Sakura No País Dos Corações
4 Gato De Cheshire

CAPÍTULO 4: GATO DE CHESHIRE
— Já está de noite?! — Indagou surpresa encarando o céu que a um momento atrás estava limpo de estrelas.
Um bater de asas e um canto de coruja fez a rosada dar um pulo com o susto, seu corpo estremeceu ao encarar aquela floresta escura e assustadora. Estava cansada por tanto andar, havia seguido o caminho que o Chapeleiro indicou, mas parecia nunca chegar nesse tal 'castelo", por um momento começava a duvidar do belo homem,mas já que estava ali, preferia continuar. Sentia suas pernas doerem e sua garganta ainda seca, bem que poderia ter pedido um copo d'água para o Chapeleiro, foi o que pensou.
Com o cansaço falando mais alto, a moça decidiu se encostar em alguma arvore para descansar, não pensou em sentar, pois em pé seria mais rápido de escapar de qual quer coisa que se aproximasse.
Atenta a qual quer barulho e movimento estranho a rosada sentiu seu coração parar ao sentir algo leve e macio cair em frente ao seu rosto, era comprido e cheio de pelos, sentiu ele se esfregar em seu nariz fazendo cocegas e lhe dando uma leve vontade de espirrar.
Com o susto e a adrenalina do momento ela não pensou duas vezes antes de agarrar a coisa que parecia uma cobra peluda e puxa-la para baixo. O puxando bruscamente para jogá-lo o mais longe possível, a moça ficou surpresa ao ouvir um grito de dor vindo de cima de si, antes mesmo que pudesse olhar para cima ela foi jogada no chão quando algo grande e pesado caiu sobre ela.
Gemeu de dor com o impacto do chão e da tal coisa pesada que ainda estava em cima de seu pequeno corpo, e esta tal coisa também gemia de dor enquanto se remexia um pouco sobe si.
— O que pensa que está fazendo?!
A tal coisa se apoiou sobre as próprias mãos assim tendo a visão melhor do rosto de Sakura, a mesma ficou surpresa ao ver que o que caiu da árvore era na verdade um homem, e não algum animal selvagem.
— Ora, foi você que colocou aquela coisa na minha cabeça! — Retrucou também irritada, estava em um lugar desconhecido e assustador, estava cansada e com sono, apenas desejava sua cama de volta, não estava com paciência para pessoas ignorantes.
— Eu não coloquei nada em você! Estava apenas dormindo! — Devolveu no mesmo tom ainda em cima da moça.
— Então o que era aquela coisa?!
Perguntou duvidando do rapaz. Esperava mais alguma resposta ignorante vinda dele, porém repentinamente ele ficou rubro e calado. Apenas foi com a timidez repentinamente do homem que ela percebeu a proximidade que se encontravam. Ainda caídos no chão o grande corpo continuava sobre o seu, seus rostos estavam tão próximos que sentiam suas respirações batendo uma contra a outra.
Rapidamente o homem se levantou se afastando da moça que se sentou, ajeitando seu vestido que havia levantado um pouco durante a queda.
O rapaz permanecia vermelho, tentava disfarça seu nervosismo e seu coração que batia como louco, jurava que a garota poderia ouvi-lo de onde estava se não fosse os grilos que cantavam naquela área. Tomando coragem voltou a observar a moça que já se levantava, limpado pela segunda vez, seu vestido que continha um pouco de terra.
— Uma forasteira? — Resmungou ao ver os cabelos raros da moça.
— O que disse? — Perguntou a moça ao ouvir o rapaz resmungar algo que não conseguiu entender. Ao olha-lo foi que percebeu algo que não tinha visto antes. — Ga-Gato?!
Exclamou surpresa ao enxergar o longo rabo peludo de gato que vinha de trás do rapaz, o mesmo mexia como um de verdade. Em sua cabeça, em meio aos longos fios escuros amarrados em um rabo de cavalo caído, estavam duas orelhas também de gato que se mexiam assim como o rabo. A moça sentiu uma grande vontade de toca-los, para ver como aquilo funcionava.
— I-isso se mexe?
Se perguntou aproximando-se um pouco do rapaz, olhava-o fascinada, como se visse pela primeira vez um bicho em extinção.
