam o inimigo. Uma flecha atingiu o capacete dele, que caiu, e a outra ficou encravada no meio da sua testa.
— Fujam, idiotas!
Lucie ficou irritado. Seus olhos ficaram totalmente pretos e a pele do seu rosto ficou com escamas. Seus dentes viraram presas afiadas.
— Quando formigas resolvem beliscar um elefante — retirou a flecha e o buraco na testa fechou. — É irrelevante, mas ainda incomoda.
Usou de brutalidade para rasgar os corpos dos soldados, arrancar as suas cabeças e tirar fora seus corações. Lilith fugiu para o andar superior, mas antes quebrou a maleta.
Desirée e Abigail mediam forças quando Lilith caiu perto delas.
— O que faz aqui, Lilith?
— Boa noite pra você também, prima. Condessa, a maleta foi destruída. O seu plano de dominação mundial virou pó. Nem a besta Liluk nem o ataque nuclear.
— Maldita!
— Deixe-a comigo, irmã. Preocupe-se com a Suprema bruxa. Temos um assunto inacabado, não é, mamãezinha? Todo esse alvoroço para acabar comigo? Esqueceu que sou imortal? Terei um milênio de vida pela frente, governando Gaia. Depois pensaremos num outro plano de dominação da Terra quando todas as bruxas forem mortas e assim não restar um resquício de sua raça.
— Hahaha. Lucie, querido Lucie. Você não me conhece. Passou esses meses no estrelismo do poder. Eu não dou a mínima para o que vai acontecer ou deixar de acontecer com a raça das bruxas. Não ligo pra isso! Meu único objetivo é me vingar, e coincidentemente meu desejo de vingança seguiu simultâneo ao desejo de justiça de uma criatura que até recentemente eu odiava. Desirée, não sinto mais ódio de ti. Conviva com isso.
— O padre Scofield ficaria orgulhoso...
— Calem a boca! Esse apego entre vocês não combina. Não sou obrigada a ouvir baboseiras de duas bruxas.
— Tem razão, irmã. Na ilha dos antropomórficos elas quase se mataram. Não combina essa reconciliação. Não combina nem o fato das duas estarem vivas.
O coração de Lilith foi agarrado pelo golpe das trevas de Lucie. A mão intangível passou pelo peito da bruxa e segurou o órgão. O mesmo ataque contra Skywalker, que esmagava o coração e impedia da vítima de ressuscitar.
Desirée desviou a atenção por um segundo e foi golpeada por Condessa.
— Morra! O quê? O que está havendo? A minha mão... não quer sair.
Lilith sorriu enquanto cuspia sangue. Aquilo ofendeu o imperador, causando-lhe um acesso de fúria. Socos foram dados no rosto de Lilith, que teve o nariz quebrado e dentes comprometidos.
— Eu disse que era a minha vingança pessoal. Sabe por que não consegue tirar a mão daí? Porque deixou de ser imortal.
— Mentira! Solta!
— Sabe que o seu pedido também terá um custo pesado igual da outra. Cem anos de vida perdidos em troca da mortalidade dele — disse Dai. Lilith passou alguns minutos sozinha com ele antes de voltar ao trem.
— Tome — retirou o pingente em forma de diamante do colar
— O que é isso?
— Aqui dentro possui o sangue misturado das minhas filhas. Uma lembrança. Não é de Lucie, porém elas foram sacrificadas para que ele viesse ao mundo. Talvez ele seja afetado.
— Pode dar certo, não dou certeza.
— Quero que fique claro que dou a minha vida completa. Tudo.
Kaminari implorou para que ela voltasse atrás, mas Lilith permaneceu decidida. Trocar a imortalidade de Lucie por todos os anos restantes de sua vida.
— Eu não me arrependo de ter feito o que fiz, faria de novo. Não sou boa e nunca pretendi ser...
— Solta... solta... — Lucie tentava estrangulá-la com a outra mão.
Perto da morte, Lilith brilhou intensamente como os velhos que ajudaram Afrodine. A mesma técnica suicida.
Tanto Desirée quanto Condessa pularam da caravela.
— NÃO!
— Filhas, perdão...
A explosão destruiu a caravela, desintegrou os corpos de Lilith e Lucie e causou uma luz branca muito forte que iluminou Wilhelm e outras cidades vizinhas. A onda de choque viajou numa velocidade hipersônica, envolveu o planeta inteiro.
— O que é isso?
— Neve?
— Seu bobo. Parece pó de estrela...
Os moradores comentavam sobre uma chuva de pequenos pontos de luzes. Luuk e Joanna foram atingidos, curando a ferida dele no mesmo instante.
A energia de Lilith curou doenças, transformou desertos em florestas, matou a fome de milhares, até mesmo eliminou o fogo e a neve da cidade. Dizem que a partir desse dia, Gaia voltou a ser como era antes do império de terror da Condessa.
E enquanto a luz ainda rasgava o céu, as duas caíram no telhado de uma mansão. A mansão Montgomery, local em que nasceu e viveu Desirée na infância. Palco do confronto final.
Continua...
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