— Claro que mexe, faz parte do meu corpo e está vivo. — Respondeu ainda com sua ignorância, porém bem mais calmo que antes. — Mas me diga, como conseguiu chegar aqui?
— Aqui? — Se perguntou ao que ele se referia. Por acaso ele sabia que não pertencia a aquele mundo?
— É muito raro ter forasteiros por aqui, para chegar a este mundo você precisaria da ajuda de alguém daqui.
— Então você sabe como me mandar de volta?! — Perguntou esperançosa ao rapaz que não tinha muitas expressões no rosto.
— Bom, depene bastante da sua situação.
— Da minha situação? — Se perguntou o que ele quis dizer com isso, então preferiu contar toda a historia dês que chegou ali, claro tirando a parte do beijo, e do Chapeleiro junto com a Lebre assassina.
— Poção?!
A surpresa no rapaz fez Sakura se assustar um pouco.
— Sim. Estava nesse frasco.
Falou tirando o pequeno frasco do bolso de seu avental.
— Aquele coelho maldito! — Rosnou ao mencionar o Uchiha de antes, fazendo Sakura pensar que ele não era muito bem-vindo em nem um lugar por ali.
— Então... você poderia me levar de volta para casa?
Perguntou contendo um brilho de esperança nos olhos, o gato soltou um suspiro fazendo Sakura se preocupar.
— Como se chama? — Repentinamente o homem mudou de assunto fazendo Sakura se perguntar no que ele planejava. — Me chamo Otsutsuki Indra.
Se apresentou sem nem uma formalidade, apenas esperando que a mesma também falasse seu nome.
— Otsutsuki? Não é um Uchiha como os outros?
— Oh, então já se encontrou com outros. — Falou seco, fazendo Sakura se culpar por não ter contado sobre o dono da mansão e seu subordinado. — É uma longa historia, e não estou nem um pouco afim de conta-la. Mas então, como se chama?
— Haruno Sakura.
— Então, Sakura. Sinto muito informa-la, mas não poderá voltar para casa.
— O que?! — Olhou indignada para o rapaz calmo que parecia dar a minima para sua situação atual.
— A poção que ele a fez beber é algo que não a deixará mais sair deste mundo, a unica forma de sair é preenchendo o frasco novamente.
— Preenchendo? Mas como?!
— Olhe o frasco novamente.
Sem muitas escolhas fez o que foi mandado, olhando atentamente o frasco finalmente percebeu um pouco de um liquido azul que não estava ali antes.
— Mas, ele estava vazio.
— Parece que a medida que for conhecendo pessoas nesse mundo o frasco irá se encher por conta própria.
— Eh...?
O canto de um pássaro interveio a conversa entre os dois, fazendo a atenção de Sakura se voltar ao seu redor. O sol brilhava e o céu estava azul e limpo de nuvens, o canto dos pássaros substituíam os morcegos, grilos e corujas.
— Mas, não estava de noite a alguns minutos atrás?! — Olhou totalmente confusa para o céu.
— Não fique tão surpresa, isto é normal neste mundo.
— Sim, este é o mundo dos sonhos afinal...
— Mundo dos sonhos? — Indra abafou uma risada tirando uma olhar confuso da moça, afinal do que ele estava rindo? — Ache o que quiser, eu realmente não me importo.
Falou por fim voltado para o galho em que estava dormindo, Sakura olhou admirada com a agilidade do rapaz, era realmente como um gato.
— Ei espere!
— O que? Já te falei o que sei, agora o resto é com você. Apenas poderá voltar para casa quando o frasco estiver totalmente cheio.
Falou se espreguiçando enquanto escorregava no galho voltando a se deitar.
— Posso fazer mais uma pergunta? — Perguntou ao gato que permanecia de olhos fechados, sem receber uma resposta acabou perguntando o que realmente queria saber. — Este é o caminho certo para o castelo?
— Sim, claro, apenas siga este caminho e logo avistara ele.
Respondeu virando-se para o outro lado, tentando ignora-la, como um aviso que estava o incomodando, mesmo que isto já estava claro em sua voz.
— Obrigada.
Agradeceu curvando-se levemente para frente, logo se retirando deixando o gato dormir em paz.
— Afinal, o que aquele coelho esta planejando...?
Resmungou Indra, abrindo um de seus olhos observando a moça se afastar.
